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11 de mar. de 2026
NO BRASIL, CUSTOS DA ENERGIA ELÉTRICA NA DEPENDÊNCIA DA AMAZÔNIA ...
..."RIOS VOADORES" NÃO DEVEM SER ESQUECIDOS!
Acima: imagem aérea feita por drone mostra a represa de Marimbondo, no município de Guaraci, no interior de São Paulo, com nível de água drasticamente reduzido, em outubro de 2025. (Foto: Joel Silva/Fotoarena/Folhapress)
DESTAQUES:
1) O debate sobre a Amazônia costuma girar em torno de biodiversidade, emissões de carbono e compromissos climáticos internacionais. Tudo isso é fundamental. Existe, contudo, uma dimensão menos evidente, apesar de afetar diretamente o bolso do brasileiro: a floresta interfere diretamente no preço da energia elétrica. Um estudo da Rede de Pesquisa e Produtividade (Rede PP&S) revelou que todo o desmatamento das últimas quatro décadas custou aos consumidores brasileiros mais de US$ 1 bilhão por ano na conta de luz.
2) A matriz elétrica brasileira é uma das mais renováveis do mundo, com mais de 80% da geração proveniente de fontes limpas. Boa parte dessa vantagem competitiva vem da hidreletricidade. O que nem sempre se destaca é que metade da energia produzida no país depende de chuvas influenciadas pela Amazônia. A floresta funciona como um vasto sistema de reciclagem de umidade. Pela evapotranspiração, libera vapor d’água que os “rios voadores” conduzem ao Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Ali estão as principais bacias hidrográficas e usinas do país.
3) Quando a floresta perde cobertura, esse mecanismo enfraquece. A redução da evapotranspiração altera os fluxos atmosféricos e diminui a precipitação em áreas-chave para a geração hidrelétrica. Não se trata de uma hipótese abstrata. O estudo “Energia das florestas: Os custos sociais do desmatamento para o setor energético brasileiro” estimou que, se o desmatamento acumulado desde 1985 tivesse sido evitado, a geração hidrelétrica brasileira poderia ser, hoje, cerca de 12,8 TWh maior por ano. Em termos percentuais, parece pouco, algo em torno de 2% da geração média. Mas, no sistema elétrico brasileiro, isso faz diferença. Quando a geração hidrelétrica cai, as usinas térmicas, que são mais caras, precisam ser acionadas para atender à demanda. Como elas costumam definir o preço da energia, esta entrada eleva o custo para todo o mercado. O resultado aparece no bolso do consumidor.
RIOS VOADORES.
É bom relembrar:
http://ecologiaemfoco.blogspot.com/2021/09/sem-agua-sem-energia-nunca-e-demais.html
10 de mar. de 2026
EVOLUÇÃO: MUITAS VEZES MAL COMPREENDIDA!
DESTAQUES:
1) Nós humanos há muito nos consideramos o ápice da evolução. Pessoas rotulam outras espécies como “primitivas” ou “antigas” e usam termos como animais “superiores” e “inferiores”.
Essa perspectiva antropocêntrica se consolidou em 1866, quando o cientista alemão Ernst Haeckel desenhou uma das primeiras árvores da vida. Ele colocou o “Homem”, claramente identificado, no topo. Essa ilustração ajudou a estabelecer a visão popular de que somos o objetivo final da evolução.
2) A biologia evolutiva moderna e a genômica desmentem essa perspectiva falha, mostrando que não há hierarquia na evolução. Todas as espécies vivas hoje, de chimpanzés a bactérias, são primas que têm linhagens igualmente longas, em vez de ancestrais ou descendentes.
Infelizmente, essas noções ultrapassadas continuam prevalecendo em revistas científicas e no jornalismo científico. Em meu novo livro, Understanding the Tree of Life (Entendendo a Árvore da Vida, em tradução livre), exploro por que é fundamentalmente enganoso considerar qualquer espécie atual como primitiva, antiga ou simples. Como biólogo evolutivo, ofereço uma visão alternativa que enfatiza a história complexa, não hierárquica e interconectada da evolução.
3) Não primitivas, apenas diferentes.
Os mamíferos ovíparos, os monotremados, são frequentemente rotulados como os mamíferos vivos mais “primitivos”. Essa categoria inclui o ornitorrinco e quatro espécies de equidnas. De fato, a oviparidade é uma característica antiga compartilhada com os répteis.
Mas os ornitorrincos também têm muitas adaptações recentes únicas que os tornam bem adequados ao seu estilo de vida: eles têm pés palmados para nadar e um bico com eletrorreceptores especializados que detectam presas na lama.
Os machos têm esporões com veneno que podem usar para se defender de rivais. Se você olhar pela perspectiva do ornitorrinco, eles são o auge da evolução para seu nicho ecológico específico.
Os equidnas podem parecer primitivos, especialmente porque não têm uma capacidade que os humanos têm: dar à luz filhotes vivos. No entanto, eles possuem muitas características extraordinárias que os humanos não têm. Os equidnas são conhecidos por sua cobertura externa de espinhos protetores.
Eles também têm garras poderosas para cavar, um bico sensível e uma língua longa e pegajosa, que usam para procurar formigas e cupins. Em uma competição direta para procurar presas em um cupinzeiro, um equidna facilmente superaria qualquer humano.
4) Outros mamíferos nativos da Austrália também aparecem nas listas de “mamíferos primitivos”, como muitas espécies de marsupiais – mamíferos com bolsa, incluindo cangurus, coalas e wombats. Essas espécies geralmente dão à luz filhotes pequenos e minimamente desenvolvidos, que então se mudam para a bolsa da mãe, onde completam o desenvolvimento.
O desenvolvimento na bolsa pode parecer inferior ao modo humano, mas tem suas vantagens. Por exemplo, os cangurus podem criar filhotes em três estágios de desenvolvimento diferentes simultaneamente.
7 de mar. de 2026
ÁGUA DA ATMOSFERA DE DESERTO: INVENTOR PREMIADO
A quantidade de água potável no planeta representa uma fração minúscula do total - algo que coloca a existência da nossa espécie em risco. Menos de 1% da água doce é adequada e acessível para o consumo humano. Por isso, quanto maior o desperdício, mais curto é o caminho para a escassez.
Uma invenção de um vencedor do Prêmio Nobel de Química, entretanto, tem potencial de virar o jogo quando o assunto é obtenção de água potável. Com o uso da chamada química reticular, o professor e químico Omar Yaghi, nascido na Jordânia, desenvolveu um equipamento capaz de extrair a umidade do ar – até mesmo de locais áridos – e transformar em água potável.
Tecnologia MOF: O aparelho utiliza materiais avançados chamados Estruturas Metalorgânicas (MOFs - Metal-Organic Frameworks). Esses materiais funcionam como "esponjas moleculares" altamente porosas, projetadas para capturar moléculas de água presentes no ar.
Capacidade e Eficiência: A máquina, desenvolvida pela empresa de Yaghi, a Atoco, é capaz de produzir até 1.000 litros de água limpa por dia.
Funcionamento Solar: O processo é passivo e sustentável. Durante a noite, o material MOF absorve a umidade do ar. Durante o dia, o calor natural do sol (ou baixa energia térmica) libera a água capturada, que condensa e é coletada, sem necessidade de eletricidade da rede.
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