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16 de jan. de 2020

MUDANÇAS CLIMÁTICAS EXIGEM MUDANÇAS DE ATITUDES URGENTES E EFICAZES

Reportado em:



DO OC – Duas ondas de calor consecutivas na Europa. Incêndios florestais devastadores na Rússia, na Califórnia e na Austrália. O pior ciclone já formado no Índico arrasando Moçambique. Uma rara tempestade tropical na Bahia. Calor insuportável em toda parte. Bem-vindo a 2019, o segundo ano mais quente da história.
Nesta quarta-feira (15), as agências federais americanas Nasa e Noaa e a Organização Meteorológica Mundial confirmaram o recorde, que já havia sido indicado na semana passada pelo serviço europeu Copernicus. Segundo a Nasa, no ano passado a Terra teve temperatura média 0,98oC mais alta do que a média do século 20. A Noaa, que usa uma metodologia ligeiramente distinta, pôs a diferença em 0,95oC – e 1,15oC acima da média pré-industrial.
Em ambos os casos, trata-se do segundo ano mais quente desde o início das medições com termômetros, em 1880. Perde apenas para 2016, e por uma diferença pequena de 0,04o C. A década de 2010 foi a mais quente de todos os tempos – os últimos cinco anos foram todos os mais escaldantes desde o início das medições.
“Nós entramos no território do aquecimento de mais de 2 graus Farenheit (1oC) e isso dificilmente tem volta”, afirmou ontem a jornalistas o climatologista Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa. “Isso mostra que o que está acontecendo é persistente, e não uma oscilação devida a algum fenômeno meteorológico: nós sabemos que as tendências de longo prazo estão sendo provocadas pelo aumento nos níveis de gases de efeito estufa na atmosfera”, prosseguiu.
Segundo a Noaa, 2019 foi o 43ano consecutivo em que as temperaturas ficaram acima da média. Também foi o ano em que os oceanos acumularam mais calor em toda a série histórica.
O acúmulo de calor nos oceanos tem dois efeitos: ele ajuda a elevar o nível do mar, por expansão térmica (fenômeno análogo ao que ocorre numa chaleira com água quente, em que o nível do líquido aumenta), e também serve de combustível para supertempestades. O ciclone Idai, que atingiu Moçambique e arrasou a cidade de Beira, em março, e a tempestade tropical Iba, que se formou na costa da Bahia no mesmo mês, são exemplos. Foi a primeira vez desde 2010 que uma tempestade tropical (tormenta da mesma categoria que furacões, tufões e ciclones) se formou no Atlântico Sul. Iba não chegou a ganhar força de furacão – teria sido o segundo registrado no Brasil, após o Catarina, em 2004.
Além de muita água, os eventos extremos de 2019 mandaram também muito calor e fogo para diferentes partes do planeta. A Europa foi assolada por duas ondas de calor, em junho e em julho, causando incêndios na Sibéria e recordes históricos de temperatura em vários lugares – inclusive 42,6oC em Paris. A Califórnia viveu mais um ano de incêndios graves, que já se tornaram endêmicos. E, desde setembro, a Austrália vive uma seca severa, que causou a catástrofe humanitária e ecológica dos incêndios, que se agravaram na virada do ano.
“Na atual trajetória de emissões, estamos no rumo de um aumento de temperatura de 3oC a 5oC até o fim do século”, disse o finlandês Petteri Taalas, diretor-executivo da OMM.
Pelo Acordo de Paris, a humanidade se comprometeu a limitar o aquecimento abaixo de 2oC e a fazer esforços para limitá-lo em 1,5oC. A própria ONU, porém, já admite que é improvável alcançar este objetivo. Segundo um relatório lançado em novembro pela ONU Meio Ambiente, para o mundo ter chance de se manter em 1,5oC, seria preciso cortar emissões de gases de efeito estufa em 7,6% ao ano todos os anos daqui até 2030. Nem mesmo o pico global de emissões foi alcançado ainda – que dirá tamanho declínio.
As negociações internacionais sobre a implementação do Acordo de Paris fizeram água no ano passado, com o fracasso da COP25, a conferência do clima do Chile-Madri. Neste ano, na COP26, todos os países foram convidados a submeter novas metas nacionais (NDCs), de forma a aumentar a ambição global. Apenas 108 disseram ter intenções de fazê-lo, e nenhum deles é um grande emissor: junta, essa centena de nações representa apenas 15% das emissões mundiais.
Pior ainda, o negacionismo sobre as mudanças do clima acompanha a ascensão da extrema-direita pelo mundo. Grandes poluidores como os EUA, a Austrália e o Brasil têm governos negacionistas. Todos os três se empenharam para produzir um fiasco no ano passado em Madri.

14 de jan. de 2020

MUDANÇAS CLIMÁTICAS EXIGEM MAIOR RIGOR NA FISCALIZAÇÃO E EXTREMO RIGOR PARA PROTEGER AS RESERVAS. MAS MESMO ASSIM...

O aquecimento global deve tornar vastas porções da selva amazônica parecidas com a inflamável Austrália nos próximos 30 anos. Matas úmidas que antes não pegavam fogo deverão queimar anualmente, elevando ainda mais as emissões de gases de efeito estufa. Isso tende a ocorrer mesmo sem desmatamento – embora de forma menos grave se os brasileiros pararem de derrubar suas florestas.
O alerta foi feito nesta sexta-feira (10) por uma dezena de cientistas do Brasil e dos Estados Unidos no periódico Science Advances. Em seu estudo, eles cruzaram o comportamento do fogo na Amazônia com os modelos climatológicos do IPCC, o painel do clima da ONU.
Antes que alguém diga que se trata apenas de suposição de acadêmicos, cabe lembrar que na análise foram usadas  versões mais sofisticadas dos modelos computacionais que há pelo menos 13 anos já previam que a mudança do clima induziria secas severas e incêndios catastróficos no continente australiano, como os que estamos vendo desde setembro do ano passado.
O grupo liderado por Paulo Brando, da Universidade da Califórnia em Irvine e do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), estimou que os incêndios florestais induzidos pelo aquecimento da Terra atingirão 16% da Amazônia brasileira até 2050. A área de florestas sujeita a fogo anualmente dobrará em relação à década passada, já anormalmente seca – de 3,3 milhões de hectares pra 6,6 milhões. Nesse mesmo período, somente as emissões brutas por fogo em matas podem chegar a 17 bilhões de toneladas. É quase dez vezes o que o Brasil emite em toda a sua economia por ano.
Esses incêndios e essas emissões não devem ser confundidos com as emissões por queimadas e desmatamento. Neste último caso, criminosos derrubam florestas – frequentemente para plantar capim e especular com a terra, em busca de anistias futuras, como a dada por Jair Bolsonaro em dezembro – e tocam fogo na vegetação derrubada para “limpar” o terreno. Foi o que aconteceu em 2019, ano em que as queimadas na Amazônia aumentaram 30% em relação ao ano anterior, e que o desmatamento, vejam só, também subiu 30%.
Mas há outro tipo de incêndio na Amazônia: são os fogos que atingem florestas vivas em anos extremamente secos, como os de El Niños graves. Foi o que aconteceu, por exemplo, em Roraima em 1998, ou na porção central-sul da Amazônia nos anos de seca recorde de 2005, 2010 e 2015/16.
Brando e seus colegas postulam que esses incêndios recorrentes em matas em pé ultrapassarão o desmatamento como principal causa das emissões de gases de efeito estufa por destruição da Amazônia.
“Este estudo é o primeiro a estimar a área queimada e o balanço de carbono após incêndios florestais. Agora temos uma base sólida quando dissermos que os incêndios florestais na Amazônia se tornarão um problema cada vez maior”, afirmou o pesquisador do Ipam ao OC (Observatório do Clima).
CHURCHILL
Os cientistas fizeram suas simulações de clima futuro em computador, utilizando dois cenários climáticos dos modelos do IPCC: o chamado RCP 2.6, no qual a humanidade tem sucesso em estabilizar o aquecimento em 2oC, em linha com o Acordo de Paris; e o RCP 8.5, no qual nada é feito para combater as emissões de carbono. A chance de fogo no centro-sul da Amazônia (que concentra 60% da área do bioma no Brasil) foi cruzada com os cenários de clima em dois cenários de desmatamento: um com taxas semelhantes às atuais e um sem.
Nos cenários com desmatamento, a área queimada entre 2010 e 2050 ultrapassa 22 milhões de hectares (20.000 km2) e as emissões acumuladas brutas chegam a 17 bilhões de toneladas.
Nos cenários sem desmatamento a área queimada e as emissões caem 30%.
“Nossa análise mostra que teremos de ter uma estratégia em dois trilhos para proteger a Amazônia”, afirma Douglas Morton, pesquisador do Centro Goddard de Voo Espacial da Nasa, especialista em fogo na Amazônia e coautor do estudo. “Reduzir o desmatamento limita a quantidade de florestas em risco nas próximas décadas, mas essa ação precisa ser casada com esforços globais para reduzir emissões de gases-estufa”, prossegue. “As simulações mostram risco de fogo mesmo sem novos desmatamentos, indicando como a mudança do clima dificultará evitar danos pelo fogo no futuro.”
Brando diz que, mesmo com efeito limitado, os esforços de eliminação do desmatamento precisam acontecer, para não ampliar ainda mais a catástrofe que se anuncia. Ele lembra que o título do artigo científico, The gathering firestorm (a aproximação da tempestade de fogo), é uma referência ao primeiro volume das memórias de Winston Churchill sobre a 2a Guerra Mundial, The gathering storm (a aproximação da tempestade).
“Churchill descreve seus esforços para convencer o Parlamento britânico a agir contra a Alemanha nos anos 1930. Mesmo que as chances de ação sejam pequenas, nosso papel é informar o público e a comunidade científica sobre o problema iminente.”

4 de jan. de 2020

GLOSSÁRIO DE ECOLOGIA: VÍDEO DE APRESENTAÇÃO E ACESSO PARA OBTÊ-LO

Vídeo de apresentação:


https://youtu.be/IuZMRYUkI0s


Acesse e baixe o GLOSSÁRIO DE ECOLOGIA no seu computador:

https://1drv.ms/w/s!AlSvfvbpbplfrizKHB2wF5NvO7wt