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10 de mar. de 2026

EVOLUÇÃO: MUITAS VEZES MAL COMPREENDIDA!

DESTAQUES: 1) Nós humanos há muito nos consideramos o ápice da evolução. Pessoas rotulam outras espécies como “primitivas” ou “antigas” e usam termos como animais “superiores” e “inferiores”. Essa perspectiva antropocêntrica se consolidou em 1866, quando o cientista alemão Ernst Haeckel desenhou uma das primeiras árvores da vida. Ele colocou o “Homem”, claramente identificado, no topo. Essa ilustração ajudou a estabelecer a visão popular de que somos o objetivo final da evolução. 2) A biologia evolutiva moderna e a genômica desmentem essa perspectiva falha, mostrando que não há hierarquia na evolução. Todas as espécies vivas hoje, de chimpanzés a bactérias, são primas que têm linhagens igualmente longas, em vez de ancestrais ou descendentes. Infelizmente, essas noções ultrapassadas continuam prevalecendo em revistas científicas e no jornalismo científico. Em meu novo livro, Understanding the Tree of Life (Entendendo a Árvore da Vida, em tradução livre), exploro por que é fundamentalmente enganoso considerar qualquer espécie atual como primitiva, antiga ou simples. Como biólogo evolutivo, ofereço uma visão alternativa que enfatiza a história complexa, não hierárquica e interconectada da evolução. 3) Não primitivas, apenas diferentes. Os mamíferos ovíparos, os monotremados, são frequentemente rotulados como os mamíferos vivos mais “primitivos”. Essa categoria inclui o ornitorrinco e quatro espécies de equidnas. De fato, a oviparidade é uma característica antiga compartilhada com os répteis. Mas os ornitorrincos também têm muitas adaptações recentes únicas que os tornam bem adequados ao seu estilo de vida: eles têm pés palmados para nadar e um bico com eletrorreceptores especializados que detectam presas na lama. Os machos têm esporões com veneno que podem usar para se defender de rivais. Se você olhar pela perspectiva do ornitorrinco, eles são o auge da evolução para seu nicho ecológico específico. Os equidnas podem parecer primitivos, especialmente porque não têm uma capacidade que os humanos têm: dar à luz filhotes vivos. No entanto, eles possuem muitas características extraordinárias que os humanos não têm. Os equidnas são conhecidos por sua cobertura externa de espinhos protetores. Eles também têm garras poderosas para cavar, um bico sensível e uma língua longa e pegajosa, que usam para procurar formigas e cupins. Em uma competição direta para procurar presas em um cupinzeiro, um equidna facilmente superaria qualquer humano. 4) Outros mamíferos nativos da Austrália também aparecem nas listas de “mamíferos primitivos”, como muitas espécies de marsupiais – mamíferos com bolsa, incluindo cangurus, coalas e wombats. Essas espécies geralmente dão à luz filhotes pequenos e minimamente desenvolvidos, que então se mudam para a bolsa da mãe, onde completam o desenvolvimento. O desenvolvimento na bolsa pode parecer inferior ao modo humano, mas tem suas vantagens. Por exemplo, os cangurus podem criar filhotes em três estágios de desenvolvimento diferentes simultaneamente.

7 de mar. de 2026

ÁGUA DA ATMOSFERA DE DESERTO: INVENTOR PREMIADO

A quantidade de água potável no planeta representa uma fração minúscula do total - algo que coloca a existência da nossa espécie em risco. Menos de 1% da água doce é adequada e acessível para o consumo humano. Por isso, quanto maior o desperdício, mais curto é o caminho para a escassez. Uma invenção de um vencedor do Prêmio Nobel de Química, entretanto, tem potencial de virar o jogo quando o assunto é obtenção de água potável. Com o uso da chamada química reticular, o professor e químico Omar Yaghi, nascido na Jordânia, desenvolveu um equipamento capaz de extrair a umidade do ar – até mesmo de locais áridos – e transformar em água potável. Tecnologia MOF: O aparelho utiliza materiais avançados chamados Estruturas Metalorgânicas (MOFs - Metal-Organic Frameworks). Esses materiais funcionam como "esponjas moleculares" altamente porosas, projetadas para capturar moléculas de água presentes no ar. Capacidade e Eficiência: A máquina, desenvolvida pela empresa de Yaghi, a Atoco, é capaz de produzir até 1.000 litros de água limpa por dia. Funcionamento Solar: O processo é passivo e sustentável. Durante a noite, o material MOF absorve a umidade do ar. Durante o dia, o calor natural do sol (ou baixa energia térmica) libera a água capturada, que condensa e é coletada, sem necessidade de eletricidade da rede.

BIODIVERSIDADE NA AMAZÔNIA: SÍMBOLO MUNDIAL

REPRODUZIDO DE: https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/virgilio-viana/post/2026/03/amazonia-como-simbolo-global-da-biodiversidade.ghtml
DESTAQUES: 1) Em 2026, o Brasil volta a estar no centro do debate ambiental global, não apenas pelo legado da COP30, em Belém, mas também por sediar, pela primeira vez, a COP da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), em Campo Grande (MS), tendo a região do Pantanal como referência simbólica e territorial desse encontro. Esse duplo contexto ajuda a lembrar uma ideia essencial: a biodiversidade não é estática — ela é rede, fluxo e interdependência. 2) Quando olhamos para a biodiversidade, os números impressionam. O Brasil detém cerca de 13% de toda a biodiversidade global. Na Amazônia, um relatório recente da Academia Brasileira de Ciências estima aproximadamente 40 mil espécies de plantas na região e aponta a presença de mais de 2,5 milhões de espécies de insetos. Já no Pantanal, uma síntese técnico-científica publicada pela Embrapa descreve uma diversidade igualmente notável, com mais de 2.000 espécies de plantas, além de centenas de espécies de aves, mamíferos e peixes, também com sub-registro em vários grupos. Em outras palavras: Amazônia e Pantanal são bibliotecas vivas. É importante observar que números são conservadores: muitas espécies nem foram ainda descritas. 3)SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS. A COP15 da CMS, mobiliza o Brasil e o mundo em torno de uma agenda que, no fundo, é a mesma: manter a conectividade dos ecossistemas e habitats, reduzindo pressões humanas que interrompem esses ciclos. Isso é essencial para manter serviços ecossistêmicos essenciais, incluindo o regime de chuvas, a polinização das frutas e o combate biológico a pragas e doenças.