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28 de abr. de 2023

FERROVIA NA AMAZÔNIA: SEMPRE ACHEI COMO IMPORTANTE AÇÃO PARA CONTROLE MAIS EFETIVO CONTRA O DESMATAMENTO

REPRODUZIDO DE: https://www.cnnbrasil.com.br/forum-opiniao/ferrovia-x-asfalto-na-amazonia/
Um dos maiores desafios para a redução do desmatamento na Amazônia é uma obra de infraestrutura. Trata-se da ligação entre Manaus e Porto Velho. Dependendo da decisão a ser tomada, podemos ter uma aceleração do desmatamento ou uma guinada rumo a uma economia verde e sustentável. Iniciada em 1968 e concluída em 1973, a BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, foi inaugurada oficialmente em 1976. Na década de 1980, essa rodovia ficou em péssimas condições e, desde então, é basicamente não trafegável, exceto nos poucos meses de seca, quando se torna uma aventura para poucos. Fiz essa jornada pela última vez em dezembro de 2021 e pude viver e ver de perto a situação. A maioria das lideranças políticas e empresários da região, da esquerda e da direita, defendem o asfaltamento. A quase totalidade dos cientistas e ambientalistas são contra o asfaltamento. Historicamente, os governos estaduais e federal lutam pelo licenciamento ambiental da obra de reconstrução da estrada e o Ibama e Ministério Público Federal resistem. É um impasse que dura décadas. Precisamos de uma solução capaz de unir as diferentes visões. Os cientistas e ambientalistas sustentam que o asfaltamento da estrada implicará na explosão do desmatamento. Em nossa última viagem, vimos de perto o dinâmico comércio ilegal de terras e a ausência de postos de fiscalização ambiental. Desde 2005, sou defensor da proposta de ferrovia. Em 2006, ainda como secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do estado do Amazonas, contratamos a Fundação Getúlio Vargas para elaborar um estudo sobre a viabilidade da ferrovia como alternativa ao asfaltamento da rodovia. Entregamos esse estudo ao Governo Federal e a proposta chegou a ser encampada pelo Governo do Amazonas. A conclusão do estudo apontou para a viabilidade da obra do ponto de vista de engenharia e do ponto de vista financeiro. O valor das emissões de carbono que seriam evitadas equivaleriam a quatro vezes o custo da obra. Hoje, o valor do carbono triplicou e surgiu um fato novo: a possibilidade de usar a ferrovia para escoar a gigantesca jazida de potássio do Amazonas, hoje importado e com fornecimento afetado pela guerra na Ucrânia. Existe um momento favorável para mobilizar recursos vinculados à agenda climática para um financiamento híbrido, que combine recursos não reembolsáveis, recursos de empréstimo e recursos dos tesouros federal e estaduais. Esse financiamento deve ir além da obra de infraestrutura. Os recursos precisam incluir também o financiamento de um grande programa de desenvolvimento territorial sustentável, valorizando a floresta em pé e criando oportunidades de geração de renda, eliminação da pobreza extrema e conservação ambiental, desde a calha do rio Madeira até a calha do rio Purus. Os setores empresariais da construção civil, turismo e do Polo Industrial de Manaus seriam muito favorecidos com a ferrovia em função do seu baixo custo de transporte e menor vulnerabilidade aos fenômenos climáticos de cheias e secas. A redução dos custos de logística beneficiaria também a economia do estado de Roraima e a ligação do restante do Brasil com os países do norte da América do Sul. Além disso, a ferrovia seria um modal adicional para a exportação da produção agropecuária do Acre, Rondônia e Mato Grosso pelo rio Amazonas e permitiria a conexão terrestre de Roraima e Amazonas com o restante do país. Com a ferrovia poderíamos sair do imobilismo das últimas décadas para uma solução moderna e compatível com um novo posicionamento do Brasil no cenário global. Necessitamos de sinais claros de que temos projetos para que o Brasil saia da posição de vilão do combate às mudanças climáticas para o papel de protagonista de um novo estilo de desenvolvimento, baseado na valorização da floresta em pé combinando desenvolvimento econômico com redução das desigualdades sociais. Essa agenda poderia unir diferentes segmentos da sociedade, independentemente de partidos políticos. Por tudo isso, creio que é urgente e necessário aprofundar os estudos e o debate sobre a ferrovia Manaus – Porto Velho. Essa ferrovia pode ser o caminho para mantermos acesa a chama da esperança de uma Amazônia próspera, inclusiva e resiliente às mudanças climáticas globais.

26 de abr. de 2023

GARIMPO DO OURO NA AMAZÔNIA. HÁ POSSIBILIDADE DE EXPLORAÇÃO SUSTENTÁVEL

REPRODUZIDO DE: https://jornal.usp.br/radio-usp/jornal-da-usp-no-ar-2/jornal-da-usp-no-ar/os-caminhos-para-a-sustentabilidade-no-garimpo-de-ouro-na-amazonia/
A exploração do ouro, minério com grande demanda no Brasil, pode ser feita de maneira sustentável, por meio de transformações que começam desde a atividade garimpeira. É o que explica Carlos Henrique Xavier Araújo, doutor em Ciências do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mineral do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo e engenheiro de Minas pela Escola Politécnica da USP, a partir de sua tese de doutorado Análise dos desafios sociais e técnicos para transformações voltadas à sustentabilidade no garimpo de ouro na Amazônia Brasileira. Por dentro da pesquisa A principal motivação da pesquisa é buscar respostas e oportunidades de transformação, mudando a imagem que se tem da atividade garimpeira: “O garimpo de ouro não deve ser tratado apenas como um problema, porque envolve milhares de pessoas que dependem dessa atividade e é feita de forma legal diante dos órgãos competentes, com licenças ambientais”, explica Araújo. A pesquisa de campo explorou dois lugares: o primeiro foi a região de Lourenço, em Calçoene, no Amapá, que é centenária na extração de ouro, tem uma cooperativa de garimpeiros, e que aborda a importância do cooperativismo nessa região, e a segunda rota foi de Sinop, no Mato Grosso, até Santarém, no Pará, onde se observou a relação da estrada e do garimpo de ouro. Desenvolvimento local Carlos Henrique Xavier Araújo – Foto: Reprodução/LinkedIn Entender a situação dos pequenos garimpeiros visa a encontrar soluções para o futuro, não só para o presente. “Não é apenas ter o direito minerário para trabalhar legalmente, mas também enfatizar a melhora das condições de trabalho das pessoas e também uma capacitação contínua, porque o cooperativismo pode ser esse vetor de transformação”, diz Araújo. Ele também enfatiza os custos e esforços que precisam ser feitos para que uma inovação aconteça: “A gente tem que pensar que, para fazer esse processo de transformação, tem um custo. Alguém tem que pagar a conta, então a gente tem que gerenciar essa implementação de mudanças, ter o apoio de análise de dados, entender mais sobre a caracterização desse minério. Qual é o teor? Qual é essa informação para conseguir repassar isso para os trabalhadores, para os donos dos garimpos, os representantes das cooperativas e a gente conseguir pensar num planejamento estratégico para implementar essa mudança?”. Além das cooperativas, diferentes atores podem participar desse processo, como o governo e ONGs que seguem a legislação mineral. “O bem mineral é da União. Se o bem mineral é da União, o governo pode trabalhar com fiscalização contínua, o governo pode apoiar a capacitação de cooperativas, a capacitação de melhorar as condições de vida das pessoas que estão na atividade da pequena mineração.” E as ONGs, fazendo seu papel de fiscalização da biodiversidade na Amazônia, têm como papel o diálogo: Ouvir todas as áreas sobre como a gente pode melhorar a preservação ambiental da nossa Amazônia”, complementa.

25 de abr. de 2023

A MISTERIOSA, INSUBSTITUÍVEL E MAIS SIMPLES E IMPORTANTE SUBSTÂNCIA DO NOSSO PLANETA: A ÁGUA

https://youtu.be/OY3L1DPgxjA Efeito Mpemba – uma esquisitice da água descoberta por uma criança (Marcia Barbosa e Rogelma Ferreira) Erasto Bartholomeo Mpemba, um menino da Tanzânia de 13 anos de idade fazia sorvete para ganhar uns trocados. O processo de produção do sorvete era bastante simples, consistindo em ferver o leite misturado com açúcar e com algum ingrediente ou fruta para dar um sabor. Após esperar o líquido inicialmente a 100 ºC atingir a temperatura ambiente, Erasmo o colocava na geladeira para o sorvete se formar a partir do congelamento da água. Vários colegas do Erasto na escola de Magamba na Tanzania produziam sorvete para vender e compartilhavam o mesmo refrigerador, o que tornava a atividade competitiva. Certo dia, Erasto e um colega compraram leite de uma das vendedoras locais. Enquanto ele fervia a mistura, o seu colega, tentando adiantar a sua produção, colocou na geladeira o leite misturado ao açúcar a temperatura ambiente. Para não perder o último espaço que ainda restava no refrigerador e notando a competição injusta, Erasto colocou o leite ainda quente na geladeira. Uma hora e meia depois, os dois jovens voltaram para examinar os recipientes e, para grande surpresa deles, o pote colocado por Erasto congelara enquanto o pote do colega ainda permanecia líquido. O comportamento contraintuitivo do sorvete despertou a curiosidade de Erasto. Afinal, para chegar ao congelamento em 0 oC o recipiente a 100 oC teria que passara por 35 oC. A mistura comportava-se como dois corredores, um saindo a 100 m e outro a 35 m da chegada, em que o corredor saindo da maior distância, 100 m, chegasse ao ponto final primeiro. Para entender o que ocorrera, ele perguntou para o seu professor de ciências uma explicação para água quente congelar mais rápido do que água fria. O professor respondeu que isto seria impossível e que o estudante estaria confuso. Erasto não convencido com a fala do professor passou a procurar outras evidências. Durante as férias visita um amigo cozinheiro e acostumado a fazer grandes quantidades de sorvete em Tanga, cidade portuária muito quente da Tanzânia. O cozinheiro ao ser questionado sobre a metodologia usada na sua produção do sorvete, explicou que colocava o líquido ainda quente na geladeira e que tinha aprendido com o irmão, produtor de sorvete há muitos anos, que o sorvete ficaria pronto mais rapidamente desta forma. Após aprovação em seus estudos iniciais, Erasto muda-se para a escola de segundo grau Mkwawa na cidade de Iringa. O primeiro assunto de física estudado foi a lei de resfriamento de Newton. Durante a aula, ele questionou o seu professor sobre a possibilidade de água quente congelar mais rápido que água fria, o que parecia contradizer a lei de Newton. Novamente, o docente respondeu que ele estava enganado e, vendo a insistência do estudante, que dizia serem suas afirmações baseadas em evidências, o docente passa a chamar as observações de Erasto Mpemba de “a física do Mpemba”. Daí em diante, qualquer erro do Erasto, um erro de matemática, por exemplo, o seu professor também passa a dizer: “Esta é a matemática do Mpemba”. Toda a turma reproduzia isto e o estudante tornou-se uma piada. Qualquer outro estudante teria se intimidado frente a esta atitude de “bullying” do professor, mas Erasto Mpemba era resiliente. Certo dia, ao encontrar o laboratório de biologia da escola aberto, ele colocou uma mesma quantidade de água em dois copos do tipo becker, um com água a 100 oC e outro a 35 oC. Uma hora depois, ele observou que no copo onde a água inicialmente estava a 100 oC, havia mais gelo que no copo com água inicialmente a 35oC. Confiante no experimento e aproveitando a palestra de um professor da Universidade Dar es Salaam em sua escola, ele perguntou ao Dr. Osborne se este saberia explicar tal resultado tão inusitado. Os colegas de Erasto o disseram que ele os havia envergonhado ao fazer a pergunta e que o seu objetivo seria fazer uma pergunta que o Dr. Osborne não saberia responder. Contudo, diferentemente dos professores anteriores, embora não soubesse a razão do resultado interessante, o Dr. Osborne prometeu testar em seu laboratório e encorajou o estudante a repetir o experimento. Desta parceria tão peculiar nasce a primeira publicação relatando o fenômeno que passou a ser intitulado por Efeito Mpemba. Este artigo deu origem a outros experimentos mais detalhados, simulações e teorias. Hoje já se sabe, graças a estes experimentos, que o congelamento da água depende de processos de convecção e evaporação superficial governados pela dinâmica das ligações de hidrogênio. Esta dinâmica gera caminhos de congelamento distintos. Podemos imaginar que no congelamento existam muitas estradas para se chegar a 0 oC, estradas estas que diferem pela temperatura inicial da trajetória. Cientistas de todo o mundo ainda buscam a compreensão teórica deste comportamento esquisito da água revelado pelo curioso e resiliente menino africano. (Marcia Barbosa é Professora Titular da UFRGS e Diretora da Academia Brasileira de Ciências, e Rogelma Ferreira é professora da UFRB)

“ESTAMOS NOS AFOGANDO EM CONHECIMENTOS. E MORRENDO DE INANIÇÃO EM SABEDORIA” (Edward Wilson/ biólogo norte-americano)

Obras na Lagoa do Abaeté barradas pelo judiciário A Prefeitura de Salvador (BA) quer urbanizar o local sem estudos e licença e, ainda, mudar seu nome para agradar grupos evangélicos ALDEM BOURSCHEIT · 24 de abril de 2023 A Prefeitura de Salvador (BA) deve encerrar imediatamente qualquer obra nas áreas da Lagoa do Abaeté e do Parque das Dunas. A administração municipal, do União Brasil, pretende urbanizar a região e alterar o nome da lagoa para “Monte Santo Deus Proverá”, atendendo a evangélicos. A decisão da Justiça Federal responde a ações do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública da União (DPU). Nas mesmas também foi acionado o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que deverá acelerar o tombamento das áreas. Um projeto de R$ 5 milhões seria conduzido pela Secretaria Municipal de Infraestruturas e Obras Públicas (Seinfra) e incluiria a construção de uma sede, sanitários, auditório, iluminação, macro e microdrenagem, recantos e mirantes turísticos nas zonas da lagoa e do parque. Todavia, as áreas alvo da sanha urbanizadora-religiosa são de preservação permanente e protegidas pela legislação federal e estadual. Também integram o patrimônio natural, social, cultural e religioso-africano de Salvador. Obras nos locais dependem de estudos, licenciamento e consultas públicas.

21 de abr. de 2023

LIXO NO OCEANO PACÍFICO: NOVO "ECOSSISTEMA"?!

https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2023/04/19/grande-mancha-de-lixo-no-pacifico-por-que-virou-ecossistema-quais-os-riscos-e-por-qual-razao-nao-foi-eliminada-ainda.ghtml DESTAQUE Os pesquisadores identificaram 484 organismos invertebrados marinhos nos detritos, representando 46 espécies diferentes, das quais 80% são normalmente encontradas em zonas costeiras. Esses habitantes, em sua maioria, são microorganismos, plantas e algas que se aderem aos animais invertebrados aquáticos, como moluscos e esponjas. ARTIGO ORIGINAL NA "NATURE": https://www.nature.com/articles/s41559-023-01997-y

14 de abr. de 2023

POR QUÊ URSOS EM HIBERNAÇÃO NÃO SOFREM TROMBOSE?!

DESTAQUE Ursos hibernantes fornecem pistas para prevenir coágulos graves em humanos. Baixos níveis do fator de coagulação HSP47 protegem os gigantes adormecidos de coágulos sanguíneos, e o mesmo pode ser possível para humanos e outros mamíferos. RESUMO A trombose venosa profunda (TVP) é uma característica comum da imobilização de curto prazo, que ocorre, por exemplo, em pacientes com paralisia aguda. No entanto, na imobilização crônica - por exemplo, devido a uma lesão na medula espinhal - a incidência de TVP é igual à da população em geral. Os mecanismos que protegem contra a TVP durante a imobilização crônica em pacientes com lesão na medula, são desconhecidos. Neste artigo, publicado na revista SCIENCE, os autores relatam uma análise da maquinaria tromboinflamatória em ursos pardos em hibernação (Ursus arctos), que raramente sofrem de TVP apesar de 6 meses de imobilização durante a hibernação. Eles descobriram que as plaquetas de ursos em hibernação exibem uma assinatura antitrombótica caracterizada por diminuição da expressão da proteína de choque térmico 47 (HSP47) e biomarcadores gerais reduzidos de tromboinflamação em comparação com os de ursos pardos marrons ativos. Além disso, essa assinatura é conservada em diferentes espécies animais, incluindo camundongos, porcos e humanos, sugerindo que esse poderia ser um alvo terapêutico para reduzir a TVP em pacientes imobilizados. DESTAQUE: PARA QUEM FAZ LONGA VIAGEM AÉREA Há uma razão pela qual longos voos de avião aumentam o risco de condições de coagulação sanguínea, como trombose venosa profunda: a imobilidade faz com que as veias se doem, permitindo que o sangue se acumule e potencialmente se coagule. Mas animais em hibernação, como ursos e esquilos terrestres, não têm esse problema.
COMO OCORRERIA O TROMBO Vários fatores biológicos desempenham um papel na formação de coágulos, incluindo plaquetas, células imunes e colágeno. Mas um passo essencial é a ativação das plaquetas pelo colágeno: as plaquetas se ligam ao colágeno na parede do vaso sanguíneo e começam a se aglomerar. No entanto, as plaquetas dos ursos em hibernação não conseguiram se agregar na presença do colágeno. Além disso, uma análise de espectrometria de massa revelou que, em ursos em hibernação, as plaquetas produziram cerca de 55 vezes menos HSP47 do que suas contrapartes de verão, mais vigorosas. Nas plaquetas, esta proteína está envolvida na sinalização de colágeno ao lado de outros receptores de colágeno envolvidos na trombose. “A proteína é altamente conservada em todo o reino animal”, dizem os pesquisadores. Os pesquisadores também encontraram evidências de tromboinflamação.

SE NÃO PARARMOS AS EXPLOSÕES POPULACIONAIS HUMANAS...

DESTAQUE https://www.worldometers.info/br/

13 de abr. de 2023

GARIMPOS EM TERRAS DOS YANOMAMI: NADA FÁCIL ACABAR

Boa Vista (RR) – Em um vídeo obtido com exclusividade pela Amazônia Real, homens aparecem manuseando mangueiras de alta pressão em direção a um barranco de terra. Com a força da água, o barro cede gradualmente. Nas imagens, dois deles avaliam o que cai do lugar e recolhem pedaços, em uma espécie de pré-seleção. O local chama a atenção pela estrutura montada no seio da floresta, com refletores e bombas para manter o garimpo operando no turno da noite, como narra a pessoa que fez a gravação. “Oito da noite, aí menino, mandando ferrado”, diz ela, enquanto os que estão sendo filmados avançam mata adentro. O vídeo foi gravado há duas semanas, na região do Xitei, na Terra Indígena Yanomami (TIY). Logo após o início da operação emergencial na TIY, os garimpeiros passaram a buscar formas de se manter em atividade. Muitos fugiram para a Venezuela, país fronteiriço. Outros apenas têm se deslocado para áreas mais remotas, porém com o cuidado de fugir da fiscalização. O garimpo ilegal no período da noite tem aumentado. Lideranças de comunidades locais, os tuxauas, têm denunciado o problema. Eles reclamam do barulho de máquinas e da movimentação de homens trabalhando no horário de descanso dos povos da floresta. “É um esquema dos garimpeiros que já perderam muito dos seus maquinários, aviões e combustível. Então eles criaram estratégias para fazer um trabalho de busca de ouro, exploração de ouro à noite”, explica Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY). “A gente denuncia e a gente sabe que os garimpeiros são muito espertos. Durante o dia é complicado para eles por causa do monitoramento do Ibama e da Polícia Federal [PF].” A liderança afirma que algumas regiões da TIY continuam sem receber equipes de fiscalização. É isso que permite que o garimpo siga em operação nas regiões do Baixo Catrimani, Missão Catrimani e Alto Catrimani 1. “Nenhuma operação foi realizada lá, nem [no] Apiaú e regiões como Parima 1 e Parima 2”, denuncia Dário Kopenawa, filho do líder e xamã Davi Kopenawa. “É muito difícil, há 60 homens fazendo operações”, diz o vice-presidente da HAY. Já os invasores são milhares. E, em Roraima, há apenas duas bases de fiscalização fluvial, uma no rio Mucajaí e outra no rio Uraricoera, para vigiar uma área de 9.664.975 hectares, duas vezes maior que a Suíça. Duas bases de fiscalização O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Roraima, Diego Bueno, informou que o conteúdo do vídeo será investigado e admitiu que, de fato, em algumas áreas os garimpeiros continuam por terem “resiliência” e insistirem nas atividades ilegais. “Nos últimos 60 dias, os alertas [análise espacial e geoprocessamento] diminuíram. Não posso dizer quantas pessoas estão saindo, mas eu garanto que o garimpo está diminuindo, porque as cicatrizes [alertas] dessas que você está vendo aí [se referindo ao vídeo] depois vão aparecer no satélite. Esse buraco que estão fazendo vai aparecer no satélite”, explica Bueno. Para Dário Kopenawa, “tem que continuar a fazer operações, continuar sobrevoando, continuar monitorando e vigiar o garimpo ilegal”. Na estimativa dele, serão necessários 10 anos para recuperar os danos ambientais e acabar completamente com o garimpo ilegal que explodiu nos últimos quatro anos. Apesar da indignação, Dário reconhece a dificuldade de corrigir em apenas dois meses o estrago feito nos últimos quatro anos, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Durante 100 dias, ele [Lula] conseguiu fazer bastante ações que prometeu, mas não é fácil para ele porque a situação é muito grande.” De acordo com Dário Kopenawa, além de políticos, traficantes de drogas ilícitas continuam fortalecendo o garimpo ilegal na TIY. “Os financiadores, pessoas de tráfico de drogas, estão financiando com helicóptero, com avião, combustível, transporte”, afirma. Logo que assumiu a Presidência, Lula esteve em Roraima com uma comitiva interministerial. Durante a visita, realizada no dia 21 de janeiro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, determinou a abertura de inquérito policial para apurar o crime de genocídio. O Ministério e a PF não responderam à reportagem sobre a instauração do inquérito ou o andamento das investigações. REPORTAGEM COMPLETA EM https://amazoniareal.com.br/especiais/100-dias-povo-yanomami/

11 de abr. de 2023

ILUSÃO! MUDANDO GOVERNO, DEVASTAÇÃO NA AMAZÔNIA VAI SE REDUZINDO...

Após uma queda em janeiro, o desmatamento na Amazônia voltou a crescer em fevereiro. Conforme dados do Imazon, foram derrubados 325 km² de floresta no mês passado, o equivalente ao tamanho de Belo Horizonte. Essa foi a maior devastação registrada para fevereiro em 16 anos, desde que o instituto de pesquisa implantou seu sistema de monitoramento por imagens de satélite.
Com isso, o acumulado do ano ficou como o segundo maior desde 2008, atrás apenas de 2022. Em janeiro e fevereiro deste ano, a Amazônia perdeu 523 km² de floresta, o equivalente a quase 900 campos de futebol por dia.
Coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, o pesquisador Carlos Souza Jr. afirma que esse aumento evidencia a necessidade das políticas de combate ao desmatamento anunciadas pelo governo federal serem colocadas em prática de forma urgente e em parceria com os estados nas florestas sob maior risco de derrubada. “Através da ciência e da tecnologia, inclusive da inteligência artificial, conseguimos identificar em cada estado quais são as áreas sob maior ameaça de devastação e disponibilizamos essas informações à toda a sociedade por meio do site da plataforma PrevisIA. Os governos podem intensificar e direcionar os esforços de fiscalização para salvar essas florestas”, explica. Mato Grosso lidera destruição pelo segundo mês consecutivo Quase metade (48%) do desmatamento registrado em fevereiro ocorreu apenas em Mato Grosso. No estado, a destruição passou de 96 km² em fevereiro de 2022 para 157 km² no mesmo mês de 2023, um aumento de 64%. Com isso, Mato Grosso ficou pelo segundo mês consecutivo no topo do ranking de devastação entre os nove estados que compõem a Amazônia Legal. DESTAQUES 1) “Em fevereiro, a derrubada aumentou principalmente na metade norte, em municípios como Feliz Natal, Aripuanã e Peixoto de Azevedo. Em Mato Grosso, o desmatamento está em grande parte associado à expansão agropecuária, então não basta apenas fortalecer as políticas públicas de combate ao desmate ilegal. Também é preciso criar medidas de incentivo à produção sustentável e ao aumento da produtividade nas áreas já derrubadas”, comenta Bianca Santos, pesquisadora do Imazon. 2) “Outro problema foi o avanço do desmatamento nas terras indígenas do Amazonas. Em fevereiro, cinco dos 10 territórios indígenas mais desmatados na Amazônia ficam no estado. Somada, a destruição dentro dessas áreas representou 60% de toda a devastação ocorrida em terras indígenas amazônicas”, informa Bianca. INFORMAÇÕES COMPLETAS, EM: https://imazon.org.br/imprensa/desmatamento-na-amazonia-cresce-7-e-tem-o-pior-fevereiro-em-16-anos/

10 de abr. de 2023

BELAS AVES! E PARA SORTE DELAS…INDESEJÁVEIS A QUEM TENTE APREENDÊ-LAS!!!

"Essas aves contêm uma neurotoxina que podem tolerar e armazenar em suas penas", diz Knud Jønsson, pesquisador do Museu de História Natural da Dinamarca, em nota. As espécies recém-descobertas são Pachycephala schlegelii , que pertence a uma família de aves da região do Indo-Pacífico, e Aleadryas rufinucha. A revelação da presença de veneno nesses pássaros está descrita em artigo publicado no periódico Molecular Ecology em fevereiro. A primeira vez que os pesquisadores dinamarqueses suspeitaram dessa característica foi quando descobriram que os moradores locais evitam consumi-las por serem “picantes”. E também que tocá-las produzia uma sensação incômoda. DESTAQUE O veneno encontrado nas aves da Nova Guiné é a batracotoxina. Essa é uma neurotoxina que, em altas concentrações pode causar cãimbras musculares e parada cardíaca quase imediatamente após o contato. Ela pode ser encontrada em altas doses em rãs venenosas douradas típicas das américas Central e do Sul [fotos abaixo].
DEFESA QUÍMICA Produção de substâncias químicas (muitas delas são metabólitos secundários) por certos organismos e que desempenham nestes a função de “defesa” contra possíveis predadores ou competidores. Muitas plantas são ricas em tais substâncias, como alcaloides, terpenoides, taninos, flavonoides, glicosídeos, cianeto, ácido oxálico etc.Entre os animais valem ser destacados: um gastrópode marinho que produz ácido sulfúrico e um “besouro bombardeiro” (Brachinus crepitans) que produz hidroquinona e peróxido de hidrogênio em seu abdômen (que se misturam em câmara de explosão sob ação da enzima peroxidase, formando a quinona, tóxica; o inseto a ejeta como um “spray” explosivo). EISNER (2003) documenta, com fotos elucidativas e curiosas, as características e atividades desse inseto. Sapos e rãs produzem batracotoxinas, epibatidinas (de efeito 200 vezes superior à ação da morfina e similares) e pumiliotoxinas em sua pele, extremamente venenosas ao simples toque. Índios do oeste da Colômbia esfregam as pontas de suas flechas e setas da zarabatana, na pele de rãs (Dendrobates (tinctorius) azureus e Phyllobates terribilis; ver fotos abaixo), usando-as para caçar com eficiência duradoura (de pelo menos 1 ano) (segundo artigo-reportagem de M.W. Moffett, publicado em National Geographic, 1995, Vol.187, no 5, p.98-111) NO CASO DAS AVES... Os pesquisadores resolveram investigar se, assim como esses anfíbios, as aves apresentavam mutações genéticas que as impedem de se autointoxicar. “Curiosamente, a resposta é sim e não. As aves têm mutações na área que regula os canais de sódio, e esperamos isso que lhes dê essa capacidade de tolerar a toxina, mas não exatamente nos mesmos lugares que as rãs", explica Kasun Bodawatta, coautor do estudo. Embora a neurotoxina seja semelhante à das rãs venenosas, as aves desenvolveram sua resistência de outra forma. Esse é um exemplo da chamada evolução convergente, que se caracteriza quando organismos de diferentes linhas evolutivas são expostos a condições semelhantes de sobrevivência por um longo período e se adaptam de maneira semelhante. A pesquisa pode contribuir não só para uma melhor compreensão sobre as aves da Nova Guiné, mas também como diferentes espécies adquirem resistência a toxinas e as usam como mecanismo de defesa.

9 de abr. de 2023

VIVER LIVRE NA NATUREZA: A DEDICAÇÃO DE ALGUNS AMENIZA A INEFICÁCIA DE PUNIÇÃO AOS QUE TRAFICAM…

…E ÀQUELES QUE APRISIONAM ILEGALMENTE!
https://youtu.be/M_JnDiu6-0w Por Adriana Prestes Bióloga, responsável técnica por áreas de soltura e monitoramento de fauna silvestre na Serra da Mantiqueira e Vale do Paraíba (SP) e secretária executiva do Grupo de Estudo de Fauna Silvestre do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira segundachance@faunanews.com.br Tem sido comum identificar situações em que fica evidente a falta de compromisso dos gestores públicos com a implementação de políticas previstas em lei, assim como de propostas de novos regramentos, como o caso recente do projeto de lei que prevê passagens de fauna silvestre em rodovias que, embora aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa de São Paulo, foi simplesmente vetado pelo atual governador do Estado. Esse cenário, que propicia e acentua a degradação da biodiversidade e dificulta a defesa ambiental, nos leva a pensar quais as outras instituições, além do poder público, que poderiam promover conservação. Propriedades particulares detêm muitas áreas conservadas e algumas delas têm verdadeira vocação para a proteção da biodiversidade, especialmente aquelas que realizam ações de soltura. Muito se fala dos aspectos controversos de ações de liberação de animais silvestres e, em especial, o poder público tem demonstrado muito pouco interesse em promover esse tipo de licenciamento ambiental para propriedades, mesmo para aquelas que tenham o perfil adequado. Mas como temos discutido nesta coluna, soltura é algo sério e, se for conduzida com critérios técnicos adequados, pode funcionar como uma ação de conservação ambiental, especialmente em áreas florestadas e defaunadas – uma situação cada vez mais comum nos diversos Estados brasileiros. Na história de hoje, vamos apresentar uma área particular que protege sua mata nativa, reforça a alimentação dos animais silvestres residentes e ainda realiza ações de soltura. Ufa, isso é o que se chama de “verdadeiro compromisso com a conservação ambiental”! O sítio Recanto dos Pássaros, licenciado como área de soltura e localizado em Tapiraí (SP), foi praticamente adquirido com a missão de conservar e soltar. Um detalhe curioso: a propriedade foi comprada do pai de um funcionário do Ibama, como contam a Silvia e o Edison, os proprietários. Experiência de soltura no sítio Recanto dos Pássaros “Somos apaixonados pela natureza e buscávamos um lugar mais tranquilo do que a chácara que tínhamos em Elias Fausto (SP). Nesta busca, chegamos em Tapiraí, onde encontramos uma natureza maravilhosa e exuberante da Mata Atlântica e nos apaixonamos mais uma vez pelo sítio que viemos a comprar. No local, começamos a ver aves que nunca tínhamos visto antes e nem sabíamos nomes, além de tantos animais como antas, guaxinins e tantos outros. Ao postar algumas fotos no Facebook, acabei por conhecer grupos de passarinheiros que identificavam as aves para mim. Um dia, vimos um vídeo de uma soltura feita pela polícia ambiental numa área e ficamos emocionados… Surgiu ali a ideia de também fazer do sítio uma área de soltura e fomos pesquisar como era possível. Ficamos sabendo que o filho da pessoa que nos vendeu a propriedade era funcionário do Ibama. Entramos em contato com ele, que nos encaminhou para o Centro de Triagem de Animais Silvestres de Lorena (SP). Em 15 de outubro de 2018, enviamos a documentação necessária. Com o cadastro feito, marcamos a vistoria da área, com solicitação para construção de um viveiro para aclimatação de aves. Com o viveiro pronto em 7 de junho de 2019, recebemos a primeira remessa e marcamos de três em três meses para receber mais animais. No mesmo período, fizemos o cadastro junto à Save Brasil para receber avifauna para soltura também”, contam Silvia e Edison. Desde então, o casal vem realizando várias ações de conservação ambiental que incluem solturas de avifauna feitas pelo Ibama e pela Save Brasil, entidade renomada na área de conservação de aves e que possui um programa de cadastro para propriedades que desejem tornarem-se áreas de soltura. A propriedade também possui o melhor sistema de monitoramento que esta colunista já viu, pois com uma combinação de armadilhas fotográficas e de câmeras de segurança é possível acompanhar em tempo real as frequentes visitas da fauna residente aos diversos comedouros instalados. Uma verdadeira festa para quem ama a fauna silvestre da Mata Atlântica, que acontece tanto de dia como de noite. A propriedade também investiu em diversos comedores externos para a avifauna e outras espécies e ações de recomposição e enriquecimento florestal. O projeto mais recente é o plantio de vegetação herbácea que atrai beija-flores. Ou seja, bom para a fauna e ótimo para os olhos, lindo de se ver! DESTAQUE Políticas públicas e a necessidade de solturas Mas voltando ao problema da implantação e fiscalização de políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade, é a falta de eficácia no combate ao tráfico de avifauna que gera a demanda para soltura em primeiro lugar! Como diz a Silvia, “estamos sempre em constante melhoria para atender essas criaturas lindas, que merecem a liberdade e a sobrevivência longe dos humanos. Eu sonho com uma lei mais severa para quem pega na natureza e uma pior para quem compra”.

6 de abr. de 2023

A MAIOR ÁGUIA DO MUNDO E A FLORESTA AMAZÔNICA

https://oeco.org.br/noticias/efeito-harpia-como-a-maior-aguia-do-mundo-afeta-a-floresta-amazonica/
DESTAQUE Um ecossistema é formado por uma delicada teia de atores – bichos, plantas, fungos – que desempenham funções que a ciência aos poucos tenta decifrar. Uma pesquisa recente debruçou-se sobre o papel das harpias, a maior ave de rapina do Brasil e maior águia do mundo, na distribuição dos nutrientes no solo e nas árvores da Floresta Amazônica. Predador de topo de cadeia, este gavião, que mede dois metros de uma ponta a outra da asa, deposita ao redor de seus ninhos cerca de 100 quilos de restos de presas ao longo de um ano. A concentração das carcaças, assim como dos excrementos, têm um efeito surpreendente: enriquecem o dossel das árvores ao mesmo tempo em que empobrecem o solo. EMPOBRECEM O SOLO?! VEJAM PORQUE, LENDO NO TEXTO COMPLETO, ACESSANDO O LINK NO TOPO DESTA POSTAGEM