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15 de fev. de 2016

A CHINA "DESCOBRE" A AMAZÔNIA (E ADJACÊNCIAS!!!)

Quem são os chineses de olho na Amazônia?

6 de fev. de 2016

O MOSQUITO AEDES AEGYPTI, GENETICAMENTE MODIFICADO, TORNOU-SE UMA "CAIXA PRETA" DO VÍRUS ZIKA???

Um artigo-reportagem publicado no The Ecologist (http://www.theecologist.org/News/news_analysis/2987024/pandoras_box_how_gm_mosquitos_could_have_caused_brazils_microcephaly_disaster.html)

traz, no meu entendimento, uma enorme preocupação sobre a possibilidade de que a modificação genética do Aedes aegypti causou um aumento da virulência do zika, tornando-o amplamente maléfico ao ser humano.


Vejamos alguns trechos desse artigo-reportagem (com citações de vários artigos esclarecedores).

In Brazil's microcephaly epidemic, one vital question remains unanswered: how did the Zika virus suddenly learn how to disrupt the development of human embryos? The answer may lie in a sequence of 'jumping DNA' used to engineer the virus's mosquito vector - and released into the wild four years ago in the precise area of Brazil where the microcephaly crisis is most acute.

Na microcefalia epidêmica no Brasil, permanece uma questão vital não esclarecida: como o vírus zika repentinamente aprendeu a perturbar o desenvolvimento de embriões humanos? A resposta pode residir numa sequência de "jumping DNA" [= ver a seguir] utilizado para a engenharia do mosquito vetor do vírus  -  e que foi liberado no ambiente silvestre quatro anos antes, exatamente nas regiões do Brasil onde a crise da microcefalia é mais aguda.

["Jumping DNA":   Barbara McClintock mostrou que certos fragmentos de DNA, chamados transposons, podem ser ativados para transpor ("jumping" = saltar) de uma posição para outra, em um cromossomo. Ela lançou a hipótese de que tal transposição fornece um meio de reorganizar rapidamente os genes em resposta ao estresse ambiental].

o autor mostra a relação entre "o epicentro do surto do zika na mesma área onde os mosquitos geneticamente modificados foram soltos em 2015" (figura abaixo).


E agora, alguns comentários do artigo-reportagem,  que penso ser muito importantes.  Diz respeito a um transposon bastante utilizado em terapia gênica humana e que foi utilizado pela empresa Oxitec, que modificou geneticamente os mosquitos que foram soltos em Juazeiro (BA): o transposon "piggyBac".
O transposon piggyBac tem sido utilizado em terapia gênica humana. Até células humanas T (do sistema imunológico) têm sido transformadas pelo piggyBac. Isso nos deixa poucas dúvidas de que os transgênicos originados do transposon no mosquito transgênico, possa transferir-se horizontalmente para células humanas. Esse transposon piggyBac induziu no genoma amplas mutaçōes por inserçāo, rompendo muitas funções gênicas.

"Has the GM nightmare finally come true"?  = Finalmente, o pesadelo do gene geneticamente modificado tornou-se realidade?

O Aedes egypti geneticamente modificado pela Oxitec utilizou o piggyBac.

E assim sendo, os mosquitos geneticamente modificados carregaram grande possibilidade de serem responsáveis pelos problemas de microcefalia no Brasil. Pelos mecanismos seguintes:

1. Milhões de mosquitos soltos em Juazeiro, em 2011/12, sobreviveram.

2. Eles cruzaram com as populações de mosquitos silvestres.

3. O transposon piggyBac no Aedes aegypti geneticamente modificado, teve a oportunidade de "saltar" para o vírus zika, em inúmeras ocasiões, provavelmente.

4. Certas linhagens de zika, com mutações, adquiriram vantagem seletiva, tornando-se mais virulentas e capazes de penetrar e alterar o DNA humano.

5. Uma maneira na qual isso se manifesta é a alteração no desenvolvimento do embrião humano no útero. Outras manifestaçòes ainda estão por serem descobertas.

6. É bem possível que o próprio piggyBac transposon tenha penetrado no DNA dos bebês (embriões)  expostos ao vírus zika modificado; tendo sido  assim uma forma de perturbação do mecanismo do desenvolvimento embrionário.


O artigo-reportagem divulgado em The Ecologist (link no topo desta postagem) esclarece muitos outros pontos desta questão de grande importância para nossas vidas, nestes tempos em que o entusiasmo com as possibilidades biotecnológicas de solução de nossos problemas com microrganismos causadores de doenças, parecem atropelar o bom senso que deveria prevalecer com respeito aos milhões de anos da evolução do genoma que queremos manipular em alguns anos ou dias num laboratório.

Uma temeridade!!!




4 de fev. de 2016

FLORESTA SECUNDÁRIA (NA AMAZÔNIA, MATA ATLÂNTICA) ABSORVE MAIS CO2. MUITO CUIDADO COM OS EFEITOS SOBRE OUTROS FATORES CRUCIAIS: CLIMA, SOLO, BIODIVERSIDADE...

Floresta regenerada é esponja de carbono

Reproduzido de www.oeco.org.br


As florestas secundárias, que rebrotam após o desmatamento de uma área, são conhecidas pelo nome algo pejorativo de capoeiras. A palavra vem do tupi e significa, literalmente, “mato que não é mais”. Vistas como pobres em biodiversidade e jamais tão ricas em estoque de carbono quanto uma floresta primária – a tal “mata virgem”–, as capoeiras são frequentemente desprezadas e outra vez desmatadas. Um estudo lançado hoje, porém, deve ajudar a reduzir esse preconceito.

Um consórcio internacional de cientistas, que inclui gente de diversas instituições de pesquisa do Brasil, acaba de publicar no periódico Nature a maior análise já feita sobre o padrão de crescimento das florestas secundárias na chamada região neotropical, que vai do México ao Estado de São Paulo. Eles concluíram que as capoeiras demoram, em média, apenas 66 anos para repor 90% da biomassa (portanto, do estoque de carbono) que possuíam antes do desmatamento. E mais: uma floresta em regeneração sequestra 11 vezes mais carbono do que uma mata virgem na Amazônia.

“Esta é a primeira estimativa da resiliência das florestas secundárias. Sempre houve muita dúvida sobre a taxa de crescimento e a resiliência dessas florestas”, disse ao OC o engenheiro florestal Daniel Piotto, professor da Universidade Federal do Sul da Bahia. Ele é coautor do trabalho, coordenado pelo holandês Lourens Poorter, da Universidade de Wageningen.

A importância das capoeiras da América Latina para o ciclo do carbono e, portanto, para o clima, é evidente. Somente na Amazônia, 22% de toda a área desmatada é ocupada por matas em regeneração, segundo dados do Terraclass, do Inpe. Esse número é provavelmente ainda maior na Mata Atlântica, que tem menos de 10% de sua cobertura florestal original.

No entanto, essa importância nunca havia sido traduzida em números antes. Estudos pontuais mostravam ora que as florestas poderiam entrar em colapso a partir de um certo grau de desmatamento, ora que o crescimento de uma floresta secundária era lento demais para fazer alguma diferença no clima no curto prazo.

“Meus estudos na Zona Bragantina, no leste do Pará, mostravam um tempo de recuperação de 150 anos. Estudos feitos na Venezuela chegavam a 250 anos. A meta-análise [o novo estudo] aponta 66 anos”, diz Ima Vieira, pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi e uma das maiores especialistas em florestas secundárias do país. Ela também é coautora do trabalho, realizado pelo consórcio autointitulado Amantes da Floresta Secundária – ou “2ndFOR” (“SecondFor”, em inglês), para os menos íntimos.

Os dados anteriores não estão necessariamente errados. O que acontece é que há uma variação gigantesca de tempo de regeneração dentro da zona neotropical, com capoeiras crescendo mais rápido em regiões onde chove mais e onde há mais florestas intactas em volta.

“De posse dessa taxa de crescimento, será possível fazer previsões sobre o potencial de mitigação [de emissões de gases de efeito estufa] das florestas secundárias”, afirma Piotto. O 2ndFOR já está fazendo essas contas.

MAPA

O consórcio integrou tanto dados coletados pelos pesquisadores em campo quanto resultados de análises anteriores, e produziu um mapa mostrando em que regiões as capoeiras absorvem mais carbono e onde absorvem menos. O mapa poderá ser usado pelos formuladores de políticas públicas para priorizar a conservação em florestas de baixa resiliência e incentivar a regeneração em regiões de crescimento rápido da capoeira.

A princípio a notícia é ruim para a Mata Atlântica, já que sua reposição de biomassa é até 70% mais lenta que na Amazônia – e é justamente ali que há mais florestas precisando de regeneração. Piotto diz que isso seria olhar apenas metade do quadro. “Há muito mais áreas disponíveis para recuperar na Mata Atlântica do que na Amazônia”, afirma.

O estudo deverá ter também implicações para o cumprimento da meta do Brasil para o Acordo de Paris. A chamada INDC aposta na recuperação de florestas como forma de sequestrar carbono e compensar o que se emite pelo desmatamento legal na Amazônia. O leste do Pará é uma das regiões onde mais vale a pena deixar o mato crescer.

Mas isso só se deixarem mesmo o mato crescer. “Se essas florestas vão resistir no campo depende de questões políticas e institucionais que vão além da nossa pesquisa”, afirma Ima Vieira. “No que depender dos produtores rurais, não vão, porque eles as veem como empecilho.”

O Pará é o único Estado da Amazônia que tem uma lei que protege as capoeiras, definindo estágios de sucessão (crescimento) e vedando o desmatamento em capoeiras de crescimento avançado.

Mesmo no Pará, Vieira estima que 50% das capoeiras sejam recentes – portanto, passíveis de desmatamento legal.

Segundo a pesquisadora, preservar as florestas secundárias é importante, mas fundamental mesmo é não desmatar as primárias. “A capoeira não vai recuperar a biodiversidade”, diz. “Elas levam 66 anos em média para recuperar 90% da biomassa, mas 70 anos para recuperar 35% das espécies de árvores nativas.”