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21 de abr. de 2026

CAATINGA: ÚNICO BIOMA INTEIRAMENTE BRASILEIRO COMO EXEMPLO DE ESTUDO PARA O FUTURO DO POVO QUE NELA/DELA VIVE!

REPRODUZIDO DE: https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2026/04/20/caatinga-de-bioma-empobrecido-a-laboratorio-de-resiliencia/ DESTAQUES: 1) Há experiência acumulada no semiárido sobre como melhorar a vida da população, experiência essa que será decisiva para fazer frente ao esforço hercúleo de adaptação que as mudanças climáticas exigirão da sociedade e do governo. 2) A Caatinga é o bioma mais seco do Brasil, com precipitação anual média de 500 a 1.500 mm e chuvas mal distribuídas, concentradas em dois ou três meses no ano. Ocupando 862 mil km² (10% do território nacional), o único bioma exclusivamente brasileiro tem alta biodiversidade (5 mil espécies de plantas, por exemplo). A região Nordeste, da qual 70% são Caatinga, abriga 27 milhões de habitantes, 39% abaixo da linha de pobreza – cerca de metade da população pobre do país. 3) A grande questão, hoje, é saber se essa experiência acumulada em promover resiliência da população oferece base sólida para políticas de adaptação que se impõem na emergência do clima e quais características dos casos de sucesso poderiam robustecer iniciativas institucionais nessa direção. 4) Seria equivocado considerar que a tragédia social resulta só de um evento climático. Como assinalou Washington Franca Rocha, ela decorre de uma forma de ocupação com base na pecuária, uma vez que o semiárido não se prestava à cana-de-açúcar prevalente na zona da mata ao longo do litoral. A predominância do gado e do desmatamento parecem ter transformado a fisionomia vegetal do bioma, que teria sido mais florestado nos primeiros séculos da colonização, do que se conhece hoje, quando mais de 70% se compõe de vegetação secundária. A substituição dessa que nem é mais a original “mata branca” (caa-tinga, na língua tupi) prossegue: em 1985, aponta o MapBiomas, 28% do bioma estava antropizado; nos 40 anos seguintes, outros 15% pereceriam. A área de pastagens mais que dobrou de tamanho, e a minoria de áreas de mata nativa remanescente exibe o dobro da taxa de destruição observada nas de vegetação secundária.

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