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31 de mai. de 2026

HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA: SE BEM PLANEJADAS OS BENEFÍCIOS SERIAM AMPLOS!!!

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DESTAQUES: 1) No centro-leste do Amapá, onde funcionam as usinas hidrelétricas Coaracy Nunes, Ferreira Gomes e Cachoeira Caldeirão, a transformação do Rio Araguari se espalha ao longo da bacia e alcança propriedades rurais, sítios, áreas de uso tradicional e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) atingidas pela expansão dos reservatórios e pelas mudanças no comportamento do rio. Mais do que alterar a paisagem, as barragens modificaram a própria dinâmica das águas: o Araguari deixou de responder apenas aos ciclos naturais e passou a ser condicionado pela operação das usinas e pelo controle artificial das vazões. 2) Entre os efeitos dessa mudança está também a alteração de fenômenos naturais associados ao rio. A pororoca, que durante décadas avançou pelo Araguari,teve sua intensidade reduzida até praticamente desaparecer, em um processo que estudos relacionam às mudanças no fluxo e na dinâmica das águas após a implantação das barragens. Mais do que um fenômeno isolado, esse desaparecimento funciona como um indicador das transformações mais amplas em curso no rio. 3) Rosane Souza, pescadora e moradora da região, relata que a chegada das hidrelétricas significou uma ruptura profunda no território e na vida das famílias atingidas, uma mudança que, segundo ela, não foi gradual, mas abrupta, alterando de uma vez só o lugar, o trabalho e a forma de viver. “A empresa chegou e tirou tudo da gente. Nossa casa, nosso sítio, nosso barco. A gente perdeu tudo. Não teve indenização. Meus filhos ainda eram pequenos e tiveram que ir morar com parentes”, lamenta. Ela conta que o deslocamento forçado desorganizou a estrutura da família e impôs um período de instabilidade prolongada, marcado por perdas materiais e ausência de apoio institucional. “A gente ficou sem estrutura. Enfrentamos o inverno sem casa, com as crianças doentes. Não tinha apoio. A ajuda que prometeram nunca chegou”. 4) O impacto da alteração do Araguari não se limitou ao espelho d’água, estendendo-se também ao solo. Rosane explica que a mudança no microclima local inviabilizou até mesmo a agricultura de subsistência, que antes complementava a alimentação da comunidade. “A terra, devido ao calor, não permitia o cultivo de plantas da forma que necessitamos para gerar renda e sustentar a nossa família”, detalha. Sem peixe e sem colheita, o colapso financeiro atingiu diretamente a juventude ribeirinha. “Perdemos tudo, e as crianças sofreram muito com a falta de recursos. Elas não tinham como estudar em boas condições”, lamenta a pescadora.

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