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5 de ago. de 2026

QUEIMADAS FARÃO PARTE CONSTANTE DE MUITOS PAÍSES (?!)

REPRODUZIDO DE:https://oeco.org.br/colunas/a-era-do-fogo-o-alerta-que-vem-da-franca/ DESTAQUES: 1) Mais do que uma sucessão de desastres isolados, a Era do Fogo representa uma nova condição do Sistema Terra, na qual os incêndios deixam de ser eventos predominantemente locais e passam a atuar como forças permanentes de transformação dos ecossistemas, dos territórios, das economias e da segurança das sociedades. Os incêndios que atingem a França em julho de 2026 constituem uma expressão dramática dessa mudança. No sudoeste do país, especialmente nas áreas de florestas de pinheiros próximas a Bordeaux e à Bacia de Arcachon, o fogo avançou sobre áreas rurais, cidades, zonas turísticas e atividades econômicas. 2) Entre França e Espanha, conta-se quase meio milhão de desabrigados. A dimensão do acontecimento demonstra que já não se trata apenas de combater uma frente de fogo. O que está em curso é uma crise territorial sistêmica, na qual clima, água, vegetação, ocupação humana, infraestrutura, saúde pública e economia são atingidos simultaneamente. 3) Em determinado momento, a intensidade do incêndio francês produziu um pirocumulonimbus, uma nuvem de tempestade gerada pelo próprio calor das chamas. Esse fenômeno pode provocar fortes rajadas, descargas elétricas e novos focos, fazendo com que o incêndio deixe de responder apenas às condições meteorológicas externas e passe também a modificar localmente a atmosfera que o envolve. Foi apontado como o primeiro episódio desse tipo documentado na França. 4) Esse é um dos traços mais inquietantes da Era do Fogo: em situações extremas, os incêndios liberam energia suficiente para superar a capacidade convencional de controle. Bombeiros, aeronaves e equipamentos continuam indispensáveis, mas encontram limites físicos diante de chamas alimentadas por temperaturas superiores a 40 °C, baixa umidade, ventos instáveis e grandes quantidades de material combustível. 5) O fenômeno demonstra que um período úmido pode estimular o crescimento de gramíneas e vegetação fina. Quando seguido por estiagem e calor intenso, esse material se transforma em combustível abundante. A elevação da temperatura retira umidade das plantas e dos solos, aumenta a inflamabilidade da paisagem e amplia a velocidade de propagação das chamas. 6) Forma-se, assim, um ciclo de retroalimentação: mais aquecimento produz maior ressecamento; o ressecamento favorece o fogo; o fogo provoca degradação, perda de cobertura vegetal e emissões; e a degradação reduz a capacidade dos ecossistemas de resistir aos eventos seguintes. Solos perdem matéria orgânica, fertilidade e capacidade de infiltração e espécies sensíveis desaparecem e podem ser substituídas por vegetações mais baixas, secas e inflamáveis. O resultado não é apenas uma paisagem temporariamente queimada. É a possibilidade de conversão duradoura de um ecossistema em outro mais degradado, homogêneo e vulnerável a novos incêndios.

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