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3 de set. de 2026

SE CONSERVAR O MANGUEZAL, ESTA BELA AVE SOBREVIVERÁ

REPRODUZIDO DE: https://oeco.org.br/reportagens/guaras-do-reconcavo-revelam-a-importancia-dos-manguezais/ DESTAQUES: 1) No Porto do Cajá, a paisagem muda junto com a maré. Quando a água começa a recuar, o espelho que cobre parte do estuário desaparece lentamente e revela um solo escuro, recortado pelas raízes do mangue. Estamos em Maragogipe, Recôncavo Baiano, onde durante o amanhecer e os finais de tarde os guarás costumam fazer suas revoadas. O guará (do tupi-guarani) é identificado também pelo nome científico "Eudocimus ruber" (um misto de grego e latim) que significa “ave de coloração vermelha gloriosa”. Mais do que uma joia da biodiversidade, fora do risco de extinção, os guarás são indicadores da complexidade ecológica dos grandes estuários tropicais. A história conhecida dessa espécie acompanha as transformações dos manguezais ao longo do litoral atlântico, com ocorrência em diferentes países da América do Sul. A presença deles depende da disponibilidade de alimento, da dinâmica das marés e da existência de extensas áreas de manguezal capazes de manter uma cadeia de relações ecológicas que envolve peixes, crustáceos, moluscos, microorganismos e inúmeras outras espécies. 2) É justamente esse conjunto de fatores que faz do Recôncavo um habitat singular entre centenas de quilômetros do litoral do estado da Bahia. Enquanto muitos trechos do litoral brasileiro perderam parte de seus manguezais para a expansão urbana, atividades industriais e outras formas de ocupação costeira, a Baía de Todos os Santos ainda conserva um dos maiores sistemas estuarinos do País. Com cerca de mil quilômetros quadrados de espelho d’água, a Baía de Todos os Santos ocupa uma posição singular na costa brasileira. Em suas margens distribuem-se dezenas de municípios, comunidades pesqueiras, áreas protegidas e remanescentes de manguezais que são a base de uma intensa produtividade biológica. No mapa, essa rede de manguezais e apicuns revela um território contínuo, moldado pelo encontro entre as águas doces que descendem do interior da Bahia com o Rio Paraguaçu e a influência diária do Oceano Atlântico, formando o lagamar da Baía do Iguape.

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