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8 de nov. de 2018

1/3 DA VEGETAÇÃO NATIVA DO BRASIL ESTÁ EM ÁREAS POBRES

Reproduzido de O ESTADÃO



Dado faz parte de diagnóstico da biodiversidade apresentado nesta quinta-feira por cientistas brasileiros; relatório procura dar subsídio à tomada de decisões


Um terço da cobertura vegetal nativa do Brasil está concentrada em áreas pobres, que deveriam ser consideradas prioritárias para a conservação de espécies. Esse e outros dados fazem parte de um diagnóstico sobre a biodiversidade do País, apresentado nesta quinta-feira, 8, por cientistas brasileiros. O documento reúne informações para dar subsídio à tomada de decisão de gestores nessa área. 
O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo, mas enfrenta desafios. "A situação se agravou nos últimos dez anos. Os principais causadores dessa perda ainda são a mudança do uso da terra, que leva à degradação ambiental, e, mais recentemente, as mudanças climáticas", explica Carlos Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), responsável pelo documento.  
Nesta quinta-feira, uma versão resumida do 1º Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos foi apresentada no Museu do Amanhã, no Rio. O trabalho, desenvolvido por dezenas de cientistas de diferentes áreas do conhecimento e várias partes do país, se inspira na iniciativa internacional de mapeamento do setor, o Painel Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Ecossistema, coordenado por quatro agências da Organização das Nações Unidas (ONU). 

Pobreza verde

A publicação brasileira compila informações e pesquisas sobre cobertura vegetal, culturas agrícolas, qualidade das águas, além da diversidade cultural do País. Um mapa da "pobreza verde" faz parte da publicação. Com base em um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o mapeamento mostra áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade. 
São 398 municípios que reúnem três características: b aixa renda, alta cobertura vegetal nativa e alta vulnerabilidade às mudanças climáticas. Segundo a pesquisa, mais de um terço (36%) da cobertura vegetal nativa do Brasil se concentra em 7% dos municípios brasileiros - e essas cidades abrigam 22% da população “
 brasileira.
Espalhadas pelos biomas da AmazôniaCerrado Caatinga, as localidades têm um desafio pela frente: tirar suas populações da pobreza mantendo a floresta de pé. "Como as pessoas podem sair da pobreza não às custas da natureza, mas a partir dela? Não tem receita de bolo, mas mostramos opções que talvez precisem ganhar escala", diz o professor da UFRJ Fábio Scarano, que também coordena a BPBES.  
Entre os municípios prioritários, a maior parte deles está localizada na Caatinga - um dos biomas mais destruídos e que, paradoxalmente, recebe menos atenção. Fora da Amazônia, a maioria (62%) dos pontos estratégicos não tem áreas de proteção ambiental, de acordo com a pesquisa.  
“Mesmo biomas que considerávamos pouco alterados, como dos Pampas e da Caatinga, isso na verdade se devia à falta de conhecimento. Eles que estão passando por processos (de alteração) distintos, porque não são formações florestais como a Amazônia e a Mata Atlântica, mas que têm consequências desastrosas do ponto de vista biodiversidade”, diz Joly.  

'Pedra no sapato'

Um dos objetivos do relatório, segundo os pesquisadores, é apresentar a biodiversidade não como uma “pedra no sapato” da economia brasileira, mas como um ativo. Para isso, o estudo também reúne informações sobre oportunidades que advém da diversidade brasileira.  
De acordo com a pesquisa, mais de 245 espécies da flora do País são base de produtos cosméticos e farmacêuticos e ao menos 36 espécies botânicas nativas possuem registro de fitoterápicos. A conservação da biodiversidade tem impacto, ainda, nos cultivos. Das 141 culturas agrícolas analisadas no País, 85 dependem de polinização por animais, de acordo com o documento.  
“É uma coisa sistêmica no Brasil: a biodiversidade, os recursos naturais de modo geral, são tratados como um problema, quando no fundo são a solução”, diz Scarano. Para os pesquisadores, a época, pós-eleições, é propícia à discussão. "Estamos em um momento de renovação de governadores, de boa parte do Congresso Nacional, do governo federal. É a hora de buscar interlocutores, mostrar o trabalho que foi realizado e avançar", diz Joly. 
Procurado na quarta-feira, 7, antes da divulgação oficial do documento, o Ministério do Meio Ambiente informou que não poderia comentar o estudo sem ter conhecimento completo dos dados.   

22 de out. de 2018

O DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA NÃO PARA. INDEPENDENTEMENTE DE QUAL GOVERNO!!!


Reproduzido de 

No meu entendimento, há algo de faccioso nas declarações do tipo “desmatamento na Amazônia está diminuindo”.
Se fôssemos acreditar, numa sequência de, por exemplo 10 notícias desse tipo, o desmatamento já teria se reduzido a zero!


Fonseca, A., Justino, M., Cardoso, D., Ribeiro, J., Salomão, R., Souza Jr., C., & Veríssimo, A. 2017. Boletim do desmatamento da Amazônia Legal (dezembro de 2017) SAD (p. 1). Belém: Imazon.
Em agosto de 2018, o SAD detectou 545 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal, com aumento de 199% em relação a agosto de 2017, quando o desmatamento somou 182 quilômetros quadrados. Em agosto de 2018, o desmatamento ocorreu no Pará (37%), Mato Grosso (20%), Amazonas (19%), Rondônia (16%), Acre (7%), Roraima (1%) e Tocantins (<1 118="" 2017="" 2018="" 392="" 70="" a="" agosto="" amaz="" apresentando="" de="" degrada="" degradadas="" detectada="" do="" e="" em="" estados="" florestal="" florestas="" foi="" legal="" mato="" metros="" na="" nbsp="" nia="" nos="" o="" p="" par="" quadrados.="" quadrados="" quando="" quil="" redu="" rela="" rond="" rosso="" s="" somaram="" totalizou="" uma="">
Geografia do Desmatamento
Em agosto de 2018, a maioria (55%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. O restante do desmatamento foi registrado nos Assentamentos de Reforma Agrária (23%), Unidades de Conservação (18%) e Terras Indígenas (4%).

16 de out. de 2018

INCÊNDIOS NA FLORESTA AMAZÔNICA SÃO OS QUE MAIS GERAM CO2

Incêndios na Amazônia são piores para o clima que em outras florestas
https://revistagalileu.globo.com/galileu-e-o-clima/noticia/2018/10/incendios-na-amazonia-sao-piores-para-o-clima-que-em-outras-florestas.html





Entre os anos de 2015 e 2016, o El Niño, fenômeno em que mudanças de temperatura do Oceano Pacífico embaralham todo o clima, provocou uma seca na Amazônia que, como consequência, pegou fogo, destruindo uma área de quase 1 milhão de hectares. Uma pesquisa recentemostra que a catástrofe, além de dizimar a biodiversidade, causou impactos maiores do que o previsto inicialmente.

De acordo com um artigo publicado na revista Philosophical Transactions da Royal Society B, em florestas tropicais úmidas, como a Amazônia, quando estão muito secas, o fogo não fica somente na copa das árvores, e chega ao solo, o que acaba provocando a emissão de muito mais CO² do que à média dos incêndios florestais pelo mundo.