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11 de set. de 2020

PANTANAL EM FOGO!!!


O fogo no Pantanal

O Pantanal, maior área úmida continental do planeta, enfrenta uma série de problemas que, segundo especialistas, favoreceram o rápido avanço do fogo neste ano.

Entre outubro e março — considerada época chuvosa —, o bioma, localizado na Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai (BAP), teve volume de chuva 40% menor que a média do mesmo período em anos anteriores, conforme dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A situação fez com que o rio Paraguai, principal formador do Pantanal, registrasse o menor nível das últimas décadas. Em junho, quando o rio costuma registrar o seu pico ao longo do ano, o nível da água chegou a 2,10 metros. Trata-se da menor marca dos últimos 47 anos, segundo a Embrapa. A média, nesse período, é de 5,6 metros.

Pesquisadores ainda avaliam as causas da pouca quantidade de chuva no bioma desde o começo de 2020. Mas acreditam que possa estar relacionado a fenômenos climáticos.

Alguns estudiosos acreditam que uma das explicações para a baixa quantidade de chuva no Pantanal é o fenômeno conhecido como "rios voadores", no qual a corrente de umidade que surge na Amazônia origina uma grande coluna de água, que é transportada pelo ar a vastas regiões da América do Sul. Diante do desmatamento da Floresta Amazônica, que também sofre duramente com as queimadas, esse fenômeno perde parte da capacidade de levar água a outras regiões.

"Não são apenas questões climáticas que culminaram na atual situação das queimadas no Pantanal. É uma combinação de fatores", ressalta o engenheiro florestal Júlio Sampaio, líder da Iniciativa Pantanal do WWF.

Um dos fatores que colabora para a propagação das queimadas é o crescente desmatamento — ação que tem o fogo como forte aliado. De acordo com o Inpe, 24.915 km² do Pantanal, correspondente a 16,5% do bioma, foram desmatados até o ano passado. O número equivale, por exemplo, a pouco mais de quatro vezes a área de Brasília.

Um levantamento do Ministério Público de Mato Grosso do Sul apontou que cerca de 40% do desmatamento na área do Pantanal do Estado podem ter ocorrido de forma ilegal, pois não foram identificadas autorizações ambientais.

Uma perícia feita recentemente pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman-MT) apontou que o fogo que atinge o bioma em Mato Grosso é causado por ações humanas, em situações como como queima de pasto, fogo em raízes de árvores para a retirada de mel e incêndios em equipamentos agrícolas. A Delegacia de Meio Ambiente (Dema-MT) apura a situação.

A imensa maioria dos incêndios, segundo especialistas, começa em propriedades privadas — mais de 95% das áreas do bioma são particulares. "O fogo no Pantanal não surge naturalmente, principalmente em um período sem raios. Esse incêndio precisa ser provocado pela ação humana", relata Sampaio.

"O fogo está presente nas práticas de manejo dos pantaneiros e ribeirinhos, para a limpeza e preservação de área. Mas quando acontece queimada em uma situação como a atual, de extrema seca, o fogo, que antes era controlado, pode fugir do controle e avançar para diversas regiões, como tem acontecido", pontua o engenheiro florestal.

O especialista salienta que, por haver muita vegetação, um pequeno incêndio no Pantanal logo atinge grandes proporções em um cenário de seca. "No ano passado, já havia sido uma situação bastante difícil. Mas em 2020 foi muito pior", declara Sampaio.

Em 2019, segundo o Inpe, foram registrados 3.165 focos de calor entre janeiro e agosto. No mesmo período deste ano, os registros foram mais que o triplo: 10,1 mil focos.

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10 de set. de 2020

QUEIMADAS SE DISSEMINAM NA AMAZÔNIA DE MANEIRA PERIGOSA!

 Reproduzido de:

https://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2020/09/09/162877-incendios-na-amazonia-se-agravam-em-setembro-e-ameacam-florestas-intocadas.html


O Brasil registrou 8.373 incêndios em sua parte da floresta amazônica nos primeiros sete dias de setembro, mais que o dobro do número de incêndios no mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Uma preocupação urgente é que 27% dos maiores incêndios até agora em setembro foram em florestas intocadas, ao invés de áreas recentemente desmatadas ou terras agrícolas onde as chamas são mais contidas, de acordo com uma análise de imagens de satélite realizada pela Amazon Conservation, organização sem fins lucrativos com base nos Estados Unidos, à qual a Reuters teve acesso exclusivo.

O número é 13% maior que em agosto.

“É muito mais desse cenário de incêndio descontrolado que está sendo desencadeado”, disse Matt Finer, que lidera o projeto de rastreamento de incêndio da organização.

“Não temos ideia para onde vão esses incêndios, quando vão parar. E, à medida que a estação seca se intensifica, só vão piorar.”

Considerando todos os tipos de incêndios, setembro já teve uma média de 53 grandes queimadas por dia na primeira semana, contra 18 por dia em agosto, de acordo com a Amazon Conservation.

A instituição define grandes incêndios como aqueles que emitem fumaça suficiente para indicar que uma grande quantidade de biomassa está queimando, enquanto os dados do Inpe são baseados em pontos de calor, que também detectam incêndios menores.

O número do Inpe, que mostra que os incêndios dobraram, pode estar subestimado porque um problema com um satélite da Nasa fez com que dados parciais fossem informados até 2 de setembro, embora a questão tenha sido resolvida nos dias subsequentes, de acordo com a Nasa e o Inpe.

Os dados revisados do Inpe devem mostrar que os incêndios atingiram a máxima de 10 anos em agosto, um índice ainda pior do que no mesmo mês do ano passado, quando os incêndios na Amazônia provocaram protestos globais.

Fonte: Reuters