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19 de jul. de 2026

AMAZÔNIA COM REDUÇÃO DE SUA CAPACIDADE DE ABSORVER CO2

REPRODUZIDO DE: https://theconversation.com/florestas-tropicais-podem-deixar-de-atuar-como-sumidouros-de-carbono-durante-o-el-nino-287453
DESTAQUES: 1) As florestas tropicais absorvem e armazenam grandes quantidades de CO₂ da atmosfera. A Floresta Amazônica, por exemplo, armazena aproximadamente 123 bilhões de toneladas de carbono — mais do que qualquer outro ecossistema terrestre do mundo. Mas essas florestas enfrentam um desafio crítico. Uma pesquisa de 2023, realizada por mim e mais de 100 colegas, constatou que as florestas tropicais da América do Sul são vulneráveis a extremos climáticos. Descobrimos que, durante um evento de El Niño — a fase quente de uma flutuação natural no sistema climático da Terra —, as florestas tropicais da América do Sul podem deixar de atuar como sumidouros de carbono. 2) Essa constatação se torna ainda mais alarmante quando consideramos a crescente frequência e intensidade dos eventos de El Niño. Houve o dobro de El Niños “muito fortes” nos últimos 60 anos do que nos 60 anos anteriores. E a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA) confirmou recentemente que um El Niño desse tipo está em curso. As florestas tropicais absorvem CO₂ por meio do processo de fotossíntese e o convertem em biomassa. Mas o equilíbrio entre fotossíntese e respiração é delicado e depende de dois fatores: temperatura e disponibilidade de água. 3) Em condições mais quentes e secas, as plantas fecham os poros de suas folhas para evitar a perda de água. Mas fechá-los efetivamente corta o suprimento de combustível da planta, pois é por meio desses poros que elas absorvem CO₂. Isso priva as plantas do carbono necessário para a fotossíntese e para o crescimento. Durante os anos do El Niño, caracterizados por anomalias de alta temperatura, o estresse climático prolongado leva à redução do crescimento florestal e ao aumento da mortalidade das árvores. Os efeitos disso são sentidos por décadas, pois o carbono é liberado de volta à atmosfera quando as árvores mortas se decompõem. 4) Nossas descobertas revelaram que, durante o El Niño de 2015-2016, quando as temperaturas terrestres estavam, em média, pelo menos um grau acima das condições habituais, algumas florestas tropicais da América do Sul efetivamente deixaram de absorver carbono. Isso suscita preocupações sobre o possível impacto do atual El Niño na Amazônia e no clima global.

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