Total de visualizações de página

16 de set. de 2026

RÃS CADA VEZ MAIS VENENOSAS (?!)

REPRODUZIDO DE: https://agencia.fapesp.br/estudo-detalha-evolucao-gradual-das-defesas-quimicas-em-ras-venenosas/59124
DESTAQUES: 1) André Julião | Agência FAPESP – A capacidade das rãs venenosas de acumular toxinas a partir dos pequenos invertebrados que ingerem não surgiu de forma repentina na história evolutiva, mas sim por meio de um processo de adaptação gradual e contínuo. É o que demonstra um estudo publicado em março na revista Proceedings of the Royal Society B. Ao administrar dietas controladas a diferentes espécies de anfíbios, os cientistas comprovaram a existência de "estágios intermediários" na natureza, ou seja, espécies que conseguem reter apenas traços de alcaloides – toxinas de origem natural presentes em insetos e aracnídeos – sem sofrer intoxicação. O achado ajuda a desvendar de que maneira a evolução moldou uma das estratégias de sobrevivência mais fascinantes do mundo animal, revelando como esses anfíbios deixaram de apenas tolerar o veneno na digestão para transformá-lo em uma verdadeira arma de defesa. 2) Há tempos, a biologia tenta entender como essas pequenas rãs coloridas da família Dendrobatidae adquiriram esse "superpoder". Na natureza, elas se alimentam de formigas e ácaros repletos de alcaloides, que seriam letais para a maioria dos animais. Para transformar a própria refeição em um escudo contra predadores, a rã precisa de um mecanismo biológico triplo: ingerir o veneno sem adoecer, transportá-lo intacto do sistema digestivo para a pele e, por fim, armazená-lo em suas glândulas. 3) "A grande pergunta do nosso trabalho foi como essa capacidade evoluiu. Para sequestrar os alcaloides é preciso um mecanismo de resistência para ingerir sem se intoxicar. Além disso, são necessários mecanismos de transporte, para levar as toxinas do sistema digestório para a pele. E ainda algum mecanismo para não degradar os alcaloides, mantê-los intactos na pele”, conta Adriana Jeckel, primeira autora do artigo. “Deve ter havido vários passos para a evolução de um fenótipo que não sequestra para o que sequestra e mesmo modifica os alcaloides.”

Nenhum comentário: