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22 de jul. de 2026

NOVA FERRAMENTA, TECNOLÓGICA, PARA FISCALIZAR EXTRAÇÃO DE MADEIRA NA AMAZÔNIA

OBSERVAÇÃO INICIAL: A (heterogênea) diversificação de ecossistemas florestais do bioma Amazônia!
REPRODUZIDO DE: https://ods.fapesp.br/analise-isotopica-pode-auxiliar-a-policia-no-combate-ao-comercio-ilegal-de-madeira-da-amazonia/13852
DESTAQUES: 1) O grupo do professor Luiz Antonio Martinelli, professor titular no Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP), em Piracicaba, está aperfeiçoando um novo instrumento que pode auxiliar nessa tarefa. Ele se baseia no uso dos isótopos – átomos de um mesmo elemento químico que possuem o mesmo número de prótons, mas um número diferente de nêutrons – para restringir a área de onde a madeira foi extraída. O grupo está criando um mapa da distribuição desses diferentes isótopos na madeira das árvores da floresta amazônica com o qual a polícia possa comparar a composição da madeira investigada. 2) A principal vantagem da abordagem é que não existe uma forma de falsificar a composição da madeira. “Pensamos em prover a PF com um método que seja inviolável. Não tem como falsificar isótopos estáveis”, explica Martinelli. Além disso, a partir do momento em que o mapa, chamado de isoscape, estiver pronto, a metodologia é facilmente aplicável por peritos fora dos laboratórios de pesquisa. O grupo de Martinelli já possui parcerias com peritos da PF para empregar a metodologia nas investigações. 3) A base da metodologia está no cálculo da razão entre dois pesos diferentes de um mesmo átomo, como o oxigênio-18 e o oxigênio-16, na celulose que compõe a madeira (os números se referem à quantidade de nêutrons em cada átomo). Em artigo publicado em maio no periódico Molecules, a equipe demonstra que existe um gradiente sudoeste-noroeste da razão das duas formas – sendo que a forma mais leve predomina no oeste. Ou seja, na madeira proveniente do oeste da floresta existe mais oxigênio-16 e menos oxigênio-18 em comparação com a madeira proveniente do leste. 4) No estágio atual do projeto, a ferramenta ainda apresenta algumas limitações. “O nosso melhor modelo consegue excluir 80% da área florestal da Amazônia, que são 3,2 milhões de quilômetros quadrados. O problema é que 20% ainda é muito. Para se ter uma ideia, dá mais ou menos 640 mil quilômetros quadrados [uma área equivalente a duas vezes e meia o Estado de São Paulo]”, diz Martinelli. 5) Outra dificuldade enfrentada é o fato de que existe uma variabilidade maior nos resultados de árvores provenientes do arco do desmatamento, a faixa geográfica que demarca a fronteira do avanço da destruição do bioma. Isso acontece porque a retirada ilegal de madeira acaba por reduzir o número de amostras disponíveis para coleta pelos pesquisadores, dificultando a aplicação do método na madeira proveniente justamente da região onde ocorre mais extração.

20 de jul. de 2026

PLANTIO EXTENSIVO DE EUCALIPTOS E SEUS MALEFÍCIOS SOCIO-AMBIENTAIS

REPRODUZIDO DE: https://www.campograndenews.com.br/economia/exodo-rural-fauna-e-abelhas-sentem-avanco-dos-eucaliptais-em-mato-grosso-do-sul
DESTAQUES: 1) Êxodo rural, fauna e abelhas sentem avanço dos eucaliptais em Mato Grosso do Sul. O fenômeno aparece de forma recorrente nas entrevistas de campo realizadas desde 2019. 2) A expansão dos eucaliptais também provocou uma mudança silenciosa no campo. Segundo Marine Dubos-Raoul, trabalhadores rurais perderam espaço à medida que fazendas de pecuária foram arrendadas para o cultivo de eucalipto, impulsionando um fluxo de famílias para as cidades da região e, em alguns casos, para Campo Grande. Embora a pesquisadora afirme não haver um levantamento estatístico capaz de dimensionar esse êxodo, ela diz que o fenômeno aparece de forma recorrente nas entrevistas de campo realizadas desde 2019. Além dos assentamentos, a equipe identificou ex-moradores de fazendas vivendo nas periferias urbanas, muitos deles expulsos pela mudança no uso da terra e em busca de novas oportunidades de trabalho. 3) É um êxodo muito visível", afirma a pesquisadora, citando casos de famílias que deixaram propriedades rurais depois que fazendas foram arrendadas para o eucalipto, enquanto outras migraram para ocupações urbanas ou permaneceram nas cidades à espera de trabalho em áreas onde a pecuária ainda resiste. 4) A preocupação com a disponibilidade de água também aparece dentro da própria cadeia da celulose. Durante reuniões e debates acompanhados pela pesquisadora, representantes do setor mencionaram investimentos em programas de melhoramento genético para desenvolver clones de eucalipto com menor demanda hídrica, iniciativa interpretada por pesquisadores como um indicativo de que, ainda que com um atraso, o tema passou a integrar as preocupações técnicas da atividade. 5) Outro mérito da pesquisa é ampliar o olhar para além da água. O estudo identifica impactos em cadeia sobre o funcionamento do ecossistema. O primeiro sinal é a fauna silvestre: animais passaram a buscar alimento em quintais, lavouras familiares e áreas urbanas, indicando perda de habitat e escassez de recursos naturais. A degradação também se manifesta no aumento dos atropelamentos de animais nas rodovias cercadas por maciços de eucalipto, na redução de frutos típicos do Cerrado, como guavira e marolo, e na alteração do comportamento de diversas espécies observadas durante o trabalho de campo.

19 de jul. de 2026

AMAZÔNIA COM REDUÇÃO DE SUA CAPACIDADE DE ABSORVER CO2

REPRODUZIDO DE: https://theconversation.com/florestas-tropicais-podem-deixar-de-atuar-como-sumidouros-de-carbono-durante-o-el-nino-287453
DESTAQUES: 1) As florestas tropicais absorvem e armazenam grandes quantidades de CO₂ da atmosfera. A Floresta Amazônica, por exemplo, armazena aproximadamente 123 bilhões de toneladas de carbono — mais do que qualquer outro ecossistema terrestre do mundo. Mas essas florestas enfrentam um desafio crítico. Uma pesquisa de 2023, realizada por mim e mais de 100 colegas, constatou que as florestas tropicais da América do Sul são vulneráveis a extremos climáticos. Descobrimos que, durante um evento de El Niño — a fase quente de uma flutuação natural no sistema climático da Terra —, as florestas tropicais da América do Sul podem deixar de atuar como sumidouros de carbono. 2) Essa constatação se torna ainda mais alarmante quando consideramos a crescente frequência e intensidade dos eventos de El Niño. Houve o dobro de El Niños “muito fortes” nos últimos 60 anos do que nos 60 anos anteriores. E a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA) confirmou recentemente que um El Niño desse tipo está em curso. As florestas tropicais absorvem CO₂ por meio do processo de fotossíntese e o convertem em biomassa. Mas o equilíbrio entre fotossíntese e respiração é delicado e depende de dois fatores: temperatura e disponibilidade de água. 3) Em condições mais quentes e secas, as plantas fecham os poros de suas folhas para evitar a perda de água. Mas fechá-los efetivamente corta o suprimento de combustível da planta, pois é por meio desses poros que elas absorvem CO₂. Isso priva as plantas do carbono necessário para a fotossíntese e para o crescimento. Durante os anos do El Niño, caracterizados por anomalias de alta temperatura, o estresse climático prolongado leva à redução do crescimento florestal e ao aumento da mortalidade das árvores. Os efeitos disso são sentidos por décadas, pois o carbono é liberado de volta à atmosfera quando as árvores mortas se decompõem. 4) Nossas descobertas revelaram que, durante o El Niño de 2015-2016, quando as temperaturas terrestres estavam, em média, pelo menos um grau acima das condições habituais, algumas florestas tropicais da América do Sul efetivamente deixaram de absorver carbono. Isso suscita preocupações sobre o possível impacto do atual El Niño na Amazônia e no clima global.