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13 de jun. de 2013

PREVISÃO DE FOGO PARA A AMAZÔNIA, EM SUB-BOSQUES: DIFERENTE DAS QUEIMADAS

[Reproduzido de www.oeco.org.br]

Esta semana, cientistas americanos divulgaram dois estudos que aumentam a preocupação com o próximo período de estiagem na Amazônia. A previsão de que o período de incêndios florestais será mais severo do que em anos anteriores se soma a um dado que ressalta o potencial destrutivo das chamas. Em anos de grandes incêndios, o fogo de sub-bosque, aquele que se espalha lentamente e escondido sob a copa das árvores, é capaz de atingir áreas maiores do que o desmatamento na região.
O fogo do sub-bosque não é detectado diretamente pelos satélites que monitoram a Amazônia. Mas em um estudo publicado em abril na revista científica Philosophical Transactions of the Royal Society B,), cientistas da Nasa, a Agência Espacial Americana, utilizaram dados obtidos pelo Modis sobre a destruição causada pelo fogo e a recuperação da floresta. Áreas atingidas pelo fogo apresentam em anos seguidos, sinais de recuperação, diferentemente das áreas desmatadas que não se recuperam nos anos seguintes. O padrão de danos e recuperação ao longo dos anos oferece a informação necessária para os cientistas identificarem os efeitos do fogo no sub-bosque.
[Ver vídeo, que se segue. Em inglês]
Entre 1999 e 2010, mais de 85,5 mil quilômetros quadrados foram consumidos pelo fogo de sub-bosque, segundo os dados da Nasa. Este número representa 2,8% do total da área de floresta. O fogo no sub-bosque avança em média a uma velocidade de 0,5 metro por minuto, bem mais lento do que na savana, por exemplo, cuja velocidade é de 100 m. Além disso, ao contrário de arbustos e gramíneas de savanas que podem sobreviver a incêndios de pouca intensidade, as árvores da Amazônia não estão adaptadas ao fogo.A longa e lenta queima é capaz de ocasionar uma mortalidade que pode variar de 10 a 50% das árvores da área atingida. 
O estudo demonstra também que o risco de fogo não está associado diretamente ao desmatamento, mas às condições climáticas. Em 2003 e 2004, por exemplo, quando foram registradas altas taxas de desmatamento, as florestas próximas ás regiões desflorestadas foram pouco afetadas pelo fogo. A atividade do fogo no sub-bosque coincide com baixas taxas de umidade noturna, medidas pelo AIRS (Atmospheric Infrared Sounder), instrumento do satélite Acqua, da NASA.
“Você pode olhar dentro das reservas indígenas, onde não há desmatamento e ver enormes incêndios de sub-bosque”, destaca Doug Morton, do centro Goddard da Nasa. “A presença humana na fronteira do desmatamento aumento o risco de incendios florestais quando as condições são favoráveis ao fogo, com ou sem atividade de desmatamento”, completa. De acordo com ele, a ignição pode vir de fogões, campings, cigarros, carros, queimadas descontroladas e inúmeras atividades humanas.

10 de jun. de 2013

HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA: INDÍGENAS REVOLTADOS, AMONTOADO DE AÇÕES NA JUSTIÇA...ENFIM, O MODO BRASILEIRO DE ENFRENTAR A PROBLEMÁTICA DA ENERGIA

Este vídeo, de entrevista com Marijane Lisboa, esclarece muito bem sobre os desmantelos da falta de política energética brasileira:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=LhOqJ_aS1pM

Em postagem de 24/02/2012 neste blog, essa entrevista foi postada. É importante assistí-lo, para se ter uma melhor ideia do assunto que se segue, reproduzido de www.amazonia.org.br

[OBS.:  cinco usinas hidrelétricas no rio Tapajós, serão:  São Luiz de Tapajós, Jatobá, Cachoeira dos Patos, Jamanxim e Cachoeira do Caí. Dentre dessas, porém, a mais significativa é a usina de São Luiz do Tapajós, que teria potência inferior apenas a Itaipu, Belo Monte e Tucuruí e produziria 6.133 megawatts (MW) de energia a partir da construção de uma barragem de 3.483 metros de comprimento atravessada no coração da Amazônia. Ver mapa]



Índios afetados por hidrelétricas: três processos judiciais, nenhuma consulta

Os indígenas impactados de maneira definitiva pelos projetos de usinas hidrelétricas na Amazônia nunca foram consultados previamente, da forma definida pela Constituição brasileira e pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Por esse motivo, o governo brasileiro responde a três processos judiciais, movidos pelo Ministério Público Federal no Pará e no Mato Grosso.
[...]
Suspensões de segurança
Em todos os processos que move sobre a consulta, o MPF obteve vitórias em favor dos indígenas, mas o governo recorreu e toca os projetos com base em liminares e suspensões de segurança – instrumento em que o presidente de um tribunal suspende decisões das instâncias inferiores de forma solitária, sem julgamento em plenário. A suspensão de segurança não analisa os argumentos debatidos na ação, apenas se uma determinada decisão judicial afeta a ordem, a saúde, a segurança e a economia públicas, deixando o debate sobre os motivos do processo para depois.
[...]
Conflitos
Nos três rios [Xingu, Tapajós, Tele Pires] que são objeto das ações do MPF pela consulta, o governo brasileiro tem projetos de pelo menos 11 hidrelétricas em estágios variados de construção e licenciamento.
A maior parte dos indígenas que ocuparam Belo Monte por 17 dias somente no último mês de maio vivem no rio Tapajós, afetados pelas usinas de São Luiz do Tapajós, São Manoel e Teles Pires. São Luiz do Tapajós é um dos grandes focos de conflito, mas não é o único. A usina Teles Pires, já em estágio de construção, explodiu cachoeiras consideradas território sagrado para os índios Munduruku. Eles nunca foram consultados e por isso, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília ordenou a paralisação da obra em agosto do ano passado. Mas a decisão dos três desembargadores que analisaram o processo foi suspensa por uma decisão monocrática do presidente do Tribunal, Mário César Ribeiro. O processo continua tramitando.
[...]
EM RESUMO: "Corruptissima republica, plurimae leges". Parece  que essa torrente de leis e vai-e-vem de processos, apreciações, embargos e desembargos continuará rondando todas essas iniciativas de construções de hidrelétricas... e que as leis serão a solução. E assim, vamos  empurrando para as próximas gerações a verdadeira resolução desses desencontros: política energética menos comprometedora ao real desenvolvimento sustentável, em que se utilize o potencial da Natureza respeitando seus componentes ecológicos e socioeconômicos.

8 de jun. de 2013

GRANDE CONQUISTA À VISTA, EM PROL DO DESENVOLVIMENTO REALMENTE SUSTENTÁVEL


Política de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta entrará em vigor em seis meses

Publicado pelo Diário Oficial da União, texto define benefícios para agricultores que adotam sistemas integrados de recuperação de áreas degradadas
por Agência Brasil
Ernesto de Souza
Política Nacional de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta visa a preservação e a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo
O Diário Oficial da União publicou na edição desta terça-feira (30/4) a Lei 12.805/13, que institui a Política Nacional de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. A publicação define benefícios para agricultores que adotam sistemas integrados de recuperação de áreas degradadas e deve entrar em vigor dentro de seis meses.
A Política Nacional de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta tem entre seus objetivos a preservação e a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo e a atenção aos princípios e às leis de proteção ambiental. A publicação prevê o estímulo a medidas alternativas às queimadas, além do uso diversificado da terra com a finalidade de melhorar a renda do produtor rural. 

Segundo o texto, a norma é uma “estratégia de produção sustentável que integra as atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área com vistas à recuperação de áreas degradas, à viabilidade econômica e à sustentabilidade ambiental”. 

Um dos princípios estabelecidos visa à sustentabilidade econômica dos empreendimentos rurais por meio da melhoria dos índices de produtividade e de qualidade dos produtos agropecuários e florestais. 

Entre os incentivos oferecidos pela lei está a criação e fomentação de linhas de crédito rural para obtenção de empréstimos em bancos oficiais e de benefícios associados a programas de infraestrutura rural (energia, irrigação e armazenagem, entre outros). 
[DESEJANDO INTEIRAR-SE DESSE PROCESSO INTEGRADO, ASSISTA O VÍDEO: http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=Rqwr4grkY7Y]