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31 de mar de 2019

AS 100 MAIORES CIDADES DO BRASIL MOSTRAM POUCO PROGRESSO NO TRATAMENTO DE ESGOTOS

http://www.tratabrasil.org.br/images/estudos/itb/ranking-2018/press-release.pdf

Documento do INSTITUTO TRATA BRASIL mostra a continuidade do pouco cuidado dos sucessivos governos no Brasil, com o saneamento.


22 de mar de 2019

22 DE MARÇO, DIA MUNDIAL DA ÁGUA: EXCETO PARA A MINERADORA “VALE”


Reproduzido de: https://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2019/03/2018rios-brasileiros-estao-por-um-triz2019-revela-estudo-da-sos-mata-atlantica

Neste Dia Mundial da Água, celebrado hoje (22), há pouco para se comemorar. Em Minas, principalmente. Relatório divulgado nesta sexta-feira pela Fundação SOS Mata Atlântica indica que a onda de rejeitos da tragédia socioambiental da empresa Vale S.A., em 25 de janeiro, já atingiu o Rio São Francisco. O documento retrata também uma triste realidade no Brasil: em apenas 6,5% dos rios da bacia da Mata Atlântica, a qualidade da água é considerada boa e própria para o consumo,
“Os rios brasileiros estão por um triz, seja por agressões geradas por grandes desastres ou por conta dos maus usos da água no dia a dia, decorrentes da falta de saneamento, da ocupação desordenada do solo nas cidades, por falta de florestas e matas ciliares que protegem os rios e nascentes e por uso indiscriminado de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Nossos rios estão sendo condenados pela falta de boa governança”, diz a especialista em água Malu Ribeiro, assessora da SOS Mata Atlântica.
Dos 12 pontos analisados na bacia do São Francisco, nove estavam com condição ruim e três, regular, o que torna o trecho a partir do Reservatório de Retiro Baixo – entre os municípios de Felixlândia e Pompéu – até o Reservatório de Três Marias, no Alto São Francisco, com água imprópria para usos da população.
Nesses pontos de coleta, a turbidez – transparência da água – estava acima dos limites legais definidos pela Resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), para qualidade da água doce superficial. Em alguns locais, esse indicador chegou a alcançar duas a seis vezes mais que o permitido pela resolução.
Segundo a entidade, as concentrações de ferro, manganês, cromo e cobre também estavam acima dos limites máximos permitidos pela legislação, o que evidencia o impacto da pluma de rejeitos de minério sobre o Alto São Francisco.
“Os dados comprovam que o Reservatório de Retiro Baixo está segurando o maior volume dos rejeitos de minério que vem sendo carreados pelo Paraopeba. Apesar das medidas tomadas no sentido de evitar que os rejeitos atinjam o rio São Francisco, os contaminantes mais finos estão ultrapassando o reservatório e descendo o rio e já são percebidos nas análises em padrões elevados”, divulgou a SOS Mata Atlântica.

Água ruim em 17% dos rios

Além de ter apenas 6,5% dos rios da bacia da Mata Atlântica com água própria para consumo, dos 278 pontos de coleta de água monitorados em um total de 220 rios, 74,5% apresentam qualidade regular, 17,6% são ruins e, em 1,4%, a situação é péssima. Nenhuma amostra foi considerada ótima.
A conclusão do relatório O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias da Mata Atlânticaé que os rios estão perdendo lentamente a capacidade de abrigar vida, de abastecer a população e de promover saúde e lazer para a sociedade.
A qualidade de água péssima e ruim, obtida em 19% dos pontos monitorados, mostra que 53 rios estão indisponíveis – com água imprópria para usos – por conta da poluição e da precária condição ambiental das suas bacias hidrográficas, segundo a fundação.


O relatório traz o balanço das análises feitas nos 220 rios, de 103 municípios dos 17 estados abrangidos pela Mata Atlântica. Nos 278 pontos monitorados, foram feitas 2.066 análises de indicadores internacionais que integram o Índice de Qualidade da Água (IQA), composto por 16 parâmetros físicos, químicos e biológicos na metodologia desenvolvida pela SOS Mata Atlântica.

21 de mar de 2019

QUANTO MAIS DISTANTE DO CENTRO POLUIDOR... A POLUIÇÃO CONTINUA!!!




De origem vulcânica, Kerguelen está a 4 mil quilômetros ao sul da Índia e 2 mil quilômetros ao norte da Antártida. O arquipélago pertence àquele país e administrativamente faz parte das Terras Austrais e Antárticas Francesas (TAAF). Atualmente há uma estação científica e estruturas associadas a ela. “Há também atividade pesqueira em função da zona de exploração econômica exclusiva da França”, diz Cipro. “Biologicamente há inúmeras espécies de aves e mamíferos marinhos que estabeleceram colônias na ilha e tantos outros, além de quantidades importantes de peixes e invertebrados graças à elevada produtividade primária de alimentos local. Há ainda diversas espécies introduzidas pelo homem, como, por exemplo, ratos e renas, e algumas plantas.”
Ele conta que a ideia do estudo surgiu durante um período em que ele trabalhou como pesquisador convidado na Universidade de La Rochelle. “Meu supervisor à época, professor Paco Bustamante, havia me contado sobre um conjunto de dados que ele havia obtido anos antes, no qual começou a trabalhar durante seu próprio doutorado e cuja publicação nunca teve tempo de levar adiante”, diz. “Eu me ofereci para realizar a tarefa e escrever a publicação.”
Cipro passou então a estudar a ocorrência de quatro elementos químicos (cádmio, cobre, mercúrio, zinco e selênio) em mais de 30 espécies de invertebrados e peixes, a maioria de nível trófico (da cadeia alimentar) mais baixo. O objetivo era entender como se comportam as concentrações desses poluentes inorgânicos nesses níveis mais baixos que vão influenciar organismos acima deles na cadeia alimentar.
O primeiro estudo de Cipro foi realizado em 2014, logo depois que ele chegou na França, em amostras que haviam sido coletadas pela equipe de Bustamante nos verões austrais de 1997 e 1998. O cientista brasileiro analisou a contaminação por metais numa espécie de ave, o petrel pardela-preta (Procellaria aequinoctialis). “Constatamos contaminação por cádmio, cobre, mercúrio, selênio e zinco”, conta. “Um artigo sobre o trabalho foi publicado, em 2016, na revista científica Polar Biology.”
A segunda pesquisa foi realizada em 2018 e rendeu outro artigo, publicado na mesma revista. 
Neste caso, analisamos os níveis de contaminação dos mesmos metais, como exceção do selênio – não havia condições na época de fazer isso com esse elemento no laboratório da Universidade de La Rochelle – em 18 espécies de peixes e 11 de invertebrados”, explica Cipro. O resultado do trabalho também apontou a contaminação dos animais pelos metais.
De acordo com Cipro, o que se pode concluir dos resultados das suas pesquisas é que nesse caso específico de Kerguelen, os valores de cádmio variaram muito mais que os de mercúrio (quatro ordens de magnitude contra uma) e dependeram mais da especificidade na ecologia alimentar e no habitat do que do nível da cadeia alimentar pura e simplesmente.
Em outras palavras, os resultados dos estudos mostraram que, ao contrário do que ocorre na maioria dos casos, as concentrações de poluentes encontradas nos animais dependiam pouco da posição deles na cadeia alimentar, mas mais de mecanismos específicos de fisiologia e exposição, de tal modo que predadores de níveis tróficos mais baixos podiam estar mais sujeitos a alguns contaminantes do que outros de posições mais altas.
 Isso significa, segundo Cipro, que trabalhos com espécies de maior nível trófico ou sentinelas precisam de estudos de ecologia alimentar mais aprofundados antes de se tirar certas conclusões e que a na cadeia alimentar por si só não significa muita coisa nesse ambiente. “Além disso, minha pesquisa fornece bases sólidas sobre a exposição a que predadores estão sujeitos, já que na maioria dos casos essa discussão permanecia no terreno hipotético por falta de dados de campo”, explica.
O trabalho mostrou ainda uma possível influência de uma fonte secundária local de contaminantes, provavelmente as próprias colônias de aves, hipótese confirmada em ambiente antártico durante seu projeto de pesquisa atual. Dando mais detalhes, Cipro explica que os metais analisados têm fontes naturais, mas a atividade humana certamente tem um papel maior que elas de um modo geral. Para o mercúrio, por exemplo, estima-se que as emissões atuais sejam de três a cinco vezes maiores do que antes da era industrial. Esse elemento pode chegar ao arquipélago de Kerguelen vindo de despejos feitos por fábricas localizadas a 10 mil quilômetros de lá.
Apesar disso, localmente, além de colônias de aves, algumas outras fontes naturais podem ser significativas, como, por exemplo, certas rochas e combustíveis fósseis. “No caso das colônias de aves, alguns trabalhos que propus sugeriram e posteriormente confirmaram o papel delas como fonte local e relevante de alguns elementos e também de poluentes orgânicos”, diz Cipro. “Em Kerguelen, levantamos essa hipótese, comparando mexilhões de dentro e de fora do Golfo do Morbihan, e ela pareceu ser confirmada pelos resultados obtidos.”