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30 de nov de 2014

BIODIVERSIDADE EM UCs: PUBLICAÇÃO DA WWF BRASIL, DISPONÍVEL EM pdf

http://d3nehc6yl9qzo4.cloudfront.net/downloads/wwf_biodiversidade_ucs_port.pdf
No link acima, pode ser obtida a nova publicação do WWF Brasil:

Conforme divulgação no site de www.oeco.org.br

WWF lança livro sobre a Biodiversidade em unidades de conservação
((o))eco - 28/11/14


O WWF-Brasil lançou semana passada (18), durante o Congresso Mundial de Parques IUCN 2014, realizado em Sidney, Austrália, a publicação "Observatório de UCs: Biodiversidade em Unidades de Conservação", que consolida dados de 17 mil espécies de plantas, invertebrados, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos em 417 unidades de conservação federais e estaduais e é resultado do trabalho do Observatório de UCs, plataforma digital da ONG, lançada em 2012.
[...]
A publicação conta com tabelas, como a apresentada abaixo, sobre números de espécies registradas, tanto por Unidade de Conservação quanto por bioma.



29 de nov de 2014

NOSSO OBSTÁCULO MAIOR NA PRÁTICA DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: "DESONESTIDADE"

PF investiga esquema bilionário de fraudes com terras públicas

[Obs., deste blog: vivenciamos um período em que a Polícia Federal, mais cedo ou mais tarde, descobre esse tipo de fraude (esta aqui com a sugestiva denominação de "Terra Prometida") e outros mais; se esses meliantes engravatados continuam perpetrando-os, é porque sabem que a penalidade compensa os riscos ou que "após a tempestade vem a bonança"; e assim, "tudo continua como dantes no quartel de Abrantes"!!!]

A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem (27) uma megaoperação para desarticular um esquema de fraudes na concessão de lotes de terras públicas destinadas à reforma agrária. O prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 1 bilhão. De acordo com a PF, a operação foi possível graças à participação de servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e funcionários municipais, além de representantes de entidades de classe.

Entre os investigados estão Odair e Milton Geller, irmãos do ministro da Agricultura, Neri Geller, cuja assessoria informou que, além de o ministro não ser citado no inquérito policial, não mantém qualquer sociedade empresarial ou negócio com os irmãos. Policiais estiveram na casa de Odair Geller e apreenderam documentos, mas ainda não localizaram os dois irmãos. Em conversa com o delegado-chefe das investigações, Hércules Ferreira Sodré, o advogado de Odair e de Milton garantiu que ambos irão se apresentar espontaneamente.

Duzentos e vinte e dois mandados judiciais são cumpridos em Mato Grosso, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. São 52 mandados de prisão preventiva, 146 de busca e apreensão e 29 de medidas coercitivas. Cerca de 350 policiais federais participam da chamada Operação Terra Prometida – nome alusivo à passagem bíblica em que Deus promete terras a seu povo.

Embora sem revelar detalhes como nomes e cargos, a PF adiantou que, entre os investigados, há oito servidores públicos e que 80 fazendeiros podem estar envolvidos com o esquema. Durante a investigação, os policiais federais concluíram que fazendeiros e empresários adquiriam irregularmente ou simplesmente invadiam terras da União destinadas à reforma agrária, chegando a coagir e ameaçar os reais beneficiários para que vendessem ou abandonassem suas áreas.

As irregularidades eram acobertadas com a obtenção de documentos falsificados e vistorias fraudadas. Além disso, com a participação de alguns servidores do Incra, o grupo conseguia inserir informações falsas no Sistema de Informações de Projetos de Reforma Agrária (Sipra) – o que permitia a grandes latifundiários e grupos de agronegócio, inclusive empresas multinacionais, ocupar terras da União.

Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por crimes de invasão de terras da União, contra o meio ambiente, falsidade documental, estelionato e corrupção ativa e passiva. As penas podem chegar a até 12 anos de reclusão.

Procurado, o Incra informou que divulgará nota sobre o assunto nas próximas horas. O Ministério da Agricultura vai publicar um informe com detalhes sobre o caso, durante esta tarde. Os delegados federais responsáveis pela operação vão conceder entrevista coletiva as 16 horas.

Por: Alex Rodrigues
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Beto Coura

Complemento, reproduzido da FOLHA DE S. PAULO:
"Depoimentos colhidos pela Polícia Federal e pela Procuradoria do Mato Grosso envolvem o Ministro da Agricultura Neri Geller (PMDB)"...

28 de nov de 2014

"RIOS VOADORES". ESTE TEMA DEVE CONTINUAR SEMPRE EM EVIDÊNCIA

Rios Voadores - Correntes de ar que carregam umidade

Um excelente traballho executado pelo casal Moss.
Assista ao vídeo:

27 de nov de 2014

PARA O GOVERNO, O DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA, BREVEMENTE, VAI ZERAR!!!

Analistas criticam falta de transparência em dados sobre desmatamento na Amazônia

Last updated 26/11/2014 22:16 BRT

BBC © 2014

26 de nov de 2014

TODA E POSSÍVEL FORMA DE VIGÍLIA...AINDA É POUCO! OS ILEGAIS SÃO PROLÍFEROS!!!

Índios usarão celulares em árvores para vigiar floresta

FOLHA DE S. PAULO

RAFAEL GARCIA

DE SÃO PAULO

24/11/2014




25 de nov de 2014

MORATÓRIA DA SOJA: CONFIAR EM "BOAS INTENÇÕES" RESULTA EM DECEPÇÕES ANTI-CONSERVACIONISTAS

Reproduzido de duas postagens, de hoje (25/11/2014)

1) Apesar da moratória da soja, desmatamento aumentou

http://www.oeco.org.br/noticias/28791-apesar-da-moratoria-da-soja-desmatamento-aumentou  

A moratória da soja foi renovada nesta terça-feira (25) pela sétima vez. Os resultados do 7ª ano de moratória (quer dizer proibição) à comercialização de soja produzida em áreas desmatadas na Amazônia foram divulgados em Coletiva de Imprensa no Ministério do Meio Ambiente. Apesar disso, a área desmatada para a plantação de soja cresceu 61% em 2013 e chegou a 47.028 hectares, contra 29.295 hectares registrados em 2012.
[...]

2) Moratória da soja na Amazônia é renovada até maio de 2016

O governo federal e representantes do setor privado e de organizações da sociedade civil renovaram hoje (25/11/2014) até 31 de maio de 2016, a moratória da soja. Trata-se de pacto para que indústria e exportadores não comprem soja de áreas desflorestadas no bioma Amazônia.


A referência para interdição à compra, que eram as áreas desflorestadas depois de julho de 2006, passou a ser as áreas desflorestadas após julho de 2008, seguindo o marco estabelecido pelo novo Código Florestal.

O Ministério do Meio Ambiente, que representa o governo na moratória, divulgou dados sobre o monitoramento de áreas durante a vigência do acordo, anteriormente previsto para expirar em 31 de dezembro deste ano. No período de 2007 a 2013, em 73 municípios de Mato Grosso, do Pará e de Rondônia que respondem por 98% da soja plantada no bioma da Amazônia, foram identificados 47.028 hectares do cereal em áreas desflorestadas após o início do pacto, e, portanto, em desacordo com a moratória.

O plantio em áreas não permitidas cresceu 17.733 hectares, equivalentes a uma alta de 61% entre as safras de 2012/2013 e 2013/2014. De acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, houve pressão econômica em razão da alta do preço da soja. “Alguns produtores resolveram apostar em descumprir a lei”, disse ela. A ministra observou, no entanto, que o total plantado irregularmente nos anos de vigência é pouco representativo no universo de produção da soja nacional e local.

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24 de nov de 2014

KÁTIA ABREU. SERÁ QUE ELA OCUPARÁ O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA!?

Eis alguns trechos de postagens neste blog, referentes a esta personagem do "agronegócio exclusivo".

1) "Há unidades de conservação de uso sustentável, que permitem a produção e o manejo florestal. Mas parece que Kátia desconhece esse setor produtivo – aquele dos pequenos agriculturores e da agricultura familiar. O estudo tampouco analisa que a criação dessas unidades ao longo dos anos ajudou a estancar os desmatamentos ilegais em suas respectivas regiões".
2) "Há cerca de três anos, Kátia Abreu, juntamente com a bancada ruralista do Congresso Nacional, alardeava ao Brasil que, caso o Código Florestal não mudasse radicalmente, a agricultura do país iria falir. Conseguiram o que queriam e o resultado foi a desfiguração do que restava da legislação ambiental brasileira. Uma imensa anistia a criminosos ambientais e o aumento do desmatamento foram os frutos colhidos pela nova lei que rege as florestas do país".
3) "O problema no Brasil hoje, portanto, não é o volume de áreas destinadas à produção – 330 milhões de hectares, segundo estudos – ou protegidas por lei – 231 milhões de hectares –, mas sim as áreas de terras abandonadas de forma inconsequente pela pecuária extensiva ou pelo plantio de soja. O que se vê, então, é que no Brasil não falta área, mas consciência do uso responsável da terra".
4)  "A senadora e fazendeira do Tocantins foi uma força influente no enfraquecimento do Código Florestal do Brasil, responsabilizado por muitos pelo recente aumento do desmatamento da Amazônia. Seu apoio - no parlamento e em uma ácida coluna de jornal - por mais estradas através da Amazônia, controle do Congresso sobre demarcação de reservas indígenas, monoculturas mais eficientes e "sementes exterminadoras" geneticamente modificadas lhe rendeu a ira dos ambientalistas, que a chamavam de "senhorita desmatamento", "rainha da motosserra" e "Face do mal".

E agora, esta notícia:

MST ocupa fazenda em protesto contra possível ida de Kátia Abreu para a Agricultura

Postagens neste blog sobre esta "agronegociante exclusiva":


19/07/2013  "OLHOS BEM MAIORES DO QUE O CÉREBRO"

12/09/2013  A "COMANDANTE DA BANCADA RURALISTA" NÃO DESCANSA ENQUANTO NÃO TIVER TODAS AS TERRAS COBERTAS POR PLANTAÇÕES E PASTAGENS!!!


19 de nov de 2014

RODOVIA QUE CORTA RESERVA...ENCURTA CAMINHO E VIDA DE ANIMAIS

BR-101, uma ameaça ao refúgio dos animais da mata 

Conferir em:

http://www.oeco.org.br/convidados/28777-br-101-uma-ameaca-ao-refugio-dos-animais-da-mata


A BR-101 é uma das mais movimentas rodovias do Brasil, ligando as regiões sul e sudeste ao nordeste do país. No Estado do Espírito Santo, essa rodovia foi implantada durante a década 70, à revelia da legislação ambiental da época, cortando uma das mais importantes paisagens de Floresta Atlântica de Tabuleiros, o complexo florestal de "Sooretama", nome que em tupi-guarani significa "terra e refúgio dos animais da mata".

Desde a década de 40, muitos anos antes da BR-101 ser implantada, a área foi destinada à conservação da biodiversidade, com a criação das duas Unidades de Conservação mais antigas do Espírito Santo e do Brasil: a Reserva Florestal Estadual de Barra Seca e o Parque de Refúgio de Animais Silvestres Sooretama. Em 1981, as duas unidades foram unidas na Reserva Biológica de Sooretama. Outras reservas importantes também foram estabelecidas na área, como a Reserva Natural Vale, a RPPN Mutum-Preto e a RPPN Recanto das Antas.

Hoje, a área possui aproximadamente 50 mil hectares de floresta protegida, entretanto, cortada por um intruso trecho de 25 km da BR-101, que diariamente mata dezenas de animais por atropelamento e fragmenta as populações silvestres. A presença da BR-101 em um dos últimos remanescentes de Floresta Atlântica de Tabuleiros, legalmente protegido, é um grave conflito na conservação da biodiversidade. Esta situação será agravada devido ao processo de ampliação e duplicação desse trecho, dentro do contrato de concessão da rodovia para a administração privada, até 2025. No momento, a ampliação está em fase de estudo de impacto ambiental.

O complexo florestal de Sooretama é uma área de extrema prioridade para a conservação da Mata Atlântica, tombada como patrimônio natural da humanidade pela UNESCO e é o último refúgio, no Estado, para a onça-pintada e também para o tatu-canastra. A anta, o maior mamífero terrestre brasileiro, também encontra na região um de seus últimos refúgios.

[Texto completo no link mostrado no início desta postagem]



16 de nov de 2014

AS PESSOAS SÓ ENXERGAM O QUE ELAS QUEREM ENXERGAR!!!

Já completei 43 anos de pesquisa e ensino, em busca de informações científicas, ou seja, de respostas da Natureza às inúmeras questões sobre sua complexa estrutura e funções; e em transmitir a diversos alunos da variada formação acadêmica os princípios teóricos e as práticas observadas desses componentes estruturais e funcionais da "mãe Natureza". Muitos pesquisadores espalhados pelo mundo vêm fazendo isso há centenas de anos e resultados esclarecedores já nos mostram  que a sobrevivência do ser humano com boa qualidade de vida dependerá essencialmente de nossas atitudes em lidar com os valores essenciais da Natureza. Água, é o primeiro desses valores. Alimento, o segundo. Ambos precedidos do adjetivo "boa" qualidade. E para isso é imprescindível que saibamos cuidar de suas fontes de fornecimento e produção: rios, lençol freático, lagos e lagoas, e solos e oceanos. Os acontecimentos extremos de falta de água, agora em 2014, no sudeste do Brasil e as contínuas secas no nordeste, são provas trágicas (demonstradas cientificamente) de que preservar a floresta amazônica e a vegetação dos cerrados e caatingas, são imprescindíveis à contínua disponibilidade de água à vida.
Diversos outros componentes da Natureza se constituem em fundamentos à plena obtenção desses valores essenciais, quais sejam biodiversidade, energia eficiente, ar puro, ciclagem natural da matéria e entre outros, por último mas nem por isso menos importante, controle populacional.
Saúde ambiental, como um todo, incluindo obviamente a saúde humana, estará na dependência direta de como e de quanto dos recursos da Natureza vamos saber utilizar.
Posto isso, retorno ao começo deste curto ensaio em que destaquei minha experiência na área de pesquisa e ensino em meio ambiente. E chego no ponto de um "desabafo", baseado na vivência em sala de aula, em dezenas de cursos para universitários (em formação), profissionais (já graduados) em ciências experimentais, da Natureza, das engenharias, da saúde...em cursos de pós-graduação "lato e stricto sensu" e tenho observado que:  todas as evidências da Natureza mostradas pelas informações científicas na área de meio ambiente não são capazes de convencer as pessoas de que elas precisam decisivamente mudar suas atitudes em lidar com esses valores essenciais à boa qualidade de vida acima citados. Acrescento ainda as várias oportunidades que tive em participar de encontros com a presença dos atores decisivos da sociedade; ou seja, as autoridades governamentais. Sem nenhum efeito prático. Em resumo, as pessoas  só enxergam o que elas querem enxergar!

15 de nov de 2014

DUAS NOTÍCIAS SOBRE REDUÇÃO, DESAFETAÇÃO E RECATEGORIZAÇÃO: UMA...DO MUNDO E OUTRA...DO BRASIL

Obs.: discussão esclarecedora sobre os termos objeto desta matéria pode ser ser vista em: http://www.livrosgratis.com.br/download_livro_131867/os_e034espacos_de_incertezae034_a_e034desterritorializacao_subjetivae034_e_o_e034pacto_da_conservacaoe034-_perspectivas_de_uma_geografia_socioambiental_das_areas_naturais_protegidas

Primeira notícia (http://www.oeco.org.br/convidados/27935-cade-o-parque-que-estava-aqui):

Cadê o Parque que estava aqui?
*Mariana Napolitano Ferreira 

Um artigo publicado   na revista Biological Conservation por um grupo de pesquisadores e ambientalistas norte-americanos faz um balanço das iniciativas de redução, desafetação (ou descriação) e recategorização (RDR) de áreas protegidas na África, Ásia, América Latina e Caribe entre 1900 e 2010. O estudo identificou 543 iniciativas desse tipo em 375 áreas protegidas distribuídas em 57 países, afetando uma área total de mais de 500 mil km2, equivalente ao tamanho da Espanha ou um pouco menor que o estado da Bahia.

Ajustes nos limites de áreas protegidas, especialmente daquelas estabelecidas antes da existência de bases de dados espacializados e da realização de consultas a sociedade, podem ser importantes para reparar injustiças históricas, resolver conflitos locais e garantir a conservação de áreas com alto valor de biodiversidade. No entanto, os dados do estudo sugerem que apenas uma pequena fração das iniciativas de RDR foram propostas com esse fim. As principais causas que motivaram essas iniciativas estão associadas à ocupação do espaço e ao uso dos recursos naturais originalmente protegidos, para o desenvolvimento de atividades de escala industrial, tais como mineração, óleo e gás, agricultura e a construção de infraestruturas.

Segunda notícia (http://www.wwf.org.br/?42224): 

Desmatamento em áreas que perderam a proteção cresce na Amazônia


Um estudo preliminar do WWF-Brasil e parceiros revela que a Amazônia é a região brasileira com maior número de iniciativas de redução, desafetação (ou descriação) e recategorização (RDR) de áreas protegidas no Brasil. O levantamento mostra que, entre 1988 e 2014, ocorreram 41 casos do tipo apenas na Amazônia – cerca de um terço dos casos no Brasil. No total, 27 unidades de conservação (UCs) no Brasil estão atualmente ameaçadas por propostas ativas de RDR, sendo que 30% delas estão no norte do País, com perda potencial de 4,5 milhões de hectares.


 
Dentre as principais causas estão o desenvolvimento de atividades de escala industrial, tais como mineração, óleo e gás, agricultura e a construção de obras de infraestrutura, como hidrelétricas. “Como impacto principal dessas atividades está o crescimento exponencial das taxas de desmatamento em áreas que sofreram RDR. Entre os anos de 2000 e 2012, essas áreas registraram taxas de desmatamento 18 vezes maiores que as áreas protegidas em geral, e 2,65 vezes maiores do que regiões que nunca foram protegidas”, explica Jean François Timmers, superintendente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.
 
A importância do assunto levou o Brasil a ser um dos estudos de caso em uma mesa redonda, no dia 14 de novembro, no Congresso Mundial de Parques, em Sidney, Austrália. O evento vai abrir a série de palestras da organização no Congresso, sob o tema “Parques, pessoas e planeta: inspirando soluções”, que acontece de 12 a 19 de novembro. “Será uma oportunidade de apresentar para especialistas de todo o mundo os dados do Brasil, que reforçam uma tendência global de retrocesso e da flexibilização indiscriminada do status de conservação garantido a áreas consideradas únicas, com alto valor de biodiversidade, serviços ecossistêmicos e beleza cênica”, reforça Timmers.
 
Ao que tudo indica, o acirramento das pressões em UCs na Amazônia tende a aumentar. Dentre os exemplos de ameaças mais recentes estão as discussões sobre a PEC 215/2000 no Congresso Nacional, que propõe retirar do Executivo o poder de criar terras indígenas e unidades de conservação; e o PL 3.682/2012, que pretende liberar 10% das unidades de conservação de proteção integral para atividades de mineração. 
 
 
Coalizão Pró-UCs

Preocupados com a atual situação das unidades de conservação no Brasil, um coletivo de organizações, incluindo o WWF-Brasil, criou a Coalizão Pró-UCs que tem como principal objetivo agir para a defesa e o fortalecimento do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
 
Recentemente, o grupo divulgou uma lista de propostas aos presidenciáveis. Sobre a conservação de áreas protegidas foi sugerido: “Estabelecer e orientar um processo de análise técnica, transparente e a realização de consulta pública para avaliar a real relevância de redução, recategorização e desafetação de unidades de conservação. Nos casos extremos em que as alterações são inevitáveis, deve-se estabelecer um processo de compensação das perdas a partir da ampliação das UCs ou criação de novas, garantindo a representatividade do sistema e proteção de áreas com biodiversidade equivalente”.
 
“Queremos chamar atenção para a importância das UCs do País e atuar em prol do seu fortalecimento como forma mais elementar de contribuir positivamente para o desenvolvimento da nação e da sociedade brasileira”, explica Mariana Napolitano, especialista de Políticas Públicas do WWF-Brasil e representante da organização na Coalizão.
 
 
Sobre o Congresso

O Congresso Mundial de Parques, organizado pela IUCN, ocorre a cada dez anos, reunindo especialistas de todo o mundo para discutir a situação das áreas protegidas existentes ao redor do planeta.

Pela primeira vez, o Congresso vai reunir e comunicar as soluções mais atraentes e inspiradoras para os desafios globais das áreas protegidas. Isto ajudará a criar novos compromissos em todos os setores da conservação, desenvolvimento e negócios.

O WWF-Brasil estará presente durante todo o Congresso, compartilhando sua experiência e aprendizados a partir da atuação de mais de 30 anos nas unidades de conservação no Brasil.

Acompanhe a programação e notícias sobre os eventos aqui.
 

13 de nov de 2014

DIA DO PANTANAL: SUA PRESERVAÇÃO SE INICIA ONDE SUAS ÁGUAS SE ORIGINAM

Reproduzido de http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?42122

Dia do Pantanal: WWF-Brasil alerta para a importância da conservação das cabeceiras do Pantanal

12 Novembro 2014  | 
“Em ambos os lados da estrada de pista simples, a paisagem se estende em um mosaico de pastagens alagadas e retalhos de densa vegetação. Está anoitecendo e o céu parece uma revolução de dourados e vermelhos. Um casal de araras aponta sobre nossas cabeças, num flash de vermelho e azul, em contraste com as copas verdes escuras das árvores”.


 
O trecho acima é parte da reportagem “Pantanal: Ativistas lutam para preservar intactas as planícies alagadas do Brasil”, produzida pelo jornal britânico The Telegraph e que o WWF-Brasil disponibiliza em português no link acima, para marcar o Dia Nacional do Pantanal, comemorado hoje, 12 de novembro. Resultado  de expedição organizada em parceria com o WWF-Reino Unido e o  Programa HSBC pela Água, a matéria foi publicada no dia 11 de setembro e destaca a viagem pela qual o jornalista inglês Mick Brown e a fotógrafa Anastasia Taylor-Lind percorreram 1.400 quilômetros no estado Mato Grosso, no período de  26 a 31 de maio.
 
“Expedições como essa são parte do esforço do WWF-Brasil em alertar sobre as ameaças e desafios que rondam o Pantanal. Manter a sociedade informada é uma forma de angariar apoio para que os setores públicos e privados tomem medidas efetivas para a conservação do bioma”, afirma o coordenador do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil, Glauco Kimura de Freitas, que também participou da viagem e é um dos entrevistados da reportagem.
 
Maior área úmida continental do planeta, o Pantanal ocupa parte dos estados brasileiros do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e estende-se pela Bolívia e Paraguai. A região abriga uma impressionante diversidade de flora e fauna, com pelos menos 4.700 espécies catalogadas, sendo 3.500 plantas, 565 aves, 325 peixes, 159 mamíferos, 98 répteis e 53 anfíbios.
 
Além do encantamento pela região,  a reportagem também retrata as ameaças que colocam em risco a conservação ambiental do Pantanal e a manutenção do estilo de vida pantaneiro. “Agricultura intensiva, desmatamento, poluição industrial e a demanda de uma população em crescimento por água e energia estão colocando em perigo as águas que formam o Pantanal: nascentes, afluentes e rios que lhe dão vida”, escreveu Brown.
 
Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal - Com depoimentos de diversos atores locais, de prefeitos a vaqueiros, a matéria constata o impacto do desenvolvimento não-sustentável na área. “Eu tenho 57 anos e me considero velho. Mas estou preocupado com os jovens que não vão ter como sobreviver nessa região e vão ter de ir embora. Rio acima, as pessoas não se importam com o rio, e aqui a gente paga o preço”, afirma João, pescador citado na reportagem que vive nos arredores de Poconé e tira seu sustento do rio Cuiabá.
 
O “rio acima” apresenta o maior risco ecológico na região. É no planalto mato-grossense que estão as cabeceiras do Pantanal. “Trata-se de um conjunto de nascentes e afluentes que são responsáveis pela função hidrológica de todo o sistema das áreas úmidas. A região funciona como uma caixa-d’água que abastece diretamente a parte baixa”, explica Glauco de Freitas.
 
Reverter a degradação da região de planalto é o foco do trabalho do Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal. Um projeto do WWF-Brasil, apoiado pelo Programa HSBC pela Água, que busca melhorar o gerenciamento de recursos hídricos e proteger quatro grandes afluentes da região - os rios Alto-Paraguai, Sepotuba, Jauru e Cabaçal, que são responsáveis por até 30% do fluxo de água que desce ao Pantanal.
 
O objetivo do projeto, também destacado na reportagem do The Telegraph, é que até 2017 pelo menos 25 municípios da bacia, produtores, empresas e entidades locais assinem o Pacto e se comprometam com práticas sustentáveis em diferentes setores. Em nove meses de trabalho, 72 instituições, incluindo grupos de pescadores, produtores locais, frigoríficos, entre outros, já assinaram cartas de intenção de apoio ao Pacto.
 
 “Água é tudo para o Pantanal. Nós precisamos do engajamento de todos os setores da sociedade fazendo-os compreender que cuidar do seu recurso hídrico não beneficia apenas suas atividades cotidianas, mas também provê uma base para uma indústria saudável no longo prazo”, citou Freitas na reportagem.
 
Durante a expedição, o grupo visitou o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, os campos agrícolas da estrada entre a Chapada e Campo Verde, Poconé, Cáceres, Reserva do Cabaçal, São José dos Quatro Marcos, Barra do Bugres, Tangará da Serra e Cuiabá, todas as localidades no estado de Mato Grosso, e boa parte delas na região abrangida pelo Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal.
 
WWF-Brasil no Pantanal
 
O WWF-Brasil apoia projetos de conservação na região há 16 anos. O trabalho consiste na realização de estudos de impacto sobre o uso do solo e mudanças climáticas, além do cálculo da Pegada Ecológica e monitoramento da cobertura vegetal. a organização também ajuda a conservar as nascentes, a recuperar áreas degradadas e a  estimular a produção sustentável de carne com a promoção de boas práticas para o fortalecimento da pecuária orgânica certificada, entre diversos outros projetos. 

O trabalho do WWF-Brasil, na região, é realizado por meio de dois Programas: Cerrado Pantanal e Água para Vida. No bioma, a estratégia de conservação é, ainda, compartilhada com o WWF-Bolívia e o WWF-Paraguai. O trabalho desenvolvido tem promovido ações mais efetivas na conservação do bioma que buscam envolver a conservação e a proteção dos ecossistemas aquáticos, o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis, o planejamento sistemático do território e o desenvolvimento de hábitos responsáveis de consumo.
 
Dia do Pantanal – Criado em 2008, o Dia Nacional do Pantanal tem como objetivo incentivar a conservação da biodiversidade pantaneira e valorizar a sua importância para o meio ambiente, ao mesmo tempo que alerta para o grau de vulnerabilidade do bioma e  envolve toda a sociedade em sua defesa.
 
Iniciativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA), com o apoio do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e do movimento ambientalista, o dia 12 de novembro foi escolhido para homenagear o ambientalista e jornalista Francisco Ancelmo de Barros, conhecido como Francelmo, que durante 25 anos dedicou-se à luta pela preservação do Pantanal. No dia 12 de novembro de 2007, durante uma manifestação no centro de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, Francelmo ateou fogo no próprio corpo para protestar contra a instalação de usinas de álcool no Pantanal.

12 de nov de 2014

RESULTADO DA CONVERSA ENTRE OBAMA E XI JINPING: ESPERANÇAS... PARA A PRÓXIMA CONVERSA

Reproduzido de THE NEW YORK TIMES


Trechos da matéria:
O anúncio histórico pelo Presidente Obama e o Presidente  Xi Jinping da China de que se comprometerão a conseguir cortes nas emissões de carbono das suas nações mudou fundamentalmente a política global das mudanças climáticas. O acordo deu uma sacudida fresca de otimismo para negociações destinadas a alcançar um novo Tratado climático internacional no próximo ano em Paris, onde os alvos americanos e chineses são esperados para ser o coração do negócio.

Mas os peritos e negociadores advertiram que as reduções de emissões alvos agora apresentados pelos dois países não serão suficientes para evitar um aumento da temperatura atmosférica global de 2 graus Celsius.

Este é o ponto onde os cientistas dizem que o planeta entrará num futuro perigoso e irreversível do aquecimento, que incluem a perda de grandes extensões de terras aráveis, rápido derretimento do gelo do mar Ártico, aumentando os níveis do mar, secas extremas, tempestades e inundações.

No âmbito do plano de Kyoto, as economias desenvolvidas, incluindo os Estados Unidos, se propuseram  a reduzir suas emissões de combustíveis fósseis, enquanto os países em desenvolvimento como a China estavam isentos. Os Estados Unidos se recusaram a ratificar o Tratado, enquanto a China passou a se tornar o maior poluidor de carbono do mundo. Nos anos seguintes, as superpotências permaneceram num impasse sobre mudança climática. Muitos outros governos também se recusaram a cortar emissões, argumentando que se poluidores do topo do mundo não estavam agindo, eles não deveriam também.

Muitos especialistas também criticaram o objetivo da China de atingir um pico nas suas emissões de carbono até 2030; apenas, mais um dos seus negócios, como de costume.
Muitos outros grandes emissores — incluindo Austrália, Índia e Rússia, bem como "petrostates"  como Arábia Saudita e Venezuela, cujas economias dependem de mercados contínuos dos combustíveis fósseis — não sejam susceptíveis de oferecer objetivos semelhantes a qualquer momento.

[...]

[A matéria completa, em inglês, encontra-se no www.ecologyintofocus.blogspot.com]

11 de nov de 2014

O BRASIL NÃO TEM POLÍTICA ENERGÉTICA. MAS O GOVERNO TEM PODER: "NÃO ABRIREMOS MÃO DE CONSTRUIR TAPAJÓS"!!!

‘Não abriremos mão de construir Tapajós’, diz Gilberto Carvalho'


a entrvista com o mui forte e atuante Chefe da Secretaria-Geral da Presidência.

Em entrevista à BBC o Ministro parece "tergiversar" quando, por exemplo, afirma: 

“O governo da presidenta Dilma deixou de fazer da maneira tão intensa, como era feito no tempo do (ex-presidente) Lula, esse diálogo de chamar os atores antes de tomar decisões. De ouvir com cuidado e ouvir muitos diferentes, para produzir sínteses que contemplassem os interesses diversos”, afirma Carvalho.

E logo depois:

 “faltou competência e clareza” ao governo para avançar na questão indígena, e em alguns episódios a gestão deu “tiros no pé”.

Ele defendeu, no entanto, o envio da Força Nacional de Segurança para reprimir protestos de indígenas contra a construção da usina de Belo Monte e disse que, se necessário, a mesma postura será adotada no rio Tapajós, no Pará, onde há planos de erguer mais hidrelétricas nos próximos anos.


Portanto, concluo eu:  "os contínuos desencontros de uma política ambiental pouco consistente, ou melhor, inexistente, vão ainda gerar muitos conflitos socioambientais".  "Os sucessivos transtornos oriundos  dos problemas gerados pelas hidroelétricas, parecem não servir de lição para começarmos a pensar em estudar as outras alternativas de geração de energia".

[Toda a entrevista: acesse o link acima]

10 de nov de 2014

NO JOGO POLÍTICO, COMPROMETE-SE ATÉ O MAIOR PATRIMÔNIO NATURAL DO BRASIL

Ao contrário do afirmado por Dilma, desmatamento aumentou
((o))eco - 10/11/14

Sob suspeita de represamento de dados, o Ibama divulgou na sexta-feira (07) os dados de alerta de desmatamento referentes aos meses de agosto e setembro: houve aumento significativo nos dois meses. Em agosto houve 890,2 km² de alerta de desmatamento, um salto de 208% em relação a agosto de 2013. Já em setembro aumentou o ritmo de alertas em 66%: 736 km² contra 442.85 km² registrados em setembro de 2013. De acordo com a Folha de S. Paulo, os dados estavam prontos desde o dia 14 de outubro, mas só foram divulgados agora.

No dia 19 de outubro a então candidata à reeleição, presidente Dilma Rousseff, usou o perfil oficial no Twitter para deixar claro que os números do desmatamento na Amazônia só sairiam em novembro, após as eleições, mas adiantava uma queda.

[...]


[Veja toda a matéria em:

http://www.oeco.org.br/salada-verde/28758-ao-contrario-do-afirmado-por-dilma-desmatamento-aumentou]

9 de nov de 2014

DESENVOLVIMENTO REALMENTE SUSTENTÁVEL NA AMAZÔNIA: INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA-FLORESTA

Já foi divulgado neste blog a iniciativa para a prática do desenvolvimento sustentável:

08/06/2013   GRANDE CONQUISTA À VISTA, EM PROL DO DESENVOLVIMENTO REALMENTE SUSTENTÁVEL

Política de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta entrará em vigor em seis meses

Retorna este tema com nova postagem mostrada no programa Globo Rural,  da Rede Globo:
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/11/projeto-combina-pecuaria-moderna-e-preservacao-da-floresta-amazonica.html

Acesse o link acima e veja

Projeto combina pecuária moderna e preservação da Floresta Amazônica

Edição do dia  09/11/2014 



Os criadores de gado da Amazônia estão aumentando a produtividade dos rebanhos e, ao mesmo tempo, recuperando as matas nativas. Criado em 2011, em Paragominas, no Pará, o projeto Pecuária Verde está se transformando em modelo para a Amazônia.

O projeto combina pecuária moderna e preservação da Floresta Amazônica.  Com orientação de cientistas renomados, ele consegue aumentar a produtividade de fazendas de gado e, ao mesmo tempo, proteger ou até recuperar áreas de floresta.

Paragominas é um dos principais pólos da pecuária na Amazônia. Situado no nordeste do Pará, o município tem fazendas grandes, rebanhos imensos e, durante muito tempo, esteve entre os campeões do desmatamento no Brasil.

A ocupação de um pedaço do Pará ganhou força nos anos 60 e 70, quando a região atraiu pecuaristas e madeireiros, que chegavam principalmente do Sul e do Sudeste do país. Chegando pela rodovia Belém-Brasília, os novos habitantes buscavam terra barata e contavam com crédito público para instalar as novas fazendas, com milhares de cabeças de gado.

O aumento dos rebanhos e das pastagens também chegou acompanhado de problemas para a natureza. Como em grande parte da Amazônia, em Paragominas muitas fazendas fizeram as derrubadas de maneira descontrolada e sem respeito às regras do Código Florestal.

Nas décadas de 80 e 90, Paragominas perdia milhares de hectares de florestas por ano. Na época, muitos dos criadores tocavam o negócio com áreas grandes, pouca tecnologia e uma lucratividade medíocre por hectare. “Era tirar a madeira e abrir tudo na beira da água para o boi chegar lá. A região de Paragominas sempre teve essa cultura de desmatar, desmatar, desmatar e ir botar a pecuária”, relata Vinicius Scaramussa, que é de uma família de pecuaristas.

Em 2008, esse avanço descontrolado foi barrado na força. Foi quando Paragominas entrou para a lista dos municípios que mais destroem a Floresta Amazônica, a chamada lista negra do desmatamento, do Ministério do Meio Ambiente. A fiscalização apertou, serrarias foram fechadas e fazendas de gado multadas.

De acordo com Mauro Lúcio Costa, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, o momento era de tensão: “O município estar na lista era como uma pessoa estar no SPC, então o primeiro sinal foi tirar crédito dos produtores. Empresas instaladas no município começaram a ter barreiras para vender os seus produtos. Isso foi a gota d’água, aí a coisa ficou muito complicada”.

Para sair da crise, os criadores assinaram um pacto com o Ministério Público para reduzir derrubadas e fazer o cadastramento ambiental das propriedades. Com apoio da Prefeitura e entidades não governamentais, as medidas foram adotadas e, em 2010, Paragominas foi o primeiro município a ser retirado da lista negra do desmatamento.

“Hoje eu agradeço pela pressão que nós sofremos, porque quando você sofre pressão você vai atrás de solução. Essa pressão foi uma grande oportunidade pra gente melhorar na nossa atividade”, relata Mauro.

Fora da lista negra, o desafio era encontrar uma maneira mais racional e sustentável de criar gado na região. Para isso, Paragominas resolveu pedir socorro para alguns dos maiores especialistas do Brasil em gado e em floresta.  O primeiro a chegar foi o biólogo Ricardo Rodrigues, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo.

Com apoio do Sindicato dos Produtores Rurais, Ricardo montou uma equipe de cientistas que elaborou um plano ambicioso: recuperar as áreas de floresta e, ao mesmo tempo, melhorar o desempenho dos rebanhos. Era o início do projeto Pecuária Verde. “Hoje eu não falo mais de adequação ambiental puramente, mas também de adequação agrícola. A gente olha a propriedade como um todo. É uma experiência nova inclusive pra gente”, explica o especialista.

Com essa proposta, o projeto começou a funcionar em 2011, financiado por criadores e empresas privadas. A meta era implementar as novas tecnologias em seis fazendas da região, que serviriam de modelo.

Primeiro, os técnicos elaboram um mapa de cada propriedade, trabalho minucioso, feito em parceria como a ONG The Nature Conservancy (TNC). Baseado em imagens de satélite e dados coletados no campo, o levantamento indica as áreas que estão dentro da lei ambiental e os lugares onde a mata precisa ser recuperada.

“O interessante são todas essas linhas, que são rios da propriedade. A legislação define que você precisa ter uma faixa de floresta nativa no entorno desses rios, que nós chamamos de APP, as Áreas de Preservação Permante, a mata ciliar. São as áreas em vermelho que ele vai ter que recuperar”, afirma Ricardo.

Na sequência, a equipe do Pecuária Verde visita cada fazenda para discutir com proprietários e funcionários qual a melhor maneira de recuperar as áreas com desmatamento ilegal.

Lourival Del Pupo é o dono da fazenda Santa Maria, que tem 3,2 mil hectares. Ele explica que para se adequar ao Código Florestal, a propriedade está recuperando algumas faixas de preservação permanente em volta de rios e lagoas, áreas que deveriam estar cobertas por mata ciliar.

Antes de entrar no projeto, Lourival achava que as áreas com derrubada irregular somavam cerca de 15% ou 20% da superfície da fazenda, mas o mapeamento mostrou que apenas 1,8% estavam prejudicados.

Para acelerar o reflorestamento, em alguns lugares, Ricardo recomenda o plantio de mudas de árvores nativas, mas muitas vezes o serviço é bem mais simples, afinal, no ambiente da Amazônia, com muito calor e chuva, sementes e pássaros, a regeneração natural é muito vigorosa.