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13 de fev. de 2020

EXTRAÇÃO DE MADEIRA EM PARQUE NACIONAL: A EXPLORAÇÃO É PROBLEMÁTICA! ATÉ ENTRE OS PRÓPRIOS ÍNDIOS!!!


Reproduzido de:
Destaque:
A retirada de madeira é um conflito entre os próprios indígenas, já que parte deles está envolvida na extração enquanto outra parte luta pela preservação da mata e entende que ela é sua maior herança e legado. “A floresta é minha mãe”, conta o cacique Braga, da aldeia Pé do Monte, uma das 17 que vivem dentro e no entorno do parque. O impasse entre os índios e a falta de fiscalização fez com que o Conselho de Caciques das aldeias do Monte Pascoal tomasse uma decisão na última sexta-feira (07/02): fechar a porta da guarita principal do parque e revezar turnos de vigia durante a noite para bloquear a entrada e saída de caminhões de madeira.
[…toda a situação bem descrita no link acima]

11 de fev. de 2020

MILHARES DE REQUERIMENTOS PARA MINERAÇÃO EM TERRAS INDÍGENAS NA AMAZÔNIA

A maioria, certamente, em locais que:
ou não deveriam ali ocorrer;
ou se podiam ocorrer, teriam que ser após rigoroso estudo de impacto ambiental...
com participação ativa dos indígenas e dos demais atores da sociedade envolvidos direta e indiretamente nessa problemática; conforme previsto nos estudos de impactos ambientais!
É bem possível que se diga que, em se tratando de Brasil e interessados poderosos, estudos de impactos ambientais são um engodo; uma falácia! Mas têm que ser realizados!!!
E se tiver irregularidades, que se tomem as medidas corretivas necessárias!

Reportado em:

[…]

Dados obtidos via Instituto Socioambiental (ISA) e a Agência Nacional de Mineração revelam, pela primeira vez, a extensão dos planos de mineradoras que incidem sobre povos indígenas isolados.
Atualmente, 3.773 requerimentos minerários afetam 31 Terras Indígenas e 17 Unidades de Conservação que possuem 71 registros de povos indígenas isolados em seu perímetro. Desses, são 7 registros confirmados, 17 em estudo e outros 47 com informação. Para piorar, cinco dessas ocorrências são de povos que se encontram fora de áreas protegidas. A grande maioria desses requerimentos, 3.053, são para pesquisa.
No total, o ISA já catalogou 120 registros de povos isolados na Amazônia, distribuídos em 86 territórios. 28 tiveram a presença confirmada e outros 92 permanecem em estudo e qualificação pela Fundação Nacional do Índio (Funai).
[…]

10 de fev. de 2020

SÍNTESE DA OCUPAÇÃO E USO DE TERRAS NO BRASIL

Documento completo da EMBRAPA:
https://www.embrapa.br/car/sintese

Destaques

Quantificação territorial da ocupação e uso das terras no Brasil

Graças ao mapeamento das áreas destinadas à preservação da vegetação nativa cadastradas no CAR (Cadastro Ambiental Rural) pelo mundo rural e das áreas protegidas do Brasil foi possível avançar no sentido de uma visão totalizante do uso e ocupação das terras em todo o território nacional. Com base em imagens de satélite e fontes cartográficas de diversos órgãos federais e estaduais, a equipe da Embrapa Territorial completou a quantificação das demais formas de uso e ocupação das terras. Essa síntese nacional é apresentada a seguir sob a forma numérica (Tabela 1) e gráfica (Fig. 8).



Síntese Ocupação e Uso das Terras no Brasil


O mundo rural brasileiro utiliza, em média, apenas a metade da superfície de seus imóveis (50,1%). A área dedicada à preservação da vegetação nativa nos imóveis rurais - registrados e mapeados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) - representa um quarto do território nacional (25,6%).
O reconhecimento desse papel essencial da agricultura brasileira na preservação do meio ambiente pode ser conhecido, graças ao tratamento geocodificado dos dados do CAR, pela Embrapa Territorial. A área destinada à preservação em cada imóvel rural foi mapeada de forma precisa em escala local, municipal, microrregiões, estados e país. Sua repartição territorial é extremamente conectada e recobre todo o território nacional. E essas informações numéricas e cartográficas podem ser obtidas neste website em diversos recortes geográficos: país, estados e microrregiões homogêneas.

3 de fev. de 2020

DESMATAMENTOS EM RESERVAS: A PIOR DE TAIS ILEGALIDADES

Reproduzido de :


Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) flagrou nesta quinta-feira (30) exploração ilegal de madeira na Terra Indígena Arara do Laranjal, em Medicilândia, sudoeste do Pará. Ninguém foi preso.
O crime ambiental foi registrado durante sobrevoo na terra indígena que é limítrofe à rodovia BR-230. Foram identificados caminhão, que fazia o transporte de toras extraídas ilegalmente, motos, motosserra e combustível usados na derrubada das árvores.
Ainda de acordo com o Ibama, um trator esteira, utilizado para abrir estradas clandestinas na Terra Indígena Arara do Laranjal, foi encontrado escondido na mata. O veículo foi destruído para a inutilização em outros crimes ambientais.

27 de jan. de 2020

ALIMENTO DO SER HUMANO: TODO E QUALQUER ANIMAL E EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA???

https://www.the-scientist.com/news-opinion/where-coronaviruses-come-from-67011

Trechos da entrevista de Peter Daszak, presidente da ECOHEALTH ALLIANCE, dada a THE SCIENTIST, acerca de como surgem novos patógenos, como a espécie de coronavírus 2019-nCoV; e como enfrentar essas novidades.
Antes, uma notícia sobre o vírus  da SARS, a Síndrome Respiratória Aguda Grave, que há quatro anos matou mais de 800 pessoas, paralisando a sociedade chinesa, mas que restaurantes de Cantão voltaram a servir um animal suspeito de ser portador desse vírus: a civeta.


Civeta, carnívoro da família Viverridae; tido originalmente como causador da SARS

“Existe uma grande diversidade do vírus corona, na vida selvagem. Isso foi constatado por nosso grupo (ECOHEALTH ALLIANCE) quando descobrimos que o real reservatório do SARS não eram as civetas mas sim os morcegos. E constatamos uma grande diversidade: mais de 50 coronavírus relacionados a SARS, em morcegos“; afirmou Peter Daszak.


Como acontece a contaminação morcegos-seres humanos.
Os morcegos voando para fora das cavernas, comendo insetos, contaminam apenas algumas pessoas nos vilarejos. O vírus habita os intestinos dos morcegos que se capturados e levados vivos para os mercados, suas fezes irão contaminar outros animais (civetas, porcos...) e os seres humanos.


Evidências da ação desse novo vírus em se estabelecer nos seres humanos.
No caso do coronavírus da SARS, o receptor da superfície da célula (esta é imprescindível para o vírus se estabelecer) é o receptor ACE2, angiotensina que converte a enzima 2. Esse mesmo receptor atua em morcegos e nos seres humanos. Isso foi observado pelo laboratório do Instituto de Virologia de Wuhan, do qual este grupo ECOHEALTH ALLIANCE é colaborador.

INFORMAÇÕES DA SINTOMATOLOGIA DESTA VIROSE, CONFORME REPORTADO PELA BBC
Quais os sintomas?
O vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar.
Em casos mais graves, pode evoluir para pneumonia e síndrome respiratória aguda grave ou causar insuficiência renal.
Segundo o governo chinês, o período de incubação da doença varia de 1 a 14 dias, fase em que o novo coronavírus pode ser transmitido (algo que não acontecia com a Sars).
Coronavírus podem causar desde um resfriado comum até a morte do paciente infectado.
"Quando encontramos um novo coronavírus, buscamos saber quão severos eram os sintomas, e eles são mais parecidos aos de um resfriado, o que gera preocupação, mas não são tão graves quanto os da Sars", afirmou o professor Mark Woolhouse, da Universidade de Edimburgo.
Segundo especialistas, ainda é cedo para determinar a real taxa de letalidade da doença.


22 de jan. de 2020

AMAZÔNIA: DISTINGUIR PRESERVAÇÃO DE CONSERVAÇÃO. E A IMPORTÂNCIA DESTA ÚLTIMA!

Diante de muitas discussões sobre o que deve ser feito para a conservação da Amazônia e também, o que não pode nem deve ser feito, eis aqui uma entrevista com pesquisador que vive na Amazônia e dá sua importante contribuição para que se possa conhecê-la em sua amplitude ecológica, econômica, social.
Entrevista à: https://brasil.mongabay.com/2020/01/uso-racional-dos-recursos-da-amazonia-e-a-melhor-estrategia-para-sua-conservacao-afirma-cientista-marcelino-guedes/


Trechos em destaque
Ajudar a proteger a Amazônia já estava nos planos do cientista e professor Marcelino Carneiro Guedes em sua graduação em Engenharia Florestal na Universidade Federal de Viçosa (MG). Mesmo que a UFV não tivesse muita ligação com a região amazônica, ele direcionou sua formação em direção à floresta, o que o levou a atuar como pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) no Amapá, inicialmente na área de conservação e manejo de solos.

“É preciso entender que existe uma diferença entre a floresta conservada e a floresta desmatada. Aqui no Amapá temos a floresta conservada, com baixíssimo desmatamento e pouca demanda para o cuidado de áreas degradadas. Nosso desafio aqui é manter o que está conservado”, aponta.


Mongabay: De que modo a presença humana pode ser importante para a conservação da Amazônia? 
Marcelino Guedes: O conceito de preservação pressupõe o homem apartado da floresta. Por isso é importante falarmos de conservação, não de preservação. As práticas humanas, por meio do manejo, são a base para a conservação da Amazônia – a chamada “conservação pelo uso”, como já pregava [o extrativista e ambientalista] Chico Mendes. Usar a floresta de maneira racional, manejando seus produtos madeireiros e não madeireiros e serviços ecossistêmicos [sequestro de carbono, conservação da biodiversidade, solo, água] para tirar dela a renda e a riqueza necessárias à promoção do bem viver e desenvolvimento, é o caminho para que possamos criar uma dinâmica de conservação efetiva em longo prazo diante das muitas pressões sofridas pelo território.
A floresta em pé pode ser financeiramente lucrativa?
Sim, com certeza. Vários trabalhos têm mostrado com clareza que os ganhos obtidos pagam os custos do manejo e que a floresta em pé pode gerar lucro. A madeira, por exemplo, é o principal ativo econômico da floresta e tem mercado garantido. Os PFNM (Produtos Florestais Não Madeireiros) estão sendo cada vez mais valorizados e ganham mercado atendendo diversas indústrias como a de alimentos, fitoterápicos e cosméticos. Além disso, ainda existe a possibilidade de compensação pelo serviço ambiental que prestam as pessoas que cuidam e ajudam a manter a floresta em pé. Quando se tem uma economia florestal forte e esses guardiões conseguem retirar da floresta a sua renda, eles passam a ser os principais interessados em mantê-la em pé, em uma prática que alia desenvolvimento econômico, social e a conservação de forma integrada.
Os distúrbios provocados pelos indígenas, principalmente por meio das práticas da agricultura itinerante, foram importantes para criar uma paisagem diversa, resultando na abundante diversidade que conhecemos hoje. O manejo indígena dos solos promoveu melhorias extraordinárias na sua qualidade, como pode-se constatar ainda hoje nos solos antropogênicos [que tiveram ação humana] da Amazônia. A chamada “terra preta de índio”, por exemplo, é de extrema fertilidade e é um legado dos antigos indígenas que utilizaram seus saberes para o enriquecimento do solo ao longo de milênios.
Qual é o papel da ciência, na sua opinião, para a conscientização da população e o desenvolvimento de políticas públicas que visem manter a floresta em pé?
Infelizmente, um papel que deveria ser central está cada vez mais subjugado. A polarização política e ideológica da população faz com que cada vez menos se acredite na ciência. Cada vez mais temos argumentos científicos para defender a floresta em pé, mas isso não chega à população e não causa impacto na sociedade. A visão social predominante sobre a Amazônia ainda é dualística, dos que imaginam a floresta um paraíso que deve ser mantido intocado ou um inferno que deve ser queimado.
É em grande medida por esse desconhecimento, também, que ainda existem vozes que se levantam contra a prática do manejo, defendendo a preservação e a ausência de atividade humana na floresta como forma de protegê-la mesmo com todas as evidências, científicas e históricas, sobre a importância dessa interação para a biodiversidade.
O papel da ciência é quebrar essa polarização e trazer base técnica para o desenvolvimento sustentável a partir do uso e conservação da floresta. Mas para isso acontecer é fundamental que as informações cheguem à população em geral – para que argumentos e tecnologias não fiquem restritos apenas aos nossos pares.
Quais as principais dificuldades para a implantação de um manejo efetivamente sustentável na Amazônia e qual o papel da legislação brasileira nesse processo?
Falta de liquidez financeira e elevados custos iniciais, falta de regularização fundiária, carência de crédito e assistência técnica para habilitação da floresta, além da elaboração do plano de manejo, são as maiores dificuldades. Além disso, ainda contamos com excesso de burocracia e morosidade no processo de licenciamento. A legislação precisa ser simplificada e criar incentivos para quem quer fazer manejo e ser mais exigente e ter maior controle sobre as atividades que dependem do desmatamento.

RECORDE NO CONSUMO MUNDIAL DE MATERIAIS: 100 BILHÕES DE TONELADAS POR ANO

Reproduzido de THE GUARDIAN



        Desperdício / O consumo mundial de materiais atinge recorde de 100 bilhões de toneladas por ano.
        O uso não sustentável de recursos está devastando o planeta, com reciclagem decrescendo.


A quantidade de material consumida pela humanidade passou de 100 bilhões de toneladas por ano, revelou um relatório, mas a proporção que é reciclada está dimuindo.

As emergências climáticas e de vida selvagem são impulsionadas pela extração insustentável de combustíveis fósseis, metais, materiais de construção e árvores. Os autores do relatório alertam que tratar os recursos do mundo como ilimitados está levando a desastres globais.
Os materiais utilizados pela economia global quadruplicou desde 1970, muito mais rápido do que a população, que dobrou. Nos últimos dois anos, o consumo aumentou mais de 8%, mas a reutilização de recursos caiu de 9,1% para 8,6%.
O relatório do ”Circle  Economy”, foi lançado no Forum Econômico Mundial em Davos. Isso mostra que, em média, cada pessoa na Terra usa mais de 13 toneladas de materiais por ano. Mas o relatório também constatou que algumas nações estão dando passos em direção a economias circulares em que as energias renováveis sustentam sistemas onde o desperdício e a poluição são reduzidos a zero.
"Corremos o risco de desastres globais se continuarmos a tratar os recursos do mundo como se fossem ilimitados", disse Harald Friedl, diretor executivo da “Circle Economy”. “Os governos devem adotar urgentemente soluções de economia circular se quisermos alcançar uma alta qualidade de vida para cerca de 10 bilhões de pessoas até meados do século sem desestabilizar processos planetários críticos."
Marc de Wit, autor principal do relatório, disse: "Ainda estamos alimentando nosso crescimento populacional e riqueza com a extração de materiais virgens. Não podemos fazer isso indefinidamente - nossa fome de material virgem precisa ser interrompida."
O relatório constatou que 100,6 bilhões de toneladas de materiais foram consumidas em 2017, o último ano para o qual os dados estão disponíveis. Metade do total é areia, argila, cascalho e cimento usados para construção, juntamente com os outros minerais extraídos para produzir fertilizantes. Carvão, petróleo e gás compõem 15% e os minérios de metal 10%. No quarto final são as plantas e árvores utilizadas para alimentos e combustível.
[…]

20 de jan. de 2020

PALÁDIO: CONTROLE DA POLUIÇÃO DO AR AMEAÇADO

Reportado em BBC News



Seu principal uso comercial é como um componente crítico em conversores catalíticos - uma parte de um sistema de escape de carros que controla as emissões - encontrado em carros a gasolina e veículos híbridos.
A grande maioria do paládio, mais de 80%, é usada nesses dispositivos que transformam gases tóxicos, como monóxido de carbono e dióxido de nitrogênio, em nitrogênio menos prejudicial, dióxido de carbono e vapor de água.




                       Mais precioso do que o ouro: Por que o preço desse metal está subindo!

Avaliada em cerca de U$2.500 (£ 1.922) uma onça de paládio é mais cara do que o ouro, e as pressões forçando seu preço para cima são improváveis para aliviar tão cedo.
Obs.: no sistema “avoirdupois” uma onça equivale a 28,35 gramas.

O que é paládio?
É um metal branco brilhante do mesmo grupo da platina, junto com o rutênio, o ródio, o ósmio e o irídio.
A maioria do paládio do mundo, vem da Rússia e África do Sul. A maior parte é extraída como um subproduto na mineração de outros metais, geralmente platina e níquel.
Ele também é usado, em menor grau, em eletrônica, odontologia e jóias.
A alta no valor desse metal nos últimos anos, causou  um salto no roubo de conversores catalíticos em todo o mundo; como tem sido reportado pela polícia metropolitana de Londres.

Por quê o preço vêm aumentando?
Há um déficit que parece destinado a continuar, com a África do Sul, que produz cerca de 40% da oferta mundial, na semana passada dizendo que sua produção de metais do grupo da platina, incluindo paládio, caiu 13,5% em novembro, em comparação com um ano antes.
Enquanto isso, a demanda por paládio dos fabricantes de automóveis aumentou acentuadamente por uma série de razões.
Em todo o mundo os governos, notadamente a China, estão reforçando os regulamentos à medida que tentam combater a poluição atmosférica proveniente de veículos a gasolina.
Ao mesmo tempo, o escândalo das emissões de diesel na Europa também teve um impacto. Os consumidores de lá foram se afastando de carros a diesel, que usam principalmente platina em seus conversores catalíticos, e em vez disso estão comprando veículos movidos a gasolina, que usam paládio.
O acordo comercial EUA-China, que foi assinado no início deste mês, também causou aumento nos preços. Os comerciantes esperam que o acordo venha ajudar a aliviar a pressão sobre o crescimento econômico global e retardar o declínio nas vendas de automóveis chineses.

16 de jan. de 2020

MUDANÇAS CLIMÁTICAS EXIGEM MUDANÇAS DE ATITUDES URGENTES E EFICAZES

Reportado em:



DO OC – Duas ondas de calor consecutivas na Europa. Incêndios florestais devastadores na Rússia, na Califórnia e na Austrália. O pior ciclone já formado no Índico arrasando Moçambique. Uma rara tempestade tropical na Bahia. Calor insuportável em toda parte. Bem-vindo a 2019, o segundo ano mais quente da história.
Nesta quarta-feira (15), as agências federais americanas Nasa e Noaa e a Organização Meteorológica Mundial confirmaram o recorde, que já havia sido indicado na semana passada pelo serviço europeu Copernicus. Segundo a Nasa, no ano passado a Terra teve temperatura média 0,98oC mais alta do que a média do século 20. A Noaa, que usa uma metodologia ligeiramente distinta, pôs a diferença em 0,95oC – e 1,15oC acima da média pré-industrial.
Em ambos os casos, trata-se do segundo ano mais quente desde o início das medições com termômetros, em 1880. Perde apenas para 2016, e por uma diferença pequena de 0,04o C. A década de 2010 foi a mais quente de todos os tempos – os últimos cinco anos foram todos os mais escaldantes desde o início das medições.
“Nós entramos no território do aquecimento de mais de 2 graus Farenheit (1oC) e isso dificilmente tem volta”, afirmou ontem a jornalistas o climatologista Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa. “Isso mostra que o que está acontecendo é persistente, e não uma oscilação devida a algum fenômeno meteorológico: nós sabemos que as tendências de longo prazo estão sendo provocadas pelo aumento nos níveis de gases de efeito estufa na atmosfera”, prosseguiu.
Segundo a Noaa, 2019 foi o 43ano consecutivo em que as temperaturas ficaram acima da média. Também foi o ano em que os oceanos acumularam mais calor em toda a série histórica.
O acúmulo de calor nos oceanos tem dois efeitos: ele ajuda a elevar o nível do mar, por expansão térmica (fenômeno análogo ao que ocorre numa chaleira com água quente, em que o nível do líquido aumenta), e também serve de combustível para supertempestades. O ciclone Idai, que atingiu Moçambique e arrasou a cidade de Beira, em março, e a tempestade tropical Iba, que se formou na costa da Bahia no mesmo mês, são exemplos. Foi a primeira vez desde 2010 que uma tempestade tropical (tormenta da mesma categoria que furacões, tufões e ciclones) se formou no Atlântico Sul. Iba não chegou a ganhar força de furacão – teria sido o segundo registrado no Brasil, após o Catarina, em 2004.
Além de muita água, os eventos extremos de 2019 mandaram também muito calor e fogo para diferentes partes do planeta. A Europa foi assolada por duas ondas de calor, em junho e em julho, causando incêndios na Sibéria e recordes históricos de temperatura em vários lugares – inclusive 42,6oC em Paris. A Califórnia viveu mais um ano de incêndios graves, que já se tornaram endêmicos. E, desde setembro, a Austrália vive uma seca severa, que causou a catástrofe humanitária e ecológica dos incêndios, que se agravaram na virada do ano.
“Na atual trajetória de emissões, estamos no rumo de um aumento de temperatura de 3oC a 5oC até o fim do século”, disse o finlandês Petteri Taalas, diretor-executivo da OMM.
Pelo Acordo de Paris, a humanidade se comprometeu a limitar o aquecimento abaixo de 2oC e a fazer esforços para limitá-lo em 1,5oC. A própria ONU, porém, já admite que é improvável alcançar este objetivo. Segundo um relatório lançado em novembro pela ONU Meio Ambiente, para o mundo ter chance de se manter em 1,5oC, seria preciso cortar emissões de gases de efeito estufa em 7,6% ao ano todos os anos daqui até 2030. Nem mesmo o pico global de emissões foi alcançado ainda – que dirá tamanho declínio.
As negociações internacionais sobre a implementação do Acordo de Paris fizeram água no ano passado, com o fracasso da COP25, a conferência do clima do Chile-Madri. Neste ano, na COP26, todos os países foram convidados a submeter novas metas nacionais (NDCs), de forma a aumentar a ambição global. Apenas 108 disseram ter intenções de fazê-lo, e nenhum deles é um grande emissor: junta, essa centena de nações representa apenas 15% das emissões mundiais.
Pior ainda, o negacionismo sobre as mudanças do clima acompanha a ascensão da extrema-direita pelo mundo. Grandes poluidores como os EUA, a Austrália e o Brasil têm governos negacionistas. Todos os três se empenharam para produzir um fiasco no ano passado em Madri.

14 de jan. de 2020

MUDANÇAS CLIMÁTICAS EXIGEM MAIOR RIGOR NA FISCALIZAÇÃO E EXTREMO RIGOR PARA PROTEGER AS RESERVAS. MAS MESMO ASSIM...

O aquecimento global deve tornar vastas porções da selva amazônica parecidas com a inflamável Austrália nos próximos 30 anos. Matas úmidas que antes não pegavam fogo deverão queimar anualmente, elevando ainda mais as emissões de gases de efeito estufa. Isso tende a ocorrer mesmo sem desmatamento – embora de forma menos grave se os brasileiros pararem de derrubar suas florestas.
O alerta foi feito nesta sexta-feira (10) por uma dezena de cientistas do Brasil e dos Estados Unidos no periódico Science Advances. Em seu estudo, eles cruzaram o comportamento do fogo na Amazônia com os modelos climatológicos do IPCC, o painel do clima da ONU.
Antes que alguém diga que se trata apenas de suposição de acadêmicos, cabe lembrar que na análise foram usadas  versões mais sofisticadas dos modelos computacionais que há pelo menos 13 anos já previam que a mudança do clima induziria secas severas e incêndios catastróficos no continente australiano, como os que estamos vendo desde setembro do ano passado.
O grupo liderado por Paulo Brando, da Universidade da Califórnia em Irvine e do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), estimou que os incêndios florestais induzidos pelo aquecimento da Terra atingirão 16% da Amazônia brasileira até 2050. A área de florestas sujeita a fogo anualmente dobrará em relação à década passada, já anormalmente seca – de 3,3 milhões de hectares pra 6,6 milhões. Nesse mesmo período, somente as emissões brutas por fogo em matas podem chegar a 17 bilhões de toneladas. É quase dez vezes o que o Brasil emite em toda a sua economia por ano.
Esses incêndios e essas emissões não devem ser confundidos com as emissões por queimadas e desmatamento. Neste último caso, criminosos derrubam florestas – frequentemente para plantar capim e especular com a terra, em busca de anistias futuras, como a dada por Jair Bolsonaro em dezembro – e tocam fogo na vegetação derrubada para “limpar” o terreno. Foi o que aconteceu em 2019, ano em que as queimadas na Amazônia aumentaram 30% em relação ao ano anterior, e que o desmatamento, vejam só, também subiu 30%.
Mas há outro tipo de incêndio na Amazônia: são os fogos que atingem florestas vivas em anos extremamente secos, como os de El Niños graves. Foi o que aconteceu, por exemplo, em Roraima em 1998, ou na porção central-sul da Amazônia nos anos de seca recorde de 2005, 2010 e 2015/16.
Brando e seus colegas postulam que esses incêndios recorrentes em matas em pé ultrapassarão o desmatamento como principal causa das emissões de gases de efeito estufa por destruição da Amazônia.
“Este estudo é o primeiro a estimar a área queimada e o balanço de carbono após incêndios florestais. Agora temos uma base sólida quando dissermos que os incêndios florestais na Amazônia se tornarão um problema cada vez maior”, afirmou o pesquisador do Ipam ao OC (Observatório do Clima).
CHURCHILL
Os cientistas fizeram suas simulações de clima futuro em computador, utilizando dois cenários climáticos dos modelos do IPCC: o chamado RCP 2.6, no qual a humanidade tem sucesso em estabilizar o aquecimento em 2oC, em linha com o Acordo de Paris; e o RCP 8.5, no qual nada é feito para combater as emissões de carbono. A chance de fogo no centro-sul da Amazônia (que concentra 60% da área do bioma no Brasil) foi cruzada com os cenários de clima em dois cenários de desmatamento: um com taxas semelhantes às atuais e um sem.
Nos cenários com desmatamento, a área queimada entre 2010 e 2050 ultrapassa 22 milhões de hectares (20.000 km2) e as emissões acumuladas brutas chegam a 17 bilhões de toneladas.
Nos cenários sem desmatamento a área queimada e as emissões caem 30%.
“Nossa análise mostra que teremos de ter uma estratégia em dois trilhos para proteger a Amazônia”, afirma Douglas Morton, pesquisador do Centro Goddard de Voo Espacial da Nasa, especialista em fogo na Amazônia e coautor do estudo. “Reduzir o desmatamento limita a quantidade de florestas em risco nas próximas décadas, mas essa ação precisa ser casada com esforços globais para reduzir emissões de gases-estufa”, prossegue. “As simulações mostram risco de fogo mesmo sem novos desmatamentos, indicando como a mudança do clima dificultará evitar danos pelo fogo no futuro.”
Brando diz que, mesmo com efeito limitado, os esforços de eliminação do desmatamento precisam acontecer, para não ampliar ainda mais a catástrofe que se anuncia. Ele lembra que o título do artigo científico, The gathering firestorm (a aproximação da tempestade de fogo), é uma referência ao primeiro volume das memórias de Winston Churchill sobre a 2a Guerra Mundial, The gathering storm (a aproximação da tempestade).
“Churchill descreve seus esforços para convencer o Parlamento britânico a agir contra a Alemanha nos anos 1930. Mesmo que as chances de ação sejam pequenas, nosso papel é informar o público e a comunidade científica sobre o problema iminente.”

4 de jan. de 2020

GLOSSÁRIO DE ECOLOGIA: VÍDEO DE APRESENTAÇÃO E ACESSO PARA OBTÊ-LO

Vídeo de apresentação:


https://youtu.be/IuZMRYUkI0s


Acesse e baixe o GLOSSÁRIO DE ECOLOGIA no seu computador:

https://1drv.ms/w/s!AlSvfvbpbplfrizKHB2wF5NvO7wt

1 de jan. de 2020

“EL NIÑO INDIANO”: INUNDAÇÕES NO LESTE DA ÁFRICA E SECAS NO SUDESTE DA ÁSIA E NA AUSTRÁLIA


Reproduzido de

https://www.bbc.com/news/science-environment-50602971




Inundações e deslizamentos de terra na África Oriental mataram dezenas de pessoas e forçaram centenas de milhares de pessoas a sair de suas casas. Enquanto isso, a milhares de quilômetros de distância, na Austrália, um período de tempo quente e seco levou a uma onda de incêndios florestais.
Ambos os eventos climáticos têm sido associados a diferenças de temperatura mais altas do que o habitual entre os dois lados do Oceano Índico - algo que os meteorologistas se referem como o “Dipole” do Oceano Índico.
O que exatamente é o dipolo e como ele funciona?

O dipolo é um fenômeno climático semelhante ao El Niño
O Dipolo do Oceano Índico - muitas vezes chamado de Niño indiano por causa de sua semelhança com seu equivalente no Pacífico - refere-se à diferença nas temperaturas da superfície do mar em partes opostas do Oceano Índico.




Temperaturas na parte oriental do oceano oscilam entre quente e frio em comparação com a parte ocidental, ciclando através de fases referidas como positivas, neutras e negativas.
A fase positiva do  dipolo deste - o mais forte por seis décadas - significa temperaturas mais quentes do mar na região ocidental do Oceano Índico, com o oposto no leste.
O resultado deste dipolo positivo excepcionalmente forte este ano foi precipitação e inundações superiores à média no leste da África e secas no sudeste da Ásia e Austrália.

“Quando ocorre um evento dipolo do Oceano Índico, a precipitação tende a se mover com as águas quentes, então você obtém mais chuvas do que o normal sobre os países da África Oriental”, disse à BBC o Dr. Andrew Turner, professor de sistemas de monções da Universidade de Reading do Reino Unido.
Por outro lado, no leste do Oceano Índico, as temperaturas da superfície do mar serão mais frias do que o normal e esse lugar terá uma quantidade reduzida de chuva.
Uma fase negativa do dipolo traria aproximadamente as circunstâncias opostas - água mais morna e uma precipitação maior no Oceano Índico oriental, e condições  mais frescas e mais secas no oeste.
Uma fase neutra significaria que as temperaturas do mar estavam próximas da média em todo o Oceano Índico.

O dipolo resultou em inundações na África Oriental e incêndios florestais na Austrália
Djibuti, Etiópia, Quênia, Uganda, Tanzânia, Somália e Sudão do Sul foram particularmente afetados, com enchentes repentinas e deslizamentos de terra atingindo comunidades em toda a região.
Quase 300 pessoas já morreram e 2,8 milhões de pessoas foram afetadas, de acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Enquanto isso, na Austrália, as temperaturas recordes da primavera ajudaram a desencadear e disseminar uma série de incêndios florestais em todo o país.
Cerca de 100 incêndios florestais estão em fúria no estado australiano de Nova Gales do Sul (NSW), com a formação mais grave em um mega incêndio ao norte de Sydney.
O Australian Bureau of Meteorology alertou as comunidades para se prepararem para um perigo de incêndio mais grave, com uma grande chance de dias e noites mais quentes do que o habitual para grande parte do país durante todo o verão.

Os efeitos do dipolo podem piorar por causa das mudanças climáticas
Prevê-se que os eventos climáticos e climáticos extremos causados pelo dipolo se tornem mais comuns no futuro à medida que as emissões de gases de efeito estufa aumentam.