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17 de set. de 2020

PANTANAL EM CHAMAS: PRINCIPAIS FATORES CAUSAIS E DIFICULDADES EM EVITÁ-LOS E COMBATER AS CONSEQUÊNCIAS

 Reproduzido de:

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-54186760



Pesquisadores apontam que a demora do poder público para intervir no bioma em chamas fez com que as queimadas se propagassem rapidamente na região. Além disso, algumas características do Pantanal dificultam o combate ao fogo.

De janeiro à primeira quinzena de setembro deste ano, o Pantanal teve mais de 2,9 milhões de hectares (= 29.000 km2) atingidos pelo fogo, segundo o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo). O número representa cerca de 19% do bioma no Brasil, conforme o Instituto SOS Pantanal. [Obs.: de acordo com o ICMBio, o bioma tem uma extensão de 210.000 km2; sendo assim, os 29.000 km2 queimados correspondem a 13,8% do bioma Complexo do Pantanal].

Desde o início deste ano, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), já foram registrados 15,4 mil focos de calor (que costumam representar incêndios) no Pantanal. É o maior número no período desde 1999, primeiro ano analisado pelo monitoramento que virou referência para acompanhar as queimadas no país.

Nessa reportagem da BBC são destacados os seis fatores tidos como os principais elementos dessa tradédia ambiental: 

1 - Período extremamente seco

O ano de 2020 é considerado um dos mais secos da história recente do Pantanal, localizado na Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai (BAP).

Nos períodos de cheia, os rios da Bacia do Alto Paraguai costumam inundar milhares de hectares do bioma. "Esse é o ciclo comum. Mas quando há uma seca severa, as coisas mudam e ficam difíceis", explica o biólogo André Luiz Siqueira, diretor da ONG Ecoa - Ecologia & Ação.

Entre outubro e março, a região do Pantanal, importante área úmida do planeta, teve volume de chuva 40% menor que a média do mesmo período em anos anteriores, conforme dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O nível da água no Rio Paraguai, principal formador do Pantanal, estava a 2,10 metros em junho, mês que costuma marcar o pico ao longo do ano. Trata-se da menor marca dos últimos 47 anos, segundo a Embrapa. A média, nesse período, é de 5,6 metros.

[…]

2 - O 'fogo subterrâneo'

Uma característica do Pantanal que dificulta o combate aos incêndios é o fogo de turfa, também chamado de "fogo subterrâneo", que queima sem que as pessoas percebam.

Os sucessivos períodos de secas e cheias nas estações da região criam camadas de matéria orgânica no solo. Os brigadistas costumam dizer que é como se fosse um sanduíche: uma camada de terra, outra de vegetação, outra de terra, e por aí vai.

Ao longo dos anos, esse material se torna altamente inflamável. Quando essa vegetação é afetada por queimadas, o fogo pode atingir uma dessas camadas mais profundas dela, ricas em matéria orgânica e altamente inflamáveis, e se espalhar por baixo da camada mais superficial da terra até encontrar alguma fissura e uma vegetação mais seca para emergir.

"É um combate extremamente perigoso. É preciso muita certeza e conhecimento técnico para saber como atacar o fogo", diz o analista ambiental Alexandre de Matos, que integra o Prevfogo de Mato Grosso do Sul.

O engenheiro florestal Júlio Sampaio, líder da Iniciativa Pantanal do WWF, relata que o fogo de turfa começa lentamente e pode ser possível notar que a região está queimando, em razão da fumaça e da brasa que surgem silenciosamente. "Esses incêndios são lentos e afetam muito a vegetação, o solo e os animais de pequeno porte, que são pegos desprevenidos porque não veem o fogo", explica o especialista.

"O fogo de turfa é mais comum quando não há chuva em abundância. Ele pode durar dias, semanas ou até meses. Em alguns casos, ele só será apagado após período intenso de chuvas", acrescenta Sampaio.

3 - Áreas de difícil acesso

No atual período de seca, o acesso a diversas regiões do Pantanal se torna tarefa complicada. Isso porque o bioma tem inúmeras áreas que somente podem ser acessadas por meio de barcos ou aeronaves.

"Neste ano em que o rio Paraguai está em um nível baixo, a navegabilidade se torna muito mais difícil e lenta. Não são todas as áreas que têm estradas. As equipes de combate se deslocam com dificuldades. Esse tempo perdido para chegar ao fogo faz com que ele possa crescer mais", explica Alexandre de Matos, do Prevfogo.

O uso de aeronaves é considerado fundamental no combate aos incêndios que atingem o bioma.

"O Pantanal é uma região extensa e com grandes fazendas a serem percorridas (cerca de 95% do bioma brasileiro pertencem a propriedades privadas, segundo levantamentos). Não há tantas estradas e em muitas das que existem não é possível trafegar com velocidade", relata Júlio Sampaio.

"Uma das características do Pantanal são os corixos (canais que se formam na cheia do Pantanal). Mas com muita seca, esses corixos se tornam estradas com as quais é preciso usar caminhonetes para tentar chegar a regiões mais afastadas", acrescenta Sampaio.

O engenheiro florestal Vinícius Silgueiro, coordenador de inteligência territorial do Instituto Centro de Vida (ICV), comenta que não há vias de acesso em muitas áreas do Pantanal por se tratar do bioma mais preservado do país. "Há cerca de 83% da vegetação nativa no Pantanal. Consequentemente, as vias de acesso são mais reduzidas que em outros biomas. Por isso, há grandes áreas sem acesso terrestre. São regiões acessíveis em períodos alagados", diz o especialista.

4 - Os ventos

Quando conseguem chegar ao local do incêndio, a equipe pode ter dificuldades causadas pelos ventos, que podem mudar de direção subitamente.

"Algumas pessoas acabam sendo pegas de surpresa por essas mudanças de direção dos ventos. Além de acelerar o fogo e dar mais oxigênio para que ele se expanda, o vento pode reacender pequenos braseiros e resquícios que estão ali e basta um pequeno sopro para reacender", explica André Siqueira, da ONG Ecoa.

Para aqueles que estão no combate direto às chamas, os ventos são considerados "as pernas e o volante do fogo". "Se o vento está rápido, o fogo também estará. Se venta para a direita, o fogo vai para a direita. É o principal fator para determinar a intensidade e a direção do fogo", explica Alexandre de Matos, do Prevfogo.

"No período da manhã são ventos mais calmos e ao longo do dia ficam mais intensos. Os ventos quentes do Norte que seguem para o Sul têm dado a direção no incêndio do Pantanal. Por isso, a fumaça tem chegado a Curitiba (PR). Além disso, no local do incêndio, o fogo também pode criar os próprios ventos e mudar a direção, como para Leste ou Oeste", diz Matos.

Não é incomum, por exemplo, que o vento na região da queimada mude de direção ao fim de um dia de trabalho no combate ao fogo, após os profissionais passarem horas fazendo aceiros (técnica de retirada de uma faixa da vegetação para tentar conter o avanço do fogo).

Matos pontua que é importante que os profissionais que atuam no combate aos incêndios tenham capacidade técnica para avaliar o ambiente. "É fundamental entender o momento em que o vento pode mudar de lado", explica o integrante do Prevfogo.

5 - A falta de conscientização


Os incêndios que atingem o Pantanal têm causas humanas, segundo especialistas. Segundo Júlio Sampaio, do WWF, uma das principais causas atualmente são as práticas agrícolas e pecuárias, que têm o fogo como importante recurso. 

"O fogo que estamos vendo no Pantanal não é natural. Ele poderia ser evitado. Há medidas que poderiam ser tomadas para diminuir a severidade desses incêndios. O problema é que no Pantanal existe essa cultura do uso do fogo como ferramenta de trabalho entre fazendeiros e ribeirinhos", diz o especialista.

O especialista ressalta que o uso do fogo acabou saindo do controle no bioma, principalmente diante da seca histórica da região.

Uma perícia divulgada pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman-MT) apontou que o fogo que atinge o Pantanal em Mato Grosso é causado por ações humanas, em situações como queima de pasto, fogo em raízes de árvores para a retirada de mel e incêndios em equipamentos agrícolas. A Delegacia de Meio Ambiente (Dema-MT) apura a situação.

Sampaio comenta que o fogo é uma ferramenta prevista em Lei em diversos períodos. 

"Mas é preciso haver autorização para o uso. Tanto na agricultura quanto na ecologia, há formas de usar o fogo para manejo de terra. Mas não podem fazer isso sem informação, sem olhar a situação climática, a questão das chuvas, do vento e da umidade. A falta de responsabilidade sobre o controle e o monitoramento do fogo é extremamente prejudicial", relata.

"Todas as pessoas no Pantanal ou cidades próximas precisam saber que o uso do fogo deve ser completamente suspenso em determinado período do ano, sob o grande risco de incêndios. Se não houver esse esclarecimento, situações semelhantes à atual continuarão existindo", declara Sampaio.

A secretária de Meio Ambiente de Mato Grosso, Mauren Lazzaretti, afirma que é fundamental que as pessoas entendam a necessidade de não adotar práticas com fogo neste momento. Ela conta que mesmo com as queimadas intensas das últimas semanas, há registros de moradores que adotaram práticas de risco em áreas próximas ao Pantanal recentemente.

"No último fim de semana, tivemos casos de pessoas usando fogo (nas proximidades do Pantanal) para ações como limpeza de área. Se isso se transforma em incêndio, não há o que fazer", diz Mauren à BBC News Brasil.

Segundo ela, os flagras relacionados a fogo em regiões próximas ao Pantanal têm sido comuns, mesmo no atual período. 

"Há muita cobrança a respeito do poder público, mas é preciso conscientizar a população de que não deve fazer atividades com fogo neste momento", afirma.

6 - A demora para agir e o pouco combate

[Obs.: não se deve esquecer o destaque à causa número 3, descrita acima]

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil consideram que os governos estaduais e federal demoraram para agir em relação aos incêndios no Pantanal. Eles apontam que a região sofre com a seca e um número incomum de queimadas desde os primeiros meses do ano, mas as autoridades só demonstraram preocupação com o bioma quando os incêndios atingiram níveis alarmantes.

Representantes de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul negam que tenham demorado para agir no combate aos incêndios do Pantanal. Eles afirmam que desde o início do ano têm acompanhado a situação do bioma e alegam que tomaram medidas conforme a disponibilidade de pessoas e equipamentos de cada um dos dois Estados.

Em meados de julho deste ano, o governo federal publicou um decreto em que proibiu queimadas em todo o território nacional por 120 dias. Especialistas apontam que a medida é ineficaz, pois não há intensa fiscalização sobre o assunto.

Um levantamento feito pela BBC News Brasil apontou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) diminuiu o ritmo das operações de fiscalização em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Segundo o levantamento, que comparou dados de janeiro a setembro, as autuações no bioma (como desmatamento e queimadas ilegais) caíram 48% neste ano, em comparativo ao mesmo período de 2019.

Servidores ouvidos pela reportagem da BBC News Brasil, publicada na terça-feira, relataram que a queda de autuações do Ibama ilustra a redução do número de fiscais do instituto.

"O número de autuações lavradas é um dado importante que pode traduzir o esforço do governo em punir realmente aqueles que cometem crimes ambientais. Quanto menor a presença da fiscalização em campo, fazendo o seu trabalho de responsabilizar os infratores, maior a sensação de impunidade", disse um servidor do órgão, sob condição de anonimato.

O Ibama e o Ministério do Meio Ambiente não responderam ao questionamento da BBC News Brasil sobre os motivos para a queda de multas aplicadas nos Estados do Pantanal.

Em 25 de julho, o governo federal, por meio do Ministério da Defesa, encaminhou profissionais e aeronaves para ajudar no combate ao fogo no Pantanal, pouco após as queimadas se intensificarem na região.

O Ministério da Defesa afirma que há, no combate ao fogo no bioma, "200 militares e 230 agentes de órgãos como Corpo de Bombeiros Militar de MT e MS, Secretaria de Estado de Segurança Pública (de MT e MS), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)."

Ainda segundo a pasta, 14 aeronaves têm sido utilizadas no combate aos incêndios, entre helicópteros e aviões.

Nesta semana, o governo federal reconheceu oficialmente que há uma situação de emergência nos Estados do Pantanal Brasileiro. A medida permite que a União faça repasses adicionais de recursos para os governos estaduais, para reforçar o combate ao fogo.

Na quarta-feira (16/09), o governo federal liberou R$ 3,8 milhões para auxiliar no combate às queimadas em Mato Grosso do Sul e R$ 10,1 milhões para Mato Grosso.

Para especialistas, as ações das autoridades devem ter pouco resultado no combate às queimadas no Pantanal, em razão do atual cenário do bioma destruído pelo fogo.

"O governo não mandou equipe suficiente para ajudar a combater o fogo nas proporções que atinge o Pantanal. Falta empenho para resolver esse caso dramático. Deveriam mobilizar muito mais profissionais para ajudar", diz Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas, iniciativa que monitora a situação dos biomas brasileiros.

Sampaio, do WWF, considera que, além de uma equipe pequena, há poucas aeronaves e equipamentos insuficientes para combater as chamas no Pantanal. Por isso, segundo ele, os incêndios continuam avançando com rapidez pelo bioma. 

"Na magnitude atual do fogo, é uma situação muito difícil. Se juntarmos todos os esforços de Mato Grosso do Sul, por exemplo, poderia dar um alento, mas seria insuficiente (para controlar os incêndios no Pantanal)", diz Alexandre, do Prevfogo.

Grande esperança para amenizar a tragédia no Pantanal, a chuva na região ainda é incerta. "Em nossas análises, não há previsão (de chuva) por enquanto. A expectativa é de que chova no fim de outubro", diz Marcos Rosa. "Somente a chuva, por vários dias, pode diminuir esses incêndios. Se a seca perdurar por mais um ou dois meses no Pantanal, a situação vai ficar realmente sem controle", acrescenta o coordenador técnico do MapBiomas.

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11 de set. de 2020

PANTANAL EM FOGO!!!


O fogo no Pantanal

O Pantanal, maior área úmida continental do planeta, enfrenta uma série de problemas que, segundo especialistas, favoreceram o rápido avanço do fogo neste ano.

Entre outubro e março — considerada época chuvosa —, o bioma, localizado na Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai (BAP), teve volume de chuva 40% menor que a média do mesmo período em anos anteriores, conforme dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A situação fez com que o rio Paraguai, principal formador do Pantanal, registrasse o menor nível das últimas décadas. Em junho, quando o rio costuma registrar o seu pico ao longo do ano, o nível da água chegou a 2,10 metros. Trata-se da menor marca dos últimos 47 anos, segundo a Embrapa. A média, nesse período, é de 5,6 metros.

Pesquisadores ainda avaliam as causas da pouca quantidade de chuva no bioma desde o começo de 2020. Mas acreditam que possa estar relacionado a fenômenos climáticos.

Alguns estudiosos acreditam que uma das explicações para a baixa quantidade de chuva no Pantanal é o fenômeno conhecido como "rios voadores", no qual a corrente de umidade que surge na Amazônia origina uma grande coluna de água, que é transportada pelo ar a vastas regiões da América do Sul. Diante do desmatamento da Floresta Amazônica, que também sofre duramente com as queimadas, esse fenômeno perde parte da capacidade de levar água a outras regiões.

"Não são apenas questões climáticas que culminaram na atual situação das queimadas no Pantanal. É uma combinação de fatores", ressalta o engenheiro florestal Júlio Sampaio, líder da Iniciativa Pantanal do WWF.

Um dos fatores que colabora para a propagação das queimadas é o crescente desmatamento — ação que tem o fogo como forte aliado. De acordo com o Inpe, 24.915 km² do Pantanal, correspondente a 16,5% do bioma, foram desmatados até o ano passado. O número equivale, por exemplo, a pouco mais de quatro vezes a área de Brasília.

Um levantamento do Ministério Público de Mato Grosso do Sul apontou que cerca de 40% do desmatamento na área do Pantanal do Estado podem ter ocorrido de forma ilegal, pois não foram identificadas autorizações ambientais.

Uma perícia feita recentemente pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman-MT) apontou que o fogo que atinge o bioma em Mato Grosso é causado por ações humanas, em situações como como queima de pasto, fogo em raízes de árvores para a retirada de mel e incêndios em equipamentos agrícolas. A Delegacia de Meio Ambiente (Dema-MT) apura a situação.

A imensa maioria dos incêndios, segundo especialistas, começa em propriedades privadas — mais de 95% das áreas do bioma são particulares. "O fogo no Pantanal não surge naturalmente, principalmente em um período sem raios. Esse incêndio precisa ser provocado pela ação humana", relata Sampaio.

"O fogo está presente nas práticas de manejo dos pantaneiros e ribeirinhos, para a limpeza e preservação de área. Mas quando acontece queimada em uma situação como a atual, de extrema seca, o fogo, que antes era controlado, pode fugir do controle e avançar para diversas regiões, como tem acontecido", pontua o engenheiro florestal.

O especialista salienta que, por haver muita vegetação, um pequeno incêndio no Pantanal logo atinge grandes proporções em um cenário de seca. "No ano passado, já havia sido uma situação bastante difícil. Mas em 2020 foi muito pior", declara Sampaio.

Em 2019, segundo o Inpe, foram registrados 3.165 focos de calor entre janeiro e agosto. No mesmo período deste ano, os registros foram mais que o triplo: 10,1 mil focos.

[…]

10 de set. de 2020

QUEIMADAS SE DISSEMINAM NA AMAZÔNIA DE MANEIRA PERIGOSA!

 Reproduzido de:

https://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2020/09/09/162877-incendios-na-amazonia-se-agravam-em-setembro-e-ameacam-florestas-intocadas.html


O Brasil registrou 8.373 incêndios em sua parte da floresta amazônica nos primeiros sete dias de setembro, mais que o dobro do número de incêndios no mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Uma preocupação urgente é que 27% dos maiores incêndios até agora em setembro foram em florestas intocadas, ao invés de áreas recentemente desmatadas ou terras agrícolas onde as chamas são mais contidas, de acordo com uma análise de imagens de satélite realizada pela Amazon Conservation, organização sem fins lucrativos com base nos Estados Unidos, à qual a Reuters teve acesso exclusivo.

O número é 13% maior que em agosto.

“É muito mais desse cenário de incêndio descontrolado que está sendo desencadeado”, disse Matt Finer, que lidera o projeto de rastreamento de incêndio da organização.

“Não temos ideia para onde vão esses incêndios, quando vão parar. E, à medida que a estação seca se intensifica, só vão piorar.”

Considerando todos os tipos de incêndios, setembro já teve uma média de 53 grandes queimadas por dia na primeira semana, contra 18 por dia em agosto, de acordo com a Amazon Conservation.

A instituição define grandes incêndios como aqueles que emitem fumaça suficiente para indicar que uma grande quantidade de biomassa está queimando, enquanto os dados do Inpe são baseados em pontos de calor, que também detectam incêndios menores.

O número do Inpe, que mostra que os incêndios dobraram, pode estar subestimado porque um problema com um satélite da Nasa fez com que dados parciais fossem informados até 2 de setembro, embora a questão tenha sido resolvida nos dias subsequentes, de acordo com a Nasa e o Inpe.

Os dados revisados do Inpe devem mostrar que os incêndios atingiram a máxima de 10 anos em agosto, um índice ainda pior do que no mesmo mês do ano passado, quando os incêndios na Amazônia provocaram protestos globais.

Fonte: Reuters

30 de ago. de 2020

APRENDENDO COM A NATUREZA. BRASIL: UMA HISTÓRIA E MUITAS ESTÓRIAS

 


Subtítulo plausível para esta obra de leitura enriquecedora e agradável, de Eduardo Bueno (publicada em 2010 pela “Texto Editores Ltda., São Paulo, 480 p., ilustrações em cores”; e que comprei em 16/nov/2010 por R$62,91); valeu o investimento e o incentivo à produção cultural brasileira.

Ciclo da borracha. Reporto-me ao Capítulo 15, Brasil Amazônico, desse livro, sendo fiel ao propósito maior do meu blog, ecologiaemfoco.blogspot.com, onde postei: a Natureza e relações antrópicas; e desta feita um “misto quente: história com meio ambiente”. Faço comentários especificamente do tema “Ciclo da Borracha”, em que Eduardo Bueno começa citando Charles Marie de La Condamine, relatando a entrada oficial da borracha no mundo da ciência, em 1743, com as seguintes palavras (p. 176): “A resina chamada cautchu nas terras da província de Quito, vizinhas ao mar, é também muito comum nas margens do Marañon e se presta para os mesmos usos. Quando fresca, pode ser moldada na forma desejada. É impermeável à chuva, mas o que a torna mais notável é sua grande elasticidade. Fazem-se garrafas que não são frágeis, botas, bolas ocas, que se achatam quando apertadas, mas retornam à forma original quando cessa a pressão”. Eduardo Bueno complementa, entre várias outras informações sobre a borracha: “Em poucos anos se tornaria o produto vegetal mais importante e mais cobiçado do planeta, provocando o “boom” econômico que faria Manaus se transformar, quase que da noite para o dia, de aldeia indígena, em capital industrial e recolocando (depois do açúcar e antes do café) o Brasil no mapa econômico mundial”. Esse produto fabuloso, o cao o’chu (árvore que chora), depois batizado de látex, provocou muitas modificações nos usos e costumes da humanidade, tendo participado decisivamente do progresso mundial (depois da invenção dos motores à explosão), pois os pneus dos veículos automotores eram fabricados com o látex da seringueira (Hevea brasiliensis). Participaram dessa arrancada (BUENO, 2010; p. 177) nomes hoje conhecidos como “marcas comerciais”, como os de Charles Goodyear (em 1839 criou a vulcanização, adicionando enxofre à borracha quente), John Dunlop (em 1888, com o pneu de bicicleta), Karl Benz (que em torno de 1885 criara o automóvel movido a gasolina e que ganharia em seguida, pneus de borracha) ...

O apogeu da borracha brasileira. O apogeu da borracha ocorreu entre 1879 e 1912. Em 1880 (continua BUENO, 2010, em sua narrativa), Manaus, com 50 mil habitantes, exportou 12 mil toneladas de borracha para a Europa. A seca no nordeste, de 1877-79 provocara a migração, principalmente de cearenses, para a Amazônia, fazendo com que esses novos seringueiros extraíssem látex de 8 milhões de árvores espalhadas por 3 milhões de quilômetros quadrados (imensa área, considerando-se que naquela época a seringueira existia com certa exclusividade na bacia hidrográfica do rio Amazonas). Mesmo com a taxa de mortalidade “nas alturas”, devido à malária e febre amarela, mas cada seringueiro ganhando da Ford U$5 por hora de trabalho, os seringueiros levaram suas esposas, filhos, tios, tias, sobrinhos... amontoando-se em barracos de caixa de madeira e lona e mesmo sob calor e chuva “iam levando”... até que começa a ocorrer...

A derrocada. Destaco inicialmente o que afirma BUENO (2010; p. 177): “Embora a produção de borracha brasileira viesse a ganhar sobrevida com a eclosão da II Guerra Mundial, a exploração incompetente, cruel e irracional deste extraordinário recurso vegetal acabaria transformando aquele ciclo econômico numa espécie de ópera-bufa”. Esta não me parece ser uma explicação plausível. Vejamos a seguir. E agora duas “estórias” sobre o declínio dos nossos seringais. Primeiramente uma possível “estória pra boi dormir”: ... que os exageros dos barões da borracha, de Manaus, conduziram à falência desse item ímpar, de exportação; depois outra, pior ainda: que os seringueiros “torravam seus ganhos na bebida” e se descuidaram da produção. E agora, não uma “estória”, mas uma história verossímil: o fungo Microcyclus ulei, causador do mal-das-folhas da seringueira (Hevea brasiliensis), é o maior responsável pelo insucesso da heveicultura nas áreas tradicionais de cultivo no Brasil. Isso já me explicava, no início da década dos de 1970, Dr. Paulo Alvim (fitofisiólogo principal da OEA e diretor científico do CEPEC – Centro de Pesquisas do Cacau, Ilhéus-Itabuna, BA): um minúsculo fungo destruiu um projeto econômico de grandes proporções e até um sonho norteamericano, a Fordlândia, uma cidade construída com milhões de dólares em plena selva amazônica, visando explorar borracha para a fabricação de pneus para os carros fabricados pelo maior magnata do mundo, Henry Ford; e que entre 1927 e 1945 tal cidade viveu momentos de glória no estilo norteamericano. Daí veio o fungo, que encontrou condições ideais à sua proliferação, ou seja, cultivos homogêneos da seringueira sem possíveis “inimigos naturais”, num ecossistema onde o equilíbrio natural dinâmico (ou homeostase) foi rompido “sem nenhuma precaução”, transformando tal sonho em pesadelo irreversível. Em 1876 o inglês Henry Wickhamlevara milhares de mudas da seringueira para a  Inglaterra, com a intenção de plantá-las depois na Malásia, que após mais ou menos 30 anos se tornou o maior produtor mundial do látex (hoje, Indonésia e Tailândia são dois outros grandes produtores). Já em 1913 as seringueiras malaias produziram 47 mil toneladas de látex, contra 37 mil toneladas no Brasil.

Lição a se aprender. Espero que tudo isso nos sirva de lição para todas as gerações subsequentes. Muito cuidado com os cultivos homogêneos! Aprender com a Natureza é privilégio dos racionais! Ao Eduardo Bueno (que duvido que leia este “bloguinho”) uma sugestão para inserir a presente historieta (recontada aqui por mim) da derrocada da seringueira ao “Ciclo da Borracha”.



28 de ago. de 2020

MUITO DIFÍCIL CONCORDAR COM A ATUAL POLÍTICA DE CONSERVAÇÃO DA AMAZÔNIA


O mínimo que se espera é efetiva preservação das reservas! 




 Philip Martin Fearnside é um dos cientistas contemplados com o Prêmio Nobel da Paz concedido ao Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), em 2007. Pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com sede em Manaus, no Amazonas, ele vive na região amazônica desde a década de 70. Podemos dizer que o norte-americano é uma testemunha viva dos grandes impactos socioambientais que ocorrem na região, como as aberturas de rodovias, entre elas, a Transamazônica (BR-230) e a BR-174, que cortou as terras dos indígenas Kinja (Waimiri Atroari) ao meio e quase dizimou a etnia. Também estudou os impactos das construções das hidrelétricas de Balbina, no Amazonas, Tucuruí Belo Monte, ambas no Pará, Santo Antônio e Jirau, em Rondônia.

Doutor pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, autor de centenas de artigos científicos sobre os desmatamentos, queimadas e mudanças climáticas, Fearnside acompanha a cada ano a chamada “temporada das queimadas” na Amazônia. “Há sinais de que o ano Prodes de 2021, que está iniciando este mês de agosto, pode ser ainda pior”, alerta o pesquisador, que é também colunista da agência Amazônia Real.

O Prodes é o Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que deste 1988 detecta com muita precisão a taxa de desmatamento anual na região amazônica. No período de 2019 a agosto de 2020 a floresta perdeu 9,2 mil quilômetros quadrados, uma área equivalente a seis vezes o tamanho do município de São Paulo.

Com o aumento dos desmatamentos, as queimadas chegaram ao ápice no mês de julho. Estados como Pará, Amazonas e Mato Grosso, que abrigam a maior parte de florestas nativas do bioma Amazônia, têm respectivamente 30%, 26% e 3% mais focos de calor este ano do que os registrados no mesmo período de janeiro a agosto de 2019. Os dados são do Inpe.

Além do desmonte da política ambiental no governo de Jair Bolsonaro (sem partido), para Philip Fearnside é o discurso do próprio presidente que “encoraja o desmate”. O cientista diz isso porque o governo mantém as tropas federais na região para impedir os desmatamentos. Já proibiu a queimada da floresta pela agropecuária, mas nada parece mudar. As Forças Armadas estão na área sob o comando do vice Presidente general Hamilton Mourão. À frente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, o militar tem sido cobrado pelos empresários do agronegócio por causa do aumento dos desmatamentos, pois países que importam os produtos do setor ameaçam boicotar o Brasil por causa da política anti ambientalista de Bolsonaro e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles

Para Fearnside, com a pandemia do novo coronavírus o momento ficou mais crítico na Amazônia e o “governo precisa reconstruir tudo que foi desmontado na área ambiental e depois fortalecer esta área mais ainda”. Sobre Salles, o cientista é taxativo: “precisa [Bolsonaro] trocar imediatamente o ministro do meio ambiente por uma pessoa com compromisso com a área ambiental”, diz. Leia toda a entrevista em


https://amazonia.org.br/2020/08/amazonia-em-chamas-20-precisa-trocar-imediatamente-o-ministro-do-meio-ambiente-diz-cientista-do-ipcc-sobre-ricardo-salles/

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27 de ago. de 2020

GLOSSÁRIO DE ECOLOGIA

Mais uma atualização, com novos termos e algumas correções ortográficas.

 https://1drv.ms/b/s!AlSvfvbpbplfsUPmZoKE1PoXVMtY



23 de ago. de 2020

RESISTÊNCIA DA NATUREZA: TEM LIMITES ÀS MÁS AÇÕES ANTRÓPICAS

 Nas proximidades do extremo oriental do Brasil, na ponta do Cabo Branco, pedras soltas colocadas na beira-mar, ações  de escavadeira sobre as poças de marés (fotos abaixo) e medidas duvidosas de proteção à orla marítima, causam preocupações a todos na cidade de João Pessoa-PB.

Eu tenho documentado, com fotos e vídeos, desde 2004, o que vem ocorrendo com a preservação da falésia do Cabo Branco. Nos vídeos abaixo, destinados a meus alunos na disciplina Estudos de Impactos Ambientais, eu procuro enfatizar que nosso primeiro ato de preservação é observar como a Natureza resiste ao vai e vem das marés!

Efetuar o enrocamento nos pontos desprotegidos da base da falésia, utilizando rochas grandes, seria uma medida que, a meu ver, reforçaria sua proteção natural. No topo da falésia, onde passa uma via asfaltada próxima à sua borda, fazem-se necessárias modificações corretivas, principalmente no que diz respeito à condução das águas pluviais. Trepidação causada por veículos pesados, precisa ser evitada. Quanto à proteção da orla com calçada, acredito que a colocação de gabiões confeccionados com cabos e arames galvanizados, surtiriam efeito protetor da referida orla. Contanto que tais gabiões recebessem manutenção!

Em resumo, acredito ser melhor “proteger-se do mar, do que atacá-lo”.

1º vídeo: pontos resistentes e pontos frágeis da falésia:

https://youtu.be/cuuN7hORW38

2º vídeo: fotos evidenciando resistência natural da falésia:

https://youtu.be/Q7zrbCJN2pQ




18 de ago. de 2020

QUEIMADAS NA AMAZÔNIA: MEIOS INEFICIENTES PARA CONTÊ-LAS!!!

 Reproduzido de:


https://amazonia.org.br/2020/08/amazonia-em-chamas-20-queimadas-consomem-arvores-e-animais-no-sul-do-amazonas/



A intensidade dos incêndios florestais só é possível observar do alto. Imagens registradas pelo sobrevoo realizado pela agência Amazônia Real, entre os dias 9 e 12 de agosto, mostram as queimadas avançando e árvores como seringueiras e castanheiras, e outras espécies com mais de 40 metros de altura, em chamas. Cenas desoladas, como de carcaças de animais carbonizados – como cobras, tamanduás e cotias – que tentaram fugir do fogo na floresta também foram registradas pela agência Amazônia Real.

Brigadistas do PrevFogo, grupo vinculado ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), tentam desde julho apagar as queimadas na região de Apuí, o município do sul do Amazonas mais afetado pelo fogo em 2020. Esta região do estado enfrenta a maior pressão de frentes de desmatamentos, grilagem de terra, exploração madeireira e avanço de agronegócio e da pecuária. 


19 de jul. de 2020

MINORIAS ÉTNICAS E COVID-19

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O impacto severo do Covid-19 sobre pessoas de grupos étnicos minoritários tem sido ligado à poluição do ar e casas superlotadas e de baixo padrão por um estudo de 400 pacientes hospitalares.

Constatou-se que pacientes de minorias étnicas tinham duas vezes mais chances de viver em áreas de privação ambiental e habitacional, e que pessoas dessas áreas tinham duas vezes mais chances de chegar ao hospital com sintomas de coronavírus mais graves e serem internadas em unidades de terapia intensiva (UI).

Grupos étnicos minoritários eram conhecidos por serem desproporcionalmente afetados pelo Covid-19: eles representam 34% dos pacientes covid-19 gravemente doentes no Reino Unido, apesar de constituirem 14% da população. Mas as razões para a disparidade ainda não estão claras.
A pesquisa é a primeira a examinar o papel da privação ambiental e habitacional. Os médicos elogiaram o estudo, mas advertiram que ele ainda não foi formalmente revisado por outros cientistas e que estudos adicionais e detalhados em outras áreas são urgentemente necessários.

O estudo também constatou que os pacientes de minorias étnicas eram, em média, 10 anos mais jovens que os pacientes brancos, embora a explicação para isso seja desconhecida. Idade, fragilidade e condições de saúde subjacentes continuam sendo fatores críticos para todos os pacientes na determinação do desfecho do Covid-19.
O estudo concluiu: "Pacientes de etnia negra, asiática e minoritária (BAME- Black Asian Minority Ethnicity) são mais propensos a serem admitidos em regiões de maior poluição do ar, qualidade da habitação e privação de superlotação doméstica. Isso provavelmente contribuirá com uma explicação para as maiores internações de UI relatadas entre os pacientes (BAME) do covid-19”.

David Thickett, professor de medicina respiratória da Universidade de Birmingham e um dos responsáveis dos estudos, disse. "Não é surpresa que as pessoas que vivem em áreas pobres e moradias pobres se deem mal em uma pandemia. Isso é verdade desde a Peste Negra e isso reafirma a importância da privação em influenciar o padrão da doença."

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11 de jul. de 2020

PERDA MUNDIAL DE FLORESTAS TROPICAIS


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    • No último ano, o mundo perdeu cerca de 119.000 quilômetros quadrados de cobertura florestal, de acordo com dados de satélites coletados pela Universidade de Maryland divulgados no começo de junho pelo World Resources Institute (WRI). Quase um terço dessa perda veio de florestas tropicais primárias e úmidas.
    • Brasil, República Democrática do Congo e Indonésia ocupam as três primeiras posições em termos de perdas absolutas de florestas primárias, seguidos por Bolívia, Peru e Malásia. Os dados também mostram algumas histórias de sucesso, com o desmatamento em queda em diversos países como Colômbia, Madagascar, Gana e Costa do Marfim.
    • Para conseguir parar o desmatamento, pesquisadores dizem que o foco deve ser mudar os incentivos que motivam a derrubada da floresta no âmbito local.
    • Pesquisadores também se preocupam em como a crise causada pelo Covid-19 pode afetar as florestas em 2020.
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5 de jul. de 2020

NA NATUREZA FOI TUDO...ABSOLUTAMENTE TUDO, FEITO POR ACASO?!





Breves observações das maravilhas da Natureza:

A dança do acasalamento. Tudo isso para convencer a “maravilhosa e exigente” fêmea, de que o macho vale a pena! Aliás...vale as penas que exibe!
Medições ópticas mostraram que essas penas pretas absorvem até 99,95% da luz incidente diretamente, uma porcentagem comparável aos materiais ultra-pretos feitos pelo homem e usados no revestimento de telescópios espaciais. Estruturas microscópicas das asas se assemelham às projetadas pelos engenheiros para criar materiais ultra-pretos usados para facilitar a absorção de luz em painéis solares.
Em oposição ao que defendia Charles Darwin: tudo por acaso! Opto pelo que defendia Alfred Russell Wallace, seu colega da teoria da evolução: na pena de um pássaro, há algo mais do que esse simples tudo por acaso. Resumindo o que Alfred Russell Wallace disse:
Reconhecer a majestosidade do universo, apreciar e reverenciar a beleza da Natureza em todos os seus detalhes, como o fez Wallace quando perguntou “você já observou a pena de um pássaro? composta de mais de um milhão de peças...nenhum homem poderia fazer tal coisa... dotada de um material tão leve que um dedo pode separar suas partes e que logo retornam à forma normal...e que é capaz de elevar o pássaro às alturas, sendo hermética e impermeável... uma vestimenta perfeita”! Tal capacidade de apreciação é, sem dúvida, um atributo do ser humano.
Afirmou Wallace: Nothing in evolution can account for the soul of man. The difference between man and the other animals is unbridgeable.  Traduzindo: “Nada na evolução pode contabilizar a alma do homem. A diferença entre o homem e outros animais é intransponível”.

18 de jun. de 2020

NEUROTOXINA DE CIANOBACTÉRIA E AGRAVAMENTO DA ZIKA?!


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Durante quatro anos, a partir de 2012, o tempo seco assolou todo o Nordeste brasileiro. As temperaturas subiram, a vegetação morreu e a água doce começou a evaporar mais rapidamente dos reservatórios da região. Embora as condições fossem devastadoras para as populações humanas locais, elas estavam adequadas para que as bactérias proliferassem na água. Entre as espécies bacterianas conhecidas por se estabelecerem em reservatórios e poços durante tais secas está a cianobactéria  Raphidiopsis raciborskii.
Na maioria das vezes, a cepa de R. raciborskii que coloniza reservatórios e poços na região é aquela que secreta a saxitoxina, um produto químico que permite que a bactéria prospere na água salgada e rica em minerais associada a períodos secos. Embora a saxitoxina ajude a sobrevivência da bactéria, ela é — como o próprio nome indica — tóxica para os seres humanos, que muitas vezes a ingerem ao comer mariscos de água doce contaminados. Em grandes quantidades, a neurotoxina pode ser mortal, causando insuficiência respiratória; em quantidades menores, leva à dormência e paralisia parcial.
Por causa dessa toxicidade, as diretrizes brasileiras de qualidade da água afirmam que os níveis de saxitoxina devem ser inferiores a três microgramas por litro, o que manteria as pessoas seguras se consumissem a água contaminada apenas com pouca frequência. Durante as secas, no entanto, é provável que a água esteja mais contaminada do que o normal, colocando as pessoas em risco de maior exposição à saxitoxina.
[…]
"O Nordeste brasileiro foi o epicentro dos casos de microcefalia", diz Stevens Rehen, neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Mas a incidência de Zika foi maior em outras regiões do Brasil." Essa discrepância levou Rehen e seus colegas a se perguntarem se algum fator ambiental estava agravando os efeitos da infecção viral em gestantes na região nordeste, levando a danos cerebrais mais graves em seus bebês. Quando sua equipe viu que o Nordeste do Brasil sofreu sua pior seca registrada ao mesmo tempo que o surto de Zika, os pesquisadores decidiram testar se a saxitoxina e o Zika juntos estimularam sérias mudanças no tecido cerebral.
A equipe iniciou testes em organoides cerebrais humanos, cultivando aglomerados de células nervosas a partir das células da pele reprogramadas de doadores. Depois de cultivar as células por 50 dias, Rehen e seus colegas infectaram os organoides cerebrais com zika vírus e depois as trataram diariamente com baixas doses de saxitoxina. Após 13 dias de tratamento, a equipe analisou os organoides sob o microscópio e descobriu que os aglomerados de células cerebrais expostas tanto ao Zika quanto à saxitoxina tinham 2,5 vezes mais células mortas do que os organoides que só foram infectados pelo Zika. Organoides expostos tanto à saxitoxina quanto ao Zika também apresentaram níveis do vírus três vezes maiores do que os encontrados nas culturas somente do Zika, sugerindo que a toxina promoveu a replicação viral. Organoides tratados apenas com saxitoxina apresentaram um nível de morte celular semelhante ao observado em organoides não tratados.
Querendo verificar os resultados em animais, Rehen e seus colegas criaram um experimento no qual camundongos fêmeas receberam água potável limpa ou contaminada por saxitoxinas por alguns dias antes e alguns dias após o acasalamento. Depois que os camundongos engravidaram, os pesquisadores os infectaram com Zika. Camundongos nascidos de mães apenas com  Zika tinham cérebros bastante normais, a equipe descobriu, mas aqueles nascidos de camundongos infectados pelo Zika que bebem água carregada de saxitoxina tinham cérebros extraordinariamente pequenos, com cerca de 30% de redução na espessura de seu córtex, uma camada do cérebro conhecida por ser essencial para a cognição. Esses camundongos também tinham o dobro do número de células nervosas mortas em seus cérebros, já que os filhotes cujas mães só foram infectadas pelo Zika ou não foram submetidos a nenhum dos tratamentos, relataram os pesquisadores no início deste ano.
"Este artigo demonstra que um problema de longa data com toxinas de cianobactérias nos recursos hídricos da região tem desempenhado um papel em tornar o impacto do surto de Zika na região muito pior", diz Alexandre Anesio, biogeoquímico da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, que não participou do trabalho.
Rehen observa que a pesquisa não só mostra uma conexão entre saxitoxina e Zika, mas também expõe uma potencial razão para a disparidade econômica observada na gravidade da doença. Inicialmente, "ficamos surpresos com o fato de que muitos bebês com microcefalia nasceram em cidades brasileiras com um produto interno bruto muito baixo", escreve ele em um e-mail para o The Scientist. À luz das descobertas de sua equipe, parece que "infelizmente, essas malformações provavelmente foram exacerbadas por cofatores ambientais evitáveis associados à pobreza e à carência de atendimento  às necessidades básicas".
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