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28 de fev de 2014

FILOGENIA DO "PAPA-FORMIGAS" DA AMAZÔNIA: BASES DA HISTÓRIA EVOLUTIVA DE AVES DO BRASIL

[Reproduzido de "Exame Tecnologia"]
Evolução | 28/02/2014 09:08

Grupo desvenda história de grupo de aves da amazônia

Pesquisadores estão prestes a concluir a filogenia de pássaros papa-formigas, como o Batara cinerea. Estudo foi apresentado em evento na Inglaterra

AGÊNCIA FAPESP
Getty Images
Papa-formiga: papa-formigas representam o grupo mais comum de aves da Amazônia, com a maior diversidade de espécies da família, podendo chegar, por exemplo, a 45 espécies diferentes em um mesmo local

Chicheley – A história evolutiva de um grupo bastante diverso de aves, composto por mais de 230 espécies que representam aproximadamente 10% da avifauna brasileira, está prestes a ser desvendada.

Pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) estão concluindo a filogenia – estudo da relação evolutiva entre espécies – de aves da família Thamnophilidae, conhecidas popularmente no Brasil como papa-formigas.

Desenvolvido no âmbito do projeto de pesquisa “Sistemática, biogeografia e evolução fenotípica dos Thamnophini (aves Thamnophilidae): uma aproximação baseada em sequenciamento maciço de DNA”, apoiado pela FAPESP, alguns dos resultados do estudo foram apresentados na quarta-feira (26/02), último dia do UK-Brazil-Chile Frontiers of Science.

A Royal Society, do Reino Unido, a FAPESP e as Academias Brasileira e Chilena de Ciências organizaram o evento em Chicheley, no sul da Inglaterra, com o objetivo de fomentar a colaboração científica e interdisciplinar entre jovens pesquisadores brasileiros, chilenos e do Reino Unido em áreas de fronteira do conhecimento.

“Estamos concluindo a primeira filogenia da família Thamnophilidae. Já temos amostras de 99% das espécies e agora temos uma hipótese bastante completa da história evolutiva desse grupo de aves”, disse Gustavo Adolfo Bravo Mora, pesquisador do Museu de Zoologia da USP, à Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador, os papa-formigas representam o grupo mais comum de aves da Amazônia, com a maior diversidade de espécies da família, podendo chegar, por exemplo, a 45 espécies diferentes em um mesmo local.

Além de povoar a Floresta Amazônica, o grupo também está presente em outros biomas brasileiros, como a Mata Atlântica – que possui regiões com até 12 espécies endêmicas (próprias) –, a Caatinga e o Cerrado, nestes em menor proporção.


Uma das características comuns dessas aves, segundo Mora, é o fato de serem pequenas, medindo, em média, entre 25 e 30 centímetros. A menor tem 3,5 centímetros e vive na copa das árvores da Floresta Amazônica. A maior, conhecida como matracão (Batara cinerea), mede pouco mais de 30 centímetros e é mais fácil de ser encontrada na Mata Atlântica. “Há uma variação muito grande entre as espécies”, disse Mora.

Outra característica dessas aves é que elas se alimentam principalmente de insetos; daí a alcunha de papa-formigas. Além disso, cantam o tempo todo. “Ao entrar em uma região da Floresta Amazônica, é muito difícil vê-las, mas é possível escutar seu canto”, disse Mora.

As gravações do canto dessas aves e a quantificação das variações, feitas por meio de softwares especiais, são utilizadas pelos pesquisadores para entender padrões de evolução usando a filogenia do grupo, com base em dados genéticos.

Os registros do canto são complementados com medições de bico, asa, cauda e pata das espécimes, que fornecem estimativas da variação na forma dos animais, e de sequenciamento de dados moleculares obtidos de amostras de tecidos de espécimes da coleção do Museu de Zoologia da USP e de outros museus situados principalmente no Brasil e nos Estados Unidos.

Além disso, os pesquisadores usam sistemas de informação geográfica para realizar análises de distribuição e quantificar os ambientes onde essas aves podem estar presentes.

“Com base nesse conjunto de dados geográficos, podemos estimar quais espécies preferem áreas com maior precipitação ou menor temperatura, por exemplo”, indicou Mora. “A ideia é integrar esses diferentes tipos de dados para tentar entender como a diversidade de espécies de aves tem evoluído na família Thamnophilidae.”

Compreensão da biodiversidade

Os pesquisadores atualmente analisam o conjunto de dados coletados. De acordo com Mora, os resultados das análises permitirão entender e quantificar a biodiversidade desse grupo de aves. Será possível avaliar, por exemplo, se um determinado tipo de morfologia de ave evoluiu mais rapidamente do que outro, ou se animais que vivem em áreas de floresta mais secas evoluem mais velozmente do que os que habitam locais mais úmidos.

Além disso, o conjunto de informações poderá ser utilizado em estudos de conservação da biodiversidade desse grupo de aves. “Por enquanto, só o número de espécies em uma determinada área ou aquelas ameaçadas têm sido usado em estudos de conservação”, afirmou Mora.

“Mas há todo um conjunto de outras informações evolutivas, de distribuição e de morfologia, como essas que geramos do grupo Thamnophilidae, que poderia ser utilizado para a tomada de decisões de conservação de forma mais objetiva”, apontou.

A conclusão da filogenia da família Thamnophilidae também deverá facilitar a identificação de novas espécies do grupo, indicou Mora. Durante o projeto foram descobertas 15 novas espécies de aves da Amazônia no início de 2013.

De acordo com o pesquisador, das 15 espécies descobertas, quatro são papa-formigas e foram descritas por ele. “Há mais cinco novas espécies que estamos descrevendo agora dentro da família Thamnophilidae”, afirmou.

Importância da coleta de dados

Na palestra ministrada em Chicheley, Mora chamou a atenção para a importância dos museus de história natural como fontes de informação para o estudo evolutivo de espécies. Na avaliação dele, apesar da clara importância científica dessas instituições, elas são subutilizadas pelos estudos evolutivos.

“Os museus de história natural possuem bancos de dados de espécies gigantescos e são peças-chave na pesquisa sobre biodiversidade porque nos permitem olhar para o passado e, ao mesmo tempo, mirar o futuro”, avaliou.

Com as novas tecnologias de sequenciamento de DNA, é possível analisar com mais rapidez os dados genéticos de espécimes centenárias que integram as coleções para a construção da filogenia de diversos grupos.

Já as novas tecnologias de comunicação móveis, como celulares com câmeras fotográficas e gravadores e acesso à internet, permitem que o cidadão comum contribua de forma mais ativa em estudos sobre a biodiversidade.

A avaliação foi feita por Nick Isaac, pesquisador do Centro de Registros Biológicos do Centro de Ecologia e Hidrologia (Nerc) do Reino Unido. “Os smartphones tornaram-se ferramentas muito úteis para os ‘cientistas cidadãos’ fazerem registros de sons e imagens de animais, que são muito úteis para alimentar os bancos de dados científicos de biodiversidade”, afirmou o pesquisador, na palestra que proferiu após a de Mora.

De acordo com Isaac, no Reino Unido os cidadãos comuns contribuem há mais de 200 anos com observações da vida selvagem. “Isso tem nos proporcionado um vasto repositório de dados para compreender mudanças na biodiversidade de diversos grupos de espécies”, avaliou o pesquisador.

O problema é que muitos desses registros apresentam “ruídos”, como a falta de dados como data e local da coleta – informações importantes para o estudo de comportamento das espécies.

A fim de eliminar os “ruídos” dos registros, o pesquisador trabalha no desenvolvimento de modelagens estáticas. “As modelagens que estamos desenvolvendo podem nos ajudar a recuperar informações relevantes que muitas vezes estavam ‘apagadas’ em meio aos ruídos”, afirmou.

27 de fev de 2014

25 de fev de 2014

AS (GRANDES) CIDADES SUSTENTÁVEIS DO PLANETA - REGISTRADAS POR SATÉLITE

As cidades sustentáveis vistas do espaço [Reproduzido de www.oeco.org.br]
Paulo André Vieira - 20/10/13

O termo ecocidade surgiu em 1987 no livro "Ecocity Berkeley: Building cities for a healthy future" de Richard Register, um dos maiores nomes no campo do desenvimento e planejamento de cidades sustentáveis. Segundo Register não existe hoje nenhuma área urbanizada que possa ser considerada esta utópica ecocidade, uma cidade ecologicamente saudável, mas fragmentos dela podem ser encontrados em diversas cidades modernas.

Esses fragmentos são as iniciativas de energias alternativas, reciclagem, recuperação de áreas verdes, soluções de mobilidade urbana. Há um certo consenso entre os especialistas que uma cidade sustentável deve atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras em satisfazer as suas próprias necessidades.

Algumas cidades caminham nesta direção e frequentam periodicamente as listas das mais sustentáveis do planeta. Mas que cara tem uma cidade sustentável vista do alto? Essas "cidades verdes" nem sempre são as que possuem mais árvores ou parques, mas decididamente seguem em no caminho de ajudar seus milhões de habitantes a viver uma vida mais verde. Veja abaixo imagens de satélite de algumas dessas cidades que se esforçam para ser mais sustentáveis.

Reykjavik, Islândia
Acostumada a estar sempre no topo das listas das cidades mais sustentáveis, Reykjavik é 100% abastecida por energia limpa e de baixo custo.


Portland, Estados Unidos
Foi a primeira cidade dos Estados Unidos a aprovar um plano para reduzir as emissões de dióxido de carbono e tem promovido sistematicamente a construção de prédios verdes.


Curitiba, Brasil
Representante brasileira nas listas de cidades sustentáveis, seu sistema de transporte público é sempre citado como referência ao redor do mundo.


Malmö, Suécia
Conhecida por seus extensos parques e espaços verdes, Malmö também recicla mais de 70% do lixo coletado.


Vancouver, Canadá
A área metropolitana de Vancouver possui 200 parques, e desenvolveu um plano de 100 anos para se tornar a mais sustentável do mundo.


Copenhague, Dinamarca
Possui uma das maiores concentrações de ciclistas em um ambiente urbano, reduzindo a poluição do ar e tráfego pesado.


Londres, Inglaterra
A cidade planeja reduzir as emissões de CO2 em 60% nas próximas décadas, e oferecer incentivos aos moradores que melhorem a eficiência energética de suas casas.


São Francisco, Estados Unidos
Foi a primeira cidade dos EUA a banir o uso de sacolinhas plásticas e brinquedos infantis fabricados com produtos químicos questionáveis.


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Posição por indicador das 10 cidades europeias mais sustentáveis

 

AMAZÔNIA: EM QUATRO ANOS, 169 NOVAS ESPÉCIES DA FLORA E FAUNA

[Reproduzido de www.amazonia.org.br]




20 de fev de 2014

AINDA SE DESCOBREM NOVAS ESPÉCIES DA FAUNA DO MAIS DEVASTADO BIOMA DO BRASIL: A MATA ATLÂNTICA

FOTO: Um sapinho Brachycephalus crispus caminha pelo chão da mata na Serra do Mar, em seu hábitat natural. Crédito: Tiago Queiroz/Estadão

[Reproduzido de "O ESTADÃO" - Herton Escobar / O Estado de S. Paulo]

A já esplêndida biodiversidade da Mata Atlântica ficou um pouco mais rica e colorida nesta semana, com a adição de uma nova espécie de anfíbio à sua lista de chamada: um minúsculo sapinho laranja, menor do que uma moeda de 10 centavos, que vive nas montanhas da Serra do Mar e foi batizado pelos cientistas de Brachycephalus crispus.

O nome do gênero, Brachycephalus (pronunciado braquicéfalus), significa “cabeça pequena”; enquanto que o nome da espécie, crispus, faz referência à pele rugosa do dorso do sapinho (que durante as pesquisas de campo, antes do batismo científico oficial, lhe rendeu também o carinhoso apelido de “pururuca”).

A espécie foi descoberta por biólogos do laboratório de herpetologia da Unesp Rio Claro em outubro de 2011, nas montanhas florestadas do núcleo Cunha do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), 920 metros acima do nível do mar, próximo à divisa de São Paulo e Rio de Janeiro. O bichinho é abundante na região, porém discreto, vivendo em meio ao folhiço do chão da mata.

O trabalho oficial de descrição da espécie foi publicado online esta semana pela revistaHerpetologicahttp://migre.me/hYtH3. A autora principal é a bióloga Thais Condez, da Unesp Rio Claro, aluna do professor Celio Haddad, referência no estudo de anfíbios no Brasil.

A reportagem do Estado acompanhou, em 2012, uma das expedições de campo de Thais ao núcleo Cunha, em que vários exemplares da nova espécie (então conhecida apenas como “pururuca”) foram coletados. Para ler a reportagem completa, clique aqui: http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/reportagem-especial-sapos-miniatura/

Ameaças. Infelizmente, o anúncio de batismo do B. crispus aparece na sequência de algumas más notícias. A mais recente deles, relatada na semana passada pela Agência Fapesp, é que a biodiversidade de anfíbios da Mata Atlântica poderá ser seriamente afetada pelas mudanças climáticas. “As projeções que realizamos indicam que, em razão das mudanças nas condições climáticas que devem ocorrer na Mata Atlântica nas próximas décadas, a maioria das unidades de conservação do bioma perderá e poucas ganharão espécies de anfíbios”, disse Rafael Loyola, coordenador do Laboratório de Biogeografia da Conservação da UFG, em um evento organizado pelo programa Biota Fapesp. Para ler a reportagem completa, clique aqui: http://agencia.fapesp.br/18627

Outra má notícia refere-se ao preocupante estado de abandono de muitas das unidades de conservação do Estado de São Paulo — incluindo o PESM e outras áreas protegidas da Mata Atlântica, onde vivem muitos desses anfíbio e uma infinidade de outras espécies –, conforme retratado por uma reportagem especial do jornal Estado em agosto do ano passado: http://migre.me/hYuhW

Agora que o Brachycephalus crispus entrou finalmente para a lista das espécies conhecidas, espera-se que ele não entre tão cedo para a lista de espécies ameaçadas da floresta. Que a vida dele valha mais do que uma moeda de 10 centavos. Imagine só!

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EM MANAUS, IGARAPÉS SÃO UTILIZADOS COMO "LATAS DE LIXO" QUE SE ESTENDEM ATÉ O OCEANO!!!

Poluição: Objetos de plástico jogados em igarapés de Manaus ‘viajam’ até oceanos

Uma garrafa PET jogada num igarapé de Manaus pode ir parar no Oceâno Atlântico e, posteriormente, no Pacífico.  Cerca de 21 toneladas de lixo são retiradas mensalmente

Os igarapés de Manaus são ‘bombardeados’ mensalmente com 21 toneladas de lixo (Bruno Kelly )
A descoberta recente de duas “ilhas” de lixo flutuante, a maioria de objetos de plástico, no Oceano Pacífico, com uma extensão equivalente a dos Estados Unidos (EUA) serve de alerta e reflexão a respeito da necessidade de um sistema de coleta de lixo eficiente em Manaus, já que vários igarapés apresentam cenários semelhantes. A afirmativa é do doutor em ecologia Jansen Zuanon, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ao explicar que parte do lixo retirado dos igarapés em Manaus vai para o Oceano Atlântico, já que parte da descarga do rio Amazonas sai nas costas das Guianas. Mas é possível, segundo admite, que também chegue lá o lixo dos demais oceanos, embora de maneira mais lenta.
Estudiosos da vida marinha garantem que o Pacífico tem “redemoinhos” que prendem lixo de todos os oceanos e correntes marítimas como a Círculo Polar Antártica ligam os três oceanos da Terra. Assim, grande parte dos resíduos do Atlântico e do Índico acaba se dirigindo para o Pacífico, mesmo que leve décadas percorrendo os mares do mundo.
É possível, segundo Zuanon, que o lixo dos igarapés manauenses também chegue ao litoral do Nordeste brasileiro, por isso ele adverte para a reflexão das pessoas que costumam descartar lixo nos igarapés. “O efeito pode uma extensão muito maior do que o quintal das pessoas”, afirma ele, lembrando a tragédia ambiental representada por esse problema.
Lixo e esgoto
Mas os igarapés de Manaus têm outro componente tão poluidor quanto os objetos plásticos lançados neles. Os esgotos domésticos também vão para as águas sem qualquer tratamento e isso compromete, de forma severa, todos os cursos d’água na cidade. “Além de campanhas de orientação e sistemas de coletas eficientes, é preciso parar de jogar esgoto nas águas”, afirma Zuanon, para quem todo o cenário de sujeira e abandono acaba não inibindo as pessoas de sujarem os igarapés.
Para ele, se fosse o contrário, se as águas estivessem sem entulhos, as pessoas teriam pudor em sujar, mas como só veem lixo correndo nas águas, acabam não evitando poluir.
Integrante do grupo de pesquisa denominado Projeto Igarapés (www.igarapes.bio.br), cujo objetivo é contribuir para o conhecimento ecológico dos sistemas de igarapés na Amazônia brasileira, avaliando a ocorrência e distribuição das espécies de organismos aquáticos, sua história natural e os fatores bióticos e abióticos que influenciam as estruturas dessas comunidades biológicas, Zuanon diz que quanto mais cedo começar o processo de despoluição, mais cedo os resultados serão constatados.
Processos de despoluição de cursos de água são extremamente caros e geralmente demoram até duas décadas para obterem sucesso.
Pacífico tem três vezes mais plástico
As “ilhas” formadas por resíduos plásticos no Oceano Pacífico sinalizam para um desastre ambiental que parece não ter fim. De cones de trânsito a brinquedos, tênis e malas de viagem, metade dessa sujeira é lançada no mar por navios e plataformas de petróleo, segundo informou a agência de notícia que divulgou o fato. A outra parte deságua nos oceanos trazida por rios espalhados pelo mundo.
De acordo com os pesquisadores, o volume de plástico no Pacífico mais que triplicou e faz as primeiras vítimas entre os animais, que comem o plástico. Já foram encontrados todo tipo de objeto no estômago dos bichos. O pior é que o lixo boiando na superfície é só uma pequena parte da sujeira. Com o passar dos anos, pedaços menores de plástico se diluem, formando uma espécie de sopa nojenta.
Por: Ana Celia Ossame
Fonte: A Crítica

19 de fev de 2014

REPRESAS DE HIDROELÉTRICAS, USINAS EÓLICAS E DE ENERGIA SOLAR...TODAS MATAM ANIMAIS. QUAL DELAS CAUSA MENOR IMPACTO SOCIOAMBIENTAL!?



[Reproduzido de INFO Online]
19/02/2014 12h57 - Atualizado em 19/02/2014 17h56

Efeito colateral: maior usina solar do mundo queima aves até a morte


BrightSource Energy
Pássaro morto pela usina solar

A maior usina solar do mundo encantou o mundo com sua beleza e enorme potência de gerar energia limpa. Mas parece que existem efeitos colaterais que podem ser prejudiciais ao meio ambiente. O pássaro acima, por exemplo, morreu queimado devido aos altíssimos níveis de calor da usina.

Infelizmente, esta ave não é a única morta por causa da usina Ivanpah Solar Electrict Generating System. Onze pássaros foram encontrados feridos ou mortos durante a fase de testes, ainda em 2013.

O número aparece em um relatório mensal feito pela própria Ivanpah que aponta a morte das aves. Mas, segundo a pesquisa, a morte de pássaros já era um efeito colateral esperado pela usina, que fica no deserto de Mojave, na Califórnia, nos Estados Unidos.

O grupo de pássaros mortos inclui gaviões, aves de rapina noturnas, mergulhões, falcões peregrinos e pardais. Uma análise do corpo desses animais apontou que muitos estavam com as penas queimadas.   

Os mais de 300 mil espelhos controlados por computador refletem a luz solar para caldeiras no topo de torres. O poder do Sol aquece a água nos tubos das caldeiras e o vapor movimenta as turbinas para gerar eletricidade.

Esse processo faz com que o calor em torno da usina seja intenso e que possa alcançar 573 graus Celsius, em um processo que queima até a morte os pássaros que sobrevoam o local e, consequentemente, passam pelos feixes de luz concentrada. Além desse problema, biólogos alertam que os pássaros podem confundir os espelhos com um lago. Eles descem atraídos pela água e encontram espelhos. Além da possibilidade de colisão, podem se queimar ainda mais com o calor do espelho. 

Grupos de ambientalistas têm questionando o valor da energia mais limpa quando a fauna nativa está sendo ferida ou morta. Atualmente, reguladores estaduais e federais estão fazendo um estudo sobre os efeitos da Ivanpah sobre as aves e tentando descobrir como minimizar a mortalidade das aves.

Mas, segundo a Comissão de Energia da Califórnia, a perda de vida selvagem local e outros problemas ambientais relacionados a isso representam efeitos colaterais aceitáveis diante dos benefícios. A Ivanpah é capaz de produzir 392 megawatts de energia. Essa quantidade de energia é suficiente para abastecer cerca de 140 mil casas da Califórnia.


18 de fev de 2014

USO SUSTENTÁVEL OU DESTRUIÇÃO: PORQUE É TÃO DIFÍCIL CONCILIAR CONSERVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO NA AMAZÔNIA

[Reproduzido de O ECO]

Adiada votação que pode extinguir Floresta Estadual do Amapá
Daniele Bragança - 17/02/14

Floresta Estadual AmapaVencedor do Cabo de guerra na Assembleia Legislativa selará destina da Floresta Estadual do Amapá, que pode perder status de área protegida. Fonte: Portal da Amazônia. Foto: J. Aloisio Soares.

O governo do estado do Amapá acaba de ganhar mais tempo para parar a ofensiva da oposição contra a Floresta Estadual do Amapá. Na semana passada, a oposição tentou votar um projeto de lei que revoga esta área protegida, criada em 2006. A mudança de rumo se deu após intervenção do Ministério Público Estadual, que recomendou aos deputados não revogarem o decreto que criou esta Floresta Estadual (Flota) até à conclusão do processo de transferência das terras públicas que ela ocupa, que eram da União e foram repassadas para o estado. A tática deu certo. Sem a Floresta, as terras voltam a ficar sem destinação.

A Floresta Estadual do Amapá foi criada por um acordo proposto pelo presidente Lula em 2004: ele passaria essas terras para o estado desde que fossem transformadas em área protegida. Assim nasceu esta Flota, com área 23,6 mil quilômetros quadrados (ou 2,36 milhões de hectares), cerca de 16,6% de toda a área do Amapá.

No ano de criação da Flota, 2006, a Assembleia Legislativa do Amapá aprovou por unanimidade a nova Unidade de Conservação. Após o fim do governo de Waldez Góes (PDT), em 2010, os deputados mudaram de ideia, justamente quando o governador eleito, Camilo Capiberibe (PSB), começou a implementar a unidade de conservação que, até então, só existia no papel.

O argumento dos deputados é defender o direito dos pequenos produtores rurais que ocupam terras dentro da Floresta. “Há 8 anos, quando esses mesmos deputados criaram a Flota, não se preocuparam com os pequenos agricultores, agora que a gente está com a faca e o queijo na mão para implementá-la, que a gente tem um plano de manejo, tem um plano de regularização fundiária de quem está lá dentro, conseguiu atrair mais de 10 milhões de reais do governo do estado para colocar a produção sustentável na gestão ambiental, agora eles são contra e se dizem defensores dos pequenos produtores”, disse a ((o))eco Ana Euler, diretora-presidente doInstituto Estadual de Florestas do Amapá, responsável pela gestão das Unidades de Conservação estaduais. "E o mais interessante é que, de novo, aqueles que se dizem defensores dos pequenos agricultores respondem por processo de grilagem".

O grupo de deputados que querem extinguir a Flota é liderado por Eider Pena (PSD) – ex PDT –, deputado que votou pela criação da unidade em 2006, quando o então partido estava no poder, no governo de Waldez Góes (PDT).

Euler explica que o movimento para sustar a criação da Floresta tem fins eleitorais: “para que nessa reta final do governo a gente fique de mãos atadas”, disse.

Linha de defesa

A resposta do governo de Camilo Capiberibe (PSB) será publicar essa semana uma nota pública para poder esclarecer a população sobre os benefícios da Floresta estadual. Outra medida na guerra de informações será fazer uma reunião com os pequenos agricultores sem os sindicatos, acusados de fomentar a guerra contra a Flota do Amapá.

Segundo Ana Euler, toda a gestão da Floresta foi desenhada para ser a alavanca do setor econômico e florestal do estado. Em dezembro, foilançado o pré-edital que disponibilizou mais de 146 mil hectares de florestas para serem licitadas. A concessão deverá trazer retorno direto em royalties de 3 milhões de reais. Só de arrecadação, irão para os cofres do estado ação 5 milhões de reais no primeiro lote.

Madeireiros

As madeiras vindas dos assentamentos agrícolas estão se exaurindo. A Floresta Estadual, uma das mais preservadas do país, tem o estoque necessário para fazer a alegria do setor madeireiro e de quebra, do sempre lucrativo cultivo de soja, que poderá ocupá-la após o esgotamento da retirada da madeira de lei.

A construção de um porto em Santana, localizada a 30 quilômetros da capital, Macapá, facilitaria a produção de soja, pois permitiria uma economia de 30% no investimento em transportes.

“É um movimento econômico e eleitoreiro”, diz Aldem Bourscheit, especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil. Para ele, embora o projeto tenha sido tirado da pauta, a ameaça permanece. “A gente sabe que no Brasil esse tipo de ameaça não se extingue, ela segue seu rumo de idas e vindas e pode ressurgir".

Segundo Bourscheit, “A Floresta estadual do Amapá foi criada e pensada pelo governo estadual para abrigar um novo tipo de economia ligado a exploração madeireira e de produtos não madeireiro. Os deputados envolvidos nesse movimento têm uma visão antiga de que economia é só desmatamento para cultivo de soja ou criação de gado”.

A Floresta Estadual do Amapá é uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável, com autorização de exploração de recursos naturais, por exemplo, minérios, dentro de seu território.

O governo teme que a aprovação do projeto crie uma corrida pela terra, pela madeira e pelo ouro que pode arruinar a região da Flota. O Amapá já sofre com problemas fundiários sérios.

Agora, o Projeto de Lei será analisado pela comissão de direito fundiário, que irá encaminhar um parecer conclusivo para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. A mesa diretora da Assembleia terá a palavra final sobre se o projeto vai ou não para a votação.

 

 

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