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24 de fev de 2009

EM ESPECIAL PARA QUEM GOSTA DE PERGUNTAR: PARA QUE SERVE ESSE BICHO???


[BILINGÜE]

Mole rats may hold secret to long life

Ratos-toupeira podem possuir o segredo da longa vida

[NEWSCIENTIST, 23 February 2009]


INGLÊS: they may not be the prettiest creatures, but naked mole rats may hold the secret to longevity. They can live for nearly 30 years longer than any other rodent.
PORTUGUÊS: eles podem não ser as criaturas mais bonitas, mas os ratos-toupeira pelados [Heterocephalus glaber; do leste da África] podem possuir o segredo da longevidade. Eles podem viver por aproximadamente 30 anos mais do que qualquer outro roedor.
INGL.: Ageing is often blamed on the oxidising compounds we produce in our bodies, which gradually wear down DNA and proteins. These damaged molecules then go on to wreak havoc in cells.
PORT.: Freqüentemente atribui-se culpa pelo envelhecimento aos compostos oxidantes que nós produzimos em nossos corpos, os quais gradualmente desgastam o DNA e as proteínas. Estas moléculas danificadas progridem, para arrasar células.
INGL.: [...] To investigate, Rochelle Buffenstein of the University of Texas Health Science Center in San Antonio and colleagues extracted liver tissue from both species and treated it with chemicals that "unravel" proteins to reveal damage. They found twice as many undamaged proteins in naked mole rats as in mice. What's more, the rats' protein recycling machinery was exceptionally active.
PORT.: [...] Para investigar, Rochelle Buffenstein do Centro de Ciência da Saúde da Universidade do Texas em San Antonio, e seus colegas, extraíram tecido do fígado de ambas as espécies [do rato-toupeira e do rato comum] e o trataram com substâncias que “separam” proteínas para revelar o dano. Eles encontraram duas vezes mais proteínas não danificadas nos ratos-toupeira-pelados do que nos ratos comuns. E ainda, o mecanismo de reciclagem de proteínas dos ratos[-toupeira] era excepcionalmente ativo.
INGL.: The team suspects that naked mole rats manufacture extra quantities of molecules that are responsible for labelling damaged proteins that need to be recycled quickly to minimise their effect on cells. The researchers hope to identify these molecules and test if it is possible to use them to treat age-related disease in humans.
PORT.: A equipe suspeita que os ratos-toupeira-pelados fabricam quantidades extras de moléculas que são responsáveis por rotularem as proteínas danificadas que necessitam ser recicladas rapidamente para minimizar seus efeitos sobre as células. Os pesquisadores esperam identificar estas moléculas e testar seu possível uso no tratamento de doenças relacionadas ao envelhecimento nos seres humanos.

19 de fev de 2009

A RADIAÇÃO UV E O CÂNCER MAIS PROVÁVEL QUE VOCÊ VENHA A TER

Numerosas pesquisas indicam que anos de exposição à radiação ionizante UV-B da luz solar, são a causa primária de câncer de pele dos tipos célula escamosa e célula basal, os quais são responsáveis por até 95% de todos os tipos de câncer de pele. Há, tipicamente, um interstício de 15 a 40 anos entre exposição aos raios UV e o aparecimento desse tipo de câncer.
Crianças e adolescentes de origem caucasiana (com pele branca) que têm uma única queimadura solar grave duplicam suas chances de vir a ter tais tipos de câncer de pele. De 90 a 95% desses tipos podem ser curados se detectados o bastante cedo, embora sua remoção possa deixar cicatrizes desfigurantes. Esses tipos de câncer matam somente de 1 a 2% de suas vítimas, o que, nos Estados Unidos por exemplo, representam 2.300 mortes por ano.
Um terceiro tipo de câncer de pele, o melanoma maligno, ocorre em áreas pigmentadas da superfície do corpo, como nos sinais. Este tipo pode espalhar-se rapidamente (dentro de poucos meses) para outros órgãos, incluindo fígado e cérebro, e mata cerca de um quarto de suas vítimas (a maioria abaixo dos 40 anos) dentro de cinco anos, mesmo considerando que possam submeter-se à cirurgia ou quimioterapia e radioterapia. Todo ano este tipo de câncer mata cerca de 100.000 pessoas (nos Estados Unidos, 6.900 pessoas em 1994), a maioria caucasiana, mas pode também ser curado se detectado bastante cedo. O tempo decorrido entre a exposição à radiação UV (raios UV-A e UV-B) e a ocorrência de melanoma é de 15 a 25 anos. No Brasil estima-se que 25% da população branca tem algum tipo de câncer de pele.
Uma outra forma de carcinoma que comumente ocorre em pessoas de cor branca que vivem nos trópicos (Brasil e Austrália, por exemplo) é a doença de Bowen. Este carcinoma é uma forma benigna, mas ocasionalmente pode se tornar invasiva, podendo ser tratada com crioterapia ou excisão cirúrgica.
São conhecidos os efeitos da radiação ultravioleta no sistema imunológico. Por exemplo, herpes labial ocorre freqüentemente no começo do verão devido ao efeito imuno-supressivo da radiação UV na pele, resultando na ativação do vírus herpes. É possível que a susceptibilidade a certas infecções da pele tais como leishmaniose e lepra, aumentaria com uma maior exposição à luz UV, uma vez que a expressão dessas doenças depende de resposta da célula mediada pelo sistema imunológico. A radiação UV induz à formação de células-T supressoras as quais inibem a resposta anti-tumoral normal e permitem o surgimento e a progressão de tumores.
Há evidências de que pessoas, especialmente caucasianas, que sofrem tres ou mais queimaduras solares com formação de bolhas antes dos 20 anos de idade, subseqüentemente são cinco vezes mais suscetíveis a desenvolverem melanoma maligno do que aquelas que nunca tiveram queimaduras graves. Cerca de 10% das pessoas que têm melanoma maligno herdaram gene que as tornam especialmente suscetíveis a esta doença.
Para proteger-se eficientemente, o procedimento mais seguro é não tomar sol especialmente entre 10 horas da manhã e 3 horas da tarde, quando os níveis de UV estão mais altos, e evitar o uso de bronzeadores. Use roupas e chapéu de aba larga ou boné e óculos para sol com proteção contra UV (os óculos ordinários sem tal proteção promovem maior dilatação da pupila, de maneira que mais raios UV atingirão a retina). Como os raios UV penetram através das nuvens, um dia nublado não significa que você estará totalmente protegido(a); nem tampouco a sombra lhe protegerá, uma vez que os raios UV refletem-se facilmente na areia, na água (na neve) e nas superfícies cimentadas, como pátios, paredes etc. (nas superfícies brancas em geral). Pessoas que estejam tomando antibióticos e mulheres que estejam tomando pílulas anticoncepcionais são mais suscetíveis a danos causados por UV. Há estimativas do "buraco" da camada de ozônio sobre a Antártica já ter atingido a dimensão de 24 milhões de km2, ou quase tres vezes o tamanho do Brasil.
O FPS - Fator de Proteção Solar (derivado do inglês “SPF – Sun Protector Factor”) é uma taxa relativa padronizada pelo “FDA – Food and Drug Administration”, dos EUA com as seguintes características: admitindo-se que a pele humana queima após 10 minutos de exposição ao sol, quando ela for protegida por um protetor solar com FPS 15 isto significará que uma queimadura similar levará 15 vezes mais tempo para acontecer e se for protegida por um FPS 30 significará que uma queimadura será retardada por um tempo 30 vezes mais longo; e assim por diante ... . Aplique protetor solar com fator 15 ou 30 (ou mais, se tiver pele clara) cada vez que for ao sol (aqui nos trópicos, diariamente); reaplique-o quando suar ou tomar banho (de mar, piscina, chuveiro...). Como há possibilidade de que raios UV-A e UV-B possam causar melanoma maligno, é importante usar protetor solar de espectro mais amplo, que filtre UV-A e UV-B. Crianças que usaram protetor solar com fator 15 toda vez que iam ao sol, desde que nasceram até os 18 anos de idade, diminuíram sua chance de ter câncer em 80%. Bebês com menos de um ano de idade devem tomar sol somente de manhã cedo (que é importante para a sintetização de vitamina D) e nunca entre 10 horas da manhã e 3 horas da tarde.
Familiarize-se com os seus sinais, verrugas e sardas (e de seus filhos também). Os sinais visíveis de um câncer de pele são suas mudanças de tamanho, forma ou cor. O aparecimento repentino de pequenas manchas escuras na pele ou um pequeno ponto dolorido que coce ou sangre ou uma ferida ou descascamento que não cicatrize, são sinais suficientes para que você procure imediatamente um dermatologista.
No site http://satelite.cptec.inpe.br/uv/, o INPE divulga os índices de UV no Brasil (veja postagem anterior neste blog).

18 de fev de 2009

RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA: COMO FICAR DE OLHO NELA!







Inicialmente vejamos o significado de ozonosfera, segundo o Glossário de Ecologia e Ciências Ambientais:


OZONOSFERA
Camada de ozônio, geralmente situada na estratosfera (a mais ou menos 30 km de altitude) que se constitui em importante filtro da radiação ultravioleta. No site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (http://satelite.cptec.inpe.br/uv/) são mostradas as medições da radiação UV feitas nas regiões e Estados brasileiros.
A ozonosfera é formada a partir da cisão da molécula de O2, pela energia solar, na seguinte reação fotoquímica:
O2 + hv « 2O
[oxigênio molecular + energia solar = átomos de oxigênio]

em seguida o oxigênio combina-se com o O2 formando o ozônio:
O2 + O « O3
[ozônio]
Há evidências de que alguns compostos, principalmente o clorofluorcarbono (CFC) e o metano (CH4) contribuem para a destruição da ozonosfera, formando o popularmente conhecido “buraco da camada de ozônio ou da ozonosfera”. O conhecimento sobre tal buraco remonta ao final da década de 1920, quando foi sintetizado o CFC. No início da década de 1970 os químicos americanos Mario José Molina (de origem mexicana) e Sherwood Rowland identificaram teoricamente a ameaça à deterioração da ozonosfera pelos CFCs. Em 1983, cientistas do “British Antartic Survey” (do Levantamento Britânico da Antártica) confirmaram então a existência de um “buraco” acima do pólo sul.

Veja nas figuras acima: na figura superior, os índices de UV registrados na região Nordeste no dia 18/fevereiro/2009; observe que em toda a região Nordeste a cor única é violeta, e que de acordo com a Tabela do Índice UV (mostrada na figura inferior), os índices representados com a cor violeta estão entre 11 e 14 (valores máximos da escala, que vai de 0 a 14) [de acordo com divulgação feita no site do INPE].

6 de fev de 2009

AMAZÔNIA EM CAPÍTULOS: V – MEGADIVERSIDADE É UM DOS NOSSOS MAIORES PATRIMÔNIOS



































Megadiversidade O ecólogo Russell Mittermeier quando pesquisava sobre primatas, observou que 75% das espécies desses “macacos e assemelhados” concentravam-se em quatro países: Brasil, Congo, Indonésia e Madagascar. E concluiu que, à maneira do grupo dos sete grandes países do mundo que formavam o G7, havia o grupo G17, os dezessete países que tinham a maior variedade de espécies de organismos superiores, ou seja, países que ostentavam a MEGADIVERSIDADE. E assim a “Conservation International”, organização voltada para a conservação da Natureza, passou a usar a expressão País da Megadiversidade. Entre os principais critérios para considerar um País de Megadiversidade há: número de plantas endêmicas (originadas do próprio local), e número total de mamíferos, pássaros, répteis e anfíbios. O site da “Conservation International” http://www.conservation.org.br/ disponibiliza em PDF, a revista semestral, Megadiversidade, que divulga artigos de pesquisadores da biodiversidade de nossos maiores biomas. Lembrete: biomas são grandes ecossistemas, que dispõem de clima, condições de solo, flora e fauna próprios; ecossistemas são sistemas ecológicos naturais, com componentes vivos (bióticos) e não-vivos (abióticos) em interação e interdependência.
Os 17 países megadiversos estão distribuídos nos quatro continentes ricos em habitats naturais; são eles: Brasil, Colômbia, México, Venezuela, Equador, Peru, Estados Unidos, África do Sul, Madagascar, República Democrática do Congo, Indonésia, China, Papua Nova Guiné, Índia, Malásia, Filipinas e Austália.
Em termos de biodiversidade de ambientes terrestres, o Brasil é o “campeão absoluto”, reunindo quase 12% de toda a vida natural do planeta. Concentra 55 mil espécies de plantas superiores (22% de todas as que existem no mundo), muitas delas endêmicas; 524 espécies de mamíferos; mais de 3 mil espécies de peixes de água doce; entre 10 e 15 milhões de insetos (a grande maioria ainda por ser descrita); e mais de 70 espécies de psitacídeos (araras, papagaios e periquitos) (esses números estão sempre aumentando). Numa classificação entre os maiores, o Brasil ocupa o primeiro lugar em abrigar uma maior variedade de anfíbios (516 espécies), terceiro em aves (1622 espécies) e quarto em mamíferos (428 espécies) e répteis (467) (segundo dados de “Global Diversity - Status of the Earth's Living Resources”).
Quatro dos biomas mais ricos do planeta estão no Brasil: Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia e Pantanal.

Secretaria de Biodiversidade e Florestas O MMA – Ministério do Meio Ambiente dispõe no seu site http://www.mma.gov.br/ de informações sobre políticas e estratégias de ações para as “Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira /2006”. Ainda o MMA estabeleceu o “Processo de Atualização das Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira”. Novecentas áreas foram reconhecidas, devendo essa lista ser revista até no máximo dez anos pela CONABIO – Comissão Nacional de Biodiversidade. Em tal processo estão mencionados (e como temos siglas!): o PNAP – Plano Nacional de Áreas Protegidas e o PAN-Bio no qual constam as “Diretrizes e Prioridades do Plano de Ação para Implementação da Política Nacional de Biodiversidade” (sobre Políticas Públicas ver o que o autor deste blog divulgou a respeito, numa das postagens anteriores: POLÍTICAS PÚBLICAS: A TEORIA, NA PRÁTICA É...UM SONHO).
O Brasil participa da CDB – Convenção sobre Diversidade Biológica (desde 1992). Como é dito no site do MMA: “O desafio da CDB é conciliar o desenvolvimento com a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica. Esta tarefa não terá êxito, no entanto, sem a ajuda tecnológica e financeira dos países economicamente desenvolvidos [...].”. Donde eu concluo que: (1) embora na divulgação dessa Secretaria não seja dito que não é somente devido às dimensões do nosso país, mas também pelo fato de nós mesmos não priorizarmos ações para preservação de nossos ambientes, não investirmos na formação e contratação de pesquisadores... etc. ... teremos que depender de ações de outros países (os ricos) para agirmos em favor dos quatro biomas mais ricos do planeta (e que são nossos, como foi dito acima). (2) E como vamos convencer esses países a “colaborarem”: (a) sensibilizando-os (?), (b) negociando (?)... ou (c) talvez até “chantageando”: ou participa com o recurso financeiro ou nós destruímos tudo! Certamente não será pesquisando, obtendo patentes (até o cupuaçu não é patente nossa! é o "cupulate" dos japoneses; e dizem que até a rapadura também não!). (3) Em termos de planejamento e ações, acredito que no Brasil muitas coisas são feitas de uma das seguintes maneiras: em curto prazo (= talvez seja feito na gestão de um governo), médio prazo (= poderá ser feito na próxima gestão; se houver!) e em longo prazo (= será feito na “próxima encarnação”!!!).
E a conservação da Megadiversidade? Enquanto a tecnocracia e a burocracia brasileiras discutem “o quê, onde e como” proteger... vejamos um pouquinho sobre o potencial da biodiversidade amazônica. As fotos acima ilustram as plantas e os animais seguintes:
Mogno (Swietenia macrophylla): altura de 25 a 30 m, com tronco de 50-80 cm de diâmetro. Está incluída no CITES – Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas. Para sua preservação faz-se necessária (entre outros aspectos), obedecer à certificação do “FSC – Forest Stewardship Council” (Conselho de Manejo Florestal).
Andiroba (Carapa guianensis): árvore de uns 30 m de altura. Os frutos produzem sementes (“andi-roba”, em tupi-guarani quer dizer semente amarga). O óleo e a gordura são utilizados pelos amazônidas (ver foto acima e finalidades).
Pau-rosa (Aniba rosaeodora): há manejo atualmente, que evita a destruição desta árvore da qual se extrai uma fragrância famosa por ter sido usada na produção do perfume francês Chanel n. 5 (detalhes no site http://www.inova.unicamp.br/inventabrasil/paurosa.htm).
(Phyllobates terribilis): em duas fotos, em que numa delas um índio, com cuidado para não tocar seus dedos nela, esfrega a ponta do dardo, que se impregna com seu veneno; e com isso, o dardo é usado para caçar por um longo tempo (sem necessidade de nova impregnação). De 1 a 2 microgramas por quilo da batracotoxina da pele viscosa dessa rã são suficientes para matar uma pessoa pesando uns 70 kg, se esta tocar em sua pele e que tenha algum ferimento. É 15 vezes mais potente do que o curare, atuando nos neurônios do sistema nervoso (central e periférico) e nas musculaturas estriadas e cardíaca. Há grande potencial para usos anestésico e analgésico (mais potente do que a morfina) e ainda contra arritmias, e como anti-convulsivo e anti-depressivo.
Onça-pintada (Panthera onca): no maior parque de florestas tropicais do mundo, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (3,8 milhões de hectares ou 38 mil km2) encontra-se onça-pintada. Sua dieta bastante variada e sua demanda por grande espaço natural (cerca de 60 km2) implicam forçosamente na conservação do seu habitat. É um animal ameaçado de extinção.

Muito mais informações podem ser vistas em “CAPOBIANCO e colaboradores (2001) Biodiversidade na Amazônia Brasileira. São Paulo, Estação Liberdade (Instituto Socioambiental), 540p”.

4 de fev de 2009

AMAZÔNIA EM CAPÍTULOS: IV – BREVE INTRODUÇÃO DE ECONOMIA AMBIENTAL A PARTIR DA BIODIVERSIDADE


Como valorar a biodiversidade - A biodiversidade é o resultado de 3 bilhões (ou mais) de anos de evolução, e aplicar uma simples aproximação de mercado a ela, é uma visão extremamente reducionista de seu valor real, ecológico. Por outro lado, a avaliação energética considera contribuições da Natureza não identificadas pelo sistema econômico (RODRIGUES, G.S. (2001) Impacto das Atividades Agrícolas sobre a Biodiversidade: Causas e Conseqüências. In: GARAY, I. & DIAS. B. Conservação da Biodiversidade em Ecossistemas Florestais. Petrópolis, Edit. vozes, pp 128-139). O conhecido ecólogo norte-americano H.T. Odum (1996, Environmental Accountability. Emergy and Environmental Decision Making. New York, John Wiley & Sons, 370p), sugeriu o termo “eMergia” solar, para valorar a biodiversidade. Esta “eMergia” (palavra que esse autor obteve de “energy memory”) equivalendo à energia solar utilizada direta ou indiretamente para ser gerado na Natureza um serviço ou produto (conhecidos hoje no seu conjunto como “serviços ambientais”; ver postagem mais antiga neste blog), utiliza como unidade o “solar emjoule” (ou “sej”, em inglês). H.T. Odum atribuiu um valor monetário macroeconômico (ou valor monetário energético) que denominou de EM$ (“eMergy dollar”), em inglês e estabeleceu os seguintes pressupostos:
a) A energia solar incidente total no planeta é estimada em 9,44 E 24 sej/ano [Obs.: a letra E significa “exponencial”, ou elevado à potência...]
b) O resultado final desse processo (desenvolvido ao longo de 3 bilhões de anos) [ou 3,0 E 9] é estimado em 5 milhões de espécies geradas pela Natureza [ou 5,0 E 6] [este número é apenas uma estimativa das espécies até hoje identificadas]
c) Para a conversão de valor de energia em valor monetário energético usa-se a equivalência: EM$ 1 = 1,5 E 12 sej, donde então 1 sej = 6,7 E−13 EM$.
A energia incidente total que é acumulada na biodiversidade atual é [vamos checando com os valores acima já obtidos]:
9,44 E 24 sej/ano multiplicado pelo total de anos de evolução 3,0 E 9 anos = 2,83 E 34 sej, energia esta acumulada em toda a biodiversidade atual. E o valor energético acumulado em cada espécie é: 2,83 E 34 sej divididos pelas 5,0 E 6 espécies do nosso planeta, resultando então: 5,7 E 27 sej.
Vamos calcular agora o valor monetário energético por espécie:
6,7 E−13 EM$ por cada sej, multiplicados pelo valor de cada espécie em sej: 5,7 E 27 resultarão no valor monetário energético seguinte: 3,8 E 15 EM$ por espécie.
E como há na biodiversidade total 5 milhões de espécies, o valor monetário energético da biodiversidade total será finalmente:
3,8 E 15 EM$/espécie multiplicados pelo total de espécies que é 5,0 E 6 resultando em 1,9 E 22 EM$.
Em sua análise conclusiva, H.T.Odum comparou este valor da biodiversidade atual (EM$ 1,9 E 22) com o valor da infra-estrutura mundial criada pelo homem (pontes, estradas, cidades etc.) que ele estimou em EM$ 6,3 E 14 e com o valor da informação cultural e tecnológica da humanidade que é de EM$ 6,3 E 16, cujos tempos de reposição seriam respectivamente de 100 anos e 4.000 anos, frente aos 3 bilhões de anos de criação da biodiversidade!
E após tantos números e cálculos, vamos dar uma olhada nas fotos acima, que ilustram a diversidade de ambientes (habitats) do bioma da Amazônia, gerando a MEGADIVERSIDADE, cujo potencial será visto (em parte) no próximo capítulo...

2 de fev de 2009

AMAZÔNIA EM CAPÍTULOS: III – É POSSÍVEL PROGREDIR SEM DESTRUIR?









“Ecologistas/ambientalistas”, defensores irredutíveis da preservação ambiental são incompreendidos quando afirmam que é possível progredir sem desmatar. Seus oponentes, os progressistas (no outro extremo) acham utópica essa pretensão dos ambientalistas. E se lançam na destruição. Em ecologia, nós sabemos que há dois processos distintos: conservação e preservação ambiental. Estes dois processos se distinguem pelo fato primordial de que: na conservação, pode-se utilizar determinado recurso natural (ou recursos), mantendo-se as características estruturais e funcionais do meio ambiente; enquanto na preservação, a Natureza é mantida intocada.
No caso da região amazônica mostra-se óbvio para a maioria dos pesquisadores, que há locais da floresta onde se deve manter o ecossistema intocado; e há locais que devem ser explotados em benefício das populações humanas que ali vivem (14,6 milhões na região Norte). Solos de terra-firme com floresta densa (53,63% da Amazônia), assim como muitas áreas de florestas abertas (25,48%) estão entre as áreas com priorização de preservação, pois estão esses ecossistemas sobre latossolos originalmente pobres em nutrientes. Mas há locais com solos férteis, propícios à implantação de projetos de desenvolvimento sustentável.
Na correria do progresso a qualquer custo, atropela-se, destrói-se, desperdiça-se e com isso, há sérios comprometimentos ao tão propalado desenvolvimento sustentável. A ânsia (e ganância) em obter lucros conduz a conquistas ilegítimas e utilizações inapropriadas dos recursos. Vamos inicialmente tomar dois exemplos: exploração madeireira e potencial hidrelétrico. Os dois estão intimamente relacionados, porque a instalação de UHE (Usinas Hidrelétricas) causa antes de tudo, grandes impactos sobre a floresta, comprometendo a preservação da biodiversidade e (se não for bem planejado) impedindo a explotação racional do recurso madeireiro. Vamos relembrar o caso Tucuruí (ilustrado na foto acima), no rio Tocantins, a 250 km de sua foz. É bem possível que desde sua inauguração (em 1984, pelo então presidente João Batista Figueiredo) até os dias de hoje, ainda se retire madeira que permaneceu após inundação da área do reservatório. Estima-se uma perda de 2,5 milhões de metros cúbicos de madeira (multiplique por uma média de U$900 o metro cúbico e verás o prejuízo!). Problemas de cunho social são apontados desde sua construção no município de Tucuruí, hoje com 100 mil habitantes.
Com relação ao potencial madeireiro da Amazônia, volto a citar um dos números especiais da revista Scientific American Brasil (2008), em que os autores do artigo “Biodegradação e Preservação de Madeiras” (Ceci S. da G. Campos e colaboradores) apresentam alguns dados que mostram a situação da explotação desse fabuloso recurso natural. Vejamos alguns: (1) Potencial madeireiro: o INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia já identificou 2.750 espécies de árvores; (2) das 2 mil espécies de árvores com potencial econômico, as madeireiras só se utilizam de 60; (3) são priorizadas as madeiras nobres e o restante é queimado; (4) a perda por deterioração, principalmente biodegradação, supera os 60% (ver foto de madeira a ser transportada boiando nos rios); (5) um grande potencial da própria floresta, preservantes naturais para conservar as madeiras menos nobres, perde-se por falta de pesquisas. Dados mostrados por André Trigueiro, no seu livro “Mundo Sustentável” (2005, Edit. Globo, São Paulo) dão conta de que a indústria moveleira utiliza 20% da madeira de uma árvore, desperdiçando 80%.
É muito comum a inversão de prioridades no que diz respeito às duas alternativas seguintes: (1) substituição da floresta por sistema que se tradicionalizou como rentável, como pastagens para o gado bovino (mas não na Amazônia; ver Capítulo II nesta série) ou (2) manutenção do ecossistema original, procurando-se explorar seu potencial natural. Tal é o caso por exemplo, da castanheira. Esta árvore é capaz de produzir centenas de toneladas de castanha-do-brasil (ou castanha-da-amazônia, ou castanha-do-pará) por ano. O preço médio dessa castanha nos nossos supermercados alcança até R$40,00 por quilo. É uma iguaria altamente procurada entre os consumidores europeus e norte-americanos, principalmente nos chocolates. Descoberta recente de seu alto teor em selênio (estimulante de enzimas que combatem os radicais livres, relacionados ao envelhecimento celular) aumentou sua procura. A preservação da castanheira prevista em lei leva a situações como a mostrada na foto acima. Essa árvore não consegue sobreviver sem a floresta por mais de uma dúzia de anos.
Neste ponto é bom lembrar a experiência do Quênia, na África, com o ecoturismo relacionado ao leão. Esta forma de turismo substituiu a caça ao leão. O ecoturismo rende por um período de sete anos de vida adulta de um leão, U$500 mil dólares; enquanto a caça ao leão rendia por sua pele, não mais do que U$1 mil dólares (segundo Miller,G.T. (1996) “Living in the Environment”). Transferindo tal situação para a Amazônia: não tenho nenhuma dúvida de que “a floresta em pé” renderá mais dividendos (eco-econômico-social) do que ela queimada! O ecoturismo é indubitavelmente um grande potencial pouco e mal explorado na Amazônia.
As reservas extrativistas (aspectos positivos mostrados em Emperaire, L.(2000) “A Floresta em Jogo: o Extrativismo na Amazônia Central”) não têm sido valorizadas como modelo de sustentabilidade.
Reservas de Desenvolvimento Sustentável como Mamirauá (1.124.000 ha = 11.240 km2, situada nas margens do rio Solimões no Alto Amazonas), assim como a de Amanã (2.350.000 ha = 23.500 km2 entre o rio Negro e os rios Japurá e Solimões na região central do estado do Amazonas), são provas vivas de desenvolvimento sustentável. Elas mostram o aspecto positivo do envolvimento das populações humanas locais como participantes ativos do manejo dos recursos naturais (em Mamirauá mais de 300 espécies de peixes, 400 de aves e 45 de mamíferos) e na vigilância da reserva.
Vários outros exemplos poderiam ser citados, como o descrito por André Trigueiro (acima citado): uma floresta pública em regime de operação comercial, no Acre, envolvendo seringueiros, organizados em cooperativas, que retiram madeira (média de 2 árvores/ha) sem comprometer a capacidade da floresta se recompor. Estudos de solos, bacias, seringais nativos, levantamento socioeconômico das populações humanas, precedem a explotação. A Secretaria de Florestas do Acre estimou geração anual de riqueza com tal explotação, da ordem de U$1 bilhão por ano.
Não dispomos aqui neste “ecologiaemfoco” de espaço para um desfile de desencontros referentes a todas as questões levantadas sobre desmatamento. Ampla informação existe no documento “Indicadores de Desenvolvimento Sustentável - Brasil 2008” disponibilizado em PDF no site http://www.ibge.gov.br/ (ver Dimensão Ambiental - Terra, nesse documento). E muitas informações (e notícias recentes do Fórum Social Mundial) estão disponíveis no site http://www.amazonia.org.br/. Em destaque o documento em PDF divulgado nesse site, intitulado “O Rastro da Pecuária na Amazônia: MT o estado da destruição”. Um reforço ao que vimos no Capítulo II, desta série. Esse Estado tem 35% do seu território inserido no bioma Pantanal e o restante no bioma Amazônia. Mas seu governo prefere priorizar o agronegócio e manter-se como líder da devastação da Amazônia. O Pará ocupa o segundo lugar.