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9 de mai de 2012

A CIVILIZAÇÃO ANIMAL E O SER HUMANO EGOCÊNTRICO







O início do título acima tomei emprestado do livro de Maria José Aragão “Civilização Animal: a Etologia numa Perspectiva Evolutiva e Antropológica” (2006, livro publicado pela USEB – União Sul-Americana de Estudos da Biodiversidade, Pelotas, RS) (www.useb.com.br). Um livro onde a autora mostra sabiamente que os seres humanos precisam ainda evoluir e livrar-se da irracionalidade que os humanos pensam ser atributo exclusivo dos “outros” animais. Comunicação e linguagem; emoções e sentimentos; sensibilidade; percepção; sociabilização etc. não são exclusividades de seres humanos.
O ser humano vem se afastando da Natureza em velocidade vertiginosa. O viver em centros urbanos artificializados o fez não somente enxotar dos seus ambientes concretados a vida silvestre, como tratar com total desprezo e arrogância a vida animal. Muitas vezes sem piedade (para quem não se choca facilmente, é só dar uma olhada em inúmeros vídeos sobre mau trato aos animais, em divulgação pela internet). Não há mais espaço para os ditos animais domésticos (cães, gatos), nem tampouco para aves as mais diversas (inúmeros passarinhos, corujas, gaviões etc.) nem répteis (calangos, lagartixas, lagartos em geral). Já faz muito tempo que não consigo ver borboletas no nosso reduzido jardim! Nem nos jardins dos vizinhos!!!
A cadeia alimentar em que o ser humano está inserido justifica a utilização de animais na nossa alimentação. Porém, o processo civilizatório, aliado ao conhecimento científico que hoje temos sobre fontes de alimentos e aliado aos avanços da tecnologia, nos fazem crer que poderíamos diversificar mais nossa alimentação; fazê-la mais vegetariana do que carnívora ou pelo menos, fazermos uso de fonte de proteína animal procedente de animais situados na escala mais “inferior” da evolução: peixes, por exemplo. Para mim, pessoalmente, a carne (dita vermelha) proveniente de animais situados na escala “superior” da evolução (de bovinos, caprinos, ovinos, suínos...) contrasta, e muito, com minha “filosofia de vida”: esses animais têm um olhar parecidíssimo com o olhar humano! E os estudos dos seus genomas vêm mostrando altos percentuais de semelhanças com os seres humanos!!! E a ciência da nutrição vem mostrando que carne vermelha não é tão saudável como a carne (dita) branca (de frango, peixes, mariscos e outros). Neste blog já postei informações comparando a alimentação humana com base em cereais como bem mais vantajosa sobre a alimentação à base de carnes (COMER MAIS (E MELHOR) E MATAR MENOS: O DILEMA “CARNE OU CEREAIS”???, postado em 05/07/2009).
É possível que um curto período de observações da vida fora das cidades, nos fizessem resgatar tal sentimento de convivência e afetividade com os animais e as plantas. O contato com nossos índios talvez nos fizesse mais humanos, no sentido tradicional deste termo. Vejam as fotos neste ensaio (as índias amamentando animais são guajás, do noroeste do Maranhão).
Em resumo: é a prática do ecocentrismo (em oposição ao egocentrismo).
Não me atrevo a discorrer mais sobre este importantíssimo tema. Sugiro a leitura desse livro, acima mencionado. Assim como a visita a vários sites de associações de defesa animal, disponíveis na internet.

8 de mai de 2012

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROPÕE ACORDO DE DESMATAMENTO ZERO PARA TODA A INDÚSTRIA DA CARNE NA AMAZÔNIA

[Reproduzido de www.amazonia.org.br]

Números mostram vantagens para produtores comprometidos com a regularização ambiental. Proposta de Termos de Ajuste de Conduta (TAC) foi entregue a representantes de frigoríficos e exportadores reunidos em Brasília.
O Ministério Público Federal (MPF) propôs em Brasília, a representantes de frigoríficos e exportadores de carne bovina, um acordo unificado para regularização ambiental e social da cadeia produtiva em toda a região amazônica. A proposta de um acordo único para todas as indústrias e compradores que atuam na Amazônia atende a uma reivindicação das indústrias e pode garantir vantagens para todo o setor, com isonomia de mercado.

Até agora, 97 empresas que compram e beneficiam gado no Pará, Acre e Mato Grosso aderiram aos acordos da pecuária sustentável. A proposta do MPF é estender o acordo para Rondônia, Amazonas, Amapá, Tocantins, Maranhão e Roraima com um texto único, uniformizando as obrigações e incentivos dados aos produtores rurais em todos os estados da Amazônia.
O acordo foi debatido dias 3 e 4 de maio, em Brasília, com a presença dos representantes do setor produtivo, Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Ministério da Agricultura, procuradores da República que atuam na Amazônia e subprocuradores-gerais da República Mário Gisi, Denise Vinci Túlio e Antônio Fonseca, coordenadores das Câmaras de Meio Ambiente, Patrimônio Público e Direitos do Consumidor do MPF.

O corregedor-geral da instituição, Eugênio Aragão, também participou do debate. O setor produtivo concordou em avaliar a proposta e apresentar suas considerações em 30 dias.


[Quem sabe se agora a produção de carne bovina na Amazônia não vai ser realmente sustentável? Restam ainda outras questões, dentre elas a baixa produtividade: na Amazônia a produção de carne é de 85 kg por hectare por ano; enquanto em outras regiões do Brasil alcança os 450 kg. E ainda: se a recuperação de áreas degradadas, segundo a Embrapa, tem um custo 4 vezes mais alto do que a aquisição de novas áreas, como os pecuaristas vão resolver isso?]
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Location:R. Saffa S A Cunha,João Pessoa,Brasil

7 de mai de 2012

A GANÂNCIA, REFORÇADA PELA IGNORÂNCIA: FÓRMULA PERFEITA PARA A DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

[Reproduzido do site www.amazonia.org.br]

Já divulguei neste blog o valor econômico da castanheira-do-Pará (ou castanheira-da-Amazônia). Uma só árvore produz, em média, mil quilos de castanha por ano. O preço dessa castanha supera, em muito, o preço da carne bovina, cuja produção na Amazônia não ultrapassa os 85kg por hectare por ano. E os "mentecaptos gananciosos" derrubam a castanheira, protegida por lei, para vender a madeira (lucro pontual) ao invés de preservá-la e colher seus frutos por longos anos, se preservar a floresta onde a castanheira ocorre. Sem a floresta a castanheira não sobrevive!!! Vejam as cenas aqui anexadas.





Empresas que derrubavam castanheiras para comercializar a madeira têm atividades suspensas pelo Ibama
4 de maio de 2012

Três madeireiras que mantinham atividades no município de Novo Repartimento, no Pará, tiveram as atividades suspensas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Os fiscais ambientais que estão no sudeste do estado para combater o desmatamento ilegal na região flagraram as empresas derrubando castanheiras, o que é proibido por lei.

“Eles estavam serrando para produzir madeira serrada para ser vendida como tábuas, ripas e vigas. Essas empresas recebem carga irregular, pagam, processam a castanheira e misturam com o produto feito com madeiras legais. Quando emitem a documentação, emitem com o nome do produto legal”, explicou o chefe da Divisão de Fiscalização do Ibama no Pará, Paulo Maués.

Os fiscais apreenderam 235 metros cúbicos de castanheiras em tora e 35 metros cúbicos da madeira já serrada nos pátios das empresas. Mesmo diante do volume que, segundo o órgão, seria suficiente para encher 15 caminhões, Maués ressaltou que esse tipo de crime foi significativamente reduzido na região. “Menos de 10% das madeireiras ainda se arriscam a usar castanheira nos seus pátios”, ressaltou.

A ação contra as madeireiras faz parte da Operação Soberania, que vem sendo feita há 45 dias na região. Neste período, os fiscais do Ibama e alguns policiais do Batalhão Ambiental de Belém, também embargaram 3 mil hectares de áreas de florestas desmatadas ilegalmente nos municípios de Ulianópolis, Dom Eliseu, Rondon do Pará, Pacajá, Novo Repartimento, Portel e Anapu.

“Aplicamos 49 multas que totalizaram R$ 25 milhões. As multas são lavradas individualmente e em função da área de desmatamento ou volume de madeira”, disse . O valor por hectare derrubado é R$ 5 mil, enquanto a multa por metro cúbico de castanheira é R$ 300.

Nas áreas onde a ilegalidade foi identificada em flagrante, os fiscais apreenderam quatro tratores, seis motosserras, um caminhão, 517 metros cúbicos de madeira e 484 metros cúbicos de carvão vegetal. Nos mesmos locais, foram destruídos 50 fornos ilegais.

2 de mai de 2012

GREENPEACE SOBRE A APROVAÇÃO DO CÓDIGO FLORESTAL PELOS DEPUTADOS

O INÍCIO DO FIM DAS FLORESTAS

Hoje [25 de abril de 2012] a Câmara dos Deputados mostrou o que quer: o fim das florestas no Brasil. Por 274 votos a 184, com duas abstenções, foi aprovada hoje a proposta que desfigura o Código Florestal.

[Reproduzido do site do GREENPEACE]


Esta árvore solitária (ver foto) já foi parte de uma floresta. A foto foi realizada em fevereiro passado, próximo a Santarém (PA). (©Daniel Beltrá/Greenpeace)
Hoje a Câmara dos Deputados mostrou o que quer: o fim das florestas no Brasil. Por 274 votos a 184, com duas abstenções, foi aprovada hoje a proposta que desfigura o Código Florestal, escrita pelo deputado ruralista Paulo Piau (PMDB-MG) sobre o texto aprovado pelo Senado, segue agora para sanção da presidente, Dilma Rousseff. Se ela não se mexer, e vetar o texto, esse futuro será seu legado.

O texto aprovado dá anistia total e irrestrita a quem desmatou demais – mesmo aqueles que deveriam e têm capacidade de recuperar matas ao longo de rios, por exemplo – e ainda dá brecha para que mais desmatamentos ocorram no país. Ele é resultado de um processo que alijou a sociedade, e vai contra o que o próprio governo desejava. Com isso, avanços ambientais conquistados ao longo de décadas foram por água abaixo.

“Acabamos de assistir ao sequestro do Congresso pelos ruralistas. Pateticamente, a "presidenta" que tinha a maior base de apoio parlamentar na história recente deste país, foi derrotada por 274 votos de uma malta de ruralistas que se infiltrou e contaminou o tecido democrático brasileiro como um câncer”, diz Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace. “Desde o início do processo, o Brasil esteve refém dos interesses do setor, que fez de tudo para incorporar suas demandas ao projeto de lei. A população, que se mostrou contrária à anistia aos desmatadores e a brechas que permitem mais devastação, foi o tempo inteiro ignorada”.

Há mais de uma década os ruralistas tentam acabar com o Código Florestal. Finalmente conseguiram uma brecha, alimentada pela indiferença de um governo que não dá a mínima para o ambiente e a saúde da população. O resultado é um texto escrito por e para ruralistas, que transforma a lei ambiental em uma lei de ocupação da terra.

“Enquanto o Congresso demonstra claramente que se divorciou de vez da opinião pública que deveria representar – e que em sua imensa maioria se opõe ao texto do código ruralista – resta à Dilma uma única alternativa. Ela tem de demonstrar aos brasileiros que está à altura do cargo que ocupa – e que ganhou ao prometer aos eleitores que não iria permitir anistia a criminosos ambientais nem novos desmatamentos”, afirma Adario. “Caso contrário, o governo vai dar provas de que é subjugado pelos ruralistas, ao sofrer mais essa derrota.”

Os brasileiros têm uma oportunidade de mostrar que não querem ver a motosserra roncar. A melhor resposta a essa reforma do Código Florestal é assinar o projeto de lei popular pelo desmatamento zero, que o Greenpeace e outras organizações encapam.