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25 de dez de 2016

GRANDES OBRAS NA AMAZÔNIA ESTIMULANDO DESMATAMENTO


Reproduzido de

Aumento da devastação em zonas e municípios tradicionais de expansão do desflorestamento expõe falha do governo na proteção à floresta



Um mapa elaborado pelo ISA com os dados oficiais mais recentes mostra que as grandes obras e municípios campeões do desmatamento seguem como centros irradiadores da devastação da floresta amazônica (veja abaixo). O mapa considera apenas o chamado “arco do desmatamento”, zona tradicional de expansão da fronteira agrícola.

O desflorestamento continua muito alto nas áreas de influência da rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém), das usinas de Belo Monte (PA) e do Rio Madeira (RO). Ele também voltou a crescer em Altamira e São Félix do Xingu (PA), em Lábrea (AM) e Porto Velho (RO) – nesta ordem, municípios com as maiores áreas desmatadas, entre 2015 e 2016, e que também estão na lista do Ministério do Meio Ambiente (MMA) daqueles prioritários para o combate ao desmatamento. Foram devastados mais de 120 mil hectares de florestas no período só nesses quatro municípios – uma área quase do tamanho da cidade de São Paulo.

A permanência dessas regiões como zonas de expansão da destruição da floresta é um indicador do insucesso das ações de combate aos crimes ambientais, exatamente quando o desflorestamento volta a disparar.

No final de novembro, foi divulgada a taxa oficial preliminar do desmatamento na Amazônia: entre agosto de 2015 e julho de 2016, foram derrubados quase 8 mil quilômetros quadrados de florestas, um aumento de cerca de 30% em relação aos 6,2 mil quilômetros quadrados registrados entre 2014 e 2015. Trata-se do maior número observado desde 2009 (saiba mais). Com base nesses dados, o ISA produziu o mapa com as regiões mais devastadas.

Ambientalistas e pesquisadores vêm denunciando que a fragilização do Código Florestal, da fiscalização ambiental e de Unidades de Conservação (UCs) estimulou o desmatamento. O período 2015-2016 é o terceiro de alta dos índices do desmatamento desde a mudança da legislação, em 2012. Ontem (20/12), o governo alterou os limites de Ucs na região da BR-163, cedendo às pressões de políticos, produtores rurais e grileiros.

“O sinal que deu o novo Código Florestal foi interpretado de maneira extremamente rápida em campo”, diz Juan Doblas, assessor do ISA responsável pelo mapa. Ele afirma que várias regiões sofrem uma “epidemia de desmatamento”: a impunidade dos desmatadores ilegais termina por estimular mais desmatamento. “As medidas de combate ao desmatamento e restrição das atividades econômicas nos municípios da lista do MMA não estão funcionando. Elas precisam ser reforçadas”, defende.

Doblas chama a atenção principalmente para São Félix do Xingu e cobra operações mais efetivas de repressão aos desmatadores da parte dos governos federal e estadual na região, em especial com apoio de ações de inteligência.

O pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente (Imazon) Paulo Barreto acredita que o aumento do preço do gado também “fortalece a ameaça [à floresta], porque as pessoas ficam mais interessadas em desmatar”, aponta. “Essa ameaça pode aumentar e não ter efeitos se a floresta não está vulnerável, se o governo está vigilante, se não muda as regras. Mas quando a ameaça aumenta e o governo enfraquece a proteção, essa combinação leva a essa situação de aumento”, conclui.

Campeões do desmatamento

Pará, Mato Grosso e Rondônia continuam, nessa ordem, como os campeões da destruição da floresta: entre 2015 e 2016, eles registraram, respectivamente, 3 mil quilômetros quadrados (38% do total), 1,5 mil quilômetros quadrados (19%) e 1,3 mil quilômetros quadrados (18%) de desmatamento. O Amazonas, no entanto, apresentou a maior alta proporcional: entre 2014-2015 e 2015-2016, o desmatamento saltou de 712 quilômetros quadrados para 1099 quilômetros quadrados, um acréscimo de 54%.

André Tomasi, assessor do Instituto de Educação do Brasil (IEB), destaca que o sul do Amazonas tornou-se uma das frentes de desmatamento mais dinâmicas em função do esgotamento de parte dos remanescentes florestais em Rondônia, Acre e norte do Mato Grosso.

“É uma área tradicionalmente de baixa governança do Estado, que possui pouca capilaridade e atuação no campo”, ressalta. Ele lembra que muitos pecuaristas da região estão escoando gado por Rondônia, deixando de recolher impostos no Amazonas e evadindo divisas.

Por: Oswaldo Braga de Souza
Fonte: ISA


20 de dez de 2016

CALOR CAUSADO PELO EL NIÑO AUMENTOU CASOS DE ZIKA NO BRASIL EM 2015


http://www.observatoriodoclima.eco.br/calor-permitiu-invasao-da-zika-diz-estudo/


Pesquisadores britânicos acabam de mostrar com números algo que até agora era apenas uma suspeita: o El Niño recorde de 2015, conjugado à tendência de aquecimento global, foi chave para a epidemia do vírus zika no Brasil, ligada ao aumento do número de casos de microcefalia.

Em estudo publicado nesta segunda-feira no site do periódico PNAS, os cientistas liderados por Cyril Carminade, da Universidade de Liverpool, sugerem que nunca nos últimos 66 anos as condições climáticas favoreceram tanto o mosquito Aedes aegypti quanto em 2015.

A combinação do calor e da umidade com a falta de imunidade da população brasileira – acredita-se que o zika tenha entrado no país pela primeira vez apenas em 2013 – teriam causado a catástrofe vista no ano passado e neste ano: até o começo de dezembro, segundo o Ministério da Saúde, havia 2.228 casos de microcefalia confirmados no país. Do 1,3 bilhão de pessoas expostas hoje ao vírus da zika em 75 países e territórios do mundo, 15% estão no Brasil.

O El Niño “Godzilla” que causou extremos de calor, seca e chuva em várias partes do planeta entre 2015 e 2016 já havia sido aventado como cúmplice da epidemia. A própria diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, levantou a suspeita em janeiro deste ano.

Carminade e colegas decidiram verificar a hipótese, com a ajuda de um modelo matemático desenvolvido por eles originalmente para explicar como o clima havia facilitado a disseminação da doença da língua azul (que afeta o gado) na Europa em 2006.

O modelo busca estimar o chamado potencial de reprodução da doença, conhecido pela sigla R0. Grosso modo, esse parâmetro corresponde ao número de casos secundários surgidos a partir de um único paciente. Valores de R0 maiores do que 1 significam potencial de epidemias.

O R0 da zika foi estimado a partir de características de seus dois principais vetores: os mosquitos Aedes aegypti (que causa a maior parte dos casos de zika, dengue e chikungunya no Brasil) e Aedes albotopicus (que causa a doença em regiões mais frias). Os cientistas sabem que calor e umidade ajudam o mosquito a se proliferar: a fêmea do Aedes, a “mosquita” imortalizada pela ex-presidente Dilma Rousseff, fica mais ativa e pica mais em climas mais quentes. Isso foi fatorado no modelo, que estimou o risco de zika no mundo todo usando uma base de dados climáticos que vai de 1950 a 2015.

Para o A. aegypti, o modelo sugere que no Rio de Janeiro a média seja de 5 novos casos por infecção, algo que bate com as observações. Na Colômbia, esse potencial chega a 6,9.

No entanto, há períodos no registro histórico em que o risco de infecção aumenta significativamente. O maior deles ocorreu em 2015, ano do El Niño – e da explosão de casos de zika na América do Sul. Em 1998, outro ano de El Niño, também houve pico de risco transmissão (mas, naquela época, o vírus ainda não havia aportado no continente).

“Se eu assumir que o sinal de mudança climática é uma tendência linear nesse período e que o efeito do El Niño é relacionado apenas à variabilidade interanual, a anomalia em 2015 é relacionada 33% ao El Niño e 67% à tendência de mudança climática”, disse Carminade ao OC. Ele ressalta, no entanto, que “não publicaria esses números”: são apenas uma ilustração do efeito combinado das duas coisas e é muito difícil atribuir pesos a uma e outra. “Ambos tiveram um papel: o El Niño ocorrendo num Oceano Pacífico mais quente”, completa.

Para reforçar o argumento, o cientista britânico lembra, ainda, que a dengue em 2015 bateu recorde no Brasil, com 1,6 milhão de casos, segundo a Organização Panamericana da Saúde.

O estudo não olhou para o efeito da urbanização precária no Brasil e da falta de saneamento básico como condições que permitem o desenvolvimento do Aedes. Esse tem sido outro fator a dificultar a atribuição direta das doenças transmitidas pelo mosquito à mudança do clima nas últimas décadas. Afinal, num país que aquece ao mesmo tempo em que vê manchas urbanas se expandindo e cidades crescendo no interior, não dá para saber quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha. O pesquisador da Fiocruz Cristóvam Barcellos já mostrou que a área suscetível à dengue triplicou no país neste século, com clima, urbanização e aumento da população agindo em sinergia para criar uma situação perfeita – para o mosquito, bem-entendido.

No entanto, 2015 viu um risco aumentado de zika em todo o mundo tropical, não só no Brasil. Isso dá mais segurança aos pesquisadores para atribuir a diferença nas taxas de infecção à oscilação climática.

“O El Niño hoje em dia ocorre em um pano de fundo mais quente – o Oceano Pacífico tropical está aquecendo. E alguns de meus colegas climatologistas já propuseram a possibilidade de El Niños monstros em um pano de fundo mais quente”, disse Carminade. “Portanto, se não mitigarmos nossas emissões, poderíamos esperar que El Niños no futuro possam ter impactos mais sérios na saúde das sociedades.”

14 de dez de 2016

POPULAÇÃO HUMANA SUBINDO...ESPÉCIES ANIMAIS SUMINDO!!!

Uma simples observação do gráfico abaixo, já seria suficiente para compreendermos o porquê do título desta postagem
Reportagem em:



Saiu mais um dado oficial da União Mundial de Conservação (UICN), informando as alterações de espécies na Lista Vermelha de Animais Ameaçados de Extinção 2016. Os dados são, como sempre, estarrecedores:  mais 700 espécies de aves (das quais 13 estão consideradas extintas) foram adicionadas à lista, enquanto outras anteriormente incluídas, como o papagaio cinza (Psittacus erithacus), passaram de categoria VU - Vulnerável, para a categoria EN – Em Perigo de Extinção.  O mesmo acontece com o tubarão-baleia (Rhincodon typus).  Das 6 espécies de gorilas, 4 estão na categoria CR – Criticamente Ameaçada, que esse ano passou a incluir o Gorila do Leste (Gorilla beringei). A lista marca a extinção de Petaurus australis, uma espécie de roedor endêmico da Austrália, a primeira extinção de um mamífero atribuída a mudanças climáticas.  Dentre outros aspectos a serem ressaltados, chama a atenção alteração de status de algumas espécies como o ornitorrinco  (Ornithorhynchus anatinus), a zebra (Equus quagga) e o cervo de  Borneu (Muntiacus atherodes) , os quais eram classificadas como LC - Pouco Preocupante, e que agora passaram à categoria NT – Quase Ameaçadas.

No infame  jogo da extinção, algumas espécies pularam várias casas:  o carismático Koala (Phascolarctos cinereus), o marsupial australiano Petauroides volans, e a girafa (Giraffa camelopardalis), foram da pouco preocupante categoria LC diretamente para a incômoda VU.  Desses, a icônica girafa vem ganhando grande destaque na mídia, uma vez que sua população declinou surpreendentes 40% nos últimos 30 anos.   Das 9 subespécies de girafa, apenas 3 da parte sul da África estão estáveis. As demais 5, espalhadas pelo continente, encontram-se a caminho da extinção.  Durante o Congresso Mundial de Conservação, realizado pela IUCN no Havaí esse ano, representantes de governos e ONGs passaram uma resolução pedindo a criação de áreas protegidas para conservação da girafa e do okapi, um animal raro, um “mix” de zebra, girafa e búfalo, que se encontra na categoria CR - Criticamente Ameaçado.

"A caça ilegal, perda de habitat, avanço da agricultura e problemas sociais estão levando a girafa à extinção”. Troque a palavra “girafa” por qualquer outro animal de sua escolha e a frase seguirá sendo verdadeira."

A lista vermelha do Brasil, onde constam 1.173 espécies, foi apresentada pelo ICMBio na 13a Cúpula das Nações Unidas pela Biodiversidade (COP 13), e foi matéria de ((O))Eco da semana passada.

Conservacionistas de todo o mundo estão acostumados a ver a Lista Vermelha de Animais Ameaçados aumentando a cada nova edição, salvo alguns raros casos de sucesso, como o do carismático Panda (Ailuropoda melanoleuca), que esse ano passou de EN para VU graças a um esforço (ainda não comprovado) do governo chinês.

Mas o que realmente causa surpresa é que – pelo menos no caso das girafas – a IUCN leva a mão à palmatória e admite abertamente que a causa da queda brutal da espécie é o crescimento descontrolado da população humana.  Esse assunto vinha sendo uma espécie de tabu entre os tomadores de decisão, um elefante no meio da sala que todos fingiam ignorar.  Segundo o relatório desse ano a IUCN afirma que “a crescente população humana está causando um impacto negativo nas populações de girafa.  A caça ilegal, perda de habitat, avanço da agricultura e problemas sociais estão levando a girafa à extinção”.  Troque a palavra “girafa” por qualquer outro animal de sua escolha e a frase seguirá sendo verdadeira.

Desde 1992, com o surgimento do movimento socioambiental, quase nenhum congresso e evento da IUCN ou de outras organizações ousaram sequer falar sobre o assunto da superpopulação humana e a necessidade de seu controle.  Ao contrário, grande ênfase é dada aos direitos e necessidades de nossa espécie sobre as demais 8,699 milhões de espécies estimadas no planeta. Áreas de proteção integral de onde não se extrai recursos caíram em desuso face a criação de áreas extrativistas, em busca de uma utópica sustentabilidade ambiental, econômica e social que pudesse preservar a biodiversidade, mas com os serem humanos dominando tudo.  Não apenas ineficiente, essa mentalidade é um tanto quando demagógica, e por que não dizer, ingênua, pois o impacto negativo que agora chega às girafas, eventualmente chegará a nós.

Admitir que somos nós os grandes vilões da Terra, agindo como células cancerígenas que adoecem o planeta, em nome de nosso egocêntrico bem-estar, não é algo fácil de se admitir em um universo que valoriza apenas nossos direitos. Mas reconhecer um problema é o primeiro passo na direção de solucioná-lo. E a IUCN finalmente fez essa admissão.

 


12 de dez de 2016

"FRUTOS" DO NOVO CÓDIGO FLORESTAL: AUMENTO DO DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA

A volta do crescimento do desmatamento na Amazônia –29% em 2016, com perda de 7.989 km², mais de cinco vezes a área da cidade de São Paulo–, está profundamente relacionada às mudanças no Código Florestal em 2012, dizem ambientalistas.

"Os números falam por si. A taxa oficial de desmatamento do governo mostra uma alta de 75% desde que as mudanças do Código Florestal foram aprovadas", diz Antônio Fonseca, um dos responsáveis pelo boletim de desmatamento do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia).

A principal queixa dos especialistas em relação ao Código Florestal foi a anistia para quem desmatou até 2008.

"Essa decisão passa a mensagem de que desmatar compensa. Porque, assim como houve essa anistia, provavelmente virão outras", diz Carlos Rittl, secretário-executivo do OC (Observatório do Clima), que reúne 40 organizações ligadas a preservação ambiental.

Segundo dados do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), em 2012 o desmatamento na Amazônia atingiu seu mínimo histórico, com 4.571 km² de área destruída. A aprovação do Código Florestal, no fim daquele ano, coincide com a inversão da trajetória de queda. Em 2013, já houve alta de 20%.

O impacto fica evidente quando se compara a área total destruída, que teve alta de 74,8% desde a aprovação das novas regras.

Os especialistas em conservação afirmam que também há outros fatores envolvidos no crescimento da derrubada. Um deles é o chamado desmatamento especulativo, no qual grandes áreas de floresta são destruídas –em geral substituídas por pastos– com a única função de sinalizar uma ocupação, visando algum benefício futuro com aquele terreno.

Antônio Fonseca, do Imazon, destaca também a pressão sobre as unidades de conservação e a demarcação de terras indígenas. "A criação de novas unidades de conservação estagnou. E chama a atenção ver como o desmatamento avançou até nessas áreas", afirma.

Carlos Rittl, do OC, diz que "há uma pressão na questão do licenciamento ambiental, para criar um licenciamento autorregularório ou isentar de licenciamento uma série das chamadas obras de interesse nacional. "

Além da perda das questões ambientais, o desmatamento na Amazônia pode comprometer também os compromissos de redução de emissão de gases estufa do Brasil. A perda de cobertura florestal é a principal fonte das emissões do país.

O Brasil está comprometido por lei a reduzir a derrubada da floresta amazônica em 80% em relação à média do período entre 1996 e 2005. Os números de desmatamento hoje (7.989 km²) são praticamente o dobro daqueles que o Brasil precisa ter daqui a quatro anos.

ESPERANÇA

Os ambientalistas veem medidas recentes como um sopro de esperança. Uma delas é a implementação e divulgação pública dos dados do CAR (Cadastro Ambiental Rural), cuja implementação sofreu uma série de atrasos.

O CAR é uma espécie de mapa das propriedades rurais do Brasil, com informações dos terrenos –áreas de nascente, florestas e pontos desmatados. A plataforma permitirá que o governo compare o estado das ocupações e eventuais irregularidades. Estima-se que 99% dos imóveis rurais passíveis de cadastramento já estejam na base de dados.

Na última semana de novembro, o Ministério do Meio Ambiente tornou público o acesso aos dados do CAR, o que permitirá também uma fiscalização da sociedade civil sobre essas áreas.

"É uma iniciativa positiva, mas a ferramenta por si só não faz nada", diz Rittl.

A injeção de R$ 56 milhões no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, com recursos do Fundo Amazônia, deve ajudar a fiscalização.

OUTRO LADO

O MMA (Ministério do Meio Ambiente) diz que a alta do desmatamento teve outras razões, como a instabilidade política e a crise econômica. A situação teria "gerado para alguns a sensação de ausência do Estado e de impunidade", afirma a pasta, em nota.

Para o órgão, o Código Florestal, "traz oportunidades de recuperar passivos ambientais e mecanismos de incentivos para a restauração de áreas de preservação permanente e o uso econômico sustentável da reserva legal".

O MMA diz ainda que está confiante que já em 2017 possamos ver uma queda forte na taxa de desmatamento.

8 de dez de 2016

NA AMAZÔNIA ESTÁ O MAIOR REBANHO BOVINO DO BRASIL. E O PREÇO É ALTO: A DESTRUIÇÃO DA FLORESTA

Comedores de carne bovina, são parceiros desse processo destrutivo.
Leiam a reportagem completa, em:

http://amazonia.org.br/2016/12/boi-clandestino-nao-morre-de-velho/

Apesar de vender uma imagem de confiança na origem, a cadeia da carne no Brasil ainda é incapaz de garantir um bife sem débitos ambientais na mesa do brasileiro. A reportagem de ((o))eco foi até o município de São Félix do Xingu, Sul do Pará, detentor do maior rebanho bovino do Brasil, para conhecer os primeiros elos da cadeia, que continuam fora do controle.

Na região, a taxa de desmatamento é alta, as leis valem pouco e a bagunça fundiária impera. Hoje, os pecuaristas que fazem a venda final aos grandes frigoríficos precisam provar que não desmataram, ou então ficam fora deste mercado. Mas o gado que eles engordaram para abate costuma vir de outras fazendas, em geral menores e sempre livres de monitoramento, que contornam restrições com o bom e velho jeitinho brasileiro. Atravessadores, troca-troca de documentação e a incompetência dos órgãos estaduais e federais permitem que gado de desmatamento chegue legalizado ao matadouro.

[...]



[...]

São Félix do Xingu já foi uma vila à beira do rio onde índios, pescadores e ribeirinhos conviviam. Até finais de 1970, sustentava-se da pequena agricultura. A pecuária praticamente inexistia. A chegada da mineração e da extração de mogno, ainda naquela década, deu o pontapé no tradicional ciclo econômico de desenvolvimento de cidades na Amazônia, que inclui a abertura desenfreada da floresta e a especulação de terras – atividade que costuma vir acompanhada de boi.

O município tem 84 mil km2, duas vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro. Em 1974, segundo o IBGE, São Félix tinha cerca de 3 mil habitantes e 200 cabeças de gado. Hoje, são 120 mil pessoas e 2,2 milhões de bois — o maior rebanho do Brasil. A população cresceu 40 vezes, enquanto o rebanho aumentou 11 mil vezes, chegando a curiosa marca de 18 cabeças de gado por habitante.


[...]

“Desde 2008, em São Félix, foram derrubados ilegalmente 250 mil hectares de floresta”, diz Mauro Lúcio. “Como nas áreas recém abertas, com pasto novo, é possível colocar até duas cabeças de gado por hectare, é provável que abriguem ¼ do rebanho do município”. Por esse cálculo, mais de 500 mil cabeças de gado da região são ilegais, bois de desmatamento.

[Relato completo, acessar o link no topo]


29 de nov de 2016

MAIS UM ANO TRÁGICO PARA A AMAZÔNIA

Incêndios criminosos devastam a Amazônia em 2016

Reproduzido de 



Relatório do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontou que a região Norte lidera o número de Estados que vêm tendo suas matas devastadas pelas queimadas. A maioria dos incêndios tem origem criminosa e não são ocasionados por quedas de raios já que estamos em período de estiagem.

Da lista dos dez Estados com maior número de queimadas durante o ano, cinco estão no Norte, dois no Nordeste, dois no Centro-Oeste e um no Sudeste.

1º Mato Grosso (28.420)
2º Pará (18.669)
3º Maranhão (17.016)
4º Tocantins (14.269)
5º Amazonas (11.364)
6º Rondônia (11.239)
7º Piauí (7.169)
8º Acre (6.942)
9º Mato Grosso do Sul (6.678)
10º Minas Gerais (6.515)

Os dados são do Programa de Queimadas, que monitora a ocorrência desses eventos por satélite.

Com isso, vemos que os Estados do Norte são maioria, além da fronteira agrícola ao redor da Amazônia, com Estados como o Mato Grosso, Maranhão e Piauí. No mês de outubro, o Estado do Maranhão lidera a lista com 5.351 focos de incêndio. Em seguida vem o Pará, o Mato Grosso, o Piauí e o Amazonas.

“Não existe combustão espontânea, e bitucas de cigarro raríssimas vezes iniciam o fogo.  Da mesma forma, cacos de vidro de garrafas e fundo de latinhas de refrigerantes/cerveja não causam ignição de mato.  Quem usa estes argumentos para justificar as ocorrências de queimadas/incêndios não sabe o que está dizendo, ou tem intenções escusas”

Coordenador do Programa Queimadas do Inpe, Alberto Setzer

O fogo é usado para desmatar e ou remover da vegetação natural do lugar para dar espaço para atividades agropecuárias. Além disso, o uso do fogo na vegetação de origem antrópica segue o padrão climático e ocorre principalmente entre nos períodos de estiagem..

Prejuízos As queimadas causam prejuízos inestimáveis. Este ano, linhas de transmissão de energia elétrica localizadas nos municípios de Miracema do Tocantins e Colina do Tocantins, no Tocantins, foram atingidas por queimadas e o sistema de fornecimento elétrico foi interrompido em 12 Estados do Norte e do Nordeste – Amazonas, Amapá, Pará, Tocantins, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

No final do mês de outubro, Teresina e cidades da região metropolitana enfrentaram problemas causados por queimadas. O fogo descontrolado chegou a atingir casas na zona rural e ameaçou um condomínio de luxo localizado às margens da BR-343. Até a água de um lago e da piscina foram usadas para reforçar o combate ao fogo no mato para que não atingisse os imóveis.

Menos queimadas em setembro Os meses de agosto, setembro e outubro costumam ser os mais críticos com ocorrência de queimas porque a incidência das queimadas está relacionada ao tempo de colheita de atividades agropecuárias, clima e tipo de vegetação nativas das regiões mais afetadas.

Entretanto, o pico de setembro neste ano foi inferior ao que se imaginava e abaixo da média histórica do mês – foram 44.060 focos contra a média de 55.378. O incomum para 2016 foi os primeiros meses: o Brasil bateu recordes históricos de queimadas em janeiro, fevereiro, março e abril – o máximo para estes meses havia ocorrido em 2003.

O mês de setembro é geralmente quando se registra o maior número de queimadas no país, mas neste setembro um canal de umidade se formou sobre o eixo sul do Pará, Tocantins, sul do Maranhão, sul do Piauí e Bahia que ocasionou um aumento de nebulosidade e chuvas. Com isso, favoreceu uma diminuição nas queimadas justamente no mês que costuma ser o mais problemático” Meteorologista do Inpe, Marcelo Romão

O inverno rigoroso registrado este ano no Brasil, o fim do El Niño, com fortes frentes frias e temperaturas abaixo da média, são inibidores de queimadas.

O coordenador do Programa Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, explica que as reduções observadas pelo instituto, apesar de estarem corretas, “podem omitir eventos relevantes com graves impactos materiais e na população, como foram os ocorridos neste ano no Piauí e Maranhão, no mês de outubro, e no Amazonas, no início do ano.”

“Existe legislação federal, estadual (e municipal em muitos casos) proibindo o uso do fogo na vegetação, exceto em casos autorizados – a grande minoria. Por outro lado, o Programa Queimadas do INPE fornece as ferramentas necessárias para que a legislação seja implementada, o que raramente ocorre”, diz Setzer, que salienta: “grande parte dessas queimas não é autorizada”.

Fonte: UOL


28 de nov de 2016

DEPUTADO FEDERAL QUER CONVENCER DEMAIS CONGRESSISTAS DE QUE A BARBÁRIE DA VAQUEJADA É "MANIFESTAÇÃO CULTURAL"

O link abaixo refere-se a um curto vídeo sobre manifestação (em João Pessoa, PB, como parte de movimento nacional) contra a possibilidade de que os defensores da barbárie das vaquejadas consigam reverter a decisão do Superior Tribunal Federal, STF, que considerou  a vaquejada como inconstitucional, por causar maus-tratos aos animais.



Os defensores da vaquejada querem reverter essa decisão sob a alegação de que vaquejada é uma manifestação cultural nordestina!
Desde quando maltratar animais é cultura???  Poucas pessoas percebem que "às custas da boa fé dos vaqueiros, as vaquejadas enriquecem mais ainda seus empreendedores; fazendeiros e patrocinadores"!!! Alegar que serão adotadas medidas que reduzirão o sofrimento dos animais, é uma falácia, como afirmam inúmeros veterinários competentes e conscientes. Os vaqueiros de vaquejadas (diferentemente dos nossos bravios vaqueiros que lidam diariamente com o gado nas caatingas do Nordeste) treinam nas fazendas em terreno não apropriado, derrubando vários bois até conseguir a melhor performance, mutilando bois e castigando os cavalos com esporas!
Tudo isso sem querer imaginar que os defensores das rinhas de galo, de cães, de canários...hoje proibidas por lei, certamente virão reivindicar seus retornos, porque eles também acham que são manifestações culturais! E, quem sabe, alegarão que tomarão medidas que evitarão maus-tratos aos galos (luva de boxe?), aos cães (prótese dentária de borracha?)...

"Considerar vaquejada, farra do boi ou rinha de galo meras manifestações culturais que mereçam ser preservadas é um paradigma de pensamento próprio daquele que despreza seus semelhantes em situação vulnerável" (G.J.P. de Figuiredo) ver postagem mais antiga neste blog: http://ecologiaemfoco.blogspot.com.br/2016/06/vaquejada-cada-pais-tem-barbarie-que.html

Para nossa reflexão, eis algumas mensagens de Albert Schweitzer, que merecem nosso respeito e atenção:

"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes"
"Vivemos em uma época perigosa. O homem domina a Natureza antes que tenha aprendido a dominar a si mesmo".

27 de nov de 2016

CULTIVO DA CANA-DE-AÇÚCAR REDUZ BIODIVERSIDADE

26/11/2016 

Pesquisa da USP diz que plantação de cana causa danos à biodiversidade

Monocultura canavieira reduz o número de espécies, aponta estudo.
Biólogo de Piracicaba diz que expansão canavieira é risco para natureza.

Reproduzido de


Uma pesquisa da USP Piracicaba (SP) mostra que a monocultura canavieira causa impacto danoso à biodiversidade de aves. De acordo com o estudo do biólogo Eduardo Roberto Alexandrino, onde há o predomínio de grandes plantações de cana de açúcar há uma ocorrência menor de espécies de aves em comparação a locais onde há pequenas propriedas agrícolas.

Durante um ano, Alexandrino colheu informações mensalmente sobrea aves ocorrentes em oito áreas localizadas no interior de pastagens e canaviais, e também em oito áreas florestais inseridas em cinco paisagens agrícolas (cada paisagem com 16 km², ocupado predominantemente por pasto ou cana-de-açúcar e com algumas áreas florestais) da Bacia do Rio Corumbataí, no estado de São Paulo.

Foram registradas 132 espécies no meio das pastagens enquanto que apenas 72 nos canaviais, sendo que tanto a riqueza geral quanto a abundância relativa de alguns grupos de aves foram explicadas pela variação na heterogeneidade da paisagem, avalia o pesquisador.
Muitas pastagens existentes na parte norte desta bacia hidrográfica estão localizadas dentro de pequenas propriedades familiares, e lá existem diferentes elementos estruturais, como árvores isoladas, construções rurais, pequenos jardins. Tudo isso ajuda a criar uma paisagem agrícola mais heterogênea e diversa, favorecendo a presença de uma grande quantidade de aves. Essa situação não é facilmente encontrada na paisagem agrícola dominada por grandes canaviais”, comenta Alexandrino.

Risco ambiental
Com este resultado, o biólogo alerta que se uma expansão canavieira ocorrer, substituindo demais culturas, o impacto à biodiversidade de aves poderá ser elevado, por conta do atual manejo e ordenação territorial do setor canavieiro. “Este é um risco potencial já que existem clamores em esfera mundial pelo o uso de biocombustíveis”,diz.

A pesquisa também constatou que dois métodos obtidos por meio dos dados de aves, como a riqueza de espécies e índice de diversidade, não funcionavam como parâmetros para avaliações de impacto ambiental em áreas florestais.

“Todos estes resultados são chocantes, já que as atuais legislações ambientais, paulista e nacional, solicitam que estes métodos analíticos sejam empregados em estudos de impactos ambientais de empreendimentos que visam obter as licenças ambientais necessárias para seu funcionamento. Ou seja, é bem provável que vários empreendimentos já instalados, tenham avaliado erradamente os fragmentos florestais que tiveram que sofrer intervenções ou corte por conta da chegada do empreendimento”, alerta o pesquisador.

CONTROLE POPULACIONAL HUMANO: NOSSO PLANETA EXIGE!!!

População mundial alcançará 11,2 bilhões em 2100, diz relatório da ONU

A atual população mundial é de 7,3 bilhões de pessoas e vai alcançar a marca de 8,5 bilhões até 2030; e de 9,7 bilhões em 2050. E nesse ritmo, o planeta deve chegar a 2100 com 11,2 bilhões de seres humanos.

Vejamos uma sequência de diapositivos (ou slides) que ilustram essa situação preocupante e que, certamente, nos será útil a uma reflexão.
Destaco inicialmente, a seguinte observação

Esta mensagem seguinte não sugere que devamos nos reproduzir como coelhos e ratos!
É sim, uma importante mensagem para o nosso CRESCIMENTO INTERIOR, racional, humanitário!!!

Seguem-se algumas cenas mundiais das consequências da omissão sobre "controle populacional"














Seguem-se sábias observações sobre este "tripé do desenvolvimento sustentável"






O que é a fome???






A omissão ou incompetência da governança lança milhares de pessoas para fora da cadeia produtiva!
Sobrevivem à espera de esmolas! Até de ÁGUA!!!



Concluindo. Não serão somente os seres humanos que sofrerão pressões desse acentuado crescimento populacional humano.

Não é coincidência que a um crescimento acentuado da população humana corresponda um aumento das espécies em extinção























25 de nov de 2016

...CONTINUANDO..."MENOS CARNE, MAIS CEREAIS"

Reproduzido de:


Os impactos causados pela agropecuária são responsáveis por 69% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil. Estão incluídos na conta poluentes decorrentes do processo digestivo e dejetos de rebanhos, o uso de fertilizantes e o desmatamento (43% das emissões nacionais).

De acordo com a coordenadora do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), Marian Piatto, que integra a rede do Observatório do Clima, somente o gado de corte é responsável por 65% das emissões de gases de efeito estufa na agropecuária - o Brasil tem um dos maiores rebanhos do mundo, cerca de 200 milhões de animais, o que agrava o problema. "É quase um por pessoa", compara ela.

Além dos problemas com o gado, entram na conta o transporte da carga, que, na maioria das vezes, usa diesel, o mais poluente dos combustíveis e o desmatamento para criação de pasto. Na Amazônia, onde avança o uso de terras para a atividade, é comum a ocupação de áreas derrubadas com o gado, denunciou Eron Martins, do Instituto Imazon.

Soluções visam reduzir emissões

Segundo os especialistas, às vésperas de o acordo de Paris entrar em vigor, em 2017, com metas para limitar o aumento da temperatura no planeta, há espaço na agropecuária para redução das emissões, como melhor manejo de pastagens e menor uso de fertilizantes. O governo, por sua vez, deve atrelar a concessão de subsídios, como o Plano Safra, às contrapartidas ambientais.

Os ambientalistas, porém, são unânimes em recomendar menor consumo de carne.

"Cada bife que a gente come é responsável por impacto ambiental. Não comemos camarão e lagosta todo o dia, por que temos a necessidade de comer uma quantidade diária de carne bovina?", questionou Marina. Uma meta internacional para tornar a carne brasileira mais sustentável foi descartada porque o destino de 80% do gado do país é a mesa do brasileiro, disse.

CNA questiona números

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) questionou os dados e disse que a conta do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa é uma "visão parcial" da produção.

"Precisamos promover políticas de recuperação de pastagens em degradação para aumentar produtividade e emitir menos gases, produzindo comida e o nosso churrasco de fim de semana," argumentou Nelson Ananias Filho, da CNA, acrescentando que uma pastagem bem manejada sequestra até 90% de toda emissão da pecuária.


22 de nov de 2016

POR QUÊ "MAIS CEREAIS E MENOS CARNE" NA ALIMENTAÇÃO HUMANA.? E QUESTÕES DE CUNHOS ECOLÓGICO E ÉTICO NA UTILIZAÇÃO DE ANIMAIS COMO ALIMENTO E NA "CULTURA DO DIVERTIMENTO"!!!


MAIS CEREAIS E MENOS MORTES. A Natureza, no processo evolutivo, estruturou sua permanência viva, num sistema conhecido cientificamente como cadeia alimentar, em ambos os grandes ecossistemas terrestre e aquático. Em resumo: os vegetais produzem e os animais consomem. O homem é um consumidors no topo dessa cadeia. Os herbívoros, comedores de vegetais, são devorados pelos carnívoros. Se estes não existissem, em princípio, os herbívoros dizimariam os vegetais da face do planeta! Esse é o chamado "equilíbrio dinâmico" da Natureza.
Depois que o homem começou a dominar a Natureza, introduzindo o cultivo de plantas e domesticando animais para sua alimentação, há uns 10 mil anos atrás, deu-se início a mudanças na estruturaçào e funcionamento dos componentes da Natureza. Os recursos não vivos ou abióticos da biosfera terrestre, passaram a sofrer pressões; e tais recursos, antes aparentemente inesgotáveis, como a ÁGUA, começam agora a escassear, com agravantes que comprometem sua disponibilidade, como a poluição e o mau uso ou desperdício.
E com respeito a esse domínio da Natureza, eis a mensagem que nos deixou Albert Schweitzer, filósofo, teólogo e médico alemão:

"Vivemos em uma época perigosa. O homem domina a Natureza antes que tenha aprendido a dominar a si mesmo".

 Vejamos por exemplo, quanta água é gasta em diversos tipos de cultivos e na criação de animais diversos (quadro abaixo).

Há outros custos ambientais, hoje reconhecidos numa boa prática do desenvolvimento sustentável como fundamentais na área da economia ambiental e tidos por ela como cruciais ao bom planejamento na explotação (exploração de recursos renováveis) da Natureza. Em termos energéticos, que é o ponto mais importante quando se trata de alimentos, a geração de proteína animal demanda diferentes quantidades de alimento básico (de origem vegetal) para se tornarem disponíveis para os seres humanos. Vejam o quadro que se segue. Vamos tomar como exemplo carne de carneiro (no topo) que demanda muito mais calorias (grãos e forragem) para produzir proteína (em sua carne) do que a carne de frango (em baixo no quadro) que demanda bem menos calorias para produzir a mesma quantidade de proteína.

ÉTICA. Começo este questionamento destacando o que nos alertou Albert Schweitzer:

"O erro da ética até o momento tem sido a crença de que só se deva aplicá-la em relação aos homens".


A utilização de animais para a manutenção da sociedade humana, seja como alimento ou para gerar ou testar medicamentos, têm, aqui no Brasil, legislações apropriadas, onde são respeitados princîpios éticos. A tecnologia vem propoorcionando métodos humanitários que reduzem o sofrimento animal a um mínimo possível, nos abatedouros e laboratórios de produção de medicamentos. Na fabricação de cosméticos os animais estão sendo substituídos por testes em células cultivadas. E muitas técnicas aliviadoras do sofrimento animal ainda surgirão nessas áreas de produção.
Mas, quando se trata de se utilizar animais para o divertimento ou prazer humano, as várias sociedades humanas de nosso planeta,  conscientes em abolí-las do repertório "cultural", encontram muita resistência. Considerar atrocidades com animais como manifestação cultural, não condiz com o mundo civilizado.

Sei que muitas discussões sobre utilização de animais sempre virão. Alimentar-se de carne animal é uma opção pessoal, orientada por fatos (dados científicos que mostram os prós e os contras desse alimento) ou por questões filosóficas e também, de cunho religioso. Vegetarianos abolem 
carne de sua alimentação. Veganos abolem qualquer alimento de origem
animal. Eu, particularmente, abolí carne de mamíferos; consumo principalmente peixes e um pouco de carne de frango. Seres estes com menor desenvolvimento cerebral na escala evolutiva animal.

O filósofo em epígrafe também nos deixou esta importante mensagem:

 

“Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a unica.”

11 de nov de 2016

ONU LIGA EVENTOS EXTREMOS A AQUECIMENTO GLOBAL

OPINIÃO DO AUTOR DESTE BLOG:

SE O AQUECIMENTO GLOBAL FOR CONSEQUÊNCIA DE MUDANÇAS GEOCLIMÁTICAS ("INEVITÁVEIS" MAS DE DIFÍCIL COMPROVAÇÃO) E DE AÇÕES ANTRÓPICAS (EVITÁVEIS E JÁ COMPROVADAS), É SOBRE ESTAS ÚLTIMAS QUE PODEMOS AGIR.  E AINDA HÁ TEMPO PARA SE COLHER RESULTADOS

Por Claudio Angelo, do Observatório do Clima
Reproduzido de:




Os cientistas do clima sempre hesitam em atribuir eventos extremos individuais à tendência de aquecimento do planeta. Nesta terça-feira, a Organização Meteorológica Mundial tomou a dianteira. O órgão das Nações Unidas afirmou, num novo relatório, que mais de metade de um total de 79 eventos extremos registrados no mundo entre 2011 e 2015 foi parcialmente causada pelas mudanças climáticas ou teve seu risco aumentado por elas.

O relatório O Clima Global em 2011-2015, foi lançado durante a COP22, a conferência do clima de Marrakesh, no Marrocos. Ele afirma que os últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados desde o início das medições com termômetros, em 1880. As temperaturas no quinquênio foram 0,57oC mais altas do que a média entre 1961 e 1990. O ano mais quente foi 2015 (que está no caminho de ser desbancado por 2016), seguido por 2014.O documento da OMM fez uma revisão de eventos extremos ao redor do mundo compilados pelo Boletim da Sociedade Americana de Meteorologia. Foi um quinquênio difícil de bater: viu-se desde recordes de derretimento do gelo marinho no Ártico até uma fome decorrente de seca que matou 250 mil pessoas no Chifre da África, passando pelo tufão mais violento já registrado, o Haiyan, o furacão Sandy, que alagou Nova York, ondas de calor na Austrália e na Argentina e enchentes no Sudeste da Ásia.Esses eventos passaram pelo que os cientistas chamam de estudo de “fingerprinting”, ou detecção e atribuição, algo que é cada vez mais frequente na literatura científica – à medida que os extremos também ficam mais frequentes. Estudos desse tipo analisam a probabilidade de ocorrência de um determinado extremo na ausência de mudança climática, e tentam inferir o tamanho da “impressão digital” do aquecimento global antropogênico nele.

As pesquisas concluíram que o aquecimento da Terra causou diretamente ou aumentou significativamente a chance de extremos de temperatura – em alguns casos, ondas de calor ficaram até dez vezes mais prováveis do que seriam na ausência dele. Já para extremos de precipitação (secas e enchentes), a tendência é menos clara e, em alguns casos, inconclusiva.

Três extremos foram analisados no Brasil: a seca de 2013-2014 que causou a crise hídrica paulista, a estiagem na Amazônia em 2014 e 2015 e as enxurradas da Serra Fluminense em 2011, que mataram 900 pessoas e fizeram o governo criar um centro de monitoramento de desastres naturais, o Cemaden.

Para a seca paulista, a análise foi inconclusiva. “A chuva durante o evento não foi extraordinária (…), mas os impactos foram exacerbados por um aumento substantivo na demanda por água, devido sobretudo ao crescimento da população”, afirma o relatório.

Já a seca na Amazônia entre 2014 e 2015, que aumentou o número de incêndios florestais, causou preocupação nos autores do relatório. “Embora não possa ser dito com confiança que é parte de uma tendência de longo prazo”, afirma o relatório, o evento é um alerta “para potenciais ‘pontos de virada’ no sistema climático.”

 


9 de nov de 2016

FLORESTAS: FONTE E DRENO DO CARBONO

Florestas tentam “salvar o mundo” do aquecimento, mas isso não é suficiente




Antes de reproduzir esta curta reportagem de "oeco", vejamos o conceito de "fonte e dreno" nos ecossistemas ( extraído do Glossário de Ecologia

FONTE E DRENO (ou CAPTOR)
Referem-se estes termos respectivamente, ao componente ambiental de onde se origina um 
nutriente (ou elemento químico participante da biogeociclagem) e ao componente que absorve ou fixa tal nutriente (tirando-o momentaneamente do processo de ciclagem).
As florestas, ao tempo em que atuam como dreno ou captor de carbono, absorvendo-o da 
atmosfera e fixando-o na sua fitomassa, atuam também como fonte, uma vez que emitem carbono a partir de sua respiração. Além disso, a queima de uma floresta representa uma grande fonte de carbono e outros gases do efeito estufa. Seu manejo adequado, com replantios constantes, é uma garantia de que uma floresta atue mais como dreno ou captor de carbono do que fonte; além de ser uma grande fonte de oxigênio, quando em crescimento.


Um estudo publicado nesta terça-feira (8) na revista Nature Communications mostra que a taxa de crescimento do CO2 que fica na atmosfera estabilizou nos últimos anos, apesar das emissões do gás pelos humanos continuarem aumentando. Isso quer dizer que a quantidade de gás carbônico na atmosfera continua subindo, mas a uma mesma taxa, enquanto a taxa de emissão cresce ano a ano. E os autores do estudo sugerem que isso seja graças a florestas, que estariam absorvendo mais CO2 do que antes.

Apesar da constatação, os cientistas alertam: essa atuação do ecossistema pode ser apenas temporária e não é suficiente para impedir o aumento das temperaturas. Ou seja, nada adianta as florestas tentarem salvar o mundo se os humanos continuarem com as emissões de gases causadores do efeito estufa.

Para o físico brasileiro Paulo Artaxo, professor da USP e membro do painel climático da ONU, este novo estudo aumenta a importância de preservar áreas como a Amazônia, floresta em que as árvores crescem até 10 vezes mais rapidamente do que no resto do mundo. No entanto, lembra que, como os autores sugerem, a floresta sozinha não pode fazer nada.

“Ela só pode ajudar até certo ponto. Estão indicando que florestas estão absorvendo mais CO2 do que estavam há 10 ou 20 anos, mas que a floresta não pode fazer este serviço para sempre porque há limitações. Dá a impressão de que as florestas estão salvando a humanidade do aquecimento global, mas não é bem assim” Paulo Artaxo

A pesquisa dos cientistas notou que a taxa de CO2 que fica na atmosfera cresceu de forma constante entre 1960 e 1990. No entanto, houve uma redução do aumento (ou seja, continua aumentando, mas a uma taxa menor) em 2,2% por ano entre 2002 e 2014.

Os modelos usados pelos pesquisadores sugerem que isto ocorreu por causa das plantas, que estariam absorvendo mais CO2 do que antes. Do total das emissões humanas de CO2, uma parte é absorvida pelas plantas, outra por oceanos, e o restante segue na atmosfera – este último é a proporção que estaria estabilizada.

O físico brasileiro Paulo Artaxo alerta ainda que fica com um pé atrás em relação ao estudo, apesar de notar que a equipe é boa. Para o cientista, a modelagem ainda não é perfeita para tirar conclusões.

Nesta semana, representantes da comunidade mundial participam da COP-22, em Marrakech, no Marrocos. O encontro global continuará a discutir o Acordo de Paris, com foco principal na discussão sobre os investimentos para evitar o aquecimento.

Fonte: UOL