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25 de dez de 2016

GRANDES OBRAS NA AMAZÔNIA ESTIMULANDO DESMATAMENTO


Reproduzido de

Aumento da devastação em zonas e municípios tradicionais de expansão do desflorestamento expõe falha do governo na proteção à floresta



Um mapa elaborado pelo ISA com os dados oficiais mais recentes mostra que as grandes obras e municípios campeões do desmatamento seguem como centros irradiadores da devastação da floresta amazônica (veja abaixo). O mapa considera apenas o chamado “arco do desmatamento”, zona tradicional de expansão da fronteira agrícola.

O desflorestamento continua muito alto nas áreas de influência da rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém), das usinas de Belo Monte (PA) e do Rio Madeira (RO). Ele também voltou a crescer em Altamira e São Félix do Xingu (PA), em Lábrea (AM) e Porto Velho (RO) – nesta ordem, municípios com as maiores áreas desmatadas, entre 2015 e 2016, e que também estão na lista do Ministério do Meio Ambiente (MMA) daqueles prioritários para o combate ao desmatamento. Foram devastados mais de 120 mil hectares de florestas no período só nesses quatro municípios – uma área quase do tamanho da cidade de São Paulo.

A permanência dessas regiões como zonas de expansão da destruição da floresta é um indicador do insucesso das ações de combate aos crimes ambientais, exatamente quando o desflorestamento volta a disparar.

No final de novembro, foi divulgada a taxa oficial preliminar do desmatamento na Amazônia: entre agosto de 2015 e julho de 2016, foram derrubados quase 8 mil quilômetros quadrados de florestas, um aumento de cerca de 30% em relação aos 6,2 mil quilômetros quadrados registrados entre 2014 e 2015. Trata-se do maior número observado desde 2009 (saiba mais). Com base nesses dados, o ISA produziu o mapa com as regiões mais devastadas.

Ambientalistas e pesquisadores vêm denunciando que a fragilização do Código Florestal, da fiscalização ambiental e de Unidades de Conservação (UCs) estimulou o desmatamento. O período 2015-2016 é o terceiro de alta dos índices do desmatamento desde a mudança da legislação, em 2012. Ontem (20/12), o governo alterou os limites de Ucs na região da BR-163, cedendo às pressões de políticos, produtores rurais e grileiros.

“O sinal que deu o novo Código Florestal foi interpretado de maneira extremamente rápida em campo”, diz Juan Doblas, assessor do ISA responsável pelo mapa. Ele afirma que várias regiões sofrem uma “epidemia de desmatamento”: a impunidade dos desmatadores ilegais termina por estimular mais desmatamento. “As medidas de combate ao desmatamento e restrição das atividades econômicas nos municípios da lista do MMA não estão funcionando. Elas precisam ser reforçadas”, defende.

Doblas chama a atenção principalmente para São Félix do Xingu e cobra operações mais efetivas de repressão aos desmatadores da parte dos governos federal e estadual na região, em especial com apoio de ações de inteligência.

O pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente (Imazon) Paulo Barreto acredita que o aumento do preço do gado também “fortalece a ameaça [à floresta], porque as pessoas ficam mais interessadas em desmatar”, aponta. “Essa ameaça pode aumentar e não ter efeitos se a floresta não está vulnerável, se o governo está vigilante, se não muda as regras. Mas quando a ameaça aumenta e o governo enfraquece a proteção, essa combinação leva a essa situação de aumento”, conclui.

Campeões do desmatamento

Pará, Mato Grosso e Rondônia continuam, nessa ordem, como os campeões da destruição da floresta: entre 2015 e 2016, eles registraram, respectivamente, 3 mil quilômetros quadrados (38% do total), 1,5 mil quilômetros quadrados (19%) e 1,3 mil quilômetros quadrados (18%) de desmatamento. O Amazonas, no entanto, apresentou a maior alta proporcional: entre 2014-2015 e 2015-2016, o desmatamento saltou de 712 quilômetros quadrados para 1099 quilômetros quadrados, um acréscimo de 54%.

André Tomasi, assessor do Instituto de Educação do Brasil (IEB), destaca que o sul do Amazonas tornou-se uma das frentes de desmatamento mais dinâmicas em função do esgotamento de parte dos remanescentes florestais em Rondônia, Acre e norte do Mato Grosso.

“É uma área tradicionalmente de baixa governança do Estado, que possui pouca capilaridade e atuação no campo”, ressalta. Ele lembra que muitos pecuaristas da região estão escoando gado por Rondônia, deixando de recolher impostos no Amazonas e evadindo divisas.

Por: Oswaldo Braga de Souza
Fonte: ISA


20 de dez de 2016

CALOR CAUSADO PELO EL NIÑO AUMENTOU CASOS DE ZIKA NO BRASIL EM 2015


http://www.observatoriodoclima.eco.br/calor-permitiu-invasao-da-zika-diz-estudo/


Pesquisadores britânicos acabam de mostrar com números algo que até agora era apenas uma suspeita: o El Niño recorde de 2015, conjugado à tendência de aquecimento global, foi chave para a epidemia do vírus zika no Brasil, ligada ao aumento do número de casos de microcefalia.

Em estudo publicado nesta segunda-feira no site do periódico PNAS, os cientistas liderados por Cyril Carminade, da Universidade de Liverpool, sugerem que nunca nos últimos 66 anos as condições climáticas favoreceram tanto o mosquito Aedes aegypti quanto em 2015.

A combinação do calor e da umidade com a falta de imunidade da população brasileira – acredita-se que o zika tenha entrado no país pela primeira vez apenas em 2013 – teriam causado a catástrofe vista no ano passado e neste ano: até o começo de dezembro, segundo o Ministério da Saúde, havia 2.228 casos de microcefalia confirmados no país. Do 1,3 bilhão de pessoas expostas hoje ao vírus da zika em 75 países e territórios do mundo, 15% estão no Brasil.

O El Niño “Godzilla” que causou extremos de calor, seca e chuva em várias partes do planeta entre 2015 e 2016 já havia sido aventado como cúmplice da epidemia. A própria diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, levantou a suspeita em janeiro deste ano.

Carminade e colegas decidiram verificar a hipótese, com a ajuda de um modelo matemático desenvolvido por eles originalmente para explicar como o clima havia facilitado a disseminação da doença da língua azul (que afeta o gado) na Europa em 2006.

O modelo busca estimar o chamado potencial de reprodução da doença, conhecido pela sigla R0. Grosso modo, esse parâmetro corresponde ao número de casos secundários surgidos a partir de um único paciente. Valores de R0 maiores do que 1 significam potencial de epidemias.

O R0 da zika foi estimado a partir de características de seus dois principais vetores: os mosquitos Aedes aegypti (que causa a maior parte dos casos de zika, dengue e chikungunya no Brasil) e Aedes albotopicus (que causa a doença em regiões mais frias). Os cientistas sabem que calor e umidade ajudam o mosquito a se proliferar: a fêmea do Aedes, a “mosquita” imortalizada pela ex-presidente Dilma Rousseff, fica mais ativa e pica mais em climas mais quentes. Isso foi fatorado no modelo, que estimou o risco de zika no mundo todo usando uma base de dados climáticos que vai de 1950 a 2015.

Para o A. aegypti, o modelo sugere que no Rio de Janeiro a média seja de 5 novos casos por infecção, algo que bate com as observações. Na Colômbia, esse potencial chega a 6,9.

No entanto, há períodos no registro histórico em que o risco de infecção aumenta significativamente. O maior deles ocorreu em 2015, ano do El Niño – e da explosão de casos de zika na América do Sul. Em 1998, outro ano de El Niño, também houve pico de risco transmissão (mas, naquela época, o vírus ainda não havia aportado no continente).

“Se eu assumir que o sinal de mudança climática é uma tendência linear nesse período e que o efeito do El Niño é relacionado apenas à variabilidade interanual, a anomalia em 2015 é relacionada 33% ao El Niño e 67% à tendência de mudança climática”, disse Carminade ao OC. Ele ressalta, no entanto, que “não publicaria esses números”: são apenas uma ilustração do efeito combinado das duas coisas e é muito difícil atribuir pesos a uma e outra. “Ambos tiveram um papel: o El Niño ocorrendo num Oceano Pacífico mais quente”, completa.

Para reforçar o argumento, o cientista britânico lembra, ainda, que a dengue em 2015 bateu recorde no Brasil, com 1,6 milhão de casos, segundo a Organização Panamericana da Saúde.

O estudo não olhou para o efeito da urbanização precária no Brasil e da falta de saneamento básico como condições que permitem o desenvolvimento do Aedes. Esse tem sido outro fator a dificultar a atribuição direta das doenças transmitidas pelo mosquito à mudança do clima nas últimas décadas. Afinal, num país que aquece ao mesmo tempo em que vê manchas urbanas se expandindo e cidades crescendo no interior, não dá para saber quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha. O pesquisador da Fiocruz Cristóvam Barcellos já mostrou que a área suscetível à dengue triplicou no país neste século, com clima, urbanização e aumento da população agindo em sinergia para criar uma situação perfeita – para o mosquito, bem-entendido.

No entanto, 2015 viu um risco aumentado de zika em todo o mundo tropical, não só no Brasil. Isso dá mais segurança aos pesquisadores para atribuir a diferença nas taxas de infecção à oscilação climática.

“O El Niño hoje em dia ocorre em um pano de fundo mais quente – o Oceano Pacífico tropical está aquecendo. E alguns de meus colegas climatologistas já propuseram a possibilidade de El Niños monstros em um pano de fundo mais quente”, disse Carminade. “Portanto, se não mitigarmos nossas emissões, poderíamos esperar que El Niños no futuro possam ter impactos mais sérios na saúde das sociedades.”

14 de dez de 2016

POPULAÇÃO HUMANA SUBINDO...ESPÉCIES ANIMAIS SUMINDO!!!

Uma simples observação do gráfico abaixo, já seria suficiente para compreendermos o porquê do título desta postagem
Reportagem em:



Saiu mais um dado oficial da União Mundial de Conservação (UICN), informando as alterações de espécies na Lista Vermelha de Animais Ameaçados de Extinção 2016. Os dados são, como sempre, estarrecedores:  mais 700 espécies de aves (das quais 13 estão consideradas extintas) foram adicionadas à lista, enquanto outras anteriormente incluídas, como o papagaio cinza (Psittacus erithacus), passaram de categoria VU - Vulnerável, para a categoria EN – Em Perigo de Extinção.  O mesmo acontece com o tubarão-baleia (Rhincodon typus).  Das 6 espécies de gorilas, 4 estão na categoria CR – Criticamente Ameaçada, que esse ano passou a incluir o Gorila do Leste (Gorilla beringei). A lista marca a extinção de Petaurus australis, uma espécie de roedor endêmico da Austrália, a primeira extinção de um mamífero atribuída a mudanças climáticas.  Dentre outros aspectos a serem ressaltados, chama a atenção alteração de status de algumas espécies como o ornitorrinco  (Ornithorhynchus anatinus), a zebra (Equus quagga) e o cervo de  Borneu (Muntiacus atherodes) , os quais eram classificadas como LC - Pouco Preocupante, e que agora passaram à categoria NT – Quase Ameaçadas.

No infame  jogo da extinção, algumas espécies pularam várias casas:  o carismático Koala (Phascolarctos cinereus), o marsupial australiano Petauroides volans, e a girafa (Giraffa camelopardalis), foram da pouco preocupante categoria LC diretamente para a incômoda VU.  Desses, a icônica girafa vem ganhando grande destaque na mídia, uma vez que sua população declinou surpreendentes 40% nos últimos 30 anos.   Das 9 subespécies de girafa, apenas 3 da parte sul da África estão estáveis. As demais 5, espalhadas pelo continente, encontram-se a caminho da extinção.  Durante o Congresso Mundial de Conservação, realizado pela IUCN no Havaí esse ano, representantes de governos e ONGs passaram uma resolução pedindo a criação de áreas protegidas para conservação da girafa e do okapi, um animal raro, um “mix” de zebra, girafa e búfalo, que se encontra na categoria CR - Criticamente Ameaçado.

"A caça ilegal, perda de habitat, avanço da agricultura e problemas sociais estão levando a girafa à extinção”. Troque a palavra “girafa” por qualquer outro animal de sua escolha e a frase seguirá sendo verdadeira."

A lista vermelha do Brasil, onde constam 1.173 espécies, foi apresentada pelo ICMBio na 13a Cúpula das Nações Unidas pela Biodiversidade (COP 13), e foi matéria de ((O))Eco da semana passada.

Conservacionistas de todo o mundo estão acostumados a ver a Lista Vermelha de Animais Ameaçados aumentando a cada nova edição, salvo alguns raros casos de sucesso, como o do carismático Panda (Ailuropoda melanoleuca), que esse ano passou de EN para VU graças a um esforço (ainda não comprovado) do governo chinês.

Mas o que realmente causa surpresa é que – pelo menos no caso das girafas – a IUCN leva a mão à palmatória e admite abertamente que a causa da queda brutal da espécie é o crescimento descontrolado da população humana.  Esse assunto vinha sendo uma espécie de tabu entre os tomadores de decisão, um elefante no meio da sala que todos fingiam ignorar.  Segundo o relatório desse ano a IUCN afirma que “a crescente população humana está causando um impacto negativo nas populações de girafa.  A caça ilegal, perda de habitat, avanço da agricultura e problemas sociais estão levando a girafa à extinção”.  Troque a palavra “girafa” por qualquer outro animal de sua escolha e a frase seguirá sendo verdadeira.

Desde 1992, com o surgimento do movimento socioambiental, quase nenhum congresso e evento da IUCN ou de outras organizações ousaram sequer falar sobre o assunto da superpopulação humana e a necessidade de seu controle.  Ao contrário, grande ênfase é dada aos direitos e necessidades de nossa espécie sobre as demais 8,699 milhões de espécies estimadas no planeta. Áreas de proteção integral de onde não se extrai recursos caíram em desuso face a criação de áreas extrativistas, em busca de uma utópica sustentabilidade ambiental, econômica e social que pudesse preservar a biodiversidade, mas com os serem humanos dominando tudo.  Não apenas ineficiente, essa mentalidade é um tanto quando demagógica, e por que não dizer, ingênua, pois o impacto negativo que agora chega às girafas, eventualmente chegará a nós.

Admitir que somos nós os grandes vilões da Terra, agindo como células cancerígenas que adoecem o planeta, em nome de nosso egocêntrico bem-estar, não é algo fácil de se admitir em um universo que valoriza apenas nossos direitos. Mas reconhecer um problema é o primeiro passo na direção de solucioná-lo. E a IUCN finalmente fez essa admissão.

 


12 de dez de 2016

"FRUTOS" DO NOVO CÓDIGO FLORESTAL: AUMENTO DO DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA

A volta do crescimento do desmatamento na Amazônia –29% em 2016, com perda de 7.989 km², mais de cinco vezes a área da cidade de São Paulo–, está profundamente relacionada às mudanças no Código Florestal em 2012, dizem ambientalistas.

"Os números falam por si. A taxa oficial de desmatamento do governo mostra uma alta de 75% desde que as mudanças do Código Florestal foram aprovadas", diz Antônio Fonseca, um dos responsáveis pelo boletim de desmatamento do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia).

A principal queixa dos especialistas em relação ao Código Florestal foi a anistia para quem desmatou até 2008.

"Essa decisão passa a mensagem de que desmatar compensa. Porque, assim como houve essa anistia, provavelmente virão outras", diz Carlos Rittl, secretário-executivo do OC (Observatório do Clima), que reúne 40 organizações ligadas a preservação ambiental.

Segundo dados do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), em 2012 o desmatamento na Amazônia atingiu seu mínimo histórico, com 4.571 km² de área destruída. A aprovação do Código Florestal, no fim daquele ano, coincide com a inversão da trajetória de queda. Em 2013, já houve alta de 20%.

O impacto fica evidente quando se compara a área total destruída, que teve alta de 74,8% desde a aprovação das novas regras.

Os especialistas em conservação afirmam que também há outros fatores envolvidos no crescimento da derrubada. Um deles é o chamado desmatamento especulativo, no qual grandes áreas de floresta são destruídas –em geral substituídas por pastos– com a única função de sinalizar uma ocupação, visando algum benefício futuro com aquele terreno.

Antônio Fonseca, do Imazon, destaca também a pressão sobre as unidades de conservação e a demarcação de terras indígenas. "A criação de novas unidades de conservação estagnou. E chama a atenção ver como o desmatamento avançou até nessas áreas", afirma.

Carlos Rittl, do OC, diz que "há uma pressão na questão do licenciamento ambiental, para criar um licenciamento autorregularório ou isentar de licenciamento uma série das chamadas obras de interesse nacional. "

Além da perda das questões ambientais, o desmatamento na Amazônia pode comprometer também os compromissos de redução de emissão de gases estufa do Brasil. A perda de cobertura florestal é a principal fonte das emissões do país.

O Brasil está comprometido por lei a reduzir a derrubada da floresta amazônica em 80% em relação à média do período entre 1996 e 2005. Os números de desmatamento hoje (7.989 km²) são praticamente o dobro daqueles que o Brasil precisa ter daqui a quatro anos.

ESPERANÇA

Os ambientalistas veem medidas recentes como um sopro de esperança. Uma delas é a implementação e divulgação pública dos dados do CAR (Cadastro Ambiental Rural), cuja implementação sofreu uma série de atrasos.

O CAR é uma espécie de mapa das propriedades rurais do Brasil, com informações dos terrenos –áreas de nascente, florestas e pontos desmatados. A plataforma permitirá que o governo compare o estado das ocupações e eventuais irregularidades. Estima-se que 99% dos imóveis rurais passíveis de cadastramento já estejam na base de dados.

Na última semana de novembro, o Ministério do Meio Ambiente tornou público o acesso aos dados do CAR, o que permitirá também uma fiscalização da sociedade civil sobre essas áreas.

"É uma iniciativa positiva, mas a ferramenta por si só não faz nada", diz Rittl.

A injeção de R$ 56 milhões no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, com recursos do Fundo Amazônia, deve ajudar a fiscalização.

OUTRO LADO

O MMA (Ministério do Meio Ambiente) diz que a alta do desmatamento teve outras razões, como a instabilidade política e a crise econômica. A situação teria "gerado para alguns a sensação de ausência do Estado e de impunidade", afirma a pasta, em nota.

Para o órgão, o Código Florestal, "traz oportunidades de recuperar passivos ambientais e mecanismos de incentivos para a restauração de áreas de preservação permanente e o uso econômico sustentável da reserva legal".

O MMA diz ainda que está confiante que já em 2017 possamos ver uma queda forte na taxa de desmatamento.

8 de dez de 2016

NA AMAZÔNIA ESTÁ O MAIOR REBANHO BOVINO DO BRASIL. E O PREÇO É ALTO: A DESTRUIÇÃO DA FLORESTA

Comedores de carne bovina, são parceiros desse processo destrutivo.
Leiam a reportagem completa, em:

http://amazonia.org.br/2016/12/boi-clandestino-nao-morre-de-velho/

Apesar de vender uma imagem de confiança na origem, a cadeia da carne no Brasil ainda é incapaz de garantir um bife sem débitos ambientais na mesa do brasileiro. A reportagem de ((o))eco foi até o município de São Félix do Xingu, Sul do Pará, detentor do maior rebanho bovino do Brasil, para conhecer os primeiros elos da cadeia, que continuam fora do controle.

Na região, a taxa de desmatamento é alta, as leis valem pouco e a bagunça fundiária impera. Hoje, os pecuaristas que fazem a venda final aos grandes frigoríficos precisam provar que não desmataram, ou então ficam fora deste mercado. Mas o gado que eles engordaram para abate costuma vir de outras fazendas, em geral menores e sempre livres de monitoramento, que contornam restrições com o bom e velho jeitinho brasileiro. Atravessadores, troca-troca de documentação e a incompetência dos órgãos estaduais e federais permitem que gado de desmatamento chegue legalizado ao matadouro.

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São Félix do Xingu já foi uma vila à beira do rio onde índios, pescadores e ribeirinhos conviviam. Até finais de 1970, sustentava-se da pequena agricultura. A pecuária praticamente inexistia. A chegada da mineração e da extração de mogno, ainda naquela década, deu o pontapé no tradicional ciclo econômico de desenvolvimento de cidades na Amazônia, que inclui a abertura desenfreada da floresta e a especulação de terras – atividade que costuma vir acompanhada de boi.

O município tem 84 mil km2, duas vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro. Em 1974, segundo o IBGE, São Félix tinha cerca de 3 mil habitantes e 200 cabeças de gado. Hoje, são 120 mil pessoas e 2,2 milhões de bois — o maior rebanho do Brasil. A população cresceu 40 vezes, enquanto o rebanho aumentou 11 mil vezes, chegando a curiosa marca de 18 cabeças de gado por habitante.


[...]

“Desde 2008, em São Félix, foram derrubados ilegalmente 250 mil hectares de floresta”, diz Mauro Lúcio. “Como nas áreas recém abertas, com pasto novo, é possível colocar até duas cabeças de gado por hectare, é provável que abriguem ¼ do rebanho do município”. Por esse cálculo, mais de 500 mil cabeças de gado da região são ilegais, bois de desmatamento.

[Relato completo, acessar o link no topo]