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29 de fev de 2016

REGISTROS DE CAÇA ILEGAL EM VÎDEOS, PARA CONHECIMENTO DE "TODOS"




“A caça esportiva ilegal não pode ser negligenciada entre os fatores que causam a extinção ou declínio desses animais”, afirma o autor principal do artigo, o biólogo Hani Bizri. “A gente não tem ideia se a caça ocorre em Unidades de Conservação, mas são em fragmentos no Cerrado e na Caatinga, biomas bastante desmatados”, completa.

O trabalho começou com a compilação de 104 artigos sobre caça, para descobrir quais os bichos mais abatidos. O estudo revelou que, na ordem, as oito principais vítimas são: pacas, antas, veados, queixadas, catitus, capivaras, cotias e tatus. Depois disso, o ambiente de trabalho passou a ser a internet.

As buscas indicaram que das 1600 citações a grande maioria não serviria para o levantamento, pois apresentavam situações como encenações ou instruções. No final, 285 postagens no Youtube apresentavam pessoas caçando (174 com abate e 94 tentativas frustradas). Foram buscadas também informações sobre locais, datas e caçadores.

Para os autores do estudo, a maioria dos caçadores são urbanos e usam a caça como atividade de lazer. Eles concluíram isso ao verificar a data das postagens, que ocorrem principalmente nos meses de julho e dezembro.

O surpreendente é que os caçadores não temem compartilhar uma atividade ilegal em redes sociais. E ao dar publicidade a um crime estão mais uma vez infringindo a lei. Isso sem contar o uso de arma de fogo, identificado em grande parte dos vídeos analisados. “E se estão postando, não têm medo da lei”, sintetiza o pesquisador.

Para ele, o estudo chama a atenção para a necessidade de discussão sobre a atividade no país. Ele destaca que existem tanto bons quanto maus exemplos da regularização da caça. Na África, em 23 países existem iniciativas que valorizam a caça esportiva, que contribuem para a geração de renda em comunidades envolvidas. Mas ele alerta também que programas implantados no México geraram polêmica e desequilíbrio ambiental, devido a dificuldades de manutenção da infraestrutura e treinamento de pessoal, segundo o biólogo.


26 de fev de 2016

SENADOR RONALDO CAIADO RECUA E RETIRA PROJETO QUE ANULARIA LISTAS DE ESPÉCIES AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO

Caiado retira projetos que derrubam listas vermelhas de espécies ameaçadas

Após sentir a forte mobilização dos ambientalistas, o senador Ronaldo Caiado (Democratas-GO) resolveu retirar de tramitação os projetos que derrubavam as três listas vermelhas de espécies ameaçadas existentes (fauna, flora e peixes marinhos).

Por meio de nota em sua página, o líder dos Democratas no Senado afirmou que,  após conversas com ambientalistas e representantes do setor rural, promoverá uma série de audiências públicas no Senado para chegar a um consenso sobre o tema e a um plano de ação. Essas audiências contarão com representantes dos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura.


Acessar o link http://www.oeco.org.br/noticias/caiado-retira-projetos-que-derrubam-listas-vermelhas-de-especies-ameacadas/

para ver a notícia completa.

24 de fev de 2016

SENADOR RONALDO CAIADO É CONTRA LISTAS VERMELHAS DE ESPÉCIES AMEAÇADAS

Ronaldo Caiado. Para mim, um "sepulcro caiado" da conservação de nossos recursos naturais. Só pensa no agronegócio.




Em junho de 2015, em meio a batalhas do setor de pesca para derrubar a lista vermelha de peixes e invertebrados marinhos, o senador Ronaldo Caiado entrou com três projetos de decreto legislativo (quase) idênticos para tornar letra morta cada uma das novas listagens vermelhas publicadas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) seis meses antes: a de fauna, a da flora e a dos peixes marinhos.

No dia 03 de junho, o senador entrou com o Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 158, para derrubar a lista vermelha de espécies da flora brasileira ameaçada de extinção. Seis dias depois, mais dois projetos foram apresentados, dessa vez para sustar a de peixes marinhos (PDS 183) e a da fauna (PDS 184).

Todas as propostas tem a mesma justificativa. De acordo com Caiado, o Ministério do Meio Ambiente extrapolou suas atribuições pois cada espécie classificada nas categorias Extintas na Natureza (EW), Criticamente em Perigo(CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU) receberam proteção de modo integral “incluindo, entre outras medidas, a proibição de captura, transporte, armazenamento, guarda, manejo, beneficiamento e comercialização”.

Ainda segundo o senador, “a determinação de que as espécies listadas encontram-se sob proteção integral e as restrições, obrigações e condicionantes inovadoras ao sistema normativo ambiental são contraditórias ao princípio da sustentabilidade preconizado nos arts. 170 e 225 da Constituição Federal, que visa promover o desenvolvimento sustentável do País de modo a equilibrar os seus aspectos ambientais, sociais e econômicos. Tais proibições podem gerar a paralisação de atividades agrícolas, já que na lista anexa à portaria constam espécies incluindo insetos e aracnídeos, além da imposição de barreiras comerciais não tarifárias às exportações brasileiras, causando prejuízos sociais e econômicos incomensuráveis ao País", afirma, na proposta contra a lista vermelha de espécies da fauna.

O mesmo argumento se repete nas propostas para derrubar a lista de flora e de peixes, com apenas algumas palavras trocadas no final:

“(...) Tais proibições e restrições podem gerar a paralisação de atividades agropecuárias, além da imposição de barreiras comerciais não tarifárias às exportações brasileiras, causando prejuízos sociais e econômicos incomensuráveis ao País” (Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção).

“(...) Tais proibições podem gerar a paralisação de atividades pesqueiras e prejudicar produtores rurais, causando prejuízos sociais e econômicos incomensuráveis ao País” (Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos).

Peixes

Portaria nº 445, que reúne a lista de peixes e invertebrados marinhos, sofreu oposição desde o momento que foi publicada, em dezembro de 2014. Após protestos e uma batalha judicial, a Justiça Federal suspendeu a Portaria em junho. A lista proibia a captura, o transporte, o manejo, armazenamento e comercialização de 475 espécies de peixes ameaçadas no país.

Projeto de Decreto Legislativo nº 183 está parado na Comissão de Constituição e Justiça, única comissão que precisa passar antes de ir a plenário. O senador Jorge Viana (PT-AC) é o relator da matéria e desde julho não apresentou o relatório.

Flora e Fauna

Os Projetos de Decreto Legislativo nº 158 (Flora) e nº 184 (Fauna)estão prontos para serem votados a qualquer momento na Comissão de Constituição e Justiça. Ambos têm como relatora a senadora ruralista Ana Amélia (PP-RS), que deu parecer favorável e já apresentou os relatórios uma semana antes do fim do recesso parlamentar.

listagem vermelha de espécies ameaçadas da flora lista 2113 espécies ameaçadas. Já a da fauna protege 698 espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres.

Um projeto de decreto legislativo necessita de maioria absoluta pra ser aprovado -- ou seja, o voto de pelo menos 257 deputados e 41 senadores --, e é sancionado pelo presidente do Congresso. Não existe possibilidade do Poder Executivo vetar um decreto legislativo.

16 de fev de 2016

FLEXIBILIZAÇÃO DE LICENCIAMENTOS AMBIENTAIS: SÓ FACILITA BUROCRACIA??? MUITO BOM PARA OS INVESTIDORES CHINESES!!!

Fonte: GREENPEACE BRASIL

Orgão de proteção ambiental lança portaria que flexibiliza licenciamentos

Em pleno feriado de Carnaval, Conama lança consulta pública para debater, sozinho, a “facilitação” das licenças ambientais.

Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que deveria zelar por processos menos destrutivos para o crescimento econômico, adianta-se ao projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental, com a criação de um mecanismo para garantir a “agilidade” de licenciamentos polêmicos.

Com consulta pública aberta na véspera do carnaval e encerramento previsto para o domingo depois das festividades, o órgão busca aprovar a resolução 02000.001845/2015-32, que permite, entre outras coisas, a expedição das licenças Prévia, Implementação e Operação todas ao mesmo tempo e a liberação compulsória para empreendimentos que sejam de mesma característica e estejam na área afetada pelo outro empreendimento já licenciado.

Ou seja, na prática, isso quer dizer que, caso uma empresa queira construir mais barragens no Xingu, por exemplo, ela poderá se beneficiar da licença já emitida para Belo Monte. Além disso, os impactos sociais, como os infligidos à comunidades tradicionais e indígenas por todo o Brasil, foram citados apenas superficialmente, omitindo completamente o tratado 169, assinado pelo Brasil junto a Organização Internacional do Trabalho, que garante a consulta prévia, livre e informada de povos tradicionais, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos, inclusive em idioma próprio.

Segundo o texto do CONAMA, o texto considerou “a necessidade de aumentar a transparência, modernizar e dar eficiência aos procedimentos de licenciamento ambiental”.

“Se a ideia era essa, eles já começam falhando, ao lançar uma consulta pública de 10 dias no meio do Carnaval, com apenas quatro dias úteis para que a população, pesquisadores e demais interessados possam reagir ao projeto”, avalia Rômulo Batista, da campanha Amazônia do Greenpeace.

A proposta do Conama vai no mesmo caminho do Projeto de Lei do Senado (PLS) 654/2015. Aprovado na Comissão Especial de Desenvolvimento Nacional, o PLS 654 é de autoria do senador Romero Jucá (PMDB/RR) e propõe a flexibilização do processo de licenciamento ambiental. A matéria aguarda votação do plenário do Senado em regime de urgência.

O projeto instaura o licenciamento ambiental “a jato” (também chamado de fast-track) para obras que o governo considera prioritárias, ou seja, grandes hidrelétricas na Amazônia, rodovias, portos entre outras obras de infraestrutura. Assim, todo o processo levaria entre sete e oito meses.

“Reduzir esse tempo de análise pode levar a riscos semelhantes à tragédia que se abateu sobre Mariana, em Minas Gerais, com mais de 660 km de rios tomados pela lama de rejeito mineral e 17 mortos”, defende Nilo D’Ávila, coordenador de campanhas do Greenpeace Brasil.

O governo planeja instalar mais de 40 hidrelétricas em toda a Amazônia. Só no rio Tapajós, no Pará, a intenção é fazer um complexo de sete usinas, incluindo a de São Luiz do Tapajós, cujo reservatório alagará 729 km2 de floresta. Caso a portaria do Conama e o projeto de leiseja aprovada, o governo poderia aprovar todo o complexo em uma tacada só.

“E com isso, acelerando o processo de degradação da história e cultura de povos tradicionais, além de abrir caminho para uma onda de destruição e violência que corriqueiramente acompanham essas grandes obras de infraestrutura na Amazônia”, resume Rômulo.

Fonte: Greenpeace Brasil

Com a simplificação dos licenciamentos ambientais, corremos o risco de ver novas tragédias, como a ocorrida em Mariana (MG).  (© Gustavo Ferreira/Greenpeace)

Com a simplificação dos licenciamentos ambientais, corremos o risco de ver novas tragédias, como a ocorrida em Mariana (MG). (© Gustavo Ferreira/Greenpeace)


15 de fev de 2016

A CHINA "DESCOBRE" A AMAZÔNIA (E ADJACÊNCIAS!!!)

Quem são os chineses de olho na Amazônia?

6 de fev de 2016

O MOSQUITO AEDES AEGYPTI, GENETICAMENTE MODIFICADO, TORNOU-SE UMA "CAIXA PRETA" DO VÍRUS ZIKA???

Um artigo-reportagem publicado no The Ecologist (http://www.theecologist.org/News/news_analysis/2987024/pandoras_box_how_gm_mosquitos_could_have_caused_brazils_microcephaly_disaster.html)

traz, no meu entendimento, uma enorme preocupação sobre a possibilidade de que a modificação genética do Aedes aegypti causou um aumento da virulência do zika, tornando-o amplamente maléfico ao ser humano.


Vejamos alguns trechos desse artigo-reportagem (com citações de vários artigos esclarecedores).

In Brazil's microcephaly epidemic, one vital question remains unanswered: how did the Zika virus suddenly learn how to disrupt the development of human embryos? The answer may lie in a sequence of 'jumping DNA' used to engineer the virus's mosquito vector - and released into the wild four years ago in the precise area of Brazil where the microcephaly crisis is most acute.

Na microcefalia epidêmica no Brasil, permanece uma questão vital não esclarecida: como o vírus zika repentinamente aprendeu a perturbar o desenvolvimento de embriões humanos? A resposta pode residir numa sequência de "jumping DNA" [= ver a seguir] utilizado para a engenharia do mosquito vetor do vírus  -  e que foi liberado no ambiente silvestre quatro anos antes, exatamente nas regiões do Brasil onde a crise da microcefalia é mais aguda.

["Jumping DNA":   Barbara McClintock mostrou que certos fragmentos de DNA, chamados transposons, podem ser ativados para transpor ("jumping" = saltar) de uma posição para outra, em um cromossomo. Ela lançou a hipótese de que tal transposição fornece um meio de reorganizar rapidamente os genes em resposta ao estresse ambiental].

o autor mostra a relação entre "o epicentro do surto do zika na mesma área onde os mosquitos geneticamente modificados foram soltos em 2015" (figura abaixo).


E agora, alguns comentários do artigo-reportagem,  que penso ser muito importantes.  Diz respeito a um transposon bastante utilizado em terapia gênica humana e que foi utilizado pela empresa Oxitec, que modificou geneticamente os mosquitos que foram soltos em Juazeiro (BA): o transposon "piggyBac".
O transposon piggyBac tem sido utilizado em terapia gênica humana. Até células humanas T (do sistema imunológico) têm sido transformadas pelo piggyBac. Isso nos deixa poucas dúvidas de que os transgênicos originados do transposon no mosquito transgênico, possa transferir-se horizontalmente para células humanas. Esse transposon piggyBac induziu no genoma amplas mutaçōes por inserçāo, rompendo muitas funções gênicas.

"Has the GM nightmare finally come true"?  = Finalmente, o pesadelo do gene geneticamente modificado tornou-se realidade?

O Aedes egypti geneticamente modificado pela Oxitec utilizou o piggyBac.

E assim sendo, os mosquitos geneticamente modificados carregaram grande possibilidade de serem responsáveis pelos problemas de microcefalia no Brasil. Pelos mecanismos seguintes:

1. Milhões de mosquitos soltos em Juazeiro, em 2011/12, sobreviveram.

2. Eles cruzaram com as populações de mosquitos silvestres.

3. O transposon piggyBac no Aedes aegypti geneticamente modificado, teve a oportunidade de "saltar" para o vírus zika, em inúmeras ocasiões, provavelmente.

4. Certas linhagens de zika, com mutações, adquiriram vantagem seletiva, tornando-se mais virulentas e capazes de penetrar e alterar o DNA humano.

5. Uma maneira na qual isso se manifesta é a alteração no desenvolvimento do embrião humano no útero. Outras manifestaçòes ainda estão por serem descobertas.

6. É bem possível que o próprio piggyBac transposon tenha penetrado no DNA dos bebês (embriões)  expostos ao vírus zika modificado; tendo sido  assim uma forma de perturbação do mecanismo do desenvolvimento embrionário.


O artigo-reportagem divulgado em The Ecologist (link no topo desta postagem) esclarece muitos outros pontos desta questão de grande importância para nossas vidas, nestes tempos em que o entusiasmo com as possibilidades biotecnológicas de solução de nossos problemas com microrganismos causadores de doenças, parecem atropelar o bom senso que deveria prevalecer com respeito aos milhões de anos da evolução do genoma que queremos manipular em alguns anos ou dias num laboratório.

Uma temeridade!!!




4 de fev de 2016

FLORESTA SECUNDÁRIA (NA AMAZÔNIA, MATA ATLÂNTICA) ABSORVE MAIS CO2. MUITO CUIDADO COM OS EFEITOS SOBRE OUTROS FATORES CRUCIAIS: CLIMA, SOLO, BIODIVERSIDADE...

Floresta regenerada é esponja de carbono

Reproduzido de www.oeco.org.br


As florestas secundárias, que rebrotam após o desmatamento de uma área, são conhecidas pelo nome algo pejorativo de capoeiras. A palavra vem do tupi e significa, literalmente, “mato que não é mais”. Vistas como pobres em biodiversidade e jamais tão ricas em estoque de carbono quanto uma floresta primária – a tal “mata virgem”–, as capoeiras são frequentemente desprezadas e outra vez desmatadas. Um estudo lançado hoje, porém, deve ajudar a reduzir esse preconceito.

Um consórcio internacional de cientistas, que inclui gente de diversas instituições de pesquisa do Brasil, acaba de publicar no periódico Nature a maior análise já feita sobre o padrão de crescimento das florestas secundárias na chamada região neotropical, que vai do México ao Estado de São Paulo. Eles concluíram que as capoeiras demoram, em média, apenas 66 anos para repor 90% da biomassa (portanto, do estoque de carbono) que possuíam antes do desmatamento. E mais: uma floresta em regeneração sequestra 11 vezes mais carbono do que uma mata virgem na Amazônia.

“Esta é a primeira estimativa da resiliência das florestas secundárias. Sempre houve muita dúvida sobre a taxa de crescimento e a resiliência dessas florestas”, disse ao OC o engenheiro florestal Daniel Piotto, professor da Universidade Federal do Sul da Bahia. Ele é coautor do trabalho, coordenado pelo holandês Lourens Poorter, da Universidade de Wageningen.

A importância das capoeiras da América Latina para o ciclo do carbono e, portanto, para o clima, é evidente. Somente na Amazônia, 22% de toda a área desmatada é ocupada por matas em regeneração, segundo dados do Terraclass, do Inpe. Esse número é provavelmente ainda maior na Mata Atlântica, que tem menos de 10% de sua cobertura florestal original.

No entanto, essa importância nunca havia sido traduzida em números antes. Estudos pontuais mostravam ora que as florestas poderiam entrar em colapso a partir de um certo grau de desmatamento, ora que o crescimento de uma floresta secundária era lento demais para fazer alguma diferença no clima no curto prazo.

“Meus estudos na Zona Bragantina, no leste do Pará, mostravam um tempo de recuperação de 150 anos. Estudos feitos na Venezuela chegavam a 250 anos. A meta-análise [o novo estudo] aponta 66 anos”, diz Ima Vieira, pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi e uma das maiores especialistas em florestas secundárias do país. Ela também é coautora do trabalho, realizado pelo consórcio autointitulado Amantes da Floresta Secundária – ou “2ndFOR” (“SecondFor”, em inglês), para os menos íntimos.

Os dados anteriores não estão necessariamente errados. O que acontece é que há uma variação gigantesca de tempo de regeneração dentro da zona neotropical, com capoeiras crescendo mais rápido em regiões onde chove mais e onde há mais florestas intactas em volta.

“De posse dessa taxa de crescimento, será possível fazer previsões sobre o potencial de mitigação [de emissões de gases de efeito estufa] das florestas secundárias”, afirma Piotto. O 2ndFOR já está fazendo essas contas.

MAPA

O consórcio integrou tanto dados coletados pelos pesquisadores em campo quanto resultados de análises anteriores, e produziu um mapa mostrando em que regiões as capoeiras absorvem mais carbono e onde absorvem menos. O mapa poderá ser usado pelos formuladores de políticas públicas para priorizar a conservação em florestas de baixa resiliência e incentivar a regeneração em regiões de crescimento rápido da capoeira.

A princípio a notícia é ruim para a Mata Atlântica, já que sua reposição de biomassa é até 70% mais lenta que na Amazônia – e é justamente ali que há mais florestas precisando de regeneração. Piotto diz que isso seria olhar apenas metade do quadro. “Há muito mais áreas disponíveis para recuperar na Mata Atlântica do que na Amazônia”, afirma.

O estudo deverá ter também implicações para o cumprimento da meta do Brasil para o Acordo de Paris. A chamada INDC aposta na recuperação de florestas como forma de sequestrar carbono e compensar o que se emite pelo desmatamento legal na Amazônia. O leste do Pará é uma das regiões onde mais vale a pena deixar o mato crescer.

Mas isso só se deixarem mesmo o mato crescer. “Se essas florestas vão resistir no campo depende de questões políticas e institucionais que vão além da nossa pesquisa”, afirma Ima Vieira. “No que depender dos produtores rurais, não vão, porque eles as veem como empecilho.”

O Pará é o único Estado da Amazônia que tem uma lei que protege as capoeiras, definindo estágios de sucessão (crescimento) e vedando o desmatamento em capoeiras de crescimento avançado.

Mesmo no Pará, Vieira estima que 50% das capoeiras sejam recentes – portanto, passíveis de desmatamento legal.

Segundo a pesquisadora, preservar as florestas secundárias é importante, mas fundamental mesmo é não desmatar as primárias. “A capoeira não vai recuperar a biodiversidade”, diz. “Elas levam 66 anos em média para recuperar 90% da biomassa, mas 70 anos para recuperar 35% das espécies de árvores nativas.”