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30 de dez de 2008

BRASILEIROS MAIS RICOS TÊM IDH MAIS ALTO DO MUNDO


PNUD - Brasil (Brasília, 22/12/2008)
Rico do Brasil supera o da Suécia em IDH. A elite brasileira lidera lista de 32 países analisados em estudo; os 20% mais pobres têm IDH pior do que os 20% mais pobres de Vietnã e Paraguai.
O IDH do Brasil cresceu e o país é septuagésimo no ranking mundial.

Os brasileiros mais pobres vivem em condições de desenvolvimento humano comparáveis às da Índia, enquanto os 20% mais ricos vivem em situação melhor que a fatia mais rica da população da Suécia, Alemanha, Canadá e França (informações do relatório do PNUD que analisa os números recentes do Índice de Desenvolvimento Humano - IDH) e cita um estudo europeu que conclui que países que atingiram alto desenvolvimento humano (IDH maior que 0,800) nos últimos anos, como o Brasil, ainda têm parte da população sofrendo privações comuns às de países do fim da lista.

No Brasil, a fatia mais rica tem um IDH de 0,997, próximo do máximo (1,000). O número é maior que o IDH do país que encabeça o último ranking obtido, a Islândia (IDH de 0,968); e supera o valor correspondente aos 20% mais ricos de todos os outros países calculados, incluindo o do Canadá (0,967) e o da Suécia (0,959), terceiro e sétimo lugar na lista, respectivamente.
O atual IDH do Brasil, uma média de todo o país, é de 0,807, mas os mais pobres estariam sujeitos a condições correspondentes a um IDH de 0,610, ficando abaixo do segmento dos mais pobres: Indonésia (0,613), Vietnã (0,626), Paraguai (0,644) e Colômbia (0,662). O IDH dos mais pobres brasileiros é comparável ao IDH da Índia (0,609).

"Os resultados mostram que a desigualdade no desenvolvimento humano foi bastante alta, e maior ainda em países em desenvolvimento”, afirma o relatório do PNUD. O texto acrescenta que a América Latina é o continente que apresenta as maiores desigualdades. No Brasil e em países como Guatemala e Peru, a diferença do IDH dos 20% mais pobres para o IDH dos 20% mais ricos só não é superior à de alguns países da África, como Madagascar e Guiné.
O relatório do PNUD ainda destaca outras formas de desigualdade. Segundo o documento, uma criança que nasce em algum dos 20 países do topo do ranking pode viver até os 80 anos, mas se ela nascer nos países de IDH mais baixo, sua expectativa de vida não é maior que 49 anos.
... NOSSAS DIFERENÇAS SOCIAIS ESTÃO SENDO MINIMIZADAS... NO TOPO DO RANKING !!!

6 de dez de 2008

DESLIZAMENTOS / ESCORREGAMENTOS: CONCEITOS

[Eis os conceitos, transcritos do GLOSSÁRIO DE ECOLOGIA E CIÊNCIAS AMBIENTAIS - 3a. edição, 5a. Impressão - em CD/PDF]:

DESLIZAMENTOS / ESCORREGAMENTOS
Em geologia, deslizamentos e escorregamentos são tidos como movimentos de massa, que são deslocamentos de solo, rochas, detritos diversos (incluindo materiais orgânicos) e cobertura vegetal geralmente existente em encosta com declive suficiente para permitir desmoronamento sob ação da gravidade. O conjunto “materiais inconsolidados (areia, silte, argila), ou seja, soltos e não-cimentados (nem compactados), existente em encosta, adicionados de quantidade de água tal que permita que a força da gravidade supere o atrito entre os componentes do solo”, proporciona as condições que conduzem a um deslizamento (ou escorregamento). Alguns autores usam o termo deslizamento para designar movimentos de massa lentos.
Vários fatores contribuem para desencadear esse movimento de massa numa encosta, quais sejam: a) existência de material inconsolidado; b) declive; c) vegetação que, por razão natural (sistema radicular pouco profundo) ou por ação antrópica (por desmatamento ou queima) não condicione estabilidade à massa de terra; d) possível existência de substrato (subjacente) impermeável que sob ação da água nas camadas sobrepostas faça-o atuar como “lubrificante” e conseqüentemente facilite o deslizamento; e) água retida em quantidade tal que permita que a força da gravidade supere a força de atrito atuante nos componentes da encosta; f) eventualmente, tremor de terra.
São inúmeros os registros de deslizamentos que ocorrem anualmente em várias partes do mundo, causando muitas mortes de pessoas e grandes prejuízos materiais. Em 1999, nas montanhas Ávila, na Venezuela, um gigantesco deslizamento de lama, rochas e árvores, causou a morte de 30 mil pessoas e destruição de mais de 20 mil casas. No Brasil, as chuvas de 500 mm que caíram no Vale do Itajaí em Santa Catarina, entre 21 e 23 de novembro/2008 causaram deslizamentos que mataram mais de 120 pessoas, desabrigaram e desalojaram 78 mil pessoas, com vultosos prejuízos materiais (40% da população vivem em encostas; portanto, ricos e pobres foram atingidos). Alguns países mantêm programa de prevenção de deslizamentos, com ações contínuas. Nos Estados Unidos há o “LHP ─ Landslide Hazard Program” (Programa de Riscos de Deslizamentos). Naquele país calculam-se os prejuízos anuais com deslizamentos entre U$1 e U$2 bilhões e mais de 25 mortes. Muitas cidades brasileiras enfrentam problema similar, que requer contínuo acompanhamento por estudos de Geologia, Engenharia Geotécnica, com confecção de cartas de riscos, tais como as cidades de: Rio de Janeiro, Petrópolis, Nova Friburgo, Belo Horizonte, Ouro Preto, São Paulo, Salvador, Recife, Campos do Jordão, Santos, Caraguatatuba, Guarujá e outras.
Em termos ecológicos os deslizamentos, escorregamentos, desmoronamentos, são considerados desastres ecológicos. Em geral, são computados os prejuízos materiais e as perdas de vida humana. Mas desastres ecológicos como esses implicam em prejuízos à vida ambiental como um todo, com resultados (negativos) geralmente imprevisíveis. No estado de Santa Catarina certamente, faz-se necessária atenção especial à legislação ambiental vigente, mormente as que se referem a licenças ambientais e criação de áreas de preservação.


30 de nov de 2008

SANTA CATARINA: CATÁSTROFE DA NATUREZA ALIADA A (DESASTROSAS) ATITUDES HUMANAS


ATÉ A IMPREVISIBILIDADE DA NATUREZA já vem se tornando previsível!!! Este paradoxo aplica-se a muitas ações da Natureza em diversas regiões do mundo. Alguns poucos exemplos: a tsunami que em 27 de dezembro de 2004 destruiu ocupações humanas litorâneas da Indonésia, Índia... matando cerca de 220.000 pessoas (numa região que já se sabe ser suscetível a terremotos, por sua proximidade a locais com placas tectônicas que se movimentam, o ser humano aproxima suas edificações precárias o máximo possível às ações do mar); o furacão Katrina (que encontrou um ambiente vulnerável a suas ações, devido ao fato de que o ser humano tomou o espaço do "agente de tamponamento" ou defesa natural, que são os pantanais na Louisiana, região no golfo do México altamente suscetível a tais fenômenos da Natureza); em Bangladesh os desastres tornaram-se rotineiros (uma combinação de cataclismos naturais com desflorestamento, degradação e erosão do solo) ; e inúmeros outros exemplos relacionados à ocupação humana em ambientes suscetíveis a cataclismos...

E agora é a nossa vez! Já não bastam os históricos períodos de seca no nordeste... vêm as cheias no sul. Nas costas do estado de Santa Catarina são comuns ocorrências como as que ora vêm acontecendo (há registros de tais ocorrências desde o ano de 1852). Na década de 1970 ocorreu catástrofe similar, com quase 200 mortos. E agora as mortes já passam de 110.

A Natureza participa dessa catástrofe com os anticiclones que são sistemas de alta pressão que, no Hemisfério Sul, originam ventos em sentido anti-horário. Eles são comuns no litoral catarinense e no gaúcho, de onde sopram ventos do Oceano Atlântico em direção ao continente. Isolados, não têm a força de causar grandes estragos e sua duração numa mesma região não costuma ultrapassar três dias. Só que, desta vez, por causa de um bloqueio atmosférico, isso não ocorreu. Até sexta-feira, o anticiclone permanecia no mesmo lugar. Ainda que extraordinária, sua longa permanência não teria causado a tragédia não fosse o fato de um segundo fenômeno: o vórtice ciclônico, que ocorreu simultaneamente. Ao contrário do anticiclone, o vórtice ciclônico é um sistema de baixa pressão que atrai ventos e gira no sentido horário. Como indica o nome, ele funciona como um redemoinho em altitudes médias, e também não é um fenômeno estranho à região. O problema surgiu da combinação com o anticiclone: o vórtice ciclônico suga os ventos imediatamente abaixo dele, levando-os para cima, resfriando-os e provocando novas chuvas. Foi assim, por meio da ação extraordinariamente simultânea de dois fenômenos ordinários, que os índices pluviométricos na região atingiram patamares de dilúvio.

E agora um outro componente agravador da catástrofe: a atitude humana perante as características da Natureza: o solo do Vale do Itajaí, a região mais afetada pelas chuvas, é de composição argilosa, o que faz com que se desloque mais facilmente. Encharcada pela chuva forte e constante, essa camada ficou mais pesada. Somem-se a isso a declividade das encostas, os desmatamentos, as ocupações desordenadas e o resultado são deslizamentos destruidores, o principal causador das mortes no litoral catarinense e no Vale do Itajaí. Como 40% da população local reside em encostas, todas as classes sociais foram afetadas.

E assim estamos sempre dizendo: isso aconteceria em qualquer lugar do mundo!!! Vamos nos resignar!!!

6 de nov de 2008

NOVA RESOLUÇÃO DO CONAMA PARA VENDEDORES E FABRICANTES DE PILHAS E BATERIAS

Divulgação do AMBIENTE BRASIL (http://www.ambientebrasil.com.br/), de 06/11/2008



06 / 11 / 2008 Entra em vigor resolução Conama sobre pilhas e baterias
A partir desta quarta-feira (5) todos os pontos de venda de pilhas e baterias do País terão dois anos para oferecer aos consumidores postos de coleta para receber os produtos descartados. Caberá ao comércio varejista encaminhar o material recolhido aos fabricantes e importadores que, por sua vez, serão responsáveis pela reciclagem, ou, quando não for possível, pelo descarte definitivo em aterros sanitários licenciados.O Diário Oficial da União desta quarta-feira traz publicada a resolução nº 401 que estabelece os limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio para pilhas e baterias comercializadas no território nacional e os critérios e padrões para o seu gerenciamento ambientalmente adequado.A norma prevê ainda que nos materiais publicitários e nas embalagens de pilhas e baterias, fabricadas no País ou importadas, deverão constar de forma clara, visível e em língua portuguesa, a simbologia indicativa da destinação adequada, as advertências sobre os riscos à saúde humana e ao meio ambiente, bem como a necessidade de, após seu uso, serem encaminhadas aos revendedores ou à rede de assistência técnica autorizada.Os fabricantes e importadores de produtos que incorporem pilhas e baterias também deverão informar aos consumidores sobre como proceder quanto à remoção destas pilhas e baterias após a sua utilização, possibilitando sua destinação separadamente dos aparelhos.



Para as pilhas e baterias não contempladas na nova norma, fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e poder público deverão implementar programas de coleta seletiva também no prazo de dois anos previsto na resolução. (Fonte: MMA)


OBSERVAÇÃO:


Ainda estamos muito distantes para cumprirmos normas ou recomendações criadas pelo nosso CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA); um exemplo: tentei depositar pilhas e baterias usadas num coletor de pilhas e baterias existente no Centro de Vivência da Universidade Federal da Paraíba (coletor este proporcionado pelo Diretório Central dos Estudantes) e, para minha decepção, não consegui: estava entupido de resíduos sólidos outros (ou se preferem a designação antiga: LIXO). Campanhas de esclarecimento, ou mesmo educação pura e simples, ainda são indispensáveis para preceder ou acompanhar atos da lei.


B.G.

28 de set de 2008

SERVIÇOS AMBIENTAIS NA ECONOMIA DA NATUREZA



ECONOMIA DA NATUREZA OU ECONOMIA AMBIENTAL:
Trata-se de um direcionamento dos estudos e investigações da ecologia e das ciências ambientais para aspectos econômicos de explotação, ou seja, de exploração dos recursos naturais, de maneira sustentável. Atualmente tem sido dada ênfase aos serviços ambientais, que a Natureza presta aos seres humanos (e suas sociedades).

SERVIÇOS AMBIENTAIS:
Atividades ou funções executadas pela Natureza e que têm sido vistas recentemente, como de benefícios imprescindíveis à vida e que podem ser submetidas a avaliações econômicas. Como sejam: o ar que todos respiram, a regulação hídrica (o ciclo da água), o ciclo de nutrientes, produção de alimentos, recursos genéticos (e recursos naturais em geral), regulação da temperatura atmosférica e das águas, absorção e degradação natural de poluentes gerados pela humanidade etc. No quadro acima, à esquerda, observam-se os Serviços Ambientais prestados à sociedade por uma mata preservada, como a Mata do Buraquinho, em João Pessoa. No quadro, os números entre parênteses significam:
(1) EXISTENTE NA MATA PODENDO SER UTILIZADO (2) EXISTENTE MAS NÃO DEVE SER UTILIZADO
—Um exemplo da importância dos valores dos serviços prestados pela Natureza ao homem:
a expansão de uma ampla rede de áreas protegidas custaria à humanidade cerca de U$4 bilhões por ano, representando assim uma “pechincha” se comparados aos U$38 trilhões atribuídos aos serviços prestados pela Natureza (este valor equivale à soma do PIB de todos os países do mundo).

—OS ECOSSISTEMAS PROVÊM UMA GRANDE VARIEDADE DE PRODUTOS E SERVIÇOS QUE GARANTEM SUSTENTABILIDADE COM BOA QUALIDADE DE VIDA.
—EXEMPLO: “Uma floresta, além de fornecer madeira/lenha, facilita ou intensifica a retenção de solo e a qualidade da água (filtrando os contaminantes da água à medida que esta flui através das raízes e do solo), controla as enchentes (regulando o movimento da água através dessa bacia hidrográfica), a polinização (proporcionada pelos polinizadores que habitam a periferia da floresta), o seqüestro do carbono (na forma de biomassa adicional), a conservação da biodiversidade (incluindo o habitat da floresta e a ampla faixa de espécies que ela abriga) e a estética da paisagem”.
EXTERNALIDADES:
—Conseqüências não intencionais da produção e que, diferentemente da economia de mercado em que o consumidor paga pelos insumos influenciando, portanto, na produção, tais externalidades não são valoradas, não se lhe atribuindo nenhum valor econômico e daí não há “feedback” (ou realimentação) da produção.
ALGUMAS CONCLUSÕES:
—Uma empresa, seja estatal ou privada, que explore um recurso, água por exemplo, e que este recurso para que possa estar disponível e de boa qualidade necessita de uma mata preservada e de um curso d’água (externalidades) deve ela aplicar parte dos seus lucros na preservação desses componentes ambientais vitais.
Um bom exercício mental: vamos pensar no caso da Mata do Buraquinho, com seus 500 hectares e sua localização urbana (em João Pessoa), como uma fonte de serviços ambientais.



5 de set de 2008

USINA GERADORA DE ELECTRICIDADE COM "CARVÃO LIMPO" USANDO "OXYFUEL" (OXICOMBUSTÍVEL)

[Scientific American, 04/09/2008]
Os Estados Unidos produzem metade de sua eletricidade a partir da queima de carvão mineral, a qual emite para a atmosfera mais de 40% de todas as emissões de CO2 daquele país. Na Suécia, a companhia Vattenfall tem problema similar; embora a maioria da eletricidade daquele país provenha de hidrelétricas e usinas nucleares. Na antiga Alemanha Oriental essa mesma companhia sueca produz energia elétrica a partir de processos antigos de queima de carvão. Nesta usina é queimada uma das mais "sujas" formas de carvão mineral: a lignita.


Em assim sendo, a Vattenfall decidiu construir um projeto demonstrativo em que é queimado o "oxyfuel" (literalmente, oxicombustível). Trata-se da queima da lignita numa atmosfera rica em oxigênio puro e CO2, ao invés de ar normal. Estando o ambiente da queima de carvão completamente livre de nitrogênio e outros gases, produz-se nessa queima um CO2 quase puro e vapor d'água. O problema principal é que para livrar-se do nitrogênio (78% do ar que respiramos é nitrogênio) há necessidade de grande gasto da própria energia gerada. Esta tecnologia do oxicombustível já é utilizada nas indústrias do aço e alumínio, podendo ser economicamente viável para gerar energia elétrica, a depender da demanda, podendo atingir 1.000 MW produzidos pelas usinas convencionais.


O CO2, como subproduto da queima do carvão, é colocado em "containers" e bombeado para locais subterrâneos de onde há muito tempo se esteja extraindo gas metano, facilitando assim a saída do restante desse gas.


Ainda neste mes de setembro a usina, de U$100 milhões, estará entrando em operação demonstrativa. Resta saber no entanto, quão seguro será o processo de retenção do CO2 nos vazios subterrâneos.

28 de ago de 2008

O "PERMAFROST" NO AQUECIMENTO GLOBAL














SCIENTIFIC AMERICAN - 26/agosto/2008

“PERMAFROST” Solo com água, quase permanentemente congelada, estando sob a forma líquida em período muito curto do ano, típico da região ártica, sobre o qual ocorre a tundra.

Segundo o pesquisador David Lawrence do National Center for Atmospheric Research no Colorado, E.U.A., os 335 cm (= 3,35 m) superiores do solo no polo Ártico continuam a derreter. Buracos de escoamento se formam, rodovias se curvam, florestas e casas sofrem inclinações, "como se estivessem descarregando seu ódio sobre a paisagem, sobre a vida selvagem e cidades". Estima-se que as áreas de permafrost cairão dos 10.359.000 km2 atuais para 1.035.000 km2, fato este previsto para ocorrer até o ano 2100. Na foto acima vê-se em azul claro a área do Ártico onde hoje existe o permafrost e em azul escuro a área futura.

Os rios do Ártico já estão carregando mais 7% de água doce para o oceano do que carregavam nos anos de 1930.

E o mais preocupante: essa camada de permafrost contém algo entre 20 e 60% de todo o carbono aprisionado em solos do mundo. Seu derretimento, portanto, conduziria a um maciço sistema positivo de realimentação que elevaria mais ainda a concentração dos gases do efeito estufa. Tais gases, dióxido de carbono e metano, seriam liberados pela decomposição da matéria orgânica hoje aprisionada no permafrost congelado.







22 de jul de 2008

Foz do rio Amazonas: eficiente dreno de carbono atmosférico

Divulgação na revista inglesa New Scientist mostra resultado de pesquisa por oceanógrafo norte-americano demonstrando a grande importância do fitoplâncton do oceano Atlântico na captação de carbono atmosférico. Veja o verbete FONTE e DRENO, extraído do Glossário de Ecologia e Ciências Ambientais (Autor: Breno Machado Grisi; 3a.ed., 4a.impressão, 2008) e entenda o por quê deste potencial do rio Amazonas para a redução do aquecimento global:
FONTE E DRENO (ou CAPTOR)
Referem-se estes termos respectivamente, ao componente ambiental de onde se origina um nutriente (ou elemento químico participante da biogeociclagem) e ao componente que absorve ou fixa tal nutriente (tirando-o momentaneamente do processo de ciclagem).
As florestas, ao tempo em que atuam como dreno ou captor de carbono, absorvendo-o da atmosfera e fixando-o na sua fitomassa, elas também atuam como fonte, uma vez que emitem carbono a partir de sua respiração. Além disso, a queima de uma floresta representa uma grande fonte de carbono e outros gases do efeito estufa. Seu manejo adequado, com replantios constantes, é uma garantia de que uma floresta atue mais como dreno ou captor de carbono do que fonte; além de ser uma grande fonte de oxigênio, quando em crescimento.
Pesquisas recentes divulgadas em New Scientist (www.newscientist.co.uk) mostraram que “explosão estacional” de fitoplâncton do oceano Atlântico quando fertilizado pelo rio Amazonas, constitui-se em dreno altamente eficiente de carbono da atmosfera. As pesquisas foram realizadas na foz do Amazonas. O fitoplâncton mostrou-se ser ainda, grande fixador de nitrogênio da atmosfera, enriquecendo assim a água oceânica. Esta forma de armazenamento é muito eficiente pelo fato de que os principais organismos fotossintetizadores são diatomáceas, que têm proteção externa silicosa, fazendo com que após sua morte, elas afundem, levando consigo cerca de 20 milhões de megagramas (ou toneladas) de carbono por ano (segundo estimativa dos pesquisadores). É possível que na foz de outros grandes rios, como o Congo e o Orinoco, possa também existir tal eficiente dreno de carbono.

12 de jul de 2008

ESTAÇÃO CIÊNCIA: INICIATIVA CERTA EM LOCAL ERRADO!!!




Quem sou eu para não apoiar uma iniciativa pró-ciência?! Na juventude, eu procurava conhecer tudo sobre ciência que me chegasse ao alcance dos olhos e ouvidos (filmes e notícias de rádio e um pouquinho mais tarde, pela TV) e ao alcance do bolso (até em Seleções do Reader’s Digest!); e algumas vezes filava leituras nas revistas americanas Times e Newsweek. Optei na graduação e pós-graduação em buscar conhecimentos em ecologia. O governo brasileiro, mais precisamente, o povo brasileiro, investiu muito recurso na minha formação científica, feita no sul do Brasil e no exterior. Ciência, tornou-se a essência da minha atividade profissional. Somente no doutorado, já com 35 anos de idade, pude conhecer um local onde se vê, se sente, se vive um ambiente científico, disponível à visitação pública (um sonho em minha juventude!); foi nos Museu Britânico e Museu de História Natural, ambos em Londres.
Sempre tive a consciência de que era meu dever proporcionar retôrno à sociedade; pesquisando sobre nossos ambientes, ensinando e participando da formação de bons profissionais e, desejavelmente, participando de ações em questões ambientais relevantes. Mas, entre o que deveria ser feito e o que é realizado de fato, existe o nó górdio: governantes e políticos. Os desencontros foram tantos, que desisti de continuar realizando estudos de impactos ambientais, onde no final, eu somente servia para legitimar as ações desejadas pelos empreendedores! Muitas delas maléficas à Natureza. Mas sempre continuei à disposição para discutir ações que governos intencionassem perpetrar. Aliás, é um direito de qualquer cidadão participar de discussões sobre projetos em sua cidade.
Disso tudo, tiro algumas conclusões práticas sobre a implantação e construção de uma Estação Ciência, aqui em João Pessoa. LOUVÁVEL a iniciativa de uma obra desse porte. REPROVÁVEL o local específico escolhido para sua construção. Não me compete discutir aspectos relativos à prioridade (ou não) de cunho sócio-econômico, custo-benefício e outros...Nem tampouco sobre a exposição do equipamento ali instalado aos efeitos dos aerossóis marinhos (os borrifos, a maresia), pela grande proximidade à linha costeira e ausência de vegetação protetora (a restinga). A falésia do Cabo Branco, da formação Barreiras (costeira, terciária), de arenitos friáveis, caracteriza-se como área que, num critério ecológico passível de interferência humana receberia um sinal “vermelho”: nenhuma interferência humana deve aí ocorrer. Até algumas dezenas de metros adentrando o continente, o sinal seria “amarelo”: não é aconselhável interferência. Somente após os 100 m surgiria o sinal “verde”: apropriado a alguns tipos de interferência. O local onde foi construída a Estação Ciência situa-se na interface “vermelho-amarelo”, local este que encanta governantes e atrai turistas. Este último, infelizmente, critério prioritário de julgamento. Acrescentem-se nas interferências, as vias de acesso e o movimento para ali atraído. Alguns efeitos negativos: trepidação, aumento de fluxo de água pluvial e sua condução nem sempre perfeita, subtração de vegetação natural (redutora de impactos e fixadora do solo).
Há mais de duas décadas que observo e fotografo a falésia do Cabo Branco, que dizem estar sendo destruída peolo avanço do mar. Ledo engano! Há sinais de que a destruição vem ocorrendo de cima p’ra baixo! No sopé da barreira, atingida pelo mar, a Natureza se recompõe. Se dermos “uma mãozinha” a esse fenômeno natural, a falésia será preservada. Mas no topo dela, o homem vem comprometendo sua sustentação. As fotos acima ilustram os fatos: todas as fotos mostram que no sopé da barreira, a existência de rochas e ajuntamento de areia proporcionaram um ambiente propício ao aparecimento de vegetação natural, resistindo à ação do mar; a deposição de areia resulta do desmoronamento no topo da barreira (onde passa uma via asfaltada com trânsito de veículos); a foto inferior na direita foi tirada exatamente na altura da localização do farol, onde os turistas param para observar a paisagem. São fatos ou serão só argumentos?!
De qualquer forma, é uma lástima que no nosso meio, iniciativa tão relevante não seja precedida por discussão de mesmo porte!!!
Breno Grisi (ecólogo)

6 de jul de 2008

AQUECIMENTO GLOBAL: ESTÁ CADA VEZ MAIS COMPLICADO!!!

[BILINGÜE]
New Scientist, 02/julho/2008
INGLÊS: TV boom may boost greenhouse effect
PORTUGUÊS: Incremento [na fabricação] de TV [tela plana] pode elevar o efeito estufa
INGL.: An industrial chemical being used in ever larger quantities to make flat-screen TVs may be making global warming worse. However, because it's not covered by the Kyoto protocol, nobody knows by how much.
PORT.: Um produto químico industrializado que está sendo usado em quantidades cada vez maiores para fabricar TVs com tela plana pode piorar o efeito global. Entretanto, por não ter sido contemplado pelo protocolo de Kyoto, ninguém sabe o quanto ele contribui.
INGL.: The gas is nitrogen trifluoride (NF3). As a greenhouse gas it is 17,000 times as potent as carbon dioxide, molecule-for-molecule, yet is not covered by Kyoto because it was made in tiny amounts when the protocol was agreed in 1997.
PORT.: O gas é o trifluoreto de nitrogênio (NF3). Como gas do efeito estufa ele é 17.000 vezes mais potente do que o dióxido de carbono, molécula-a-molécula, mas ainda não foi contemplado por Kyoto porque ele ainda era produzido em quantidades diminutas por ocasião do acordo em 1997.
INGL.: Even today, no one is measuring how much reaches the atmosphere. The one certainty is that it is accumulating. In a new study, Michael Prather of the University of California, Irvine, calculates that it has a half-life in the atmosphere of 550 years.
PORT.: Mesmo hoje, ninguém está medindo quanto alcança a atmosfera. A única certeza é que ele está se acumulando. Em novo estudo, Michael Prather da Universidade da California, em Irvine, calcula que ele tem meia-vida na atmosfera de 550 anos.

20 de jun de 2008

...E TOME-LHE LENHA NA FOGUEIRA!!!

...na fogueira das discussões, é óbvio!
Tenho observado que grande parte das pessoas que defendem a perpetuidade da queima livre e desmedida de lenha, nas celebrações juninas, utilizam-se muito do argumento da manutenção das nossas tradições culturais e pouquíssimo dos fatos ambientais. Eu não sou contra tal tradição cultural, contanto que nela seja inserida uma limitação consciente, com preocupações para não alimentar a tão disseminada “cultura do desperdício”, que viceja no nosso país. Já nos basta a barbárie da perda de um terço do alimento produzido no Brasil, do local de sua produção até a mesa do consumidor.
Numa análise muito resumida, dois aspectos vêm se sobressaindo entre aqueles que, incontinente, defendem a manutenção dessa tradição, sem nenhum reparo: 1) A manutenção das fogueiras por tratar-se de uma tradição cultural (a comida típica, a dança e as brincadeiras em torno da fogueira...), manifestação religiosa (relembrando o ato de Isabel avisando à N.Sra. que tinha dado à luz, o devoto pisando em brasa...); tudo isso sob a óptica dos cristãos católicos, até há pouco tempo uma massa cristã dominante! 2) A contribuição ínfima desse ato de queima, ao aquecimento global ou efeito estufa.
Como ecólogo, não me atrevo a comentar sobre tradições religiosas, nem sobre a importância das manifestações de fé, ou mesmo diversão, uma das pouquíssimas de que dispõe o residente no sertão nessa curta época do ano, argumentam alguns. Atenho-me a comentar um pouco sobre o segundo aspecto dessa questão: a problemática ambiental.
Àqueles que priorizam a defesa das tradições, lembro-lhes que muitas outras tiveram que ser abandonadas por serem reconhecidamente “fora dos tempos atuais” ou impossíveis de serem praticadas, algumas em termos puramente ambientais, outras por princípios humanitários e outras por tudo isso e mais por terem sido adotadas práticas de maior avanço tecnológico e conseqüentemente, maior rendimento, conforto etc. Vejamos algumas: (1) tenho amigos que relatam com saudade os tempos em que saíam para o mar e traziam dezenas de quilos de lagosta, camarão e peixe (observação quase inútil: lembro-me que a última vez que comi lagosta, foi comprada pela minha mãe na porta de casa, nos anos 1967-69); (2) conheço senhores que relembram quando “se divertiam” nos fins de semana, saindo para caçar e seus filhos também praticavam matança similar com suas atiradeiras abatendo passarinhos, lagartixas e outros pobres animais; (3) quando em 1949 morei em Patos, bravio sertão paraibano, tinhamos energia elétrica até o começo da noite, gerada por queima de lenha (em João Pessoa e muitas outras cidades também foi assim, antes de mudar para queima de óleo e a partir da década de 1950 para geração hidrelétrica); (4) donde concluímos que a madeira era abundante (outra observação quase inútil: nos anos 1973-76 morei em Ilhéus, na Bahia, numa casa com o assoalho de quartos e salas taqueado com jacarandá, e hoje relembrando, acho que vou rir, porque se chorar, os móveis de minha casa, todos em aglomerado, se esfacelarão aos pingos de lágrima!).
E a contribuição das fogueiras ao efeito estufa? Grande parte dos processos na Natureza, mormente os deletérios, se somam. Se pudermos evitar a redução de gases do carbono emanados de atividades passíveis de contrôle, que o façamos. Não poderemos evitar que gás metano (do efeito estufa) seja emanado dos arrozais e da ruminação de bovinos, pois a população humana em breve chegará aos 10 bilhões e a expansão desse cultivo e de pastagens é inevitável. Os manguezais nos estuários também emanam tais gases, mas são responsáveis por uma das maiores produções de alimento do mundo.
Mas podemos reduzir emanação de gases do efeito estufa, optando por carros econômicos (enquanto um “SUV-Sport Utility Vehicle”, essas caminhonetonas, percorrem uma média de 5 km com 1 litro de gasolina, o meu carrinho percorre 14 km); podemos abolir a queima de florestas; e está ao nosso alcance atos simples, mas que contribuem positivamente, como a fogueira comunitária. Um lembrete importante: o São João é, antes de tudo, uma festa comunitária, bem lembrado pelo amigo agrônomo, pedólogo, Luiz Ferreira.

18 de jun de 2008

A POLÊMICA DAS FOGUEIRAS

Conta-se que certo indivíduo tentou convencer outros, de diversas nacionalidades, a pularem num precipício. Ao inglês, convenceu-o dizendo que era um “pedido da rainha”; ao italiano, dizendo que lá embaixo “lhe esperava a Sophia Loren”; ao francês, “que era pela glória da França” e este despencou aos gritos de “Vive la France”!; ao americano dissuadiu-o dizendo que ele iria lá encontrar “1 milhão de dólares”; e ao brasileiro ... colocando uma placa É PROIBIDO PULAR.
Como professor de ecologia e pesquisador, nunca fui muito simpatizante do “proibir” e talvez por isso, nunca me atraiu a advocacia. Optei pela educação. Esta me parece ter bases mais construtivas e duradouras. Gostamos de dizer que muitos povos respeitam a lei, enquanto nós a tememos! É fato conhecido que nós aqui no Brasil dispomos das mais completas leis de proteção ambiental do mundo. E é também fato conhecido que nós estamos entre os maiores destruidores da Natureza, no mundo. Donde concluo que sensibilizar nosso povo para a necessidade de nos adaptarmos à mudança dos tempos e conscientizá-lo para a urgência em agir, em benefício das gerações futuras, é um imperativo incontestável. Enxergar muito mais adiante do que somente algumas poucas gerações à frente, como costumamos fazer ao dizermos “isto é para os meus filhos e netos”, faz-se necessário e urgente. Nossa responsabilidade é deixarmos a Natureza para as gerações futuras (sem limite), no mínimo, com os recursos que encontramos. Muitos ecólogos e outros profissionais que lidam com as questões ambientais, acham que temos o dever de deixar o nosso planeta em condições melhores até! Um dos fortes motivos para isso: a cada dia que se passa dispomos de mais conhecimento e melhores condições tecnológicas para assim fazê-lo.
Conservar a Natureza envolve muitas atitudes e procedimentos. Um deles, que sempre vem à tona nesta época do ano por suas conseqüências negativas é a queima desenfreada de lenha. Em alguns locais de nossa maravilhosa região nordeste existe até concurso para ver quem monta a maior fogueira! Oh meu Deus! Só me vem à mente esta expressão. Não gosto de sair de casa na véspera do São João para não ter que ver e sentir tamanho desperdício, principalmente porque tenho certeza que tal recurso natural renovável, não será renovado. Se assim o fosse, respeitando-se o uso adequado do solo, este lado negativo de nossas tradições se reduziria.
Reconheço e respeito as nossas tradições culturais da nossa festa do milho e de manifestação religiosa. Assar o milho numa fogueirinha e brincar em torno dela não é nenhuma tragédia ambiental. Mas soltar balão pode ser uma tragédia! O aquecimento global, a poluição atmosférica com gases do efeito estufa e partículas sólidas não sofrerão grandes acréscimos por causa disso. Mas, ainda sonho com o dia em que nesse momento de celebração, possamos reduzir o gasto com este recurso natural que ainda é de ampla utilidade para nós. A lenha ainda é o combustível para cozer alimento de muitas pessoas pobres; alimenta fornalhas de padarias, olarias e outros processos de produção. Quando estou em sala de aula, trabalhando com futuros pedagogos, insisto em que eles tentem convencer as pessoas das ruas em que moram, ou seus familiares, para fazerem apenas uma fogueirinha ou uma fogueira comunitária. Ao invés de 10 fogueiras por rua, 1 só fogueira já reduziria em 90% o gasto de lenha.
A consciência ecológica do agir localmente é um trabalho de formiguinha que só aparecerá globalmente se a prática dos 3 Rs (reduzir, reutilizar, reciclar) tornar-se rotina no dia-a-dia nas escolas e na nossa vida. Por isso, só acredito na EDUCAÇÃO.

20 de mai de 2008

ALIMENTOS versus BIOCOMBUSTÍVEIS

Antes dessa crise de alimentos, o Eng.Agrôn. LUIZ FERREIRA (ex-pesquisador da CEPLAC) publicou na Agência de Notícias- http://www.r2cpress.com.br/ - a seguinte crônica, que achei ser útil aqui divulgar.

A ENERGIA PRIORITÁRIA

Informações da FAO (Organização das Nações Unidas para a agricultura e alimentação) dão conta que, no ano 2010, deverão existir 650 milhões de famintos, com base no declínio agrícola mundial dos últimos 30 anos.
Por outro lado, enquanto os paises ricos têm investido na produção de alimentos, sobretudo depois da crise do petróleo, com a aplicação de tecnologias, existindo hoje excesso de oferta, os paises pobres, sempre na contramão da história, continuam a aumentar a sua indigência rural. Essa estratégia das Nações desenvolvidas se deveu ao simples fato de que petróleo não se come, aliado à constatação de que os árabes são carentes em agricultura, daí se ter projetada a hegemonia do alimento sobre o produto fóssil, como salvaguarda.
Enquanto isso, 7 milhões de hectares de terrenos são perdidos pelo mau uso do solo estimando-se que 250 milhões outros, poderão perder o seu valor agrícola em 20 anos.
Dessa forma, o desafio, especialmente para os paises subdesenvolvidos, é incrementar urgente a produção de grãos, raízes, tubérculos e frutas, além da proteína animal, utilizando tecnologias compatíveis à natureza de seus solos, de modo a não degradar as suas terras. Adicionalmente, é fundamental que se produza em lugar certo, com a vinculação do homem do campo à cidadania econômica.
Isso significa dizer: (a) o solo tem que ser manejado, como se fora um legado usufruto, de modo a que passe às gerações futuras com sua capacidade produtiva; e (b) os alimentos devem ser produzidos em áreas descentralizadas, contemplando o pequeno agricultor, de maneira a que o alimento chegue às populações carentes, seja como auto-subsistência, ao nível das feiras, sem intermediários, etc, possibilitando acabar com a fome no campo.
Dentro dessa visão, é fundamental a participação da pequena produção, não como unidades isoladas e operacionalizadas com a enxada, a “matraca”, etc, mas sob sistemas cooperativos ou de empresas associativas, dentro de um programa abrangente de governo, que contemple desde a organização da produção ao associativismo, possibilitando ao pequeno agricultor produzir com tecnologias, ter garantias mercadológicas, acesso aos insumos e, em última análise, ser um empresário vinculado à economia de mercado.
E aí estão os sem-terra, que poderiam prestar uma contribuição fantástica ao país, tanto no que concerne a acabar com os famintos, como evitar a miséria urbana. Isso se, além da terra, o governo pensasse em desenvolvimento rural integrado e, não simplesmente, como parece ser o caso, apenas assentar sob pressão, para “inglês ver”, como se estivesse interessado em mantê-los no campo, evitando que a miséria se desloque para os grandes centros.
Em reforço, não basta uma produção de 200 ou mais milhões de toneladas de grãos, se ela não permite que mais de 20 milhões de pessoas tenham acesso à comida, significando dizer que há algo de errado neste modelo de desenvolvimento econômico brasileiro.
E a tendência é se agravar com o enfoque exagerado “agroenergético”, substitutivo do petróleo, numa inconseqüente expansão descontrolada da cana-de-açúcar, ”atropelando” as culturas de subsistência, como já mostra estudos em São Paulo, por mais que o governo negue, reduzindo os seus plantios e/ou elevando os seus preços, quando os alimentos são a mais importante fonte energética humana.
Não se deve esquecer o fiasco da mamona, fazendo com que o governo para cantar de galo, como grande produtor de biodiesel, tem recorrido à soja, uma fonte alimentar sem igual.
E por falar nisso, como tudo que acontece no nosso país - vale mais o efeito político e que se dane o planejamento - o etanol tão decantado pelo governo, poderá se transformar em dor de cabeça futura, pelo descontrole, haja vista o investimento mundial em produzi-lo com outros cultivos e, sobretudo, através da hidrólise da celulose. Neste último caso, a cana perderia a sua prevalência, provavelmente.
Num país, como o Brasil, rico em solos, clima, relevo, altitude, bacias hídricas, mão de obra ociosa, etc podendo-se plantar desde a batata doce à maçã, nada justifica o brasileiro passar fome, a não ser a incompetência dos homens que mandam nessa Nação, incluindo o poder público e a elite burra, sem antevisão de futuro, sem patriotismo e, por que não dizer, destituída de espírito cristão.
Mais fácil e lucrativo tem sido para todos os governos, a distribuição de esmolas (apelidadas, hoje, de bolsas), faturando na boca da urna, do que investir no meio rural, implementando uma política integrada de aproveitamento dos recursos da terra, na qual o homem do campo seria o epicentro do sistema.

16 de mai de 2008

NOVO MINISTRO DO MEIO AMBIENTE, NOVOS PROBLEMAS???

Vale a pena ler artigo de O ECO, divulgação do site http://www.portaldomeioambiente.org.br/

Saída calculada: análise sobre a saída de Marina
16/5/2008
Muita gente apostou que ela sairia quando a Lei de Biossegurança foi aprovada, liberando o plantio de transgênicos sem estudos de impacto ambiental. Outros diziam que, quando o governo Lula aprovasse as grandes obras de infra-estrutura para Amazônia, a ministra do Meio Ambiente pediria as contas. Mas vieram rodovias na floresta, o licenciamento das usinas hidrelétricas do rio Madeira, e Marina Silva não arredou pé. Porém, foi nesta terça-feira 13 de maio, Dia da Abolição, que a acreana Maria Osmarina Marina da Silva, abandonou o governo de seu aliado de longa data Luis Inácio Lula da Silva. Mas por que só agora, depois de engolir tanto desaforo?
Engana-se quem acha que Marina Silva resolveu sair do ministério do Meio Ambiente ao saber que o presidente Lula entregaria a coordenação do PAS (Plano Amazônia Sustentável) ao ministro Mangabeira Unger. A ministra começou a amadurecer essa decisão bem antes do lançamento do programa na última quinta-feira, em Brasília. Há cerca de seis semanas, ela avisou a um grupo muito próximo de assessores que talvez fosse hora de começar a se preparar para voltar ao Senado. Disse, no entanto, que não faria nada precipitadamente e que sua saída do ministério, se realmente ocorresse, aconteceria lá para fins de julho, início de agosto.
Marina não contou a ninguém, mas na época, começou a achar que o presidente estava agindo no sentido de desmoralizá-la lenta e gradualmente. Para começar, Lula fez coro com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, questionando os números do Inpe, corroborados por dados levantados pelo Imazon, de que o desmatamento na Amazônia estava recrudescendo. O presidente tampouco reagiu quando as ações da Polícia Federal viraram alvo de críticas dos ruralistas, que pediam mais cerimônia das autoridades no combate ao desmatamento nos 36 municípios considerados os mais críticos da região.
Existem indícios de que mais uma indisposição entre o governador Blairo Maggi e Marina Silva – durante o lançamento do PAS, na semana passada – tenham motivado sua saída. Procurada pela reportagem de O Eco, a assessoria do governador de Mato Grosso não quis responder.
Lula também não se mexeu quando foi alertado por Marina e seus assessores no ministério do Meio Ambiente que os ruralistas estavam se mexendo para passar no Congresso o projeto de lei do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), conhecido pelas alcunhas de ‘Floresta Zero’ e ‘Estatuto do Desmatamento’, que prevê a redução da reserva legal em fazendas na Amazônia de 80% para 50%. A ministra também sentiu que no Planalto não havia muito apoio para uma medida adotada no início de março pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), impedindo bancos públicos e privados de concederem crédito a fazendas que não estejam cadastradas nos órgãos ambientais e com um plano de recuperação de suas reservas legais registrado nos órgãos competentes.
Cortes no PAS
A medida tomada pelo CMN, para a qual a Casa Civil e o ministério da Agricultura torciam o nariz, poderia muito bem secar um bom naco do crédito que financia o corte de árvores na região Norte. Os fazendeiros resistiram frontalmente a ela, evitando fazer o cadastramento e pressionando seus representantes em Brasília a pedir o adiamento de sua entrada em vigor, marcada para primeiro de julho. A falta de uma palavra pública do Planalto em favor da medida, sinalizou a Marina que ela talvez estivesse natimorta, dando a então ministra mais motivos para ir embora.
O silêncio do Planalto sobre os ataques do ministério da Agricultura contra a lista de propriedades embargadas por problemas ambientais que o Ibama colocou na Internet, foi outro sinal de que talvez tivesse chegado a hora de partir. As razões finais para pedir o boné, no entanto, vieram na quarta-feira da semana passada. No fim da noite, às vésperas do lançamento do PAS, Marina descobriu que o programa que ela levara para a análise do Planalto tinha sido reduzido a trapos pelas tesouras da Casa Civil da Presidência da República.
Das duas dezenas de decretos de criação de Unidades de Conservação que estão engavetadas desde o início do ano passado na escrivaninha de Erenice Guerra, secretária-executiva de Dilma Roussef, apenas 3 foram liberadas. E entre elas não estava a unidade mais cara à ministra, a Reserva Extrativista do Médio Xingu. De fora do anúncio, ficaram também as propostas sobre pagamentos por serviços ambientais prestados por áreas cobertas com floresta e um pacote de medidas para forçar a regularização fundiária na região. Foi demais para Marina.
Máquina do Planalto
No fim de semana, ela revelou a alguns assessores que provavelmente sairia do governo antes do que imaginava. Mas foi só na segunda-feira de manhã que ela tomou a decisão, avisada a amigos e auxiliares próximos através de uma mensagem de texto enviada para seus celulares, marcando sua despedida oficial para o dia seguinte. Na segunda de noite, reuniu 13 assessores diretos e pediu que eles permanecessem em seus cargos a espera da indicação de um novo ministro. A quem quis uma explicação sobre sua decisão, Marina respondeu que era impossível ficar depois de tantas demonstrações de falta de apoio presidencial.
Na terça-feira, Marina ainda teve o dissabor de ter de enfrentar a máquina de comunicação do Planalto. Em silêncio, ela viu o palácio vazar a sua carta de demissão, um texto escrito por ela apenas para os olhos do presidente, e soltar uma série de boatos sem qualquer fundamento. O primeiro dizia que Lula já esperava a demissão há dois meses e tinha convidado Carlos Minc, secretário de meio ambiente do Estado do Rio, para assumir o cargo.
Outro garantia que o presidente tinha sido tomado de surpresa e estava irritado com a decisão de Marina, o que ele em nenhum momento externou para a ex-ministra. No fim do dia, o Planalto soltou que o seu substituto seria Jorge Vianna, ex-governador do Acre. Finalmente empurrou um terceiro nome para a disputa, José machado, petista, ex-prefeito de Piracicaba e atual diretor da Agência Nacional de Águas.
Repercussão
Se são uma, duas ou mais razões imediatas que forçaram a saída da ministra, o mais importante nessa discussão é que, há anos, Marina Silva falava sozinha. Como lembra a jornalista Miriam Leitão em seu blog, a ministra engoliu muitos desaforos e foi diversas vezes desrespeitada dentro do governo, como a viagem do ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos para planejar ações na Amazônia, coisa que ele já demonstrou ser inapto, para dizer o mínimo. A saída demorou desde a época em que Marina Silva disse que perdia o pescoço, mas não o juízo.
Para Adriana Ramos, do ISA – Instituto Socioambiental, a saída de Marina Silva mostra que todos os esforços do Ministério do Meio Ambiente foram em vão, demonstra claramente que a política da cúpula do governo federal não está alinhada com nada ligado à preservação. “Sua saída é muito ruim para o Brasil e para o governo. O impacto internacional será grande, ainda mais às vésperas da Conferência da ONU sobre a Biodiversidade”, avalia. Segundo a ambientalista, Marina Silva sempre defendeu o presidente Lula e o governo, mesmo quando isso trazia perdas a sua pasta. “Ela chegou a um limite, pela pressão do PAC, pela da falta de disposição do governo em acatar e implementar as medidas propostas pelo MMA. É compreensível que isso tenha acontecido”, diz.
Que a demissão da ministra foi uma clara sinalização de que ela não estava, há muito, se sentindo apoiada o suficiente dentro do governo pouca gente duvida. O desafio é saber se o que foi avançado até agora na política ambiental não sofrerá retrocessos. “Um recuo agora não seria bom pro governo, nem mesmo para o setor da agricultura”, opina Sergio Guimarães, membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e coordenador do Instituto Centro de Vida (ICV). Segundo ele, um recuo neste momento poderia comprometer a política de biocombustíveis em nível internacional. “A Marina é conhecida e bem vista internacionalmente. De certa forma, ela dava aval ao governo Lula na área ambiental", diz.
A saída da ministra Marina Silva começou a ser comemorada cedo em Mato Grosso. A Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), que sempre se queixou que a área ambiental do governo travava o desenvolvimento do estado, declarou que espera um novo ministro de meio ambiente menos radical do que Marina. O presidente da entidade, Rui Prado, defendeu, segundo sua assessoria, que “a ministra é uma pessoa extremamente comprometida com a causa ambiental e com a comunidade internacional sem se preocupar com o Brasil e com os brasileiros”.
A demissão de Marina Silva também acarreta dúvidas dentro dos órgãos ambientais do governo. De acordo com um analista ambiental do Ibama que preferiu não se identificar, o sentimento é de que tempos piores virão. Para ele, o poder desenvolvimentista dentro de Brasília ganha cada vez mais força, o que indica a escolha de uma nova cúpula para o ministério totalmente atrelada a interesses econômicos . Até agora, Lula conseguiu emplacar todas as obras prioritárias do PAC. Os funcionários temem que o meio ambiente, a partir de agora, fique relegado ao décimo plano.
*Aldem Bourscheit, Andreia Fanzeres, Felipe Lobo, Gustavo Faleiros e Manoel Francisco Brito
Fonte: O Eco.

10 de mai de 2008

MEIO AMBIENTE E INDIOS NO BRASIL

Como participante do "Grupo Brasil", criado por iniciativa de ex-colega do Centro de Pesquisas do Cacau (na Bahia), o experiente e competente engenheiro agrônomo, pedólogo, Luiz Ferreira da Silva, dei minha contribuição às discussões sobre a causa indígena, escrevendo o ensaio que segue.
GIGA-ZOOLÓGICO HUMANO
Confesso sentir-me obrigado a dizer que em pleno século das esperanças de mudanças, continuamos com as mesmas atitudes de séculos anteriores. Mormente com referência às relações homem-Natureza preocupa-me o fato de que ainda há brasileiros (e muitos) que pensam que vivemos num país com recursos inesgotáveis. E em assim sendo, continuamos, sob a égide governamental, tratando nossos recursos naturais como filho de rico que não sabe (ou nem quer saber!) o que herdou e “torra tudo”. As leis (ah! As Leis) são, só da União, milhares. As nossas leis concernentes ao meio ambiente são tidas como as mais avançadas do mundo. Mas, como disse Tacitus Publius Cornelius, no ano de nascimento de Cristo, "Corruptissima republica, plurimae leges” = Quanto mais leis tem um país, mais corrupto ele é. Por isso, penso que logicamente elas devem existir, mas desacompanhadas como são, de um processo educativo efetivo e eficiente, é de insignificante valia. Empresários e povo, continuam desrespeitando-as, atropelando os direitos alheios, subornando e, entre tantos outros mais desmazê-los, praticando sutil, dissimulada e ardilosamente preconceitos sociais e raciais. Este é o caso dos nossos índios, penso eu. Assim vejamos alguns aspectos.
À medida que avançamos no tempo, as necessidades de qualquer povo, mudam. Seria insanidade negarmos que qualquer índio hoje não deseje ter acesso às facilidades descobertas pelo Homo economicus moderno, como uma boa geladeira para estocar alimentos (produzidos por tecnologia viável, como bem afirma nosso estimado amigo Luiz Ferreira em suas apreciações no Grupo Brasil), televisão para se atualizar, telefonia para comunicar-se nas distâncias deste imenso país, além dos elementos estruturais fundamentais de uma sociedade, como educação, assistência médico-hospitalar, sanitarismo etc. que se constituem no que hoje chamamos de boa qualidade de vida. Ao invés disso, fazemos de conta que estamos preocupados em preservar a cultura indígena e reservamos para eles, espaços gigantescos (confundindo santuário ecológico com terra indígena, segundo o indigenista “Zeca Cabelo-de-Milho”) (observação importante: como ecólogo, e não “ecologista”, odeio este termo “santuário”, que é irreal, utópico mas é a paixão de “ecologistas”, grupo este com o qual NÃO me identifico). De novo cito nosso amigo Luiz Ferreira em seus escritos: “cultura, tradição e folclore, podem ser preservados sem atrasar ninguém”. E de novo cito o Zeca, que acertadamente analisa que “os índios querem se integrar, produzir, ter acesso à informação, estão sedentos de conhecimento” (apud Revista IstoÉ 30/04/2008). Espaço para eles há em excesso: 46% do território do estado de Roraima, ou “mais do que um Portugal”, para se viver na cadeia alimentar primitiva: “plantas naturais crescendo, herbívoros devorando-as e índios predadores comendo os herbívoros e mantendo o equilíbrio ecológico; pois se herbívoros não existissem o planeta Terra seria só mata; e se os índios não existissem, os herbívoros se excederiam em número e devorariam todas as plantas... e se extinguiria a vida na biosfera terrestre”. Ao afirmar isto, sinto-me em plena sala de aula explicando para leigos como funciona este modelo simples de um ecossistema em homeostase, ou equilíbrio dinâmico ... e nada mais do que isso!
Quanto à nossa política indigenista, insiste-se em manter este importante segmento do nosso povo, marginalizado em “giga-zoológicos”.E enquanto a integração não acontece, lá vivem eles praticando igualzinho ao que ocorre no resto do país: corrupção, posse de bens alheios, alcoolismo ... e até infanticídio (tradição cultural deles; omissão nossa). Indiozinho com deformação física, com perna aleijada, não serve para caçar, mas poderia ser um excelente profissional em diversas áreas da sociedade moderna (educação, engenharias, medicina, informática e muitas outras...). Indios adultos são facilmente cooptados a fazer o que não se deve, como plantar maconha, matar seres humanos ... . Pela lei, não se lhes pode imputar responsabilidades. Até quando serão considerados “incapazes”?
Agricultura itinerante, plantios sem técnicas adequadas, contrabando de madeira... são delapidações que nos fazem perder a oportunidade de gerar divisas produtivamente, ganhar “créditos de carbono” e usufruir da rica biodiversidade tropical.
Em termos de avaliação política não é a toa que surgiram expressões brasileiras referentes a político honesto (raríssimo): “esse é tão ruim, que nem parente ele ajuda” e a político desonesto (comuníssimo): “esse rouba mas faz”. Bandalheira: sempre existiu, dizem os “otimistas”, mas se agrava em perpetuidade, digo eu “pessimista”. Nossa “pobre-marionete” do Ministério do Meio Ambiente não tem presença significativa no governo. Sinto mais pena dela do que revolta! Precisaríamos de espaço aqui para descrever as atrocidades cometidas contra nosso maior patrimônio (e o maior do mundo, sem medo de errar): a amazônia.
E os Presidentes da nossa república? Alguém sarcasticamente mostrou a diferença nas obras dos governos anterior e atual: FHC, professor universitário aposentado com 10 anos de trabalho e sociólogo de competência duvidosa disse “Esqueçam o que eu escrevi” e Lula, torneiro-mecânico, nordestino batalhador preocupado com as injustiças sociais disse “Escrevam o que eu esquecí”.
Breno Grisi
(ECÓLOGO; jamais Ecologista)

3 de mai de 2008

"DESERTOS EM OCEANOS" ESTÃO CRESCENDO

[BILINGÜE]
INGLÊS: Low-oxygen regions have expanded over the past half-century.
PORTUGUÊS: Regiões com baixa oxigenção têm se expandido nos últimos 50 anos
[Nature, 01/05/2008]
INGL.: Low-oxygen 'underwater deserts' in the tropical oceans have expanded over the past 50 years, according to new measurements. The most likely cause of the change is global warming, and climate models predict that the trend will continue, potentially threatening marine ecosystems.
PORT.: “Desertos debaixo d’água” com baixo (teor de) oxigênio têm se expandido ao longo dos últimos 50 anos, de acordo com medições. A causa mais provável dessa mudança é o aquecimento global, e modelos climáticos prevêem que essa tendência continuará, ameaçando potencialmente os ecossistemas marinhos.
INGL.: The discovery concerns a layer of the ocean called the 'oxygen-minimum zone', where concentrations of dissolved oxygen are particularly low. The new study shows that this zone has been expanding both upwards and downwards into the adjacent layers in tropical waters. Researchers led by Lothar Stramma of the University of Kiel, Germany, measured the oxygenation of the oceans at depths of between 300 and 700 metres during a series of observation cruises in tropical regions of the world's three main oceans.
PORT.: A descoberta diz respeito a uma camada do oceano chamada de “zona de oxigênio mínimo”, onde concentrações de oxigênio dissolvido são particularmente baixas. O novo estudo mostra que esta zona tem estado se expandindo tanto para cima como para baixo para as camadas adjacentes, em águas tropicais. Pesquisadores liderados por Lothar Stramma da Universidade de Kiel, Alemanha, mediram a oxigenação dos oceanos nas profundidades entre 300 e 700 metros durante uma série de viagens de observação, nas regiões tropicais dos três principais oceanos do mundo.
INGL.: Climate models predict that warming of the sea's surface as a result of human activity will hamper the mixing of oceanic waters, preventing dissolved oxygen from mixing evenly through the water column. The new results suggest that this process has already begun.
PORT.: Modelos climáticos prevêem que o aquecimento da superfície do mar como resultado da atividade humana dificultará a mistura das águas oceânicas, evitando o oxigênio dissolvido de misturar-se igualmente na coluna de água. Esses novos resultados sugerem que esse processo já começou.
INGL.: In suboxic waters, nitrogen cannot react with oxygen to form biologically available nitrate. This means that organisms at the base of food chains, such as plankton, do not get enough nutrients to survive.
PORT.: Em águas com deficiência de oxigênio, o nitrogênio não poderá reagir com ele para formar nitrato biologicamente disponível. Isto significa que organismos da base da cadeia alimentar, como o plâncton, não obterão nutrientes que sejam o bastante para sua sobrevivência.
INGL.: The ultimate effect on commercially important ecosystems such as fisheries are difficult to predict. "There are many complicated mechanisms involved that we need to understand better to predict changes for the future," he says. "I see our results as a starting point to be able some day to tell what changes in biogeochemistry, biology and fisheries we have to expect."
PORT.: O efeito final sobre os ecossistemas comercialmente importantes como os pesqueiros, são difíceis de serem previstos. “Há muitos mecanismos complicados envolvidos e que nós precisamos entender melhor para prever mudanças no futuro” [afirma o pesquisador]. “Eu vejo nossos resultados como um ponto de partida que será capaz de algum dia dizer que mudanças na biogeoquímica, biologia e indústria pesqueira possamos esperar”.
INGL.: Laurence Mee, director of the Marine Institute at the University of Plymouth, UK says: "When you start to mess around with the food chain, it has all kinds of knock-on effects that we don't know about yet".
PORT.: Laurence Mee, diretor do Instituto Marinho da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, diz: “Quando você começa a bagunçar a cadeia alimentar, acontecem todos os tipos de efeitos atordoantes sobre os quais ainda nada conhecemos”.
INGL.: Any effect on fisheries is likely to be indirect, because these low-oxygen zones are far from the coastal waters that host most commercial fishing, suggests Andrew Solow, director of the Marine Policy Center at Woods Hole Oceanographic Institution in Massachusetts. "I don't know many fisheries that take place between 300 and 700 metres in the tropical ocean," he says.
PORT.: Qualquer efeito sobre zonas pesqueiras é provável que seja indireto, porque estas baixas zonas de oxigênio estão longe das águas costeiras que hospedam a maioria dos pescados comerciais, sugere Andrew Solow, diretor do Centro de Política Marinha da “Woods Hole Oceanographic Intitution” em Massachusetts. “Eu não conheço muitas zonas pesqueiras que ocorram entre 300 e 700 metros nos oceanos tropicais”, diz ele.
[Referência: Stramma, L., Johnson, G. C., Sprintall, J. & Mohrholz, V. Science 320, 655-658 (2008)]

20 de abr de 2008

SEXO DE ALGA PODERIA GERAR VACINA DA MALÁRIA

[BILINGÜE]
INGLÊS: Algal sex could spawn malaria vaccine
PORTUGUÊS: Sexo de alga poderia gerar vacina da malária
20 de abril de 2008 [New Scientist, no 2652]
INGLÊS: WHAT could the sex lives of algae have to do with finding a vaccine for malaria and other parasitic diseases? Quite a lot, it seems, because pond algae and the mosquito-borne Plasmodium parasite that causes malaria turn out to use the same protein to fuse their male and female gametes during sexual reproduction.
PORTUGUÊS: O QUÊ vida sexual de algas tem a ver com descobrir vacina contra maláira e outras doenças parasitárias? Um bocado, parece, porque algas de lagoas e o parasita Plasmodium originado no mosquito que causa a malária, demonstram usar a mesma proteína que fundem os gametas masculino e feminino durante a reprodução sexual.
INGL.: William Snell at the University of Texas Southwestern Medical Center in Dallas and colleagues discovered that gamete fusion in an alga called Chlamydomonas requires a protein called HAP2. Plasmodium also carries the HAP2 gene so Snell teamed up with malaria specialists at Imperial College London to discover if the resemblance goes deeper. Sure enough, they found that when HAP2 was knocked out in Plasmodium, mosquitoes failed to spread malaria between mice (Genes and Development, DOI: 10.1101/gad.1656508).
PORT.: William Snell no Centro Médico Sudoeste, na Universidade do Texas, em Dallas e seus colegas, descobriram que essa fusão de gametas numa alga denominada Chlamydomonas requer uma proteína denominada de HAP2. Plasmodium também conduz o gene HAP2, e assim Snell trabalha em equipe com especialistas em malária no Imperial College de Londres, para descobrir se tal semelhança “vai mais fundo”. Certamente, eles encontraram que, quando HAP2 foi repentinamente introduzido no Plasmodium, os mosquitos falharam em disseminar malária entre ratos [artigo publicado em “Genes and Development”].
INGL.: A vaccine designed to block HAP2 could break Plasmodium's reproductive cycle in people infected with malaria and so prevent its transmission to others, as the protein works when the parasite breeds in the mosquito's gut. Parasites transmitting African sleeping sickness, leishmaniasis and some tick-borne diseases also carry HAP2, and could succumb to similar vaccines.
PORT.: Uma vacina delineada para bloquear a HAP2 poderia quebrar o ciclo reprodutivo do Plasmodium em pessoas infectadas com malária e assim, evitar sua transmissão para outras pessoas uma vez que a proteína trabalha quando o parasita reproduz-se no trato digestivo do mosquito. Parasitas transmissores da doença africana do sono, da leishmaniose e algumas doenças originárias de carrapato também conduzem a HAP2, e poderiam sucumbir a vacinas similares.

6 de abr de 2008

“EFEITO BORBOLETA”: MOSQUITOS, DESEQUILÍBRIO ECOLÓGICO, AUTORIDADES INCOMPETENTES, CRIANÇAS MORTAS

Acredito que o nosso drama atual, o caso da dengue, mereça algumas considerações sob os aspectos ambiental e socio-político-cultural. Aliás, desenvolvimento sustentável (expressão sempre presente na verborragia de muitos políticos) só se faz com os três tipos de desenvolvimento: ecológico, econômico e social; que só podem ser praticados se fundamentados num processo educativo eficiente e efetivo. Em ecologia, o “efeito borboleta” é uma alusão à possibilidade de que o simples bater das asas de uma borboleta poderá iniciar uma “cascata de mudanças altamente imprevisíveis num ecossistema inteiro ou até mesmo em todo o planeta”. Embora não se possa afirmar que haja uma relação direta, vale a pena pensarmos um pouco sobre os quatro elementos do título acima, numa analogia com o “efeito borboleta”.

Vamos começar com os mosquitos. Hoje, poucos cientistas duvidam que a atmosfera do nosso planeta está se aquecendo. Os insetos vetores de doenças, como os mosquitos da malária e das febres amarela e dengue, são bastante sensíveis às condições meteorológicas. O mosquito Anopheles, transmissor do parasita da malária (o protozoário Plasmodium falciparum) causa surtos da doença somente nos locais onde a temperatura comumente exceda os 15oC. Da mesma maneira, o Aedes aegypti, da febre amarela e da dengue, transmite os respectivos vírus, nos locais onde a temperatura raramente cai abaixo dos 10oC. Os mosquitos proliferam mais rápido e picam mais, quando o ar é mais quente. Ao mesmo tempo, o calor mais intenso acelera a taxa em que os agentes patogênicos se reproduzem e amadurecem. Exemplo: a 20oC o protozoário da malária leva 26 dias para se desenvolver completamente, mas a 25oC ele só precisa de 13 dias para o seu completo desenvolvimento. Para os mosquitos e respectivos agentes causadores de doenças, protozoário da malária e virus da dengue, o Brasil “é um paraíso tropical”. Será que o mosquito fixou residência permanente no nosso meio??? Do jeito como procedemos, penso que a resposta é SIM.

Estima-se que a dengue aflige entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas nos trópicos e subtrópicos, principalmente nas áreas urbanas e suas periferias. Nos últimos 10 anos ela vem aumentando seu raio de ocorrência nas Américas e já alcançou Buenos Aires no final dos anos de 1990.

Agora, o desequilíbrio ecológico. Sapos e rãs, importantes predadores naturais dos mosquitos, vêm sofrendo reduções em suas populações em diversos ecossistemas de nosso planeta. Causas maiores: 1) destruição de seus habitats naturais, determinada pelo avanço do ser humano nas expansões urbanas e ocupações desordenadas decorrentes da expansão agrícola e 2) mortandade dos seus embriões; há observações comprovadas de que eles são extremamente sensíveis à ação da luz ultravioleta, que nos atinge, penetrando através do buraco da ozonosfera (o homem tornou-se poderoso: aquece o mundo e destroi a camada de ozônio). Somem-se a isso, as barbáries cometidas pelo ser humano, como na nossa cultura popular, que sempre considerou esses anfíbios como sendo “bichos nojentos”, principalmente o sapo, caçado, perseguido por crianças com suas atiradeiras, enxotado dos jardins e quintais e até trucidado na macumba e bruxaria, onde era utilizado (será que ainda o fazem???) para amaldiçoar alguém, cujo nome era escrito num pedacinho de papel que era colocado dentro de sua boca e esta costurada!!! Ou despejar sal em suas costas, até vê-lo morrer! Muitos sapos e rãs foram capturados, para deles extrair-se as peles e serem industrializadas; das rãs come-se a carne. Nunca se divulgou na nossa cultura que sapos e rãs são os maiores predadores de insetos que a Natureza criou! Lagartos, lagartixas e aves, também participam dessa tarefa de predação de insetos.

Surtos de insetos têm sido registrados periodicamente no Brasil, como a praga de gafanhotos nos canaviais de Alagoas e Pernambuco (seus predadores, siriema e tejus e tejuassus, vêm sendo dizimados para saciar a fome de pessoas desassistidas das zonas rurais); o potó (inseto coleóptero que causa queimadura na nossa pele) já causou problemas em algumas cidades de Pernambuco; nos quintais não se criam mais galinhas, eficientes predadores de escorpiões. Fatos estes que corroboram um princípio em ecologia: “não existem pragas, mas sim, desequilíbrio ecológico”.

Esta “seleção negativa” tende a se agravar, pois o ser humano, espécie egocêntrica (ele, só ele; acima de tudo e de todos) não se conscientiza em reservar espaço nem recursos para seus demais companheiros de convivência ambiental; mesmo que estes lhes sejam benéficos! Até gatos e cães sofrem amargamente nos nossos ambientes urbanizados!

E last but not least, algumas poucas palavras sobre nossas autoridades. Nossa zona rural vive entregue à própria sorte há muitos anos. O homem do campo agora é favelado da periferia urbana; misturando-se com o lixo, ajudando os mosquitos a proliferarem descontroladamente; e ele próprio, pagando com a baixa qualidade de vida e a morte, o descaso gerado pelos governantes. Se estes dizem que estão tomando as “devidas providências” mas o problema não se resolve, a interpretação fatídica é: são incompetentes.

Penso ser importante que se preparem professores capazes de formar nas nossas escolas, alunos conscientes de que todo brasileiro tem direito a uma qualidade de vida digna de ser humano. Um direito, que está muito acima do contentar-se com auxílios com fins eleitoreiros. Seja no caso da dengue, da malária, da leptospirose, das doenças veiculadas pela água etc, o tão falado desenvolvimento sócio-econômico de nosso país implica em se praticar eficientes sistemas de educação, conservação ambiental, vigilância sanitária e saúde pública. Pelo menos isso! Bases consistentes para se alcançar um futuro com qualidade.

É uma lástima que nossas autoridades não tenham aprendido que meio ambiente e vetores de muitas doenças se interrelacionam. Lástima maior é o fato de que entra governo-sai-governo e a saúde pública, incluindo a medicina preventiva, e a educação nunca foram prioridade neste belo país tropical (sem terremotos, sem tsunamis, sem furacões, mas ainda com muita ignorância e muitos mosquitos!!!). É deprimente ter que admitir que agora, só nos resta esperar que apareça algum “iluminado” que enxergue tudo isso e invista nesses setores. O retorno, viria com o tempo, formando-se uma sociedade que SABERÁ EVITAR QUE SUAS CRIANÇAS MORRAM POR CAUSA DE UM MOSQUITO.

E o “efeito borboleta”? É esta brasileiríssima equação simples: ignorância + autoridades incompetentes = crianças mortas.
Breno Grisi
Professor de Ecologia

14 de mar de 2008

REVITALIZAÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO: PROJETO DE CRUCIAL IMPORTÂNCIA

Caros amigos "antenados" com os programas de governo e em especial do rio São Francisco:
Li e relí, observando detalhes, anotando e "até sonhando´" que tudo que está descrito no RELATÓRIO/2007 do PROGRAMA DE REVITALIZAÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO, tenha sido realizado conforme programado e que continue sendo, conforme planejado. Baixei este relatório do site do Ministério da Integração (http://www.integracao.gov.br/), disponibilizado em PDF (5,3Mb; 44 pág.).
Algumas observações do programa ou projeto:
1) A revitalização pretende contemplar um IMENSO MOSAICO DE OBRAS E ATIVIDADES, que já deveriam ter sido implantadas HÁ MUITOS ANOS, ANTES de se pensar em exploração adicional dos recursos do rio São Francisco.
2) Alguns exemplos das intenções do projeto: contenção de erosões; drenagem; adutoras; abastecimento de água; esgotamento sanitário; desenvolvimento florestal da bacia; tratamento de resíduo sólido; recuperação de áreas degradadas (incluindo as de assentamentos); tratamento (armazenamento de embalagens de agrotóxicos); triagem de animais silvestres; melhoria da hidrovia... etc... etc. Tudo isso ao longo do rio que atravessa grandes extensões (mais de 2.700 km) dos estados de MG, BA, AL, PE e SE.
3) As intenções são tão amplas, que até preocupação com a manutenção de equipamentos para manter "nível de ruído aceitável" (de acordo com especificações do fabricante do equipamento), será ou é, contemplado no projeto. Assim como também o contrôle da emissão de gases! Meus amigos: isto é "primeiro mundo" autêntico!!!
4) No programa de comunicação social e de educação ambiental, prevêem-se treinamentos com preocupações para coleta de germoplasma e salvamento de patrimônio arqueológico.
5) Os recursos alocados para os 36 Programas Ambientais listados, alguns executados, outros em execução e vários em fase de planejamento, foram da ordem de R$194 milhões em 2004-06, R$365 milhões em 2007, e serão R$575 milhões e 398 mil para 2008-10. Se tais recursos são suficientes, eu particularmente, não sei fazer o mínimo julgamento. O que mais me impressiona, é "o que se tem por fazer". Nunca se fez praticamente nada em termos de revitalização do rio e agora, temos que correr contra o tempo.
Tive a oportunidade de passar diversas vezes por vários trechos do rio, principalmente nos trechos próximos a Joazeiro/Petrolina e Penedo/Propriá. Não é preciso ser especialista para perceber que muito há por se fazer para a revitalização deste rio, entregue à própria sorte, desde a colonização. Tenho curiosidade em saber o que será necessário se fazer nos trechos em direção à nascente (MG). Se o trabalho de revitalização não for bem feito a montante, o que vier a ser feito a jusante será um desperdício! De fato, a maior parte do recurso previsto para o triênio 2008-10, destina-se a obras no estado de Minas Gerais (mais de R$216 milhões), de acordo com o relatório.
Sentí-me feliz com o que lí no relatório; mas ao mesmo tempo, um tanto quanto cético, vez que tenho plena consciência de que no Brasil, nem sempre tudo que é planejado, é realizado. Quem fiscalizará??? Se o recurso alocado proviesse de agente financiador internacional, que certamente o proveria por cumprimento de etapas de execução, haveria um mínimo de garantia em suas realizações. Mas, será que é assim?
Se descobrirem informações que me ajudem a avaliar melhor sobre esta problemática, favor informar-me. Gosto de utilizar diversas fontes de informação nas minhas aulas (políticas ambientais, desenvolvimento sustentável ...).
Saudações,
Breno Grisi

12 de mar de 2008

ATENÇÃO CRIADORES DE ANIMAIS SILVESTRES!!!

Divulgado no PORTAL DO MEIO AMBIENTE

REBIA - REDE BRASILEIRA DE INFORMÇÃO AMBIENTAL, em 11/03/2008

Consulta Pública definirá espécies da fauna como animais de estimação
Brasília - O Ibama disponibilizou para Consulta Pública a lista prévia de espécies da fauna silvestre nativa que poderão ser criadas e comercializadas como animais de estimação, conforme determina o Art. 3º da Resolução Conama nº 394 de 6 de novembro de 2007.
A consulta pública estará disponível até o dia 6 de abril de 2008 no site do Ibama. Ao término deste prazo, o Ibama fará a análise de todo o conteúdo, objetivando editar uma lista que atenda aos anseios da sociedade brasileira.
As contribuições devem ser enviadas para o e-mail: fauna.sede@ibama.gov.br com as espécies a serem incluídas ou excluídas devidamente justificadas com base nos critérios estabelecidos pela Resolução Conama nº 394/2007. Somente serão analisadas as contribuições que estiverem dentro dos critérios estabelecidos.
Segundo o diretor de Uso sustentável da Biodiversidade e Florestas, Antônio Carlos Hummel, o Ibama utilizou os critérios indicados na Resolução para preparar a lista.

9 de mar de 2008

PLANO DE COMBATE AO DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA: CONTINUA DIFÍCIL

Governo cumpre menos da metade do Plano de Combate ao Desmatamento na Amazônia, diz relatório - 06/03/2008 Local: São Paulo - SP Fonte: Amazonia.org.br Link: http://www.amazonia.org.br
Segundo estudo divulgado hoje pelo Greenpeace, o maior motivo foi a falta de coordenação adequada
Aldrey Riechel
Das 162 ações listadas pelo Plano de Prevenção e Combate Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM), apenas 31% foram cumpridas. As informações são do relatório denominado "O Leão Acordou" divulgado pelo Greenpeace, que analisa o plano desde seu inicio em 2004 até julho de 2007.
O documento aponta que a não realização das ações previstas pelo governo seria uma das causas do aumento do desmatamento no segundo semestre do ano passado. As ações, divididas em três eixos: Ordenamento Territorial e Fundiário, Monitoramento e Controle e Fomento às Atividades Sustentáveis, tiveram baixo índices de execuções. Sendo que Monitoramento foi o eixo que obteve mais resultados, tendo de sete ações previstas, duas executadas e três parcialmente executadas.
Marcelo Marquesine, do Greenpeace afirma que uma das principais causas do baixo número de ações "foi a própria falta de coordenação da Casa Civil que permitiu que os ministérios não se integrassem. Dos 13 ministérios que compunham o plano, apenas quatro integraram o controle e prevenção do desmatamento em suas políticas, o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério do Desenvolvimento, Ministério da Justiças e o Ministério de Ciência e Tecnologia. Os demais não trabalharam".
O estudo também destaca a dificuldade em se obter os dados para análise. O programa, que tinha como premissa "promover a transparência e possibilitar o controle social quanto ao andamento de suas ações", não atualiza suas informações desde abril de 2005. Somente após a organização iniciar os questionamentos algumas atualizações voltaram a ser realizadas.

4 de mar de 2008

BIOPRECIPITAÇÃO (PLUVIAL): DESCOBERTA CAUSA MICROBIANA

[BILINGÜE]

INGLÊS: Airborne bacteria may play large role in precipitation.

PORTUGÊS: Bactérias de origem atmosférica podem desempenhar grande papel na precipitação.

INGL.: A Montana State University professor and his colleagues have found evidence suggesting that airborne bacteria are globally distributed in the atmosphere and may play a large role in the cycle of precipitation.

PORT.: Um Professor da Universidade Estadual de Montana [E.U.A.] e seus colegas, descobriram evidência de que bactérias de origem atmosférica, estão amplamente distribuídas na atmosfera e podem desempenhar grande papel no ciclo da precipitação.
INGL.: The research of David Sands, MSU professor of plant sciences and plant pathology, along with his colleagues Christine Foreman, an MSU professor of land resources and environmental sciences, Brent Christner from Louisiana State University and Cindy Morris, will be published in the journal "Science."

PORT.: A pesquisa de David Sands, Professor da MSU, de ciências de botânica e fitopatologia, junto com seus colegas Christine Foreman, Professor de recursos da terra e ciências ambientais, Brent Christner da Universidade Estadual da Louisiana e Cindy Morris, será publicada no periódico "Science".
INGL.: These research findings could potentially supply knowledge that could help reduce drought from Montana to Africa, Sands said.
PORT.: Estas descobertas da pesquisa, podem potencialmente fornecer conhecimento que poderia ajudar a reduzir a seca, de Montana à África, afirmou Sands.
INGL.: Sands, Foreman, Morris, and Christner -- who did post-doctorate work at MSU -- examined precipitation from locations as close as Montana and as far away as Russia to show that the most active ice nuclei are actually biological in origin. Nuclei are the seeds around which ice is formed. Snow and most rain begins with the formation of ice in clouds. Dust and soot can also serve as ice nuclei. But biological ice nuclei are different from dust and soot nuclei because only these biological nuclei can cause freezing at warmer temperatures.
PORT.: Sands, Foreman, Morris, e Christner -- que fez seu trabalho de pós-doutrorado na MSU -- investigaram a precipitação de locais tão perto como Montana e tão distante quanto a Rússia, para mostrar que os núcleos mais ativos [na formação] do gelo, são na verdade de origem biológica. Os núcleos são sementes ao redor das quais o gelo é formado. A neve e a maioria da chuva começa com a formação de gelo nas nuvens. Poeira e fuligem [partículas sólidas provenientes de queima de materiais diversos] também atuam como núcleos de gelo. Mas os núcleos biológicos de gelo são diferentes dos núcleos de poeira e de fuligem, porque somente os núcleos biológicos podem causar congelamento em temperaturas mais quentes.
ING.: Biological precipitation, or the "bio-precipitation" cycle, as Sands calls it, basically is this: bacteria form little groups on the surface of plants. Wind then sweeps the bacteria into the atmosphere, and ice crystals form around them. Water clumps on to the crystals, making them bigger and bigger. The ice crystals turn into rain and fall to the ground. When precipitation occurs, then, the bacteria have the opportunity to make it back down to the ground. If even one bacterium lands on a plant, it can multiply and form groups, thus causing the cycle to repeat itself.
PORT.: Precipitação biológica, ou o ciclo de "bio-precipitação", como Sands a denomina, é basicamente isto: bactérias que formam pequenos grupos na superfície de plantas. O vento varre as bactérias para a atmosfera, e formam-se cristais de gelo ao seu redor. Água acumula-se sobre os cristais tornando-os cada vez maiores. Os cristais de gelo transformam-se em chuva e caem na terra. Quando a precipitação ocorre, então as bactérias têm a oportunidade de retornarem à terra. Se até mesmo uma única bactéria aterrissa sobre a planta, ela poderá multiplicar-se e formar grupos, garantindo a continuidade do ciclo.
INGL.: "I want people to be fascinated by the interconnection of things going on in the environment," Sands said. "It's all interconnected."
PORT.: "Eu quero ver as pessoas fascinadas com a interligação das coisas que acontecem no ambiente", afirmou Sands. "Tudo está interligado".

1 de mar de 2008

FTALATO: PODE SER PREJUDICIAL (OU NÃO???)

Trecho reproduzido de notícia veiculada pela Internet, proveniente do jornal O Estado de São Paulo:
Faber-Castell recolhe borracha com substância tóxica
A Faber-Castell, uma das maiores fabricantes brasileiras de material escolar, começou a substituir as borrachas TK Plast fabricadas antes de 13 de setembro do ano passado por outras. A iniciativa começou após uma entidade de defesa do Consumidor, a Pro Teste, divulgar que a borracha, modelos branco com embalagem azul e amarelo com embalagem amarela, apresentavam a substância química FTALATO em sua composição. Os consumidores que compraram o produto antes de 13 de setembro de 2007 ou têm dúvidas sobre as borrachas que possuem em casa, devem entrar em contato com a Faber-Castell pelo telefone 0800-7720025, entre 8 horas e 18 horas. A ligação é gratuita. A empresa, no entanto, não caracterizou a ação como um recall. "Não existem estudos conclusivos sobre os riscos à saúde decorrentes do uso de FTALATO, sendo que nos EUA ainda não há uma legislação de restrição ao seu uso, e a Comunidade Européia, como medida preventiva, determinou a retirada desse componente", afirma a empresa, em comunicado. Mas há suspeitas de que ele possa causar danos à saúde. "Na Europa, o nível de ftalato presente em um produto não pode ser superior a 0,1%", explica Maria Inês Dolci, coordenadora da Pro Teste. "Nas borrachas da Faber-Castell, havia 50 vezes mais FTALATO do que o permitido."
O QUE É O FTALATO (="phthalate", em inglês): informações obtidas da Wikipedia, mostram que o FTALATO quando adicionado a plásticos, permite que longas moléculas de polivinil deslizem umas sobre as outras. Há vários tipos dessa substância, produzidos em milhares de toneladas e adicionados aos mais diversos plásticos (principalmente na fabricação do PVC), com muitas finalidades (esmaltes-polidores de unha; adesivos; pigmentos de tintas; isca para pesca; solventes de perfumes e pesticidas; "borrachas gelatinosas"; calefação; na eletrônica, como em iPhone, iPod, computadores ... e até em "artigos eróticos" ou sex toys). O FTALATO tem tido seu uso banido de brinquedos para crianças.
RISCOS À SAÚDE: estudos mostram que a maioria dos americanos que tiveram sua urina testada, estão expostos ao FTALATO. Esta substância, , em altas doses em ratos, influenciaram atividade hormonal. Há estudos (ainda em discussão) de que em seres humanos, no período de gestação, o FTALATO altera a "distância anogenital" em meninos, encurtando-a. Alguns pesquisadores suspeitam que até criptorquidia possa ocorrer em conseqüência de sua ingestão adicionada de pesticidas anti-androgênicos.

15 de fev de 2008

MUDANÇA CLIMÁTICA PODE SER MEDIDA POR GPS

BILINGÜE
INGLÊS: GPS 'thermometer' could flag up climate change
PORTUGUÊS: “Termômetro” de GPS poderia sinalizar mudança climática
[www.newscientist.com.uk] – 15/fevereiro/2008
INGLÊS: The Global Positioning System could be used as a global thermometer and used to monitor climate change, say UK meteorologists.
PORTUGUÊS: O Sistema de Posicionamento Global (GPS) poderia ser usado como um termômetro global e usado para monitorar a mudança climática, dizem meteorologistas do Reino Unido.
INGL.: The idea rests on a relatively new technique for taking atmospheric measurements, called GPS radio occultation.
PORT.: A idéia apoia-se numa técnica relativamente nova para se tomar medições atmosféricas, chamada de ocultação de radio do GPS.
INGL.: This involves using a satellite in low-Earth orbit to receive signals from GPS satellites. As the signals pass through the atmosphere, they are refracted slightly, with the angle of refraction depending on temperature and the amount of water vapour in the atmosphere.
PORT.: Esta (técnica) envolve usar um satélite em baixa órbita sobre a Terra, para receber sinais dos satélites do GPS. À medida que os sinais passam através da atmosfera, eles são ligeiramente refratados, dependendo o ângulo de refração da temperatura e da quantidade de vapor d’água na atmosfera.
INGL.: Instruments on a number of research satellites measure GPS signals in this way, including the German CHAMP mission, and the joint US/Taiwan COSMIC mission.
PORT.: Instrumentos num certo número de satélites de pesquisa, medem sinais de GPS desta maneira, incluindo a missão alemã Champ, e a missão Cósmica conjunta Estados Unidos/Taiwan.
INGL.: These measurements are already used to help calculate the amount of water in the atmosphere, as well as temperature and density, which are useful in weather forecasting.
PORT.: Estas medições já são usadas para ajudar a calcular a quantidade de água na atmosfera, assim como temperatura e densidade, que são úteis na previsão de tempo.

20 de jan de 2008

TERRORISMO CLIMÁTICO??? AINDA ASSIM, É MELHOR DO QUE CRUZAR OS BRAÇOS

SOBRE UMA ENTREVISTA DO DR. L.C. MOLION (CLIMATÓLOGO) À REVISTA ISTOÉ:
É preciso mais do que paciência para entender e aceitar os contrasensos do Dr. L.C. Molion. Lembro-me que certa vez ele afirmou, em Ciência Hoje, que a emissão de gases destruidores da ozonosfera pelos vulcões (difusivos, principalmente) eram mais importantes do que os lançamentos feitos pelo homem (CFC). Mas, não mencionou que os provenientes dos vulcões eram, em grande parte, lixiviados na troposfera (pelas chuvas) antes de atingirem a ozonosfera. E nem comentou que o poder de difusão do CFC era muito mais eficiente. Além do mais, se já existe emissão natural de gases destruidores da ozonosfera, proveniente dos vulcões (difusivos e explosivos) e que não podemos evitar, mas se podemos limitar as emissões humanas, o bom senso manda que a única opção viável de contrôle é esta última! O mesmo acontece com a emissão do metano (gás dos pântanos), que afeta a temperatura global, juntamente com o CO2. Não podemos evitar a emissão do metano de pântanos e dos arrozais (da China e India, principalmente). Mas podemos limitar a emissão de CO2.
E agora ele reaparece com essa de dizer que o IPCC (iniciativa ligada à UNEP-United Nations Envrionmental Programme, da ONU e constituída por mais de uma centena de cientistas de TODO O MUNDO) é formado por membros de países que não querem ver o desenvolvimento dos emergentes!!! Paciência!!! Assim vejamos seus dirigentes (e respectivos países de origem): o "Chairman" (Presidente) do IPCC é Rajendra K. Pachauri (India) ; "Vice-chairs": Richard Odingo (Quênia), Mohan Munasinghe (Sri Lanka) e Yuri A. Izrael (Rússia). Alguns dos principais componentes do Grupo I (Bases Científicas) são dos seguintes países: China, Argentina, Serra Leoa, Brasil (Thelma Krug), E.U.A., Reino Unido, Holanda, Japão, Gâmbia, Marrocos, Sudão, Tailândia, Canadá, Arábia Saudita, Venezuela, México, Peru e outros ...
A idéia de CO2 lançado na atmosfera ser igual a desenvolvimento é extremamente perigosa aqui no Brasil. Se Lula ficar sabendo, ele manda "torrar o resto da amazônia" para "desenvolver o nosso país"!!! Muitos governantes de países em desenvolvimento assim pensam, ou seja: desenvolvimento só se consegue com destruição da Natureza!
Se o Pacífico tem toda essa importância no clima mundial, como aponta o Dr. L.C. Molion, realmente os estudos sobre as influências da amazônia no clima, estão todos errados ... e são inúteis. Afirmar que os dados sobre produção de gás carbônico referem-se a apenas alguns locais, principalmente no hemisfério norte e por isso não devem ser "generalizados ou globalizados" não justifica que devamos esperar que os mesmos sejam coletados no mundo inteiro, para daí então começarmos a pensar em ações.
Acho também ser muito importante observarmos diversos outros indicadores ambientais relacionados à mudança climática. Sugiro observar um estudo realizado sobre a sêca no Sahel (feito por um climatologista alemão e um australiano). Esta região sub-saariana sofre devido a problemas causados pela poluição gerada nos E.U.A. e Canadá. Os poluentes gerados por esses países fazem com que as nuvens formadas nessas regiões e que antes migravam para a África, se precipitem ... e assim, o Sahel tem sua situação piorada a cada ano.
No que diz respeito às pesquisas mundiais reveladas pelos periódicos mais difundidos, não parece haver dúvidas de que a concentração de CO2 na atmosfera está aumentando; e quando este gás aumenta, a temperatura global também aumenta, com diversas conseqüências para os seres vivos. Indicadores bio-ecológicos, não devem ser desprezados. Insetos vetores de doenças tropicais, estão conquistando novos habitats, em locais onde eles não ocorriam por serem considerados "frios". O estádio de desenvolvimento de crescimento e maturação sexual desses insetos é encurtado em temperatura mais elevada. Até os microrganismos de solo, principalmente de regiões temperadas, emitem mais CO2 em temperatura mais elevadas, do que os microgarnismos de região tropical (estes foram os resultados de meu trabalho de pós-doutorado, publicados no Brasil, no Brazilian Journal of Microbiology e na Inglaterra, em Soil Biology and Biochemistry). Larvas de animais componentes de corais, têm se mostrado ser sensíveis às ações de luz UV; daí a possível causa do branqueamento dos corais.
Algumas geleiras na Antártica vêm aumentando como conseqüência do aumento da poluição; um efeito indireto do aquecimento global; ou seja: o aumento da temperatura da água aumenta a evaporação, resultando num aumento da precipitação de neve. A capa de gelo (água doce) assim formada, reduz a transferência de calor das águas mais profundas do oceano, facilitando assim o congelamento da água e o crescimento localizado de geleiras. Esta camada de gelo extra, reflete mais a luz solar do que as águas escuras do oceano. Tomara que o L.C.Molion não diga que isso é prova de que a glaciação já chegou!!!
Salvo melhor juízo, o L.C. Molion parece se sentir injustiçado por não lhe darem ouvidos!!! Se existem pressões dos "grandes contra os pequenos", como ele sugere, eu acredito que tal tipo de comportamento sempre existiu e existirá; mas eu não penso que toda essa discussão em torno dessa problemática do aquecimento global se deva exclusivamente a tal pressão. Será que temos que "esperar p'ra ver"?!
Feliz jornada a todos que navegam no planeta Terra!
Breno Grisi
Professor de Ecologia (aposentado)
da UFPB