Total de visualizações de página

20 de jan de 2008

TERRORISMO CLIMÁTICO??? AINDA ASSIM, É MELHOR DO QUE CRUZAR OS BRAÇOS

SOBRE UMA ENTREVISTA DO DR. L.C. MOLION (CLIMATÓLOGO) À REVISTA ISTOÉ:
É preciso mais do que paciência para entender e aceitar os contrasensos do Dr. L.C. Molion. Lembro-me que certa vez ele afirmou, em Ciência Hoje, que a emissão de gases destruidores da ozonosfera pelos vulcões (difusivos, principalmente) eram mais importantes do que os lançamentos feitos pelo homem (CFC). Mas, não mencionou que os provenientes dos vulcões eram, em grande parte, lixiviados na troposfera (pelas chuvas) antes de atingirem a ozonosfera. E nem comentou que o poder de difusão do CFC era muito mais eficiente. Além do mais, se já existe emissão natural de gases destruidores da ozonosfera, proveniente dos vulcões (difusivos e explosivos) e que não podemos evitar, mas se podemos limitar as emissões humanas, o bom senso manda que a única opção viável de contrôle é esta última! O mesmo acontece com a emissão do metano (gás dos pântanos), que afeta a temperatura global, juntamente com o CO2. Não podemos evitar a emissão do metano de pântanos e dos arrozais (da China e India, principalmente). Mas podemos limitar a emissão de CO2.
E agora ele reaparece com essa de dizer que o IPCC (iniciativa ligada à UNEP-United Nations Envrionmental Programme, da ONU e constituída por mais de uma centena de cientistas de TODO O MUNDO) é formado por membros de países que não querem ver o desenvolvimento dos emergentes!!! Paciência!!! Assim vejamos seus dirigentes (e respectivos países de origem): o "Chairman" (Presidente) do IPCC é Rajendra K. Pachauri (India) ; "Vice-chairs": Richard Odingo (Quênia), Mohan Munasinghe (Sri Lanka) e Yuri A. Izrael (Rússia). Alguns dos principais componentes do Grupo I (Bases Científicas) são dos seguintes países: China, Argentina, Serra Leoa, Brasil (Thelma Krug), E.U.A., Reino Unido, Holanda, Japão, Gâmbia, Marrocos, Sudão, Tailândia, Canadá, Arábia Saudita, Venezuela, México, Peru e outros ...
A idéia de CO2 lançado na atmosfera ser igual a desenvolvimento é extremamente perigosa aqui no Brasil. Se Lula ficar sabendo, ele manda "torrar o resto da amazônia" para "desenvolver o nosso país"!!! Muitos governantes de países em desenvolvimento assim pensam, ou seja: desenvolvimento só se consegue com destruição da Natureza!
Se o Pacífico tem toda essa importância no clima mundial, como aponta o Dr. L.C. Molion, realmente os estudos sobre as influências da amazônia no clima, estão todos errados ... e são inúteis. Afirmar que os dados sobre produção de gás carbônico referem-se a apenas alguns locais, principalmente no hemisfério norte e por isso não devem ser "generalizados ou globalizados" não justifica que devamos esperar que os mesmos sejam coletados no mundo inteiro, para daí então começarmos a pensar em ações.
Acho também ser muito importante observarmos diversos outros indicadores ambientais relacionados à mudança climática. Sugiro observar um estudo realizado sobre a sêca no Sahel (feito por um climatologista alemão e um australiano). Esta região sub-saariana sofre devido a problemas causados pela poluição gerada nos E.U.A. e Canadá. Os poluentes gerados por esses países fazem com que as nuvens formadas nessas regiões e que antes migravam para a África, se precipitem ... e assim, o Sahel tem sua situação piorada a cada ano.
No que diz respeito às pesquisas mundiais reveladas pelos periódicos mais difundidos, não parece haver dúvidas de que a concentração de CO2 na atmosfera está aumentando; e quando este gás aumenta, a temperatura global também aumenta, com diversas conseqüências para os seres vivos. Indicadores bio-ecológicos, não devem ser desprezados. Insetos vetores de doenças tropicais, estão conquistando novos habitats, em locais onde eles não ocorriam por serem considerados "frios". O estádio de desenvolvimento de crescimento e maturação sexual desses insetos é encurtado em temperatura mais elevada. Até os microrganismos de solo, principalmente de regiões temperadas, emitem mais CO2 em temperatura mais elevadas, do que os microgarnismos de região tropical (estes foram os resultados de meu trabalho de pós-doutorado, publicados no Brasil, no Brazilian Journal of Microbiology e na Inglaterra, em Soil Biology and Biochemistry). Larvas de animais componentes de corais, têm se mostrado ser sensíveis às ações de luz UV; daí a possível causa do branqueamento dos corais.
Algumas geleiras na Antártica vêm aumentando como conseqüência do aumento da poluição; um efeito indireto do aquecimento global; ou seja: o aumento da temperatura da água aumenta a evaporação, resultando num aumento da precipitação de neve. A capa de gelo (água doce) assim formada, reduz a transferência de calor das águas mais profundas do oceano, facilitando assim o congelamento da água e o crescimento localizado de geleiras. Esta camada de gelo extra, reflete mais a luz solar do que as águas escuras do oceano. Tomara que o L.C.Molion não diga que isso é prova de que a glaciação já chegou!!!
Salvo melhor juízo, o L.C. Molion parece se sentir injustiçado por não lhe darem ouvidos!!! Se existem pressões dos "grandes contra os pequenos", como ele sugere, eu acredito que tal tipo de comportamento sempre existiu e existirá; mas eu não penso que toda essa discussão em torno dessa problemática do aquecimento global se deva exclusivamente a tal pressão. Será que temos que "esperar p'ra ver"?!
Feliz jornada a todos que navegam no planeta Terra!
Breno Grisi
Professor de Ecologia (aposentado)
da UFPB

Nenhum comentário: