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6 de fev de 2009

AMAZÔNIA EM CAPÍTULOS: V – MEGADIVERSIDADE É UM DOS NOSSOS MAIORES PATRIMÔNIOS



































Megadiversidade O ecólogo Russell Mittermeier quando pesquisava sobre primatas, observou que 75% das espécies desses “macacos e assemelhados” concentravam-se em quatro países: Brasil, Congo, Indonésia e Madagascar. E concluiu que, à maneira do grupo dos sete grandes países do mundo que formavam o G7, havia o grupo G17, os dezessete países que tinham a maior variedade de espécies de organismos superiores, ou seja, países que ostentavam a MEGADIVERSIDADE. E assim a “Conservation International”, organização voltada para a conservação da Natureza, passou a usar a expressão País da Megadiversidade. Entre os principais critérios para considerar um País de Megadiversidade há: número de plantas endêmicas (originadas do próprio local), e número total de mamíferos, pássaros, répteis e anfíbios. O site da “Conservation International” http://www.conservation.org.br/ disponibiliza em PDF, a revista semestral, Megadiversidade, que divulga artigos de pesquisadores da biodiversidade de nossos maiores biomas. Lembrete: biomas são grandes ecossistemas, que dispõem de clima, condições de solo, flora e fauna próprios; ecossistemas são sistemas ecológicos naturais, com componentes vivos (bióticos) e não-vivos (abióticos) em interação e interdependência.
Os 17 países megadiversos estão distribuídos nos quatro continentes ricos em habitats naturais; são eles: Brasil, Colômbia, México, Venezuela, Equador, Peru, Estados Unidos, África do Sul, Madagascar, República Democrática do Congo, Indonésia, China, Papua Nova Guiné, Índia, Malásia, Filipinas e Austália.
Em termos de biodiversidade de ambientes terrestres, o Brasil é o “campeão absoluto”, reunindo quase 12% de toda a vida natural do planeta. Concentra 55 mil espécies de plantas superiores (22% de todas as que existem no mundo), muitas delas endêmicas; 524 espécies de mamíferos; mais de 3 mil espécies de peixes de água doce; entre 10 e 15 milhões de insetos (a grande maioria ainda por ser descrita); e mais de 70 espécies de psitacídeos (araras, papagaios e periquitos) (esses números estão sempre aumentando). Numa classificação entre os maiores, o Brasil ocupa o primeiro lugar em abrigar uma maior variedade de anfíbios (516 espécies), terceiro em aves (1622 espécies) e quarto em mamíferos (428 espécies) e répteis (467) (segundo dados de “Global Diversity - Status of the Earth's Living Resources”).
Quatro dos biomas mais ricos do planeta estão no Brasil: Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia e Pantanal.

Secretaria de Biodiversidade e Florestas O MMA – Ministério do Meio Ambiente dispõe no seu site http://www.mma.gov.br/ de informações sobre políticas e estratégias de ações para as “Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira /2006”. Ainda o MMA estabeleceu o “Processo de Atualização das Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira”. Novecentas áreas foram reconhecidas, devendo essa lista ser revista até no máximo dez anos pela CONABIO – Comissão Nacional de Biodiversidade. Em tal processo estão mencionados (e como temos siglas!): o PNAP – Plano Nacional de Áreas Protegidas e o PAN-Bio no qual constam as “Diretrizes e Prioridades do Plano de Ação para Implementação da Política Nacional de Biodiversidade” (sobre Políticas Públicas ver o que o autor deste blog divulgou a respeito, numa das postagens anteriores: POLÍTICAS PÚBLICAS: A TEORIA, NA PRÁTICA É...UM SONHO).
O Brasil participa da CDB – Convenção sobre Diversidade Biológica (desde 1992). Como é dito no site do MMA: “O desafio da CDB é conciliar o desenvolvimento com a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica. Esta tarefa não terá êxito, no entanto, sem a ajuda tecnológica e financeira dos países economicamente desenvolvidos [...].”. Donde eu concluo que: (1) embora na divulgação dessa Secretaria não seja dito que não é somente devido às dimensões do nosso país, mas também pelo fato de nós mesmos não priorizarmos ações para preservação de nossos ambientes, não investirmos na formação e contratação de pesquisadores... etc. ... teremos que depender de ações de outros países (os ricos) para agirmos em favor dos quatro biomas mais ricos do planeta (e que são nossos, como foi dito acima). (2) E como vamos convencer esses países a “colaborarem”: (a) sensibilizando-os (?), (b) negociando (?)... ou (c) talvez até “chantageando”: ou participa com o recurso financeiro ou nós destruímos tudo! Certamente não será pesquisando, obtendo patentes (até o cupuaçu não é patente nossa! é o "cupulate" dos japoneses; e dizem que até a rapadura também não!). (3) Em termos de planejamento e ações, acredito que no Brasil muitas coisas são feitas de uma das seguintes maneiras: em curto prazo (= talvez seja feito na gestão de um governo), médio prazo (= poderá ser feito na próxima gestão; se houver!) e em longo prazo (= será feito na “próxima encarnação”!!!).
E a conservação da Megadiversidade? Enquanto a tecnocracia e a burocracia brasileiras discutem “o quê, onde e como” proteger... vejamos um pouquinho sobre o potencial da biodiversidade amazônica. As fotos acima ilustram as plantas e os animais seguintes:
Mogno (Swietenia macrophylla): altura de 25 a 30 m, com tronco de 50-80 cm de diâmetro. Está incluída no CITES – Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas. Para sua preservação faz-se necessária (entre outros aspectos), obedecer à certificação do “FSC – Forest Stewardship Council” (Conselho de Manejo Florestal).
Andiroba (Carapa guianensis): árvore de uns 30 m de altura. Os frutos produzem sementes (“andi-roba”, em tupi-guarani quer dizer semente amarga). O óleo e a gordura são utilizados pelos amazônidas (ver foto acima e finalidades).
Pau-rosa (Aniba rosaeodora): há manejo atualmente, que evita a destruição desta árvore da qual se extrai uma fragrância famosa por ter sido usada na produção do perfume francês Chanel n. 5 (detalhes no site http://www.inova.unicamp.br/inventabrasil/paurosa.htm).
(Phyllobates terribilis): em duas fotos, em que numa delas um índio, com cuidado para não tocar seus dedos nela, esfrega a ponta do dardo, que se impregna com seu veneno; e com isso, o dardo é usado para caçar por um longo tempo (sem necessidade de nova impregnação). De 1 a 2 microgramas por quilo da batracotoxina da pele viscosa dessa rã são suficientes para matar uma pessoa pesando uns 70 kg, se esta tocar em sua pele e que tenha algum ferimento. É 15 vezes mais potente do que o curare, atuando nos neurônios do sistema nervoso (central e periférico) e nas musculaturas estriadas e cardíaca. Há grande potencial para usos anestésico e analgésico (mais potente do que a morfina) e ainda contra arritmias, e como anti-convulsivo e anti-depressivo.
Onça-pintada (Panthera onca): no maior parque de florestas tropicais do mundo, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (3,8 milhões de hectares ou 38 mil km2) encontra-se onça-pintada. Sua dieta bastante variada e sua demanda por grande espaço natural (cerca de 60 km2) implicam forçosamente na conservação do seu habitat. É um animal ameaçado de extinção.

Muito mais informações podem ser vistas em “CAPOBIANCO e colaboradores (2001) Biodiversidade na Amazônia Brasileira. São Paulo, Estação Liberdade (Instituto Socioambiental), 540p”.

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