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19 de fev de 2009

A RADIAÇÃO UV E O CÂNCER MAIS PROVÁVEL QUE VOCÊ VENHA A TER

Numerosas pesquisas indicam que anos de exposição à radiação ionizante UV-B da luz solar, são a causa primária de câncer de pele dos tipos célula escamosa e célula basal, os quais são responsáveis por até 95% de todos os tipos de câncer de pele. Há, tipicamente, um interstício de 15 a 40 anos entre exposição aos raios UV e o aparecimento desse tipo de câncer.
Crianças e adolescentes de origem caucasiana (com pele branca) que têm uma única queimadura solar grave duplicam suas chances de vir a ter tais tipos de câncer de pele. De 90 a 95% desses tipos podem ser curados se detectados o bastante cedo, embora sua remoção possa deixar cicatrizes desfigurantes. Esses tipos de câncer matam somente de 1 a 2% de suas vítimas, o que, nos Estados Unidos por exemplo, representam 2.300 mortes por ano.
Um terceiro tipo de câncer de pele, o melanoma maligno, ocorre em áreas pigmentadas da superfície do corpo, como nos sinais. Este tipo pode espalhar-se rapidamente (dentro de poucos meses) para outros órgãos, incluindo fígado e cérebro, e mata cerca de um quarto de suas vítimas (a maioria abaixo dos 40 anos) dentro de cinco anos, mesmo considerando que possam submeter-se à cirurgia ou quimioterapia e radioterapia. Todo ano este tipo de câncer mata cerca de 100.000 pessoas (nos Estados Unidos, 6.900 pessoas em 1994), a maioria caucasiana, mas pode também ser curado se detectado bastante cedo. O tempo decorrido entre a exposição à radiação UV (raios UV-A e UV-B) e a ocorrência de melanoma é de 15 a 25 anos. No Brasil estima-se que 25% da população branca tem algum tipo de câncer de pele.
Uma outra forma de carcinoma que comumente ocorre em pessoas de cor branca que vivem nos trópicos (Brasil e Austrália, por exemplo) é a doença de Bowen. Este carcinoma é uma forma benigna, mas ocasionalmente pode se tornar invasiva, podendo ser tratada com crioterapia ou excisão cirúrgica.
São conhecidos os efeitos da radiação ultravioleta no sistema imunológico. Por exemplo, herpes labial ocorre freqüentemente no começo do verão devido ao efeito imuno-supressivo da radiação UV na pele, resultando na ativação do vírus herpes. É possível que a susceptibilidade a certas infecções da pele tais como leishmaniose e lepra, aumentaria com uma maior exposição à luz UV, uma vez que a expressão dessas doenças depende de resposta da célula mediada pelo sistema imunológico. A radiação UV induz à formação de células-T supressoras as quais inibem a resposta anti-tumoral normal e permitem o surgimento e a progressão de tumores.
Há evidências de que pessoas, especialmente caucasianas, que sofrem tres ou mais queimaduras solares com formação de bolhas antes dos 20 anos de idade, subseqüentemente são cinco vezes mais suscetíveis a desenvolverem melanoma maligno do que aquelas que nunca tiveram queimaduras graves. Cerca de 10% das pessoas que têm melanoma maligno herdaram gene que as tornam especialmente suscetíveis a esta doença.
Para proteger-se eficientemente, o procedimento mais seguro é não tomar sol especialmente entre 10 horas da manhã e 3 horas da tarde, quando os níveis de UV estão mais altos, e evitar o uso de bronzeadores. Use roupas e chapéu de aba larga ou boné e óculos para sol com proteção contra UV (os óculos ordinários sem tal proteção promovem maior dilatação da pupila, de maneira que mais raios UV atingirão a retina). Como os raios UV penetram através das nuvens, um dia nublado não significa que você estará totalmente protegido(a); nem tampouco a sombra lhe protegerá, uma vez que os raios UV refletem-se facilmente na areia, na água (na neve) e nas superfícies cimentadas, como pátios, paredes etc. (nas superfícies brancas em geral). Pessoas que estejam tomando antibióticos e mulheres que estejam tomando pílulas anticoncepcionais são mais suscetíveis a danos causados por UV. Há estimativas do "buraco" da camada de ozônio sobre a Antártica já ter atingido a dimensão de 24 milhões de km2, ou quase tres vezes o tamanho do Brasil.
O FPS - Fator de Proteção Solar (derivado do inglês “SPF – Sun Protector Factor”) é uma taxa relativa padronizada pelo “FDA – Food and Drug Administration”, dos EUA com as seguintes características: admitindo-se que a pele humana queima após 10 minutos de exposição ao sol, quando ela for protegida por um protetor solar com FPS 15 isto significará que uma queimadura similar levará 15 vezes mais tempo para acontecer e se for protegida por um FPS 30 significará que uma queimadura será retardada por um tempo 30 vezes mais longo; e assim por diante ... . Aplique protetor solar com fator 15 ou 30 (ou mais, se tiver pele clara) cada vez que for ao sol (aqui nos trópicos, diariamente); reaplique-o quando suar ou tomar banho (de mar, piscina, chuveiro...). Como há possibilidade de que raios UV-A e UV-B possam causar melanoma maligno, é importante usar protetor solar de espectro mais amplo, que filtre UV-A e UV-B. Crianças que usaram protetor solar com fator 15 toda vez que iam ao sol, desde que nasceram até os 18 anos de idade, diminuíram sua chance de ter câncer em 80%. Bebês com menos de um ano de idade devem tomar sol somente de manhã cedo (que é importante para a sintetização de vitamina D) e nunca entre 10 horas da manhã e 3 horas da tarde.
Familiarize-se com os seus sinais, verrugas e sardas (e de seus filhos também). Os sinais visíveis de um câncer de pele são suas mudanças de tamanho, forma ou cor. O aparecimento repentino de pequenas manchas escuras na pele ou um pequeno ponto dolorido que coce ou sangre ou uma ferida ou descascamento que não cicatrize, são sinais suficientes para que você procure imediatamente um dermatologista.
No site http://satelite.cptec.inpe.br/uv/, o INPE divulga os índices de UV no Brasil (veja postagem anterior neste blog).

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