Total de visualizações de página

9 de nov de 2014

DESENVOLVIMENTO REALMENTE SUSTENTÁVEL NA AMAZÔNIA: INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA-FLORESTA

Já foi divulgado neste blog a iniciativa para a prática do desenvolvimento sustentável:

08/06/2013   GRANDE CONQUISTA À VISTA, EM PROL DO DESENVOLVIMENTO REALMENTE SUSTENTÁVEL

Política de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta entrará em vigor em seis meses

Retorna este tema com nova postagem mostrada no programa Globo Rural,  da Rede Globo:
http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/11/projeto-combina-pecuaria-moderna-e-preservacao-da-floresta-amazonica.html

Acesse o link acima e veja

Projeto combina pecuária moderna e preservação da Floresta Amazônica

Edição do dia  09/11/2014 



Os criadores de gado da Amazônia estão aumentando a produtividade dos rebanhos e, ao mesmo tempo, recuperando as matas nativas. Criado em 2011, em Paragominas, no Pará, o projeto Pecuária Verde está se transformando em modelo para a Amazônia.

O projeto combina pecuária moderna e preservação da Floresta Amazônica.  Com orientação de cientistas renomados, ele consegue aumentar a produtividade de fazendas de gado e, ao mesmo tempo, proteger ou até recuperar áreas de floresta.

Paragominas é um dos principais pólos da pecuária na Amazônia. Situado no nordeste do Pará, o município tem fazendas grandes, rebanhos imensos e, durante muito tempo, esteve entre os campeões do desmatamento no Brasil.

A ocupação de um pedaço do Pará ganhou força nos anos 60 e 70, quando a região atraiu pecuaristas e madeireiros, que chegavam principalmente do Sul e do Sudeste do país. Chegando pela rodovia Belém-Brasília, os novos habitantes buscavam terra barata e contavam com crédito público para instalar as novas fazendas, com milhares de cabeças de gado.

O aumento dos rebanhos e das pastagens também chegou acompanhado de problemas para a natureza. Como em grande parte da Amazônia, em Paragominas muitas fazendas fizeram as derrubadas de maneira descontrolada e sem respeito às regras do Código Florestal.

Nas décadas de 80 e 90, Paragominas perdia milhares de hectares de florestas por ano. Na época, muitos dos criadores tocavam o negócio com áreas grandes, pouca tecnologia e uma lucratividade medíocre por hectare. “Era tirar a madeira e abrir tudo na beira da água para o boi chegar lá. A região de Paragominas sempre teve essa cultura de desmatar, desmatar, desmatar e ir botar a pecuária”, relata Vinicius Scaramussa, que é de uma família de pecuaristas.

Em 2008, esse avanço descontrolado foi barrado na força. Foi quando Paragominas entrou para a lista dos municípios que mais destroem a Floresta Amazônica, a chamada lista negra do desmatamento, do Ministério do Meio Ambiente. A fiscalização apertou, serrarias foram fechadas e fazendas de gado multadas.

De acordo com Mauro Lúcio Costa, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, o momento era de tensão: “O município estar na lista era como uma pessoa estar no SPC, então o primeiro sinal foi tirar crédito dos produtores. Empresas instaladas no município começaram a ter barreiras para vender os seus produtos. Isso foi a gota d’água, aí a coisa ficou muito complicada”.

Para sair da crise, os criadores assinaram um pacto com o Ministério Público para reduzir derrubadas e fazer o cadastramento ambiental das propriedades. Com apoio da Prefeitura e entidades não governamentais, as medidas foram adotadas e, em 2010, Paragominas foi o primeiro município a ser retirado da lista negra do desmatamento.

“Hoje eu agradeço pela pressão que nós sofremos, porque quando você sofre pressão você vai atrás de solução. Essa pressão foi uma grande oportunidade pra gente melhorar na nossa atividade”, relata Mauro.

Fora da lista negra, o desafio era encontrar uma maneira mais racional e sustentável de criar gado na região. Para isso, Paragominas resolveu pedir socorro para alguns dos maiores especialistas do Brasil em gado e em floresta.  O primeiro a chegar foi o biólogo Ricardo Rodrigues, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo.

Com apoio do Sindicato dos Produtores Rurais, Ricardo montou uma equipe de cientistas que elaborou um plano ambicioso: recuperar as áreas de floresta e, ao mesmo tempo, melhorar o desempenho dos rebanhos. Era o início do projeto Pecuária Verde. “Hoje eu não falo mais de adequação ambiental puramente, mas também de adequação agrícola. A gente olha a propriedade como um todo. É uma experiência nova inclusive pra gente”, explica o especialista.

Com essa proposta, o projeto começou a funcionar em 2011, financiado por criadores e empresas privadas. A meta era implementar as novas tecnologias em seis fazendas da região, que serviriam de modelo.

Primeiro, os técnicos elaboram um mapa de cada propriedade, trabalho minucioso, feito em parceria como a ONG The Nature Conservancy (TNC). Baseado em imagens de satélite e dados coletados no campo, o levantamento indica as áreas que estão dentro da lei ambiental e os lugares onde a mata precisa ser recuperada.

“O interessante são todas essas linhas, que são rios da propriedade. A legislação define que você precisa ter uma faixa de floresta nativa no entorno desses rios, que nós chamamos de APP, as Áreas de Preservação Permante, a mata ciliar. São as áreas em vermelho que ele vai ter que recuperar”, afirma Ricardo.

Na sequência, a equipe do Pecuária Verde visita cada fazenda para discutir com proprietários e funcionários qual a melhor maneira de recuperar as áreas com desmatamento ilegal.

Lourival Del Pupo é o dono da fazenda Santa Maria, que tem 3,2 mil hectares. Ele explica que para se adequar ao Código Florestal, a propriedade está recuperando algumas faixas de preservação permanente em volta de rios e lagoas, áreas que deveriam estar cobertas por mata ciliar.

Antes de entrar no projeto, Lourival achava que as áreas com derrubada irregular somavam cerca de 15% ou 20% da superfície da fazenda, mas o mapeamento mostrou que apenas 1,8% estavam prejudicados.

Para acelerar o reflorestamento, em alguns lugares, Ricardo recomenda o plantio de mudas de árvores nativas, mas muitas vezes o serviço é bem mais simples, afinal, no ambiente da Amazônia, com muito calor e chuva, sementes e pássaros, a regeneração natural é muito vigorosa.

    Nenhum comentário: