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10 de mar de 2009

A SUSTENTABILIDADE EM CAPÍTULOS: II – ECOSSISTEMAS MARINHOS: POUCO ESTUDADOS E MAL COMPREENDIDOS











Mar aberto, fundo do oceano e zona costeira, constituem-se nas três grandes zonas de ¾ da superfície do nosso planeta. Estima-se que gerem produtos e serviços superiores a U$12 trilhões (dólares americanos) por ano. Uma cifra aproximadamente igual ao PIB dos Estados Unidos. E sobre a maioria dos ecossistemas que fazem parte do sistema marinho, continuamos tendo uma visão limitada, se não bastante distorcida. Tais ecossistemas são reservatórios de imensurável biodiversidade; e conhecê-los com profundidade requereria recursos humanos e tecnológicos de que ainda estamos longe de dispor.
A elevada produtividade da zona costeira. Do ponto em que as altas marés atingem nas costas dos continentes e ilhas até o declive suave da plataforma continental marinha, situa-se a zona costeira; que embora seja apenas 10% da área oceânica mundial contém 90% de todas as espécies marinhas, sendo o centro da produção pesqueira comercial. Seus principais ecossistemas são: estuários, com “salt marshes” (brejos salinos) nas regiões temperadas e manguezais nos trópicos; recifes de corais; e lagunas costeiras e brejos flúvio-marinhos. A maioria é detentora de alta produtividade primária líquida. Vejamos alguns destaques desses ecossistemas.
Os estuários. Nos locais onde os rios despejam suas águas no mar, formam-se os estuários. Caracterizam-se os estuários por grande diversidade de habitats, concentrando altos valores de entrada de nutrientes (viabilizada pela convergência de fluxos de águas fluviais, correntes marinhas, lixiviação de solos circunvizinhos os mais diversos), ventos, precipitação pluvial abundante, além de intensa radiação solar penetrando facilmente nas suas águas rasas... todos esses fatores possibilitando elevada riqueza de biodiversidade. Tais ambientes propiciam condições favoráveis à reprodução de várias espécies que vivem sua fase adulta no mar. As figuras acima ilustram sua grande complexidade, em termos de habitats e biodiversidade [esquemas reproduzidos de divulgação do Instituto de Biociências da USP].
Dezenas de espécies de algas marinhas, rica concentração de espécies do fitoplâncton (algas microscópicas) e do zooplâncton (animais microscópicos) formam a base da cadeia alimentar e variados tipos de teia alimentar que tornam os estuários um ecossistema de elevada produtividade ecológica. Um exemplo: nos manguezais do rio Paraíba, principalmente no município de Várzea Nova (na “grande João Pessoa”), a produção de carne de caranguejo alcança cerca de 600 kg por hectare por ano.
Além da produção de alimentos, os manguezais nos estuários provêem importantes serviços ambientais (ecológicos e econômicos). Filtram os poluentes provenientes da lixiviação ocorrida nas margens dos rios (agrotóxicos, fertilizantes) e resíduos de despejos industriais e de águas residuárias em geral. Atuam também como zonas de amortecimento de impactos causados por enxurradas, vendavais, furacões, picos de marés muito elevadas...; e têm também, historicamente, servido como fornecedores de lenha para vários usos.
Estimativa da FAO (“Food and Agricultural Organization”), da ONU, revela que de 1980 a 2005 nosso planeta perdeu pelo menos 1/5 dos manguezais, principalmente pelas ações antrópicas.
Um estudo de caso de degradação de estuários: Chesapeake Bay, nos E.U.A. Vimos no capítulo anterior (da série “A Sustentabilidade em Capítulos”, neste blog) que o quarto princípio científico da sustentabilidade é o CONTROLE POPULACIONAL. A população humana vivendo nas proximidades dessa baía (formada a sudoeste de Washington, D.C., na costa atlântica entre os estados de Delaware e Maryland) foi dado em 1940 como sendo de 3,7 milhões de pessoas; e em 2007 atingiu 16,6 milhões. O estuário recebe água residuária de uma bacia de drenagem composta por 9 rios e 141 riachos e córregos provenientes de seis Estados americanos. São comuns ali ocorrências de “algal bloom” (explosões, de crescimento, de populações de algas) devido às altas concentrações de fosfato e nitrato nas suas águas poluídas. A produção de ostras, caranguejos e peixes caiu muito desde os anos de 1960. As ostras são eficientes filtradores, retendo o excesso desses compostos responsáveis pela dita explosão de algas. Portanto, a pressão antrópica sobre a Baía de Chesapeake é certamente o principal causador de sua degradação.
Projeção catastrófica. Em 2006 viviam nas áreas costeiras 45% da população humana mundial; em 2040 há expectativa de que tal população seja de 80%.

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