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16 de jun de 2010

AGRONEGÓCIO SUBINDO… CERRADO SUMINDO


Segundo a Conservação Internacional (ou “Conservation International”, ONG internacional com atuação no Brasil) dos 204 milhões de hectares (= 2.040.000 km2) originais do bioma cerrado, 57% já foram completamente destruídos e a metade das áreas remanescentes estão bastante alteradas, podendo não mais servir à conservação da biodiversidade. A taxa anual de desmatamento no bioma é alarmante, chegando a 1,5%, ou 3 milhões de hectares (= 30.000 km2)/ano. Estima-se que essa taxa de desmatamento seja 10 vezes maior do que a da mata atlântica.
As principais pressões sobre o Cerrado são a expansão da fronteira agrícola, as queimadas e o crescimento não planejado das áreas urbanas. A degradação é maior nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, no Triângulo Mineiro e no oeste da Bahia, segundo estudo feito a partir de imagens de satélites. Junto com a biodiversidade (possivelmente a maior do mundo, entre as de savanas) estão desaparecendo ainda as possibilidades de uso sustentável de muitos recursos, como plantas medicinais e espécies frutíferas. Segundo o Centro de Recursos Genéticos e Biotecnologia da EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, já foram catalogadas mais de 330 espécies de cerrado de uso na medicina popular. Arnica (Lychnophora ericoides), barbatimão (Stryphnodendron adstringens), sucupira (Bowdichia sp.), mentrasto (Ageratum conyzoide) e velame (Macrosiphonia velame) são alguns exemplos.
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama, uma área de vegetação nativa superior à do estado do Mato Grosso já cedeu lugar para plantações de soja, pecuária e exploração de madeira. Para evitar a abertura de novas áreas, a pesquisa agropecuária aponta alternativas viáveis que podem ser adotadas na região para associar a conservação do Cerrado à produção. Uma delas é a integração lavoura-pecuária, estudada há mais de 20 anos pela EMBRAPA. Esse sistema permite a intensificação do uso das áreas já abertas pela pecuária e lavouras de grãos. A rotação entre áreas de pasto e de lavoura resulta em ganhos de produtividade. Isso é especialmente interessante para os pastos, que hoje estão, em sua maioria, degradados principalmente devido à deficiência de nutrientes. Pesquisadores do Centro de Pesquisas Agropecuárias do Cerrado, da EMBRAPA, afirmam que atualmente a taxa de lotação média no cerrado é de uma cabeça de gado por hectare e se esse número for aumentado para 1,4 cabeças, 11 milhões de hectares (= 110 mil km2) poderão ser alocados para outros usos, segundo afirmam esses pesquisadores (ou, como prefiro dizer, alternativamente: destinados à regeneração da vegetação nativa). Lembro aos leitores que em postagem anterior neste blog “ecologiaemfoco”, foi mostrada que uma taxa de lotação média de 1,4 cabeças é igual à da Amazônia (enquanto a do sul do Brasil é superior a 4). São citados ainda como benefícios oriundos dessa integração lavoura-pecuária: a melhoria na qualidade química, física e biológica do solo (com a utilização de plantio direto e de calcário e gesso para corrigir o pH do solo); a quebra no ciclo de pragas e doenças nas lavouras; e a diminuição dos riscos de produção e de preço, pois há diversificação de atividades, podendo o produtor investir em diversas alternativas simultaneamente.
Preocupa, em termos de desenvolvimento sustentável, a extensa devastação e ações diminutas de regeneração ou revitalização de áreas degradadas do cerrado. E, mais grave ainda em amplitude, o fato de que é em regiões de cerrado que nascem rios de bacias hidrográficas de importância vital para o país, como o Tocantins, São Francisco e Alto Paraguai.
Notícia veiculada no site do Ministério do Meio Ambiente em 15/06/2010 informa que R$42 milhões serão aplicados na conservação do cerrado, prevendo-se criação de novas UCs (Unidades de Conservação) e expansão das já existentes. Tudo isso nos próximos quatro anos. Vamos aguardar e acompanhar as ações!
O vídeo aqui anexado, extraído de Globo Vídeos, do programa de TV Globo Rural, ilustra a problemática da conservação do bioma cerrado.

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