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8 de jan de 2016

MENSAGEIRO EXTRATERRESTRE NAS PRAIAS DE JACUMÃ


Passeando, turisticamente, pelas praias de Jacumã, município do Conde, Paraíba, comecei a fazer registros fotográficos de alguns locais e situações que atraíram a minha atenção, de cidadão paraibano e por coincidência, professor de ecologia. As fotos que se  seguem darão aos eleitores uma ideia de minha preocupação com o que ví, só com alguns poucos minutos de caminhada. Esclareço aos leitores que predomina ao longo dessas praias, na parte continental, falésias típicas da formação Barreiras, com características argilo-arenosas, sendo portanto, extremamente frágeis.
Daí então surge a combinação perfeita para uma tragédia,  no nosso combalido  sistema socio-político-ambiental: a falta do bom senso comum, ou seja, a iniciativa desorientada daqueles que querem se utilizar da maior proximidade possível da beleza natural da faixa litorânea e a ausência ou permissividade das autoridades responsáveis pela ocupação territorial. Algumas dessas autoridades, por ignorância ou por desejarem colher frutos eleitorais imediatos, "pensam" que ao permitirem construções no topo e na borda dessas falésias (como vemos nas fotos) estão praticando "desenvolvimento sustentável". Estimulando o turismo e proporcionando benefícios socioeconômicos para a população local.
Acho sempre necessário enfatizar a importância de se distinguir entre "crescimento urbano" e "desenvolvimento urbano". No primeiro, em tudo que venha a se fazer de melhorias, corre-se o risco de estar se praticando remediação urbana! E no desenvolvimento, prevalece o planejamento!!! No caso de Jacumã é fácil se observar que a principal fonte de renda da cidade é o turismo. Portanto, faz-se necessário um plano que permita a convivência saudável, segura e duradoura da população  local e dos inúmeros turistas, provenientes do turismo dito doméstico e do internacional. Ou seja, um desenvolvimento realmente, sustentável.
Um ambiente natural e um ambiente urbanizado salubre e higiênico, foram os pontos indicados como os mais importantes, em enquete com turistas que vêm ao Nordeste e ao Brasil, como um todo. E neste aspecto, Jacumã, para mim, não atende a tais requisitos.  Nas praias, o lixo pode ser visto a cada curto trecho de caminhada. Os bares que se acercam do maceió, visto numa das fotos, não dispõem de esgotamento sanitário. Grande parte dos banhistas fazem suas necessidades fisiológicas onde desfrutam do banho de mar e no maceió. Neste, com certeza, uma ou outra criança, engole água! Nossos ácidos estomacais operam milagres!!! Numa das fotos vê-se um bar cujo dono subestimou a força da Natureza. Grandes sacos com areia ao redor do bar não detiveram a ação das marés altas.
A população local, trabalhando no comércio, prestando serviços, vivendo de biscates, ou simplesmente circulando no trânsito, refletem claramente, com o devido respeito e comiseração, que nosso sistema educacional não funciona!
E agora poderá alguém me perguntar: por que o título deste ensaio? Um extraterrestre???
Voltando à minha caminhada. Como professor de ecologia, aposentado pela Universidade Federal da Paraíba, mas ainda dando aulas em Universidades particulares e, talvez ilusoriamente, querendo sempre, em toda e qualquer oportunidade que me surja, educar, ou pelo menos, estimular nosso povo a distinguir uma "boa qualidade de vida" de uma vida fundamentada na expressão bem brasileira "quem vier depois que se arranje", fui mostrando aos banhistas adultos que encontrei na caminhada na praia, quão depredadora, insegura, insalubre e trágica é toda essa ocupação calamitosa nas praias de Jacumã; sensação negativa que aumentou mais ainda quando eu e minha esposa tentamos salvar um caranguejo maria-farinha ou grauçá da indiferença dos banhistas. Assim, senti que a maioria se entreolhava a se perguntar: esse aí deve ser um extraterrestre!!!








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