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14 de jun. de 2016

EDISON LOBÃO, EX-MINISTRO DE MINAS E ENERGIA, RECEBEU R$2 MILHÒES DE PROPINA, SEGUNDO DELATOR

Será por isso que ele defendia construção de hidroelétricas???


Como ele defendia Belo Monte:



E agora, conforme noticiado em:


Um dos executivos da Camargo Corrêa que fez acordo de delação premiada na Operação Lava Jato, Luiz Carlos Martins, afirmou que a empreiteira usou uma microempresa sediada em Santana de Parnaíba (SP) para pagar R$ 2 milhões ao senador Edison Lobão (PMDB-MA).

O depoimento foi prestado em março à Polícia Federal, em Brasília, por ordem do STF (Supremo Tribunal Federal).

O pagamento, segundo Martins, estava relacionado à construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Conforme o delator, que foi diretor da Camargo, o repasse foi feito porque Lobão “teria ajudado a montar os consórcios e para que ele não impusesse obstáculos ao andamento da obra”.

O depoimento consta de inquérito aberto em março pelo ministro do STF Edson Fachin como um desdobramento da Lava Jato a pedido da Procuradoria-Geral da República.

Em 2015, a Lava Jato já havia colhido a acusação da Camargo, em delação, de que Lobão havia recebido propina, mas agora a investigação recebeu os primeiros indícios do “caminho do dinheiro”.

Segundo Martins –o que foi confirmado por documentos que a empreiteira entregou à PF–, os pagamentos da Camargo para a AP Energy Engenharia e Montagem ocorreram entre 2011 e 2012, quando Lobão era o ministro de Minas e Energia no primeiro mandato de Dilma Rousseff.

Os serviços da AP eram “fictícios” e nunca foram prestados, disse o delator. As notas fiscais indicam pagamentos de R$ 1,22 milhão e R$ 1,26 milhão. Cerca de R$ 583 mil ficaram com os responsáveis da AP a título de “comissão” pelo trabalho de intermediação dos repasses, segundo o delator.

Em fevereiro de 2011, a Norte Energia, concessionária de Belo Monte, assinou o contrato com um consórcio de dez empreiteiras para a realização das obras da hidrelétrica. A Andrade Gutierrez assumiu a liderança do consórcio, com 18% das ações, seguida por Camargo e Odebrecht, com 16% cada uma.

Martins foi escolhido pela Camargo para ser o representante da empresa nas reuniões do conselho do CCBM (Consórcio Construtor de Belo Monte). No segundo semestre de 2011, segundo Martins, ele ouviu do representante da Andrade no consórcio, Flávio Barra, que “1%” do valor total das obras deveria ser pago “em partes iguais para os partidos PT e PMDB”.

As obras estavam estimadas em R$ 13,4 bilhões, o que projeta uma propina de R$ 134 milhões, valor dividido entre as diversas empreiteiras envolvidas no projeto. Pelos cálculos de Martins, a cota da Camargo era de R$ 21 milhões.

Surgiram, porém, problemas no acerto. O delator disse que Barra afirmou que “algumas das construtoras não haviam feito o pagamento devido” e que “o então ministro Lobão estava fazendo a cobrança em nome do PMDB”.

Martins levou o assunto ao seu superior, Dalton Avancini, que hoje também é delator. Avancini respondeu, segundo o delator, que “resolveria o problema do PT” e incumbiu Martins de “resolver o problema do PMDB”.

Martins declarou que, embora “não se conformasse” com a cobrança, passou a tratar de encontrar “um caminho” para o envio do dinheiro. Segundo ele, “a remessa de valores ao Maranhão ficou ao encargo da AP Energy ou de outras empresas ligadas a ela ou até mesmo de seus sócios”. O delator não soube dar detalhes de como o dinheiro teria chegado a Lobão, mas afirmou ter “a convicção” de que houve a entrega porque “cessaram as cobranças”.

Barra, o executivo da Andrade, também fechou delação. A Folha apurou que ele prestou, em março, um longo depoimento sobre Belo Monte, ainda sob sigilo.

Outro lado

O advogado do senador Edison Lobão (PMDB-MA), Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente “não conhece a empresa AP Energy nem os sócios dela”.

“Só isso já demonstra a completa mentira e irresponsabilidade da delação. É lamentável que as palavras dos delatores tenham foro de verdade, pois no caso concreto são absolutamente falsas”, afirmou Kakay.

Localizado por telefone pela Folha nesta quinta-feira (9), um dos sócios proprietários da AP, Fernando Mendes Brito, afirmou que não se recordava do pagamento total de R$ 2,5 milhões recebido pela sua empresa, entre 2011 e 2012, da Camargo Corrêa.

Brito primeiro afirmou que já trabalhou com a Camargo Corrêa, “mas em coisas pequenas”. “Esse valor que o senhor falou, sinceramente, desconheço totalmente.” Minutos depois, porém, entrou em contradição: “Nunca trabalhei com a Camargo Corrêa, nunca com eles”.

Brito disse que a AP está desativada “há alguns anos” e que não conhece o senador Edison Lobão. “Nem sei quem é, sinceramente”, disse.

Ele afirmou que iria procurar seu advogado, que entraria em contato com a Folha, mas isso não havia ocorrido até a conclusão desta edição.

O outro sócio de Brito na AP, Marcelo Martinelli Szanto, também citado pelo delator Luiz Carlos Martins como participante da contratação “com objeto fictício”, não foi localizado pela reportagem da Folha.

8 de jun. de 2016

JAGUATIRICA NA AMAZÔNIA: ESTUDO REVELA DE QUE HÁ MENOS DO QUE SE ESPERAVA!



Dados da wikipedia

Nome comum: Jaguatirica


Nome científico: Leopardus pardalis


Classe: Mammalia


Ordem: Carnívora


Família: Felidae


Animal ameaçado de extinção, a jaguatirica era encontrada em todo o Brasil. Seus habitats compreendem as florestas tropicais, a caatinga, os cerrados e o pantanal. São os maiores gatos-do-mato do Brasil. Assim como a onça, o peso e o tamanho variam conforme o habitat, e o tipo e a quantidade de alimento disponível.


Alimentam-se de pequenos mamíferos como filhotes de veados, pacas, cutias, preás, e pequenas aves. Na carência destes, também preda lagartos, pequenas serpentes, rãs e peixes. Esta dieta flexível é uma característica da jaguatirica. Caçam à noite e durante o dia, costumam dormir em ocos de árvores e grutas. Cada gestação pode variar de 70 a 85 dias (IUCN, 1996) e geralmente nasce apenas um filhote. Seu desmame ocorre entre 8 e 10 semanas e o crescimento é lento.



Quantas jaguatiricas existem na Amazônia?

Ao longo de três anos, entre 2013 e 2015, Daniel e uma equipe de pesquisadores do Instituto Mamirauá – uma organização conservacionista localizada às margens do Rio Solimões – monitoraram a movimentação de jaguatiricas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, uma faixa de mais de 2.000 hectares de terra a 600 quilômetros de distância de Manaus.  As conclusões desses estudos foram publicadas há algumas semanas na revista científica Plos One.  Trazem uma notícia boa – ao longo dos três anos de observação, a população de jaguatiricas na reserva variou pouco.  Sinal bom, de que a população é estável e está protegida.  O estudo trouxe também uma surpresa – há, nessa região da Amazônia Central, menos jaguatiricas do que se esperava.

Pesquisas semelhantes feitas no passado, na Amazônia fora do Brasil, sugeriam a existência de mais de 80 animais a cada 100 quilômetros quadrados de floresta.  Era um número coerente com as expectativas de que grandes populações de felinos viviam próximas do Equador.  Os números coletados pela equipe de Daniel são muito mais tímidos.  Sustentam que na região central da Amazônia brasileira há 25 animais a cada 100 quilômetros quadrados.

Daniel afirma que essa queda nos números não é, necessariamente, motivo para preocupação.  Os estudos mais recentes de monitoramento de populações de animais usam técnicas estatísticas mais avançadas.  As primeiras estimativas de populações de jaguatiricas não contavam com tanto refinamento técnico, o que ajuda a explicar tamanha discrepância: “Em parte a questão é metodológica”, diz o pesquisador.  “Nós usamos modelos matemáticos mais modernos.”

Os novos dados também não assustam porque sugerem que a população de jaguatiricas pode variar muito entre uma região e outra da Amazônia.  Os mais de 80 animais a cada 100 quilômetros quadrados foram observados em uma região da floresta no Peru.  Na reserva vizinha àquela onde Daniel trabalhava, dez anos de observação constataram a presença de uma única jaguatirica desgarrada: “Por isso, nós evitamos fazer extrapolações para outras áreas da floresta.  Os números que encontramos valem para áreas de terra firme”.  A reserva vizinha, sem jaguatiricas, é uma área de várzea, onde as terras permanecem alagadas pela maior parte do ano.

O estudo de Daniel é importante porque informações como essas ajudam a desenhar estratégias de preservação para as espécies.  Tão importante quanto saber em quais biomas existem jaguatiricas, é saber em que regiões há maiores concentrações de animais.  E acompanhar as variações dessas concentrações ao longo dos anos: “O resultado desses novos números, para a conservação, é interessante”, diz Daniel.  “Se você tem a expectativa de encontrar mais bichos do que realmente existem, pode acabar relaxando nos seus esforços para protegê-los.”

Estudar os animais na Amazônia é tarefa difícil.  Não apenas pelo caráter arredio de algumas espécies.  O deslocamento pela mata fechada, como a da reserva Amanã, exige disposição e força física dos pesquisadores.  Observar as jaguatiricas na Amazônia forçou Daniel a enfrentar dez horas de caminhadas diárias para instalar as armadilhas fotográficas usadas no monitoramento.  Além de mais quatro horas de barco mata adentro.O equipamento usado pelos biólogos é caro: “O investimento financeiro inicial para um trabalho assim é alto”, diz Daniel.  E explica, em parte, por que nos faltam conhecimentos sobre essas espécies da floresta: “Existe uma lacuna de conhecimento sobre a Amazônia.  A jaguatirica é o carnívoro mais abundante da floresta.  E, mesmo assim, sabemos quase nada sobre ela.”

6 de jun. de 2016

VAQUEJADA: CADA PAÍS TEM A BARBÁRIE QUE MERECE???



Da mesma forma, há também quem ache também que estuprar uma mulher é uma conquista do homem, que espancar uma criança é um direito dos pais e que encarcerar um idoso num quarto é uma solução prática para os dias atuais.

Considerar vaquejada, farra do boi ou rinha de galo meras manifestações culturais que mereçam ser preservadas é um paradigma de pensamento próprio daquele que despreza seus semelhantes em situação vulnerável.

A imagem de um estuprador (ou daquele que testemunha um estupro e não faz nada para impedi-lo) não é tão diferente daquela do sujeito que se diverte em ver a dor nos olhos de um animal acuado.

Crueldade inconstitucional

O Ministério Público Federal ajuizou uma ação contra uma lei do Ceará que regulamenta as “vaquejadas”, modalidade deprimente de espetáculo altamente lucrativo e que hoje não tem absolutamente nenhuma relação com a labuta diária dos vaqueiros tradicionais – esta sim uma prática que deve integrar o patrimônio cultural brasileiro.

Conforme esclarece o MPF na peça inicial, a vaquejada consiste em espetáculo no qual são formadas “duplas de competidores que correm a galopes, cercando o boi em fuga. O objetivo é conduzir o animal até uma área marcada com cal e, estando ali, agarrá-lo pelo rabo, torcendo-o para, na queda, posicioná-lo com as quatro patas para cima”.

Para espanto de todos os que atuam na área ambiental, os ministros Luiz Edson Fachin, Luiz Fux, Teori Zavascki e Gilmar Mendes defenderam a tese que a vaquejada é uma manifestação cultural que deve ser garantida e, portanto, a lei cearense nada teria de inconstitucional.

O resultado até o momento é de 4 x 4. É muito grande o risco de retrocesso neste momento: restam apenas 3 votos, dos Ministros Dias Tofolli, Carmen Lúcia e Ricardo Lewandowski. Bastam apenas dois votos a favor dessa selvageria para que esteja consumado o retorno à idade média em nosso país. Apaga-se a previsão constitucional do art. 225, § 1º, inciso VII, que proíbe a crueldade contra animais. Daí será um passo para se permitir a agressão a qualquer outro ser vivo em situação de vulnerabilidade.

É preciso que a sociedade manifeste energicamente sua oposição a qualquer modalidade de violência. Precisamos nos mobilizar com urgência para que os Ministros Toffolli, Carmen Lúcia e Lewandowski não permitam o prosseguimento de atividades lucrativas que têm por alicerce a violência e a covardia.