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17 de jun. de 2026

NOSSAS ABELHAS E AS AMEAÇAS A SUA EXISTÊNCIA

REPRODUZIDO DE: https://jornal.usp.br/ciencias/consequencias-de-pesticidas-sao-mais-dramaticas-para-as-abelhas-tropicais/
DESTAQUES: 1) A polinização é um processo fundamental para a reprodução das plantas, influenciando diretamente no equilíbrio ambiental e na produção agrícola. Mesmo assim, o Brasil ainda tem pouco conhecimento do efeito de agrotóxicos sobre seus principais agentes polinizadores – organismos responsáveis por levar o grão de pólen até o local onde está o gameta feminino, o que resulta na formação de frutos e sementes. É o caso de espécies nativas de abelhas sem ferrão que, segundo recente publicação na revista Science of The Total Environment, sofrem mais que as abelhas europeias quando expostas a pesticidas. 2) A informação vem de estudo inédito no Brasil em que foram testadas as habilidades inatas desses polinizadores para encontrar alimentos. Responsável pela pesquisa, o cientista João Marcelo Robazzi Bignelli Valente Aguiar, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, avaliou o comportamento de abelhas sem ferrão e de africanizadas, após exposição ao imidacloprido, o agrotóxico mais utilizado no mundo. Como resultado, verificou-se que o produto prejudica a capacidade de aprendizagem e memória das duas espécies, mas com consequências “mais dramáticas para as sem ferrão”. 3) Para o estudo, Aguiar escolheu a Melipona quadrifasciata, mais comum em regiões da Mata Atlântica. Além da importância para os ecossistemas em que está presente, a Melipona é responsável pela polinização de várias culturas, como a do café. Com fins de comparação, o pesquisador testou também os efeitos do imidacloprido sobre a abelha africanizada Apis mellifera, híbrida de europeias com africanas, muito importante para toda a produção agrícola nacional. As africanizadas foram a escolha de base para comparação também por pertencerem à mesma espécie das abelhas europeias, para as quais existem vários estudos mostrando os efeitos deste agrotóxico. 4) Quanto maior a dosagem, maiores são os danos cognitivos. Imidacloprido tem uso indiscriminado no Brasil. O desaparecimento de abelhas virou preocupação global há alguns anos e tem como potencial vilão os agrotóxicos. O imidacloprido pertence a um grupo de pesticidas chamado neonicotinoides, que, segundo João Marcelo Aguiar, são considerados muito agressivos e já estão praticamente banidos dos países europeus de clima temperado. E são agressivos “não só com as pragas que querem eliminar, mas com os insetos em geral: as abelhas e borboletas que ocorrem naturalmente na área”.

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