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24 de nov de 2013

ESCÓCIA: PRIMEIRO PAÍS A ATRIBUIR VALOR MONETÁRIO A UM DOS SEUS MAIS IMPORTANTES ECOSSISTEMAS

[Reproduzido de THE INDEPENDENT, Londres]



Turfa retirada para queima (Escócia; Wikipedia)



Embora alguns ambientalistas, como os do grupo World Development Movement, achem que atribuir valor monetário à Natureza seja um passo para privatizá-la, cientistas estimam que ecossistemas na Escócia alcancem valor entre £21.5 e £23 bilhões (libras esterlinas) (£1 = R$3,80 ou R$4,00), por ano, na economia escocêsa.

A Escócia é o primeiro país no mundo a estipular valor econômico para um ambiente natural e os benefícios por ele providos.

"Peat bogs" (zona pantanosa; terrenos turfosos encharcados). Estes ecossistemas atuam como reguladores das águas, retendo água de chuva e reduzindo seu fluxo, diminuindo assim a frequência e intensidade das enchentes. Contribuem para o equilíbrio climático. Eles também purificam a água, absorvem e armazenam carbono, sendo importantes para alimentar e manter a biodiversidade (peixes, aves, mamíferos). 
[...]

Jonathan Hughes, diretor da "Conservation at the Scottish Wildlife Trust", deu boas vindas a esse movimento. Disse ele: “Um manguezal vale '£1,000 per hectare' (mil libras por hectare). Mas se você considerar a proteção (que ele exerce) contra tormentas, seu valor para a reprodução dos peixes e para a regulação climática,  os manguezais valem cerca de  '£21,000 per hectare' (21 mil libras por hectare) para a sociedade local”.

Algumas informações sobre  "peat bogs".
Essas zonas de aparência pantanosa, de terrenos turfosos, encharcados, muitos deles cobertos por musgos (Sphagnum), são compostos por cerca de 95 por cento de água e 5 por cento de carbono. Origina-se a turfa de lenta decomposição da matéria orgânica. Sua renovação natural é lenta: 1 mm por ano.

A turfa é utilizada em muitos países do norte, como combustível. Estima-se que haja cerca de 4 trilhões de metros cúbicos de turfa no mundo, cobrindo uns 2 por cento de nosso planeta (uns 3 milhões de km quadrados); armazenando um potencial de 8 bilhões de terajoules de energia.
Segundo cálculos do IPCC (International Panel on Climate Change), a intensidade de emissão de dióxido de carbono é de 106 g de CO2/MJ de turfa; valor mais elevado do que o produzido pela queima de carvão mineral, 94,6 g e pela queima de gás natural, 56,1 g. Teme-se por isso, que o aquecimento global possa induzir a queima espontânea desse gigantesco armazenamento de carbono.

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