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27 de ago de 2014

CARNÍVOROS (EXCESSIVOS) CONTRIBUINDO PARA O AQUECIMENTO GLOBAL

Neste blog, algumas matérias  já foram postadas sobre este assunto (menos carne, mais vegetais), como por exemplo, a postagem de

22/07/2013:  MUITAS TERRAS COMPROMETIDAS PARA ALIMENTAR ANIMAIS


Vejamos agora esta, reproduzida de http://www.oeco.org.br/guardian-environment-network



Artigos da rede que reúne os melhores sites ambientais do mundo, selecionados pelo diário inglês The Guardian.

De verdade, quer mudar o clima? Torne-se vegetariano
Travis McKnight* - 21/08/14

Foto: Jean-Pierre/FlickrFoto: Jean-Pierre/Flickr


Entre as disparidades econômicas generalizadas, o crescimento da população, a agricultura não sustentável e as mudanças climáticas, um estudo parcialmente financiado pela Nasa previu que a civilização como a conhecemos pode estar em direção firme ao colapso no próximo século – e a janela de oportunidade para adotar uma mudança de impacto está diminuindo. Isso significa que a geração do século 21 é potencialmente a última geração durante a qual criar uma mudança significativa é possível. Mas como obter isso?

É hora de começar uma revolução alimentar.

A geração do século 21, os “millennials” representam 200 bilhões de dólares em valor econômico, e se a maioria da nossa geração se tornar vegetariana ou vegan, ou ao menos comer uma quantidade considerável menor de carne do que as gerações anteriores, temos a chance de produzir um verdadeiro impacto econômico -- e, portanto, ambiental.

Em 2012, havia cerca de 70 bilhões de animais de abate para 7,1 bilhões de pessoas (links em inglês). E um estudo publicado em julhopela revista Proceedings of the National Academy of Science mostra que a produção de gado é uma das forças mais destrutivas por trás das mudanças climáticas: ela degrada a qualidade do ar, polui cursos de água, e ocupa a maior quantidade de terras.

Precisamente quanto o gado contribui para a mudança climática continua em debate: estudos mostram números que variam de 18% (um relatório de 2006 sobre alimentos das Nações Unidas) até 51% (um estudo da World Watch de 2009). A maioria dos outros estudos está em algum lugar nesse intervalo, mas, em cada um deles, o conselho é o mesmo: o ser humano precisa comer menos carne para frear a mudança climática e a escassez de recursos.

Criar animais para comer produz mais gases do efeito estufa (via metano e óxido nitroso) do que todo o dióxido de carbono expelido por automóveis, barcos, aviões e trens do mundo. Ao longo de um período de 20 anos, o metano tem 86 vezes mais potencial de mudança climática do que o dióxido de carbono, enquanto o mesmo número para o óxido nitroso é de 268 vezes, de acordo com um relatório da ONU de 2006. Reduzir radicalmente a quantidade de metano e de óxido nitroso na atmosfera pode produzir mudanças perceptíveis no efeito estufa dentro de décadas, enquanto as mesmas reduções de dióxido de carbono tomariam quase um século.

Sim, desistir de carne pode reduzir a sua pegada de carbono bem mais do que parar de dirigir.

Além do metano e o óxido nitroso liberados durante a produção, o gado industrializado contribui em cerca de 75% para o desmatamento (necessário para dar aos animais terra para pastar e plantar soja utilizada na sua alimentação).

Criar vacas, claro, tem o maior impacto ambiental. Há cerca de 1,5 bilhão de vacas no mundo. Elas consomem 170 bilhões de litros de água e 61 bilhões de quilos de comida todos os dias, de acordo com odocumentário Cowspiracy. Em comparação, cerca de 7,1 bilhões de seres humanos consomem 19,2 bilhões de litros de água e 9,5 bilhões de quilos de alimentos por dia. Para colocar isto em termos fáceis de digerir, produzir a carne para um hambúrguer de 150 gramas consome algo como 67 mil litros de água, dependendo do tipo de criação do gado, de acordo com o governo dos Estados Unidos.

Em comparação com as galinhas e os porcos, as vacas precisam de 28 vezes mais terras, 11 vezes mais água e causam cinco vezes mais gases de efeito estufa, segundo um estudo liderado por Gidon Eshel, do Bard College. Olhando para os alimentos comumente encontrados em dietas vegetarianas e veganas, como batatas, arroz e trigo, este trabalho conclui que, por caloria de carne bovina, as vacas precisam de 160 vezes mais terra e produzem 11 vezes mais gases de efeito estufa.

É ridícula a quantidade de recursos necessários - e sacrificados - para criar gado; precisamos simplesmente parar de criar tantos animais para abate. Você pode adotar todos os tipos de outros pequenos passos para reduzir seu impacto ambiental: ir para o trabalho de bicicleta ou a pé, reduzir o uso de energia elétrica através de aparelhos mais eficientes, usar menos água através de torneiras e vasos sanitários de baixo fluxo, comprar de empresas ambientalmente conscientes - mas os pesquisadores afirmam que nada disso sozinho será suficiente para reverter a mudança climática. Se você realmente quer fazer diferença, então, preste atenção para o que está no seu prato.

Como disse Albert Einstein: "Nada irá beneficiar tanto a saúde humana e aumentar as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana". Se você não está disposto a se tornar vegetariano ou vegan, apenas reduzir de forma considerável a quantidade de carne em sua dieta pode ter impacto: por exemplo, em vez de aderir à "segunda-feira sem carne", adote a "segundas-feiras carnívoras", caso em que a segunda-feira é o único dia que você come até mesmo uma porção pequena de carne.

Adiar esta mudança por mais uma geração – como nossos pais vêm fazendo -- simplesmente não é viável. A geração do século 21 tem a oportunidade de usar seu poder econômico e escolhas pessoais para promover mudança de verdade, e é nossa responsabilidade fazê-lo.

Além disso, se não pararmos e revertermos as mudanças climáticas, tudo o que restará para comer - se tivermos sorte - é peixe. Ooops, parece que estamos ficando sem peixe também.

 

*Esse artigo é publicado em parceria com a Guardian Environment Network, da qual ((o))eco faz parte. A versão original (em inglês) foi publicada no site do Guardian. Tradução de Eduardo Pegurier



 

 


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