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9 de jul de 2013

ECOLOGIA, ECONOMIA, ECONOMIA ECOLÓGICA OU AMBIENTAL ...

... ou o início da grande ênfase entre "processo econômico e conservação dos ecossistemas".

[Breves considerações, iniciais, fundamentadas em ODUM,E.P. & Barrett,G.W. (2005) Fundamentals of Ecology. 5th Ed. Belmont, Thomson Brooks/Cole, 598p.]

Já se sabe desde sua introdução pelo biólogo alemão Ernest Haeckel em 1869, que a palavra “ecologia”, do grego “oikos” = casa e “logos” = estudo, refere-se ao local onde vivem os organismos e os processos que tornam tal local habitável. Implica nesta ciência, o estudo da existência de toda a estrutura física, química e biológica do ambiente e da interação e interdependência dos seres vivos com todos os elementos que constituem essa estrutura. E a palavra “economia” tem a mesma raiz “oikos” acrescido de “nomos” = manejo, administração, gerenciamento; referindo-se assim, à maneira como a casa é manejada. Como se vê, ecologia e economia são disciplinas similares, que se constituem num sistema único,do qual os seres humanos dependem para viver.
Infelizmente, muitas pessoas colocam essas disciplinas em confronto, como se fossem adversárias. Mas felizmente, surgiu a “economia ecológica ou ambiental” (também denominada de “economia da sustentabilidade”) que concilia os princípios, com certas diferenças, entre ecologia e economia, como pode ser visto no quadro que se segue.
ATRIBUTO
ECONOMIA
ECOLOGIA
Escola de pensamento
Cornucopiana
Neo-malthusiana
Moeda corrente
Dinheiro
Energia
Forma de crescimento
Em forma de J
Em forma de S
Pressão seletiva
r-estrategista
k-estrategista
Abordagem tecnológica
Alta tecnologia
Tecnologia apropriada
Serviços do sistema
Providos pelo capital humano
Providos pelo capital natural
Uso dos recursos
Linear (descartável)
Circular (reciclagem)
Regulação do sistema
Expansão exponencial
Capacidade de suporte
Meta futurística
Exploração e expansão
Sustentabilidade e estabilidade
Breve explanação sobre alguns dos termos acima:
a)     Escola cornucopiana. Fundamentada na teoria do economista norte-americano Julian L. Simon, em 1981: futurista, acreditando que o progresso (contínuo) e a provisão material para a espécie humana podem ser obtidas pelos avanços constantes da tecnologia. Nessa “linha de pensamento” acredita-se que o planeta Terra terá matéria e energia suficientes para sustentar os 9,5 bilhões de seres humanos que se preveem existir no ano de 2050. Obs.: cornucópia, termo de origem Greco-romana, é um vaso em forma de chifre, contendo flores; simboliza a agricultura e o comérico: em suma, a “economia”.
b)     Escola malthusiana. Fundamentada na teoria do economista e reverendo inglês Thomas Robert Malthus (1766-1834) que acreditava que a população humana aumentaria numa escala geométrica e o suprimento de alimento em escala aritmética. Ocorreriam como consequência a pobreza e a fome, além de guerra e restrições morais. Os adeptos desta teoria não consideravam os avanços tecnológicos na agricultura e produção de alimento em geral. Em termos ecológicos equivale dizer que o potencial reprodutivo de um organismo (ou de uma espécie) excederia a capacidade da Natureza em sustentar seus descendentes. E assim a biodiversidade somente poderia ser preservada pelos mecanismos que mantêm a população desse organismo (ou espécie) em equilíbrio, como acontece na predação.
c)     r-estrategista e k-estrategista. Denominam-se estrategistas, as espécies que, numa situação de equilíbrio das condições ambientais ou em condições adversas ou de superpopulações, adotam respectivamente, mecanismos característicos que as tornam tipicamente espécies “em equilíbrio” (estrategistas K) ou “oportunistas e fugitivas” (estrategistas r).
d)     Capacidade de suporte: limite em que determinado ecossistema é capaz de suportar (ou manter) uma população ou populações, em nível de equilíbrio, isto é, no ponto em que não há modificação significante no número de indivíduos dessa população.
e)     Estabilidade: capacidade de um sistema ecológico em manter-se em condições relativamente constantes em termos de sua composição, sua biomassa e produtividade, com pequenas flutuações em torno de uma média, e que seja capaz de retornar a esta situação a cada vez que sofrer perturbações. Neste último aspecto, fala-se também em “resistência” de um ecossistema, que por sua vez, dependerá da “elasticidade” (resiliência) ou taxa com que o ecossistema se recuperará dos distúrbios que lhes são causados (naturais ou antrópicos).

Avanços tecnológicos conquistados pelo homem levaram as sociedades à concepção, errônea, de que “cada vez mais dependemos menos da Natureza”. Sistemas econômicos em todo o mundo, independentemente de ideologia política, ajustaram-se a explorar recursos naturais, sem atribuir valores aos bens e serviços providos pela Natureza. Surgiu então a “economia ecológica ou ambiental ou da Natureza”, sendo mostrado às sociedades que a ciência econômica convencional, que acreditava num crescimento ilimitado, precisava considerar a base ecológica do sistema econômico; criando assim o conceito de “sustentabilidade”. Teve início o reconhecimento da importância dos:

SERVIÇOS AMBIENTAIS

            Atividades ou funções executadas pela Natureza e que têm sido vistas recentemente, como de benefícios imprescindíveis à vida e que podem ser submetidas a avaliações econômicas. Como sejam: o ar que todos respiram, a regulação hídrica (o ciclo da água), o ciclo de nutrientes, produção de alimentos, recursos genéticos (e recursos naturais em geral), regulação da temperatura atmosférica e das águas, absorção e degradação natural de poluentes gerados pela humanidade etc.

De acordo com a “FAO – Food and Agriculture Organization”, os serviços ambientais podem ser sumarizados como se seguem:
(Obs.: (1) existente numa floresta, por exemplo, sendo utilizado ou potencialmente utilizável; (2) existente, mas de utilização restrita.

  

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